The myth of white Argentina still shapes the nation
Milei is deepening a state tradition that has equated whiteness with civilisation since its inception.
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Milei is deepening a state tradition that has equated whiteness with civilisation since its inception.
Milei has long studied Judaism and has said he wants to convert after leaving office but sees Jewish practice, including the observance of Shabbat, as incompatible with the presidency.
Israeli historian Yuval Noah Harari takes issue with President Milei's proposal to grant legal personhood to corporations operated by AI, writing it could be dangerous. Leer más

Como Trump tenta influenciar eleições em outros países e por que seu apoio nem sempre tem o resultado esperado Getty Imagens via BBC Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoio "completo e total" ao candidato da direita na eleição presidencial colombiana, no fim de maio, ele estava repetindo um gesto raro entre seus antecessores, mas cada vez mais comum neste segundo mandato. O candidato, Abelardo De La Espriella, disputará o segundo turno com Iván Cepeda, do partido Pacto Histórico, o mesmo do presidente Gustavo Petro. Em sua rede social, Truth Social, Trump parabenizou De la Espriella, a quem chamou pelo apelido de "El Tigre", pela vitória no primeiro turno. "Abelardo enfrentará um marxista de esquerda radical no segundo turno em 21 de junho", acrescentou, referindo-se a Cepeda. "Os resultados desta eleição são de extrema importância para o futuro da Colômbia e para suas relações com os Estados Unidos." De La Espriella agradeceu Trump pelo "apoio decisivo". Cepeda, por sua vez, denunciou o que descreveu como "tom intervencionista" e exigiu respeito à soberania da Colômbia. Por que o PIX está na mira de Trump? A Colômbia é apenas o exemplo mais recente em que Trump tenta influenciar o resultado de um pleito ao manifestar preferência por determinado candidato ou partido. Também fazem parte dessa lista crescente países como Argentina, Honduras, Hungria e Japão, entre vários outros. Embora, historicamente, os Estados Unidos tenham interferido em eleições de diversos países no passado, a maneira como isso tem sido feito pelo governo Trump tem chamado a atenção. "Geralmente era feito de maneira velada, não costumava ser explícito por parte dos presidentes", diz à BBC News Brasil o professor de História Mikael Wolfe, da Universidade Stanford, na Califórnia. "Era raro um presidente, antes de Trump, intervir diretamente em uma eleição em andamento e de forma tão pública", afirma Wolfe. "Trump rompeu com o modus operandi." Em vez de operações secretas da CIA, a agência de inteligência americana, como documentado durante a Guerra Fria, ou de manifestações sutis da diplomacia em defesa de eleições justas e transparentes, Trump recorre às redes sociais para pedir votos abertamente, às vezes com ameaças, para candidatos alinhados ideologicamente. O presidente americano, que iniciou o segundo mandato com uma retórica de não-intervencionismo, também se destaca pela escala de seu envolvimento em assuntos domésticos de outros países. "Neste momento, o governo Trump adota uma postura de buscar de alguma forma influenciar todas as eleições que ele acompanha", diz à BBC News Brasil o cientista político Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard e do Carnegie Endowment for International Peace. "Na América Latina, o que se vê é que algum tipo de opinião ou de tentativa de influenciar virou regra", observa. "A exceção agora é o governo americano não fazer isso." Stuenkel lembra que, às vésperas do segundo turno nas eleições presidenciais peruanas, no domingo (7/6), muitos se perguntavam por que Trump ainda não havia declarado apoio à candidata da direita, Keiko Fujimori. Nesse contexto, crescem no Brasil discussões sobre a possibilidade de que os Estados Unidos tentem interferir nas eleições presidenciais de outubro. A percepção de tentativa de interferência foi reforçada nas últimas semanas, com a decisão do governo americano de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e com ameaças de novas tarifas contra produtos brasileiros. Essas medidas foram anunciadas poucos dias após uma visita a Washington do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. Vinte dias antes, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deverá buscar a reeleição em outubro, havia sido recebido por Trump na Casa Branca, em mais um sinal de aproximação após meses de tensão entre os dois países no ano passado. Diante desse cenário, há no Brasil a expextativa de que, com ou sem tentativa de interferência americana, temas ligados à política externa e às relações entre Brasília e Washington devem ganhar relevância na campanha. O impacto do apoio de Trump Mesmo que Trump busque influenciar a eleição brasileira, é difícil medir o possível impacto. Em alguns países, os candidatos apoiados por ele saíram vitoriosos. Nas eleições legislativas da Argentina, em outubro do ano passado, Trump foi além da mera manifestação pública de apoio, e sugeriu que o auxílio financeiro ao país dependia da vitória da coalizão do presidente Javier Milei, seu aliado. "Se ele perder, não seremos generosos com a Argentina", disse o americano. A coalizão de Milei conquistou uma vitória clara no pleito, que foi comemorada por Trump em sua rede social: "GRANDE VITÓRIA na Argentina para Javier Milei, um candidato maravilhoso apoiado por Trump!" Um mês depois foi a vez de Trump se manifestar sobre a eleição presidencial de Honduras, declarando apoio ao conservador Nasry Asfura em várias postagens e insinuando que, caso o candidato fosse derrotado, os Estados Unidos não continuariam a destinar recursos ao país. Após a votação, em meio a um longo processo de contagem de votos, Trump postou, sem oferecer provas, que autoridades eleitorais estavam tentando "mudar os resultados" do pleito. Asfura acabou sendo eleito por pequena margem. Pouco antes das eleições legislativas do Japão, em fevereiro, Trump postou mensagem de apoio à coalizão da primeira-ministra Sanae Takaichi, que acabou conquistando uma vitória considerada histórica. "Como presidente dos Estados Unidos da América, é minha Honra conceder o meu Apoio Completo e Total a ela e ao que a sua altamente respeitada coalizão está representando", postou Trump antes do pleito. No ano passado, em visita à Polônia, a então secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, pediu abertamente aos poloneses que votassem no candidato conservador, Karol Nawrocki, que acabou eleito presidente. No entanto, se nesses casos os candidatos apoiados pelo governo Trump saíram vitoriosos, em outros países a interferência americana parece não ter ajudado, ou até mesmo atrapalhado, aparentemente favorecendo partidos opostos à agenda de direita. Durante as eleições parlamentares da Hungria, em abril deste ano, Trump manifestou diversas vezes apoio ao então primeiro-ministro, Viktor Orbán, seu aliado próximo. O presidente americano Donald Trump e o ex-líder húngaro Viktor Orbán, à direita Getty Images via BBC "Hungria: SAIAM ÀS RUAS E VOTEM EM VIKTOR ORBÁN", escreveu Trump em uma das várias postagens na Truth Social. "Ele é um verdadeiro amigo, um lutador e um VENCEDOR, e tem o meu Apoio Completo e Total para a sua Reeleição como Primeiro-Ministro da Hungria." O vice americano, JD Vance, chegou a visitar Budapeste poucos dias antes da votação, para demonstrar o apoio do governo americano à campanha de Orbán. Apesar desses esforços, Orbán acabou derrotado por Péter Magyar. No Canadá, a interferência americana acabou prejudicando o candidato conservador nas eleições do ano passado. Em vez de apoio explícito, a influência de Trump se deu principalmente por meio de tarifas e provocações, ao insistir que o Canadá deveria ser anexado como o 51º Estado americano. Essas declarações acabaram despertando uma onda de orgulho nacional no Canadá. O Partido Conservador, de Pierre Poilievre, à frente nas pesquisas até a reta final, foi derrotado pelo Partido Liberal, do primeiro-ministro Mark Carney. "Quando um país é muito dependente e não possui nenhuma capacidade de resistir a esse tipo de interferência, como é o caso de Honduras, acho que o eleitor sabe que uma boa relação com os Estados Unidos é fundamental para o bem-estar do país", diz Stuenkel. "Em países menos expostos, onde a tentativa de influenciar é vista como uma interferência indevida, há um risco de isso virar algo contraproducente", afirma . "[No Canadá], as ameaças criaram um problema para o candidato pró-Trump, que virou alvo de críticas. Nesse caso, as ameaças de Trump decidiram a eleição, deram a vitória a Mark Carney", salienta Stuenkel. O que esperar nas eleições no Brasil No caso do Brasil, um país que não tem tanta dependência dos Estados Unidos, tentativas anteriores de interferência de Trump parecem não ter surtido o efeito desejado. No ano passado, o governo Trump adotou uma série de medidas em resposta ao que descreveu como "perseguição" sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas incluíram tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades, como restrições financeiras ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Mas a pressão americana não ajudou Bolsonaro, que em setembro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após perder a eleição de 2022. "Toda vez que Trump meio que intervém, posta algo em suas redes, seja para favorecer Bolsonaro ou para tentar punir Lula de alguma forma, por meio de tarifas ou outros meios, isso parece reverter em benefício do próprio Lula", observa Wolfe. Em reação às medidas americanas, o presidente Lula adotou uma postura de defesa da soberania nacional que, segundo pesquisas, parece ter aumentado seu apoio. "As tarifas no ano passado produziram uma reação entre as elites empresariais em São Paulo, e no país como um todo", diz à BBC News Brasil o cientista político Will Freeman, pesquisador do Council on Foreign Relations. "Eles acreditaram em Lula quando Lula disse que isso era um comportamento traidor." Stuenkel lembra que a questão da soberania é algo muito enraizado no Brasil, o que torna mais difíceis tentativas de influenciar as eleições vindas de fora. Em 2018, quando Jair Bolsonaro venceu a eleição, ele foi apelidado por muitos como "o Trump dos trópicos", devido à sua afinidade com o presidente americano, que estava na época em seu primeiro mandato. No entanto, naquela eleição o governo americano manteve a neutralidade diplomática padrão, e foi somente após a vitória de Bolsonaro que Trump se manifestou oficialmente, parabenizando o brasileiro. No pleito de 2022, quando estava fora da Casa Branca, Trump apoiou abertamente Bolsonaro e pediu que os brasileiros votassem nele, mas a disputa foi vencida por Lula. Naquela eleição, também houve relatos de que o governo do então presidente americano Joe Biden teria feito uma "campanha de pressão silenciosa" para instar líderes políticos e militares do Brasil a respeitar a democracia brasileira. Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca no final de maio Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro via BBC O governo americano estaria preocupado com a possibilidade de uma crise institucional no Brasil, em meio a alegações de fraude nas urnas feitas por Bolsonaro. As ações dos Estados Unidos foram criticadas por alguns como intromissão nas eleições brasileiras. "Acho que a forma como os democratas (do partido de Biden) viam é que o processo estava em risco, e que eles estavam defendendo o processo, não um candidato ou outro", diz Freeman. "Os conservadores olharam para isso e disseram 'vocês podem dizer que estavam defendendo o processo, mas o que fizeram beneficiou a centro-esquerda, ou esquerda, ou como queiram chamar'", observa. "Então, acho que há um debate aí. Mas, para mim, a diferença clara é que os democratas e Biden foram muito cuidadosos em justificar publicamente suas políticas como orientadas pelo processo, para garantir que o processo fosse respeitado, independentemente de quem ganhasse", afirma Freeman. "Enquanto Trump nem se dá ao trabalho de fazer isso. Acho que ele não se importa se alguém o acusar de intervir a favor de um candidato, ele está obviamente fazendo exatamente isso", destaca. Interesses americanos e 'queda de braço' Trump não é o primeiro presidente americano a tomar partido em eleições. Alguns anos atrás, um levantamento do cientista político americano Dov Levin encontrou mais de 80 episódios nos quais os Estados Unidos interferiram em eleições estrangeiras no período entre 1946 e 2000. Mas quando se buscam exemplos de apoio feito de maneira tão aberta, são raros os casos citados. Wolfe, da Universidade Stanford, menciona a eleição presidencial na Nicarágua em 1990, disputada pelos sandinistas e pela oposição, que era apoiada pelos Estados Unidos. "(O presidente americano na época) George H. W. Bush (1989-1993) deixou claro que, se os sandinistas vencessem, a guerra dos Contras (contra o governo) na Nicarágua e as sanções comerciais continuariam", diz Wolfe. "Foi uma interferência explícita, e a oposição acabou vitoriosa." Outro exemplo comumente citado é de Bill Clinton (1993-2001), cujo governo, temendo a volta do comunismo na Rússia, forneceu ajuda política, financeira e diplomática ao presidente russo Boris Yeltsin, na década de 1990. "Mas não foi algo tão explícito, não foi Bill Clinton escrevendo uma carta ao povo russo", observa Stuenkel. "Agora é completamente aberto e inclusive chega a atrapalhar outras estratégias chave dos Estados Unidos." Uma das diferenças frequentemente apontadas entre a postura do governo Trump e a de seus antecessores é em relação às motivações ao buscar interferir em outros países. Antes, os objetivos costumavam ser estratégicos, para avançar interesses americanos. "Trump parece mais preocupado com a lealdade declarada desses líderes do que com suas posições em questões como Estados Unidos versus China", diz Freeman. "Está apoiando pessoas apenas por serem de direita, mesmo que não estejam trazendo grandes resultados nas prioridades geopolíticas dos Estados Unidos." Freeman ressalva que, no caso da América Latina, há a questão dos cartéis de drogas, importante para o governo Trump. "Acho que veem a eleição desses líderes de direita como parte de um plano para alinhar os países do hemisfério em uma abordagem militarizada contra os cartéis." No entanto, além de quebrar normas diplomáticas, apoiar publicamente determinado candidato no exterior pode prejudicar as relações bilaterais, que passam a ser baseadas em afinidades entre líderes individuais em vez interesses compartilhados entre os países. Além disso, há o risco de o candidato favorecido perder. "Esse intervencionismo partidário introduz uma instabilidade na relação bilateral", observa Stuenkel. "Ou você estabelece relações sólidas pra tentar conter a China (na América Latina, como defende um grupo dentro do governo), ou você quer apoiar governos de direita, e isso inevitavelmente produz uma fricção com governos de esquerda." No caso das relações com o Brasil, há dois grupos no governo americano que disputam a atenção de Trump: um mais pragmático e outro mais ideológico e alinhado à direita. Essa ala ideológica é liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que recentemente descreveu o Brasil como um país que não é amigável aos interesses americanos. "Há uma verdadeira queda de braço em relação ao Brasil", salienta Freeman. "São apenas algumas poucas pessoas profundamente interessadas nesse assunto, e elas estão puxando Trump para uma direção ou outra, um dia após o outro." "Esses lobbies específicos, é interessante como isso virou uma espécie de alavanca para direcionar a política da Casa Branca para a América Latina, e como pode ser usado em eleições futuras", diz Freeman. "Não é apenas Trump fazendo isso por preferência pessoal, porque acorda pensando e se importando com a Colômbia ou algo do tipo." Para Stuenkel, a postura explícita de Trump ao apoiar candidatos ao redor do mundo faz parte também de uma erosão mais abrangente das normas segundo as quais um presidente não se intrometia em eleições de outros países. "Tem a ver, em parte, com uma maior articulação, sobretudo da direita, no âmbito internacional. Há uma rede muito coesa, uma maior interlocução em todas as áreas, seja de comunicação, construção de narrativa", afirma Stuenkel. "Trump é um símbolo disso. Mas acho que esse é um fenômeno que veio pra ficar e que vai além dele."
A government tender in Argentina underscored tensions between Washington and Beijing in Latin America as President Javier Milei’s administration awarded a 25-year contract to upgrade a key trade artery to a venture with a history of ties to China. Leer más
Techmilliardär Peter Thiel sieht sich im Süden Südamerikas nach einer neuen Bleibe um. Argentiniens Kettensägenpräsident Javier Milei öffnet ihm alle Türen.
Argentina’s self-styled anarcho-capitalist president impressed – and later alienated – many voters.
Neste mês de junho, dois países da América do Sul vizinhos ao Brasil vão decidir se querem ser governados pela direita ou pela esquerda nos próximos anos: Peru, neste domingo (7/6), e Colômbia, em 21 de junho. Em ambos, as últimas eleições presidenciais foram vencidas pela esquerda. Mas agora, os candidatos da direita são favoritos após terminarem o primeiro turno na frente. São eleições com potencial de inclinar o mapa político da América Latina de vez para uma direita alinhada ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, e isso pode ter impacto direto no Brasil, segundo analistas. "Os americanos estão fazendo um círculo de fogo em torno do Brasil, e isso já está pressionando o país", analisa Feliciano de Sá Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo). Caso a esquerda saia vencedora, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode sentir um alívio por manter algum aliado ideológico na região, mas o cenário já é complicado para o Brasil, diz Carolina Silva Pedroso, pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Uma vitória da esquerda nesses países, principalmente na Colômbia, vai ser obviamente comemorada pelo Planalto. Mas não significa que a vida do Lula vai ser mais fácil. Só que não vai piorar", diz Pedroso. No caso do Peru, as últimas eleições, de 2021, foram vencidas pelo dirigente sindical Pedro Castillo, que foi destituído do cargo e preso após tentar dissolver o Congresso no fim de 2022. Desde então, o país vive uma duradoura instabilidade política, com uma sequência de presidentes que foi da vice de Castillo, Dina Boluarte, a membros do Congresso de diferentes correntes ideológicas. O atual presidente é José María Balcázar Zelada, um deputado de esquerda que assumiu o poder em Lima em fevereiro. No domingo, a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, tenta pela quarta vez se tornar presidente. Ela enfrenta Roberto Sánchez, ex-ministro de Castillo que reproduz o estilo do ex-presidente preso. Já a Colômbia vai decidir no fim do mês se dará continuidade ao projeto político de Gustavo Petro, ex-guerrilheiro que fez história ao se tornar o primeiro presidente de esquerda do país, ao vencer as eleições de 2022. Como o país não permite reeleição, Petro apoia o senador Ivan Cepeda, que terminou o primeiro turno em segundo lugar. Na frente, ficou Abelardo de la Espriella, político da direita radical que se inspira em figuras como os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Nayib Bukele, de El Salvador. Mas como os resultados dessas duas eleições podem influenciar os rumos da região e o que elas sinalizam sobre o estado atual das sociedades sul-americanas? Onda conservadora e o efeito Trump As últimas eleições na América do Sul mostram um sinal claro de um giro à direita na região. Em novembro de 2023, o libertário Javier Milei tirou a esquerda do poder na Argentina, com um ambicioso projeto liberal para a economia do país. Em abril de 2025, o liberal Daniel Noboa conseguiu ser reeleito presidente do Equador, após assumir um mandato tampão. Em outubro do mesmo ano, Rodrigo Paz, considerado de centro-direita, pôs fim aos quase 20 anos de poder do Movimento ao Socialismo de Evo Morales na Bolívia. E, em dezembro, foi a vez de José Antonio Kast vencer a esquerda no Chile. A exceção na região veio do Uruguai, que trocou a direita pela esquerda com a vitória de Yamandú Orsi, em novembro de 2024. A esquerda ainda segue no poder na Venezuela. As contestadas eleições de 2024 deram vitória a Nicolás Maduro, que, no início deste ano, foi capturado pelo governo Trump em Caracas. Desde então, a Venezuela é presidida por sua vice, Delcy Rodriguez, que tem mantido relações com os EUA e vem desmantelando o modelo econômico chavista. Os dois países menos populosos da região e que não fazem parte da América Latina também são administrados por partidos ligados à esquerda: Guiana e Suriname. Na América Latina, para além das fronteiras do Sul, a direita ainda obteve vitórias recentes nas eleições em El Salvador, Honduras, Panamá, República Dominicana e Costa Rica. A esquerda venceu no México e na Guatemala. Com esse cenário, as eleições do Peru e da Colômbia podem fazer pender ainda mais o quadro político do continente para a direita, em um movimento que pode ser comparado com a chamada "onda rosa", quando diversos governos de esquerda passaram a governar países sul-americanos no início dos anos 2000. "Se você olhar na história da América Latina dos últimos 20 anos, você nota esses movimentos para a direita e a esquerda. Agora, você tem uma maioria de governos de direita sendo eleitos na região, mas é sempre bom olhar para as especificidades de cada um dos países", diz Feliciano de Sá Guimarães. Mas um fator essencial e em comum para esta onda de agora é a eleição de Trump nos EUA, em 2016 e 2024, segundo os analistas. "Em termos históricos, é a esquerda quem tradicionalmente se organiza de forma internacional, mas com Trump foi se formando uma integração clara entre a direita na região", explica Pedroso. "Isso agora está num processo de quase dez anos de consolidação de uma integração entre essa direita que acaba se influenciando mutuamente", avalia a professora, que aponta a vitória de Milei na Argentina como o ponto de virada dessa nova guinada à direita na América do Sul. Para Sá Guimarães, além do fator Trump, a América Latina sofre de um problema estrutural que ele chama de "praga da incumbência". "Aqueles que têm poder têm tido mais dificuldade de serem reeleitos", diz o pesquisador. "É o descompasso de expectativas entre aquilo que os eleitores da América Latina esperam dos seus governos e a capacidade de os Estados frágeis entregarem benesses econômicas, sociais e políticas para os cidadãos." No caso do Brasil, o presidente Lula enfrenta uma rejeição alta e uma dificuldade de reduzi-la, apesar de alguma melhora nas pesquisas mais recentes. Segundo o levantamento da Quaest em maio, 53% dos eleitores o rejeitavam. Lula lidera as intenções de voto nas pesquisas eleitorais até agora, mas os levantamentos apontam para uma disputa acirrada em um eventual segundo turno entre o petista e os candidatos da direita que se apresentaram até agora. Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o adversário do presidente que aparece com folga como o melhor posicionado nos levantamentos do primeiro turno até agora. Essa dificuldade de presidentes se reelegerem ou de fazerem seus sucessores explica, segundo Sá Guimarães, por que a balança de poder na América Latina tem variado rápido. Em 2022, por exemplo, falava-se de uma onda à esquerda, após as eleições seguidas de vitórias desse campo político no México, Argentina, Bolívia, Peru, Honduras, Chile, Colômbia e Brasil. Agora, a onda rapidamente mudou. Na avaliação do pesquisador, mesmo que a esquerda perca as eleições no Peru e na Colômbia, é preciso lembrar que as duas maiores economias da América Latina, Brasil e México, estarão, pelo menos até o fim do ano, nas mãos de governos de esquerda. "Então, eu acho improvável que você tenha uma captura total à direita ou uma captura total da esquerda", diz Sá Guimarães. O movimento atual, porém, tem um componente diferente e essencial para entender o estado atual das sociedades sul-americanas: a polarização e a direita indo mais para o extremo, rompendo com grupos tradicionais deste campo que governaram a maioria dos países por décadas. "As eleições são um reflexo de algo que está mais presente na sociedade, que é esse radicalismo que tem pendido muito mais para a direita", explica Pedroso. É o caso da ascensão dos chamados outsiders, figuras de grupos não tradicionais da política que chegam ao poder "implodindo" o sistema, como é o caso de Milei ou Bukele, com muita força nas redes sociais e sem serem bem captados em pesquisas de intenção de voto. O novo representante desse grupo é justamente de La Espriella, na Colômbia. "Há realmente uma dificuldade analítica de entender qual é a profundidade desse fenômeno dos outsiders na América Latina, porque as ferramentas tradicionais não conseguem detectar, mas está cada vez mais presente em todas as eleições", diz Pedroso. Os impactos no Brasil Há dez anos, Feliciano de Sá Guimarães estuda como os brasileiros acompanham a política internacional e que influência ela tem nas eleições. "Temos mostrado aqui nas pesquisas da USP que política externa cada vez mais é um tema eleitoral, não é um tema decisivo, mas importante", diz o pesquisador. Na sua avaliação, porém, o fator Trump é o assunto mais relevante neste contexto, com pouca influência para o que acontece nos países vizinhos do Brasil. "Claro, a direita brasileira vai utilizar essas vitórias, caso elas ocorram, como uma tentativa de mobilização para mostrar que a direita está ganhando na região. Mas é mais importante o Trump do que essas duas eleições", diz Sá Guimarães. Mesmo que os resultados colombianos e peruanos não influenciem o voto brasileiro, certamente haverá influência na forma como Lula ou um próximo presidente conduzirá sua política externa ou terá força no cenário internacional, ressalta Pedroso. Caso Lula perca a eleição para um nome da direita, ainda assim Pedroso acredita que os resultados dessas duas eleições — e o tamanho da influência de Trump sobre a América Latina — terão impacto no próximo governo brasileiro. "É um novo cenário complexo, em que os Estados Unidos entram de forma muito mais agressiva, não só com medidas econômicas, mas também com presença militar na região", diz. Em segundo lugar nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro tem se mostrado parte de uma direita latino-americana bastante alinhada a Trump, assim como Keiko Fujimori, no Peru, ou de la Espriella, na Colômbia. Em maio, Flávio se encontrou com o presidente americano na Casa Branca, que o chamou de "um jovem que ama o Brasil". Logo após o encontro, o governo Trump classificou facções brasileiras como grupos terroristas, uma medida defendida pela família Bolsonaro junto ao governo americano há mais de um ano. Mas os EUA também concluíram uma investigação que ameaça o Brasil com novas tarifas comerciais. Flávio negou ter sugerido essa medida e enviou uma carta a Trump pedindo que ele não taxasse o Brasil. Isso mostraria como, mesmo sendo aliado e na hipótese de chegar ao Planalto, Flávio precisaria lidar com uma relação muito mais intrincada com os EUA, como explica Feliciano de Sá Guimarães. "O objetivo americano é reduzir a crescente influência chinesa na América do Sul. E a maneira mais barata para eles é ter presidentes aliados aqui", diz o pesquisador. "Mas acho que Flávio se engana muito se acredita que terá no presidente Trump um aliado de primeira hora. Existem questões estruturais do Brasil (como a relação com a China) que independem do presidente Trump ou de quem quer que esteja no poder nos EUA." Em caso da permanência de Lula no Planalto, para a professora Pedroso, uma mudança no Peru seria "bem menos dramática para o Brasil" do que uma mudança na Colômbia. Ela cita como exemplo as críticas constantes nas redes sociais que o atual presidente colombiano, Petro, faz a Trump e aos EUA. "Isso, de certa forma, fortalece a posição do Brasil, porque, se o Lula não pode diretamente fazer esse tipo de crítica, tem um vizinho que faz", diz Pedroso. "Os resultados acabam refletindo na forma como os nossos países vão lidar com essas questões todas que estão colocadas no mundo com a presença mais incisiva dos Estados Unidos", completa a pesquisadora. Pedroso ressalta ainda que o que está em jogo também são questões que vão além da disputa político-ideológica, com os chamados "fenômenos transnacionais", que não respeitam as fronteiras. Colômbia e Peru são países fronteiriços na Amazônia, com forte presença do crime organizado e narcotráfico. Ou seja, é preciso ter alguma afinidade entre governos para tratar de um problema comum. Para Sá Guimarães, um eventual cenário de isolamento ideológico do Brasil teria fortes consequências na forma como o país consegue resistir à política de Trump para o continente. "Uma coisa é você ter um adversário na Bolívia ou na Argentina. Outra coisa é você ter dez adversários. O fator agora são os Estados Unidos. E o presidente Trump procura isolar o Brasil", diz o pesquisador.
Milei’s self-proclaimed anarcho-capitalist libertarianism seems totally aligned with the idea of generating a robot oasis and a billionaire’s playground in Argentina. Leer más
On the crying injustice of denying María Verónica Michelli a bench for which the government had nominated her on the grounds that her brother-in-law is a journalist probing cases of corruption affecting President Javier Milei’s administration. Leer más
La Libertad Avanza caucus and opposition senators reached consensus to clear vote on 74 nominations; Controversial attempt to revert on María Verónica Michelli, vetoed by the Executive Branch after initial approval, comes after week of ruling party turmoil. Leer más
Argentina's Senate on Thursday approved the appointment of María Verónica Michelli as a judge of Federal Oral Court No. 3 in La Plata, a nomination President Javier Milei had tried to block because she is the sister-in-law of journalist Hugo Alconada Mon, of the newspaper LA NACION. The nomination was approved on the floor by 44 votes to 18 —all the negatives from the ruling party— with two abstentions, in a session that exposed a rift within the governing bloc.
Un robo en la compañía estatal ARSAT expone una madeja de presuntas negociaciones incompatibles, cohecho y fraude que sacude al Gobierno de Milei y anteriores
El presidente pretendía cerrar el paso a una candidata a magistrada federal dado su parentesco con un periodista que investiga casos de corrupción en el Gobierno
Argentina’s President Javier MIlei intends to make his 18th visit to the United States to attend celebrations marking the 250th anniversary of American independence, according to reports. Leer más
Country is shaken by the brutal murders of two girls, aged 14 and 17, whose bodies were discovered just days apart Argentina has reacted with fury after the bodies of two murdered teenage girls were found just two days apart. The latest killings underscore the South American country’s enduring femicide crisis despite years of feminist campaigning, and have prompted alarm over the decision to cut support for victims of gender-based violence under the far-right administration of Javier Milei. Police found the remains of Agostina Vega, 14, on Saturday, in a field on the outskirts of the city of Córdoba. She had been fatally strangled and her body had been dismembered, according to local media reports. Continue reading...
President makes bold pitch in 'Financial Times' op-ed, promising to keep AI free from regulation in Argentina; Op-ed is latest in series of moves promoting Argentina as nation friendly to Artificial Intelligence. Leer más
The killing this month of 14-year-old Agostina Vega, in the central city of Cordoba, has shocked Argentina, triggering a groundswell of outrage and growing demands for government action against gender-based violence. The outrage has reverberated across the country, and on Wednesday, thousands of protesters gathered for the annual Ni Una Menos demonstration in downtown Buenos Aires. Agostina’s case brought renewed energy and purpose to the protest, amplifying demands for government action and intensifying criticism of President Javier Milei.
El colectivo feminista lidera su undécima movilización masiva en Argentina, atizada este año por el asesinato reciente de tres mujeres y una reducción del 90% del presupuesto destinado a prevenir la violencia machista
With almost two decades working in the state, the Mendoza lawyer lies at the centre of a case escalating from technological theft to the discovery of millions in dollars and drugs. He chaired ARSAT during the Alberto Fernández government and was later appointed by Milei to head ORSNA. Leer más