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Este es el relato de una isla caribeña de 156.000 habitantes que ha encontrado en el balompié un motivo más de alegría. Se ha convertido en el país más pequeño en jugar un Mundial
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El proyecto AQUÍ SE JUEGA A JUGAR, impulsado por LALIGA y PUMA, reivindica el fútbol como un espacio seguro en el que la prioridad es jugar y competir mientras se transmiten valores esenciales del deporte como el respeto, el compañerismo, la tolerancia y el disfrute del deporte rey
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'Nous cousons': verbos em francês viralizam; entenda os significados Quem disse que não dá para aprender a partir de piadinhas de quinta série (ou sexto ano, na nomenclatura atual, pós-meme)? Aquele senso de humor um tanto adolescente, com risadinhas diante de qualquer frase de duplo sentido, fez com que um vídeo sobre conjugação verbal em francês, gravado por uma linguista brasileira, alcançasse cerca de 10 milhões de visualizações em poucos dias. No grande hit, sucesso absoluto entre tiozões nos grupos de zap da família, a professora-doutora Tatiana Raick mostra como conjugar no presente “coudre”, que significa “costurar”: Je couds (/je cu/) Tu couds (/tu cu/) Il coud (/il cu/) Nous cousons (/nu cuson/) Vous cousez (/vu cusê/) Ils cousent (/il cúsã/) Pronto, qualquer semelhança sonora com o monossílabo chulo da língua portuguesa (c*) já é suficiente para, nos comentários, gerar milhares de brincadeirinhas bem maduras: “Nous cousons é sacanagem”, brincou uma das seguidoras. Bom, esse é um dos poucos exemplos possíveis de reproduzirmos no g1… “Todo som que gera alguma aproximação com a língua materna pode gerar uma piada. A quinta série permanece em todos nós”, brinca Tatiana, que dá aula de francês na rede municipal do Rio de Janeiro. “Faço tantos vídeos com explicações longas, como linguista, que dão poucos likes. Foi só associar a algum besteirol que caí no gosto da galera. Mas não dá para me martirizar: o lado cômico acabou servindo para ensinar uma gramática densa de maneira descontraída.” ➡️ Ela explica a importância de, ao aprender francês, entender como pronunciar fonemas que não existem no português. Pode parecer preciosismo, mas um biquinho na hora errada muda todo o sentido da frase. A professora cita o exemplo do “beaucoup”, que significa “muito”. A parte final da palavra tem som de “/cu/”. Mas, ao viajar para França, é comum que brasileiros fiquem constrangidos em pronunciar algo que parece um palavrão. Eles improvisam o bico e falam algo como “/quiu/”. E sabe o que isso significa? Para quem ouve, “/boquiu/” parece uma tentativa de falar “beau cul”, ou seja, belo… bumbum, digamos assim. Um segundo vídeo nesse estilo também fez sucesso no Instagram de Tatiana: a conjugação do verbo “chuchoter”, que significa “sussurrar”: Je chuchote Tu chuchotes Il chuchote On chuchote Nous chuchotons Ils chuchotent Nem precisamos dizer quais piadinhas costumam ser sussurradas pelos adolescentes quando aprendem esse vocabulário. Outra palavra que também faz parte da categoria quinta série de humor é “pescoço”: em francês, "cou". “Eu já vejo com normalidade, mas, para quem está aprendendo pela primeira vez, costuma morrer de rir. Meu pai, aos 60 e poucos anos, já pedia para eu traduzir ‘papagaio no pescoço do professor’: ‘le perroquet dans le cous du professeur’. Homens não crescem”, brinca Tatiana. Com o sucesso dos vídeos, houve quem perguntasse para a linguista: “como você consegue dar aula sobre isso para crianças?”. “Na infância, em geral, ainda não se desenvolveu a capacidade de absorver uma piada a partir de frases de outro idioma”, afirma Tatiana. “Se estou falando em francês, elas continuam no clima do francês. É tranquilo falar ‘la tete’ (a cabeça) ou ‘le cou’ (o pescoço) nas salas de educação infantil ou fundamental I. As risadinhas começam na pré-adolescência.” (E, como vimos pelo sucesso dos posts, não terminam nunca mais.) Professora e linguista viraliza com conjugações verbais em francês Reprodução/Redes sociais
Série do Jornal Nacional exalta a essência do jogador brasileiro; hoje o tema foi Raça O Jornal Nacional exibe, esta semana, uma série especial sobre as virtudes que fazem da Seleção a única pentacampeã do mundo. Nesta terça-feira (2), a gente falou de raça — a garra do jogador brasileiro que não desiste nunca. O gol e o registro que vai além da emoção. O instante que eterniza um sentimento. Um conceito. “Grinta é o jogador que nunca para, sempre trabalha, sempre está preparado em todos os momentos”, afirma Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira. Para o italiano Carlo Ancelotti, “grinta”. Para o futebol brasileiro, traduções e tradições. “A sede, a fome de ganhar títulos. É aquele desejo de não perder nenhuma jogada. Quando você tem uma oportunidade na vida, você tem que lutar por ela. O peso da responsabilidade de estar representando o Brasil, saber o quanto o brasileiro é fanático por futebol, nas ruas, eu era quando criança”, diz Lúcio, campeão do mundo em 2002. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Série do JN sobre virtudes da única seleção pentacampeã do mundo destaca a raça do jogador brasileiro Jornal Nacional/ Reprodução Entre tantas palavras que podem definir essa dedicação, essa persistência, esse esforço, o futebol brasileiro elegeu uma das qualidades mais admiradas pelo torcedor, que espera se ver representado em campo. Lúcio: 105 jogos oficiais pela seleção principal. Capitão em quase metade deles - incluindo uma Copa do Mundo, a de 2010. Três Mundiais, campeão em 2002. Jamais confundiu raça com violência. Ficou 386 minutos sem cometer uma falta sequer - na Copa de 2006. Foi líder, exemplo. “Para mim, cada jogo, cada treino na Seleção Brasileira era como se fosse o primeiro” conta Lúcio. Lúcio, campeão mundial em 2002 Jornal Nacional/ Reprodução Mas, se muitos se espelharam nele, Lúcio também teve um modelo. “O principal foi o Dunga”, conta. A vibração e o desabafo eternizados em uma só imagem. “Dunga era um líder nato. Sabe aquele cara que chegava e você respeitava? O cara impunha respeito”, diz Romário, campeão do mundo em 1994. Para cada gol do Romário, do Bebeto, houve um desarme, uma bola recuperada, o sacrifício. "Dunga foi para três Copas e mostrou a sua capacidade", diz Ricardo Rocha, campeão do mundo em 1994. Dunga levanta a taça em 1994 Jornal Nacional/ Reprodução Liderança, espírito de grupo, vontade, disposição: características que, unidas em um só jogador, podem fazer dele um ponto de equilíbrio de uma equipe vencedora. No grupo que vai lutar pelo hexa, quem seria a cara da raça em campo? “Casemiro. Não tem bola perdida. Cachorro doido mesmo. Vai e disputa todas as bolas”, diz Bruno Guimarães. "A cada jogo e a cada bola que ele vai lutar, ele demostra que ele é, realmente, esse jogador importante para a gente", afirma Marquinhos, zagueiro da Seleção. Com a palavra, então, Casemiro: “Vai ter dia que não vai estar bem tecnicamente. Mas a entrega dentro de campo ninguém vai me superar, cara. Ninguém me supera”, afirma Casemiro, meio-campo da Seleção. E em um ciclo virtuoso de entrega, o símbolo para a geração 2026 também elege os seus raçudos favoritos. “Raça, eu lembro de Dunga. Tinha raça total. Gilberto Silva, Mauro Silva, Lúcio”, diz Casemiro. Revendo, revivendo tempos em que jogava duro, sem perder a ternura. “Assistindo àquelas partidas novamente, sentindo aquela emoção, às vezes fico meio sem graça. Falo: ‘Meu Deus, o cara está louco, pegando, marcando, vibrando’. O time precisa muito dessa raça, dessa marcação, de não desistir. Uma bola dessa que o time ganha é o resultado que sai o gol”, afirma Lúcio. O futebol traz na essência o jogo coletivo, mas adora exaltar feitos individuais. Muitas conquistas em grupo acabam personificadas em um herói. Sorte a nossa que o Brasil foi capaz de produzir todas as qualidades de milhares de jogadores reunidas em uma só pessoa. Nunca faltou ao maior camisa dez de todos os tempos. Tentar parar Pelé, muitos tentaram. O craque caiu, sofreu com faltas violentas - e também revidou – e soube, ao longo da carreira, conjugar perfeitamente inspiração e transpiração. O Rei mostrou ao mundo que, para o brasileiro, jogar com raça, no fundo, sempre foi jogar com o coração. Nesta quarta-feira (3), o tema é ousadia. Momentos históricos em que a Seleção precisou ir contra o senso comum para vencer. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Série especial sobre a essência do futebol brasileiro destaca o talento dos nossos jogadores Trajetória de Carlo Ancelotti até a Seleção Brasileira é repleta de conquistas; conheça Carlo Ancelotti fechou lista da Seleção Brasileira menos de seis horas antes do anúncio da convocação Copa do Mundo: conheça novo uniforme especial de viagem da Seleção Brasileira Copa do Mundo: Jornal Nacional tem acesso ao palco mais importante da competição
El ‘president’ advierte en el Cercle d’Economia que un Gobierno que dependa de Vox implicará una involución territorial
O T-Rex teria desenvolvido mandíbulas extremamente poderosas à medida que seus braços encolhiam com a evolução Dreamstime/IMAGO O T-Rex é famoso por duas coisas aparentemente contraditórias: foi um dos predadores mais temíveis que já caminharam sobre a Terra e, ao mesmo tempo, tinha braços minúsculos que pareciam uma piada evolutiva. Agora, um novo estudo liderado por pesquisadores da University College London (UCL) e da Universidade de Cambridge oferece novas evidências a favor de uma hipótese debatida há muito tempo: esses predadores passaram a depender cada vez mais da força de suas mandíbulas para capturar e subjugar suas presas, enquanto seus membros anteriores simplesmente se tornaram menos relevantes e diminuíram gradualmente ao longo da evolução. Cinco linhagens e uma mesma solução evolutiva A pesquisa, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B, analisou dados de 85 espécies de terópodes – dinossauros bípedes, em sua maioria carnívoros – e encontrou evidências de que o encurtamento dos braços surgiu independentemente em pelo menos cinco grupos distintos: tiranossauros, abelissaurídeos, carcharodontossauros, megalossauros e ceratossauros. Embora pertencessem a diferentes ramos evolutivos e vivessem em épocas e regiões muito distintas, todos desenvolveram membros anteriores notavelmente reduzidos, ainda que por meio de processos anatômicos diversos. Agora no g1 "O Carnotauro tinha braços ridiculamente pequenos, ainda menores que os do T-Rex", afirmou Charlie Scherer, autor principal e estudante de doutorado na UCL. Cinco grupos de terópodes desenvolveram, de forma independente, membros anteriores minúsculos Chase Stone/REUTERS Mandíbulas letais, braços diminutos A análise revelou que dinossauros com crânios mais fortes e mandíbulas mais poderosas também tendiam a desenvolver braços menores. Para analisar essa relação, os pesquisadores desenvolveram um método capaz de avaliar a robustez do crânio usando diversos fatores anatômicos, como o formato da cabeça, a resistência das articulações ósseas e a força estimada da mordida. De acordo com o estudo, o T-Rex obteve a pontuação mais alta, seguido pelo Tyrannotitan, um terópode de tamanho semelhante que viveu no que hoje é a Argentina, mais de 30 milhões de anos antes. Essa correlação se manteve independentemente do tamanho do corpo. O Majungasaurus, um predador de Madagascar que viveu há 70 milhões de anos, pesava apenas 1,6 tonelada – um quinto do peso do T-Rex – e apresentava o mesmo padrão de cabeça robusta e braços minúsculos. O que levou à dependência desses animais de suas mandíbulas? A resposta, segundo os pesquisadores, provavelmente reside no tamanho de suas presas. Os mesmos ecossistemas onde esses grandes predadores surgiram também abrigavam saurópodes gigantescos, herbívoros de pescoço comprido que atingiam dimensões enormes. Enfrentar animais desse porte teria favorecido o uso de mandíbulas capazes de morder e agarrar com força descomunal, enquanto as garras dianteiras gradualmente perderam sua utilidade como principal ferramenta de caça. "Tentar puxar e agarrar um saurópode de 30 metros com as garras não é o ideal. Atacar com as mandíbulas pode ter sido mais eficaz", explicou Scherer. O "Majungasaurus" de Madagascar exibia o mesmo padrão de cabeça robusta e braços pequenos que o T-Rex Dreamstime/IMAGO Uma possível explicação é que manter simultaneamente uma cabeça e membros anteriores de grande porte poderia implicar um alto custo energético. "É um caso clássico de 'use ou perca'", resumiu o pesquisador. Com o tempo, "a cabeça substituiu os braços como principal método de ataque". Nem todos os terópodes seguiram o mesmo caminho É claro que nem todos os grandes terópodes seguiram essa mesma rota evolutiva. Espinossauros e megaraptoranos mantiveram braços longos e relativamente bem desenvolvidos, combinados com crânios mais estreitos. E embora os braços do T-Rex possam parecer absurdamente pequenos na perspectiva atual, provavelmente não eram completamente inúteis. Algumas estimativas anteriores sugerem que eles ainda conseguiam levantar mais de 100 quilos, então é possível que continuassem a desempenhar funções secundárias.
El genial compositor ruso, uno de los mejores de la historia, convierte en arte la geometría del tablero y el concepto de ‘zugzwang’ (la obligación de jugar lleva a la derrota)
AFP via Getty Images Um ano após assumir o comando da Igreja Católica, o papa Leão 14 divulgou na manhã desta segunda (25) o documento "Magnifica Humanitas" — ou, "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português —, a primeira encíclica de seu pontificado. O texto é sobre como salvaguardar "a pessoa humana na era da inteligência artificial". Na tradição católica, encíclicas são os textos mais importantes a constituir o magistério de um papa. É uma carta dirigida aos bispos e aos fiéis, em que o líder da Igreja expõe o corpo doutrinário do catolicismo. Leão 14, portanto, não só consolida sua visão sobre o tema — que tem aparecido de forma recorrente desde que ele foi eleito sumo pontífice — como demonstra que as preocupações com o impacto da tecnologia na dignidade humana devem ser a tônica de seu papado. É praticamente um cartão de visitas. "É um documento sobre a defesa da dignidade humana no contexto da sociedade da inteligência artificial", resume o vaticanista Filipe Domingues, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, e diretor do Lay Centre, também em Roma. "A Igreja, quando fala sobre esses temas, traz para o centro o princípio mais básico que é o personalista, ou seja, da pessoa humana. O ser humano no centro e finalidade de todos os processos." O texto que inaugura o magistério de Leão 14 tem 105 páginas e apresenta-se como um apelo do religioso pela proteção da humanidade, pela promoção da verdade, pela dignidade do trabalho, pela justiça social e pela paz – em tempos de uma revolução tecnológica precipitada pela inteligência artificial. O vaticanista Filipe Domingues explica que, na visão católica, o ser humano, por ser "criado à imagem e semelhança de Deus" tem como valor intrínseco e absoluto a dignidade. É nesse sentido que Leão reflete sobre a inteligência artificial: o papa entende a tecnologia como um instrumento, mas não um ente criativo; e, principalmente, vê a ferramenta como algo que precisa estar a serviço da humanidade, e não o contrário. "A humanidade — em toda a sua grandeza e em todas as suas feridas — jamais deve ser substituída ou superada", afirma Leão. O papa frisa que o amor e as relações humanas são essenciais às pessoas. Logo na abertura, o papa diz que a humanidade "enfrenta hoje uma escolha decisiva". A dicotomia seria, na visão de Leão, construir uma nova Torre de Babel ou "edificar a cidade na qual Deus e a humanidade habitam juntos". A seu modo e em um contexto próprio, Leão recupera uma imagem que era muito cara ao seu antecessor, Francisco (1936-2025): o alerta sobre a necessidade de construirmos pontes em vez de muros. Mas o principal diálogo trazido pela Magnifica Humanitas é com a Rerum Novarum do Leão antecessor — Leão 13 (1810-1903) publicou há exatos 135 anos aquela que é considerad a primeira encíclica social da Igreja. Magnifica Humanitas parte do princípio de que a tecnologia não é "uma força antagonista à humanidade", tampouco "intrinsecamente má". A questão trazida — e aí está o problema, na visão do papa — é que ela "nunca é neutra", já que "assume as características daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam". O papa clama, diante disso, que a tecnologia seja construída sempre "para o bem comum" e com a preocupação de que as pessoas permaneçam "humanas". Mas o papa não se limita à seara digital. Ao traçar um histórico diacrônico da doutrina social da Igreja, ele defende a dignidade humana como um princípio fundamental e os direitos humanos como fundamentos invioláveis — neste ponto, Leão enquadra o aborto provocado, o assassinato de inocentes e a eutanásia como escolhas que o catolicismo considera "gravemente erradas". Leão cobra mais reconhecimento aos direitos das minorias e pede "decisões concretas" sobretudo para que haja igualdade de gênero com maior participação de mulheres nas leis, no trabalho, na educação e na política. Em um mundo fragmentado por guerras simultâneas, Leão afirma que "qualquer tentativa ou plano para eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável". Leão afirma que "a revolução digital está mudando a natureza dos conflitos" e que a decisão sobre a vida e a morte é cada vez mais impessoal. "A inteligência artificial não remove a desumanidade intrínseca do conflito; ao contrário, pode apenas acelerar os conflitos e torná-los mais impessoais, reduzindo o limiar para o recurso à violência, transformando a defesa em previsão de ameaças e reduzindo as vítimas a dados", escreve. Preocupa-se com o mundo que vê os conflitos bélicos como "instrumento da política internacional" e com o cenário de rearmamento dos países. Para o papa, a paz já não vem sendo entendida como um objetivo a ser construído — tornou-se apenas um intervalo entre guerras. Ele também lembra dos imigrantes e dos refugiados. Para Leão, a maneira como uma sociedade trata os estrangeiros "revela se seu senso de justiça é movido pelo medo ou pelo espírito de fraternidade". O papa pede não só uma postura de acolhimento dos que imigram como também a promoção do "direito de permanecer" em sua terra natal com segurança No âmbito da tecnologia ele alerta contra a concentração de controle nas mãos de poucas empresas, alegando que é preciso seguir o princípio do "destino universal dos bens". Para o papa, a revolução digital não pode excluir e precisa ser inclusiva. O papa afirma que na era digital, a doutrina social exige o acesso mais justo às oportunidades e proteção aos vulneráveis. Discursos de ódio e desinformação precisam ser combatidos. E as tecnologias precisam ter supervisão pública, regulamentação, "para que o princípio orientador não seja apenas o lucro, mas a dignidade de cada pessoa e o bem comum de todos". Na encíclica, fica claro que o papa comunga da mesma preocupação que já aparecia em Francisco: o fato de que a humanidade atravessa um paradigma tecnocrático em que as escolhas são regidas pela eficiência e pelo lucro. Para ele, a inteligência artificial precisa estar sob vigilância — ela pode até imitar e simular o modus operandi de uma pessoa, mas não tem consciência moral, empatia nem capacidades afetivas, relacionais ou espirituais. NurPhoto via Getty Images Para o pontífice, o desenvolvimento tecnológico precisa obedecer a um arcabouço jurídico, políticas adequadas e supervisão — e os usuários têm de ser educados para este cenário. Leão defende um código de ética coerente com a justiça social. "Não basta ter uma inteligência artificial mais moral se a moralidade for determinada por poucos", enfatiza. Ele também se preocupa com o impacto ambiental dessas novas tecnologias. "A pergunta que orienta todo o o texto é o que a gente realmente quer construir: a Torre de Babel de um lado, a confusão e o caos geral porque o objetivo não é honesto. De outro lado uma coisa feita com calma, com paciência, com atenção aos princípios", analisa Filipe Domingues. "É um texto puramente de doutrina social da Igreja", acrescenta o vaticanista. "Não é uma encíclica sobre inteligência artificial, mas uma encíclica sobre a dignidade humana na era da inteligência artificial." Digital e social Ao escolher a temática, Leão 14 se insere na tradição católica iniciada por aquele papa de quem ele emprestou o nome. Leão 13, com a encíclica Rerum Novarum, publicada 135 anos atrás, inaugurou oficialmente a chamada doutrina social da Igreja. Professor na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos, o jornalista Alexandre Gonçalves acredita que a primeira encíclica tem o peso de funcionar como "um programa para o pontificado". Nesse sentido, ele — que tem estudado as implicações da inteligência artificial na sociedade contemporânea — vê em Leão o desejo de "integrar à Igreja" o tema mais atual do mundo da tecnologia. "Ele traz a centralidade da doutrina social da Igreja neste momento de transformação muito drástico que o mundo atravessa, no qual a inteligência artificial tem um papel nas transformações", comenta Gonçalves. Na visão do jornalista, o papa cobra que a tecnologia contribua "para o florescimento humano", e não "para a destruição". Autora do recém-lançado livro De Gutenberg a Zuckerberg: A Jornada das Imagens e a Transformação da Comunicação, e pesquisadora no Centro de Estudos Logo-imagéticos Condes-Fotós, a jornalista Mariana Mascarenhas ressalta que "quando o líder da Igreja Católica se posiciona sobre os impactos da inteligência artificial" o alerta ganha "enorme relevância". "Não se trata de condenar a tecnologia ou de defender sua rejeição, mas de convidar a sociedade a refletir sobre os limites, as consequências e os riscos envolvidos no processo", salienta ela. "O papa chama a atenção para a necessidade de consciência crítica diante dessas transformações. É um apelo para que a humanidade não apenas acompanhe a evolução tecnológica, mas também preserve valores humanos fundamentais", analisa Mascarenhas. Getty Images Novidade "É um tema novo no magistério da Igreja", sinaliza Domingues. Ele compara a importância que foi, por exemplo, quando Francisco publicou a encíclica Laudato Si e, pela primeira vez, trouxe a preocupação ambiental como tema central de um documento dessa magnitude. "De forma parecida, há um pioneirismo", analisa ele. E vê ainda a raridade de isso ter sido incorporado pela Igreja de "forma rápida". O vaticanista reconhece que, em geral, o Vaticano demora para embarcar em discussões contemporâneas — o que não ocorre neste caso, já que o assunto tem sido amplamente discutido na sociedade atual. O papa, segundo explica Domingues, desloca o debate para o prisma ético: a tecnologia é um bem, já que vem da inteligência humana, mas ao mesmo tempo "precisa ser governada pelo ser humano, não pode governar". "No contexto intraeclesial, chama a atenção que a Igreja está respondendo ao problema da inteligência artificial no momento em que as coisas estão acontecendo, quase se adiantando à pesquisa científica e tecnológica", diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, ex-coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Normalmente, ela só emitia juízos sobre teorias e avanços das ciências depois que esses avanços estivessem consolidados, para evitar ter que se corrigir no futuro." Segundo ele, não se trata de pressa, mas de necessidade. Demorar demais, afinal, se tornou inviável, "dado a velocidade dos acontecimentos em nosso tempo". "Então a Igreja está se esforçando para encontrar um discernimento adequado não só em relação aos fatos consumados, mas também ao processo no qual esses fatos são gerados", afirma o sociólogo. Professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes explica que a teologia cristã ostenta "dois polos importantes". De um lado, a propalada "verdade considerada eterna do cristianismo", ou seja, os pilares da própria fé. De outro, o grupo que "recebe essa mensagem", a sociedade em si. Ao mergulhar na seara da inteligência artificial, portanto, Leão demonstra estar antenado com o que ocorre de mais atual nessa sociedade. "Ele está dizendo que a Igreja de fato está no século 21", analisa Moraes. "A importância está nisso: para dizer 'a verdade eterna do cristianismo' neste século 21, é preciso dialogar com assuntos relevantes e importantes como a inteligência artificial é hoje", sintetiza o teólogo. "Leão se preocupa muito com o aspecto humano", salienta Moraes. No discurso do papa, ressalta ele, vem a cobrança do olhar social — afinal, a tecnologia afeta empregos, relações humanas e influencia nos dilemas éticos. "O papa se mostra extremamente contemporâneo e coerente", afirma. Para Ribeiro Neto, a encíclica resulta do "discernimento que resgata o fator humano em meio a uma sociedade cada vez mais tecnológica e pragmática". "Vivemos tempos nos quais a lógica de mercado, os poderes econômicos e políticos parecem gerir a vida sem nenhum compromisso ético", comenta. "Depois de séculos de desenvolvimento humanista, a sociedade parece dominada por um realismo cínico que nega qualquer ideal humanista." Nesse contexto, a Igreja oferece uma voz "que julga a realidade a partir de um 'amor social'", argumenta o sociólogo. "E reafirma o valor da pessoa, mesmo quando o poder parece dizer o contrário", explica. Especialista em inteligência artificial e professor de programação, o empresário de tecnologia Rafael Medeiros tem acompanhado os debates promovidos pela Igreja quanto às balizas éticas do setor. "O papa propõe uma discussão mais ampla", afirma. "A Igreja busca discutir o tema a partir da moral, da ética, da felicidade e do bem comum. Isso tem um peso relevante." "A encíclica é um texto relevante a todos, não apenas aos católicos. É uma reflexão interessante sobre o assunto", argumenta Medeiros. Para Medeiros, a inteligência artificial impacta em todas as camadas sociais, acarretando consequências na vida prática de todos. E isto torna o assunto mais urgente para o Vaticano. "São muitas coisas boas, mas também o aumento dos riscos de desinformação, demissões em massa e outros problemas", avalia. "O papa alerta sobre os riscos, mas se posiciona de forma otimista. Não se trata de parar os avanços tecnológicos, mas sim direcioná-los para o uso do bem", afirma Medeiros. Entre os problemas levantados por Leão está o oligopólio, ou seja, o controle dessa tecnologia nas mãos de poucas empresas dominantes — de certa forma, isso significa uma influência muito grande na humanidade concentrada em um grupo pequeno de empresários. Outra preocupação é sobre como a inteligência artificial está impactando na relação entre as pessoas — e das pessoas com a realidade. "Ele quer evitar bolhas e também a autorreferencialidade", analisa Medeiros. Leão também tem insistido sobre os riscos do uso de inteligência artificial em contexto de guerra;. "Há uma preocupação com a criação de exércitos de humanoides, capazes de promover a aniquilação dos inimigos", pontua Medeiros. Ao mesmo tempo, se esses robôs forem dotados de uma "inteligência", eles poderiam, em tese, assumir o controle de verdadeiros empreendimentos colonizadores, comenta o especialista. Outro aspecto abordado constantemente pelo papa é como a tecnologia influencia na própria cognição. Cada vez mais as pessoas não usam mais o intelecto, delegando para os computadores e celulares atividades corriqueiras que antes demandavam raciocínio e consciência inteligente. "Ninguém se lembra mais do número do telefone de ninguém, ninguém mais sabe se deslocar pela cidade sem um aplicativo", enumera Medeiros. "A atividade cognitiva foi terceirizada." Leão 13, com a encíclica 'Rerum Novarum', publicada 135 anos atrás, inaugurou oficialmente a chamada doutrina social da Igreja Getty Images Leão demonstra também preocupação com o aumento do desemprego, à medida que mais e mais a tecnologia acaba suprindo a necessidade de mão de obra humana. Por fim, o papa tem cobrado uma maior regulamentação para as empresas de tecnologia, com o intuito de proteger a vida das pessoas das implicações negativas do uso de redes sociais e serviços de inteligência artificial. A jornalista Mascarenhas observa três pilares defendidos pelo papa na discussão: responsabilidade, cooperação e educação. "Responsabilidade por parte das empresas, dos desenvolvedores e dos usuários", destaca ela. "Cooperação entre sociedade, instituições e governos para estabelecer limites éticos. E educação midiática e digital para que as pessoas possam utilizar a tecnologia de maneira consciente." Doutrina social revisitada Há ainda um simbolismo. Leão 14 já declarou que escolheu para si este nome em alusão a Leão 13. Exatamente 135 anos atrás, este publicou a encíclica Rerum Novarum, considerada o marco inicial da chamada doutrina social da Igreja — ou seja, quando o Vaticano se volta para questões inerentes à vida em sociedade, não se limitando aos aspectos teológicos. Na época, o cenário era de pós-revolução industrial, e o papa apontava para uma terceira via possível entre o capitalismo selvagem e o socialismo materialista — ele cobrava uma sociedade mais justa. Leão 14 busca ser a voz cristã no atual contexto que também traz implicações sobre o mundo do trabalho e das relações humanas: no caso, a revolução tecnológica impulsionada pelas plataformas de inteligência artificial. "Leão 14 quer participar dessa tradição da doutrina social e acredita que a Igreja de novo pode centrar a reflexão na dignidade da pessoa humana com o objetivo de influenciar os modelos que vão ser adotados para regular as novas tecnologias e as relações de trabalho, as relações políticas e as relações sociais", diz Gonçalves. "Se a gente pensar que a inteligência artificial interfere em setores produtivos de todo o mundo e pode desencadear uma série de demissões, mas também pode abrir novas fronteiras e novos campos de trabalho, há, sim, um paralelo entre esta encíclica e a Rerum Novarum", comenta Moraes. Magnifica Humanitas, contextualiza Ribeiro Neto, "se inscreve numa tradição na qual as encíclicas papais são resposta imediata a uma sociedade cada vez mais em crise". Matemático por formação e nascido nos Estados Unidos, não é de se espantar que Robert Francis Prevost, o papa Leão 14, fale a mesma língua dos cientistas da computação que comandam os rumos das chamadas big tech. E ele parece querer usar essa carta para não só influenciar no debate contemporâneo como para se posicionar de uma forma humana, humanizada e humanitária nesse cenário de revolução digital. De acordo com levantamento feito pela reportagem, o papa aborda o tema da inteligência artificial em manifestações públicas pelo menos duas vezes por mês. Dois dias depois de ter sido eleito, em seu primeiro discurso aos cardeais, ele mencionou que o cenário de inovações tecnológicas cobra dos religiosos "respostas cristãs". Em junho do ano passado, Leão mandou uma carta aos participantes da segunda conferência anual sobre inteligência artificial, ocorrida em Roma. O texto era otimista quanto aos "horizontes" abertos pela tecnologia mas exigia consciência acerca das "questões preocupantes" decorrentes dos avanços. No segundo semestre, o Vaticano sediou um seminário chamado Rerum Novarum Digital, com cerca de 50 especialistas no tema. A ideia, de acordo com o texto oficial divulgado pela Santa Sé, era "fomentar o diálogo" e também "compartilhar experiências". No cerne das preocupações, estava a busca de contribuições "para o uso responsável, ético e centrado no ser humano da inteligência artificial". Participaram professores de instituições renomadas como a Universidade de Columbia e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts — o Brasil foi representado pelo professor Nestor Caticha, da Universidade de São Paulo. A aproximação do Vaticano ao mundo da tecnologia não parece ser uma via de mão única. Da apresentação da encíclica, na manhã desta segunda, participou o bilionário canadense Christopher Olah — um dos fundadores da empresa norte-americana Anthropic, umas das gigantes do mundo da inteligência artificial. Para Domingues, a presença do executivo demonstra como o Vale do Silício "está levando a sério aquilo que a Igreja está fazendo" pelo debate. Para Ribeiro Neto, a presença do empresário demonstra "capacidade real de diálogo com a cultura de nosso tempo". "A Anthropic tem procurado se diferenciar, no mercado de inteligência artificial, como uma desenvolvedora que busca ter responsabilidade ética. E o Vaticano valoriza, convidando alguém ligado a ela, os empreendedores que tem responsabilidade social", ressalta o sociólogo.
Papa Leão XIV na Missa de Pentecostes na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Gregorio Borgia/AP O papa Leão XIV fez nesta segunda-feira (25) um pedido histórico de perdão pelo papel da própria Santa Sé na legitimação da escravidão e por ter demorado séculos para condená-la. Ele classificou o passado do Vaticano como uma “ferida na memória cristã”. Papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados. Mas nenhum papa havia reconhecido publicamente — nem pedido perdão — pelo papel de antigos pontífices em autorizar explicitamente soberanos europeus a subjugar e escravizar “infiéis”. Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV, cuja história familiar inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos, fez o pedido de desculpas em sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), divulgada nesta segunda. O documento trata dos desafios para proteger a humanidade em uma era de crescente dependência da inteligência artificial. Ao abordar o tema, o papa relacionou o tráfico transatlântico de escravizados a novas formas de escravidão e colonialismo impulsionadas pela revolução digital, como o trabalho não regulamentado usado na extração de minerais raros necessários para chips de IA. Com isso, Leão XIV respondeu a décadas de pedidos de católicos negros dos Estados Unidos, ativistas e estudiosos para que a Santa Sé reconhecesse e reparasse seu próprio papel no comércio colonial de seres humanos. “É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu o papa. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.” Agora no g1 Séculos de legitimação da escravidão O Vaticano sustenta que sempre defendeu a dignidade de todos os seres humanos como filhos de Deus. No entanto, uma série de decretos do século XV autorizou soberanos portugueses a conquistar territórios na África e nas Américas e escravizar não cristãos. Em 1452, por exemplo, o papa Nicolau V publicou a bula papal "Dum Diversas', que concedia ao rei de Portugal e seus sucessores o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” “sarracenos, pagãos e outros infiéis”. O texto também autorizava os portugueses a reduzir essas pessoas à “escravidão perpétua”. Essa bula e outro documento emitido três anos depois, o "Romanus Pontifex", serviram de base para a chamada Doutrina da Descoberta, teoria usada para legitimar a tomada colonial de terras na África e nas Américas. As permissões dadas por Nicolau V foram confirmadas ou renovadas posteriormente pelos papas Calisto III, Sisto IV e Leão X. Em 2023, o Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta, mas nunca anulou oficialmente as bulas papais em si. A Santa Sé afirma que um documento posterior, o Sublimis Deus, de 1537, reafirmou que povos indígenas não deveriam ser privados de liberdade, propriedades ou escravizados. Igreja demorou a condenar a escravidão Na encíclica, Leão XIV lembrou que seu antecessor de nome, o papa Leão XIII, foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão, em 1888 — quando vários países já haviam abolido a prática. Antes disso, segundo o pontífice, até instituições da Igreja possuíam escravos. Ao reconhecer o papel da própria Santa Sé e as bulas papais do século XV, Leão XIV escreveu: “Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de ‘infiéis’.” O papa afirmou que não é possível julgar decisões do passado apenas pelos padrões atuais, mas disse que isso não diminui a demora da sociedade e da Igreja em denunciar a escravidão. “Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar desvinculados”, escreveu. Leão XIV também afirmou que a Igreja precisa condenar com firmeza todas as formas de exploração ligadas à revolução tecnológica digital “se quisermos evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro”. Em 1985, o papa João Paulo II pediu perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados praticado por cristãos. g1/Arquivo Histórico familiar e pedidos anteriores Durante visita a Camarões, em 1985, o papa João Paulo II pediu perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados praticado por cristãos, mas sem mencionar o papel direto dos papas. Em 1992, durante visita à Ilha de Gorée, no Senegal — um dos maiores centros do tráfico de escravizados da África Ocidental — João Paulo II chamou a escravidão de “tragédia de uma civilização que se dizia cristã”. Segundo pesquisa genealógica publicada por Henry Louis Gates Jr., 17 ancestrais americanos de Leão XIV eram negros e aparecem em registros oficiais como mulatos, negros, crioulos ou pessoas livres de cor. A árvore genealógica do papa inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos. No mês passado, durante visita a Angola, Leão XIV rezou em um santuário católico localizado em uma área que foi um importante centro do tráfico de africanos escravizados durante o domínio colonial português. Na ocasião, ele mencionou o “sofrimento e a grande dor” vividos pelos angolanos ao longo dos séculos, mas sem citar diretamente a escravidão.
La serie ‘Rafa’, disponible en Netflix desde el viernes 29 de mayo, recorre la trayectoria del tenista. “La mía ha sido una carrera a contrarreloj porque no sabía hasta cuándo iba a poder al jugar”, afirma
El Levante, Osasuna y el Elche jugarán la próxima temporada en Primera