Transcript: Rep. Jim Himes on "Face the Nation with Margaret Brennan," June 7, 2026
The following is the transcript of the interview with Rep. Jim Himes, Democrat of Connecticut, that aired on "Face the Nation with Margaret Brennan" on June 7, 2026.
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The following is the transcript of the interview with Rep. Jim Himes, Democrat of Connecticut, that aired on "Face the Nation with Margaret Brennan" on June 7, 2026.
Rep. Jim Himes, the top Democrat of the House Intelligence Committee, told "Face the Nation with Margaret Brennan" that President Trump's decision to tap Bill Putle as the acting Director of National Intelligence is "probably the worst most dangerous" nod of Mr. Trump's "basket of awful appointments."
Race between right-wing Fujimori, leftwing Sanchez follows first round of voting marred by logistical issues.
This week on "Face the Nation with Margaret Brennan," Reps. Ro Khanna, Don Bacon and Jim Himes join. Plus, a panel on artificial intelligence with cybersecurity expert Chris Krebs, a CBS News contributor, and Ben Buchanan, a former special adviser for AI during the Biden administration.
Jim Hagemann Snabe ist neuer KI-Sonderbeauftragter der EU und gleichzeitig Aufsichtsratsvorsitzender von Siemens. Europaabgeordnete und Aktivisten sehen einen möglichen Interessenkonflikt.
A candidata de direita à presidência do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda, Roberto Sánchez REUTERS/Alessandro Cinque O Peru vai eleger neste domingo (7/6) o seu nono presidente em apenas uma década. Após um primeiro turno conturbado e uma contagem de votos que se prolongou por um mês, o país volta às urnas em um clima de incerteza política. A direitista Keiko Fujimori, herdeira do movimento fujimorista e que obteve 17,92% no primeiro turno, disputa a Presidência contra o esquerdista Roberto Sánchez, que alcançou 12,03% dos votos. Esta eleição repete um padrão que tem caracterizado a política peruana nas últimas décadas: um confronto entre o fujimorismo e outro candidato, no qual o antifujimorismo costuma desempenhar um papel determinante. Justiça do Peru decide levar candidato de esquerda à julgamento Keiko Fujimori, filha e herdeira política do polêmico ex-presidente Alberto Fujimori, tem se destacado por sua persistência. Esta é a quarta vez que Keiko se candidata à Presidência e ela não reconheceu os resultados das duas últimas eleições — nas quais foi derrotada pelo direitista Pedro Pablo Kuczynski em 2016 e pelo esquerdista Pedro Castillo em 2021. O cientista político Alonso Cárdenas, professor de Ciência Política da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, em Lima, afirma que o não reconhecimento dos resultados eleitorais causou danos à democracia peruana. "Isso foi um dos principais catalisadores do processo de convulsão e instabilidade política que o país vem enfrentando nos últimos dez anos, com oito presidentes, um Congresso profundamente desprestigiado e uma implosão institucional que hoje marca a vida política", disse à BBC News Mundo. "Essa situação também resultou na ascensão do crime organizado, expressa em fenômenos como o 'sicariato' (prática de homicídio por encomenda) e a extorsão, e deteriorou de maneira significativa a qualidade de vida da população". Na cédula também estará Roberto Sánchez, que concorre à Presidência do Peru pela primeira vez. Ele foi ministro do Comércio Exterior e Turismo durante o governo do ex-presidente Pedro Castillo, de quem se considera herdeiro político. Castillo foi condenado no ano passado a 11 anos e meio de prisão pelos crimes de rebelião e conspiração, após tentar sem êxito dissolver o Congresso e concentrar poderes quando estava à frente do Executivo em 2022. Os fatores que vão influenciar a eleição Um dos fatores determinantes nesta eleição será o voto indeciso, que representa cerca de 25% do eleitorado, segundo uma pesquisa do instituto IEP publicada na semana passada. "Essa porcentagem pode pender para qualquer lado. Nos últimos dias, sobretudo nas redes sociais, muitas pessoas têm se mobilizado para relembrar tudo o que ocorreu com o fujimorismo — os casos de corrupção, a violação dos direitos humanos, o autoritarismo, a cleptocracia", afirma Cárdenas. "De acordo com a informação que tenho, a diferença que existia nas pesquisas entre Keiko e Sánchez tem diminuído cada vez mais." Também será fundamental a participação em diferentes regiões. "A Keiko Fujimori não lhe convém que haja abstenção em Lima, o seu principal reduto urbano, enquanto a Roberto Sánchez não lhe convém a abstenção no meio rural e no sul do país, onde conta com grande popularidade." Nesse sentido, a mobilização eleitoral em áreas urbanas versus rurais pode ser decisiva no que se prevê que será um resultado eleitoral muito apertado. Outro elemento determinante é a rejeição histórica a ambos os candidatos, que funciona como uma força política de dinâmica própria. No caso de Keiko Fujimori, o chamado antifujimorismo traz memórias de autoritarismo e corrupção; no caso de Sánchez, pesa sua associação com a gestão de Pedro Castillo, que "é lembrada como uma gestão muito desordenada, marcada por corrupção e improvisação", segundo o analista Alonso Cárdenas. Além do vencedor nas urnas, outra grande incógnita é a governabilidade do país, em um contexto em que o Congresso peruano se tornou um agente-chave na estabilidade política, com capacidade de condicionar a ação do Executivo. Nos últimos anos, a combinação de um sistema partidário fragmentado e a ausência de maiorias sólidas desencadeou uma persistente instabilidade. A destituição de presidentes e os constantes confrontos entre Poderes reforçaram a percepção de que a governabilidade depende menos do resultado eleitoral e mais da capacidade do presidente de construir alianças em um Congresso altamente volátil. Confira abaixo o perfil dos dois candidatos que disputam a eleição neste domingo. Keiko Fujimori, a herdeira do fujimorismo que concorre pela 4ª vez A Keiko Fujimori podem ser atribuídas muitas coisas, mas não a falta de perseverança: após três derrotas, a candidata da Fuerza Popular passou pela quarta vez consecutiva ao segundo turno. Keiko se tornou uma das poucas figuras duradouras na política peruana, que nos últimos anos tem devorado seus líderes no ritmo frenético dos sucessivos escândalos de corrupção. Ela também teve o seu próprio escândalo: um caso de lavagem de ativos no âmbito da construtora brasileira Odebrecht. Mas mesmo depois de passar pela prisão, o Tribunal Constitucional acabou arquivando o processo. A decisão lhe permitiu voltar a ser candidata a tempo para estas eleições. Para conquistar os eleitores cansados da corrupção e da insegurança, Fujimori não hesitou em reivindicar o legado de seu pai, que faleceu em 2024 e passou cerca de 16 anos na prisão após ser condenado por crimes contra a humanidade. Com o slogan eleitoral de "volta à ordem", tentou associar sua imagem àquela que os admiradores têm de Alberto Fujimori: um líder firme que estabilizou um país abalado pela crise econômica e pela violência do Sendero Luminoso na década de 1990. No entanto, seu pai continua sendo uma figura que gera divisões no Peru, e muitos também lembram as violações dos direitos humanos ocorridas sob seu comando, assim como os severos cortes decorrentes de suas reformas econômicas. Seu sobrenome é seu grande ativo político, mas também seu principal fardo. De fato, a figura de Keiko sempre esteve ligada à de seu pai. Nascida em 1975 e a mais velha de quatro irmãos, coube a ela assumir o papel institucional de primeira-dama do Peru quando o casamento de seus pais se desfez. Foi então que os peruanos conheceram uma jovem Keiko como acompanhante de seu pai em atos públicos e viagens de Estado. Após estudar Administração de Empresas nos Estados Unidos, regressou ao Peru e dedicou-se plenamente à política. Em 2006, com seu pai já detido no Chile, foi eleita congressista pela primeira vez. Cinco anos depois candidatou-se à presidência. Voltou a tentar em 2016 e 2021, perdendo em cada ocasião para políticos que não chegaram ao fim de seus mandatos. Keiko manteve o controle do fujimorismo, mas isso teve um custo: conflitos familiares e decisões controversas, inclusive envolvendo seu próprio pai e irmão. Em 2022 separou-se do empresário norte-americano Mark Vito, com quem teve duas filhas e que agora faz parte do mundo da televisão e do entretenimento peruano. Esta é a primeira vez que Keiko Fujimori é candidata à presidência após a morte de seu pai. Durante a campanha, tentou aproveitar ainda mais esse capital político e a sensação de muitos peruanos de que o país vive uma situação excepcional que requer medidas firmes. Entre suas propostas está a construção de megaprisões de segurança máxima e a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Após as eleições deste domingo, saberemos se novamente vai apenas chegar perto do cargo — ou se finalmente vai conseguir realizar seu sonho de se tornar presidente. Roberto Sánchez, o sobrevivente da era Castillo Sobreviver ao naufrágio político que foi o governo do ex-presidente Pedro Castillo, preso e processado por vários crimes, parecia uma tarefa difícil — mas Roberto Sánchez Palomino conseguiu. Embora poucos dias antes da votação o candidato do Juntos por el Perú aparecesse muito atrás nas pesquisas, ele conseguiu conquistar votos em pouco tempo e, beneficiando-se do fragmentado cenário eleitoral peruano, agora é o candidato que disputará o segundo turno presidencial com Keiko Fujimori. Nascido em 1969 em Huaral, uma localidade predominantemente agrícola a cerca de 80 km de Lima, e psicólogo de formação, Sánchez conseguiu transformar sua proximidade com Castillo como o responsável por Turismo e Comércio Exterior (foi o único ministro que sobreviveu às constantes mudanças de gabinete) em um ativo político quando, para todos os especialistas, isso parecia um fardo. O candidato não hesitou em reivindicar sua ligação com o governo de Castillo e chegou a aparecer nos debates com o mesmo chapéu de camponês com o qual o ex-presidente se apresentava aos peruanos, que se tornou um símbolo do Peru rural e andino. Graças a isso, conseguiu angariar o apoio de alguns dos setores que levaram Castillo à Presidência, sobretudo no sul do país, o mais afetado pela violência na repressão dos protestos que se seguiram à queda do ex-presidente e onde está muito difundido o ressentimento em relação aos políticos de Lima. Com seu estilo moderado e seu tom sereno em meio à permanente tensão política no país, Sánchez soube manobrar com habilidade e, ao contrário de outros membros do gabinete, não teve de responder judicialmente pela tentativa fracassada de Castillo de dissolver o Congresso, que acabou provocando sua destituição e prisão em dezembro de 2022. O então ministro Sánchez renunciou pouco depois de Castillo aparecer na televisão anunciando, com a mão trêmula, suas medidas de exceção, e se absteve na votação no Congresso que acabou destituindo o presidente, o que muitos interpretaram como uma tentativa de não afundar junto com ele. Castillo não parece guardar rancor. Em uma de suas últimas audiências judiciais, pediu voto para ele. E o candidato soube explorar o descontentamento de amplos setores do Peru rural com o destino do ex-presidente. Ramiro Escobar, analista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, disse à BBC Mundo que a ida de Sánchez para o segundo turno "mostra que os círculos políticos de Lima continuam sem entender a magnitude do descontentamento em algumas regiões".
Du changement à venir sur France Télévisions : la célèbre émission du service public dédiée à la santé, notamment, va changer de chaîne et sera présentée par le duo Flavie Flament et Jimmy Mohamed.
Keiko Fujimori and Roberto Sánchez face off in Peru's pivotal presidential runoff, a race that could determine the country's alignment with Washington or a leftward shift.
In Peru beginnt die Stichwahl fürs Präsidentenamt. Keiko Fujimori verspricht Ordnung - auch mit harter Hand. Ihr Konkurrent Sánchez warnt vor ihr und dem "Mafiapakt" der Eliten. Wer mobilisiert mehr? Von Anne Herrberg.
Peru could soon have its ninth president in 10 years, as voters choose between Keiko Fujimori and Roberto Sanchez in a runoff election overshadowed by instability and crime.
Peru could soon have its ninth president in 10 years, as voters choose between Keiko Fujimori and Roberto Sanchez in a runoff election overshadowed by instability and crime.
Peruvians will choose on Sunday their ninth president in 10 years, in a tight runoff election between conservative Keiko Fujimori and leftist Roberto Sanchez who are trying to woo voters fed up with political chaos and rising crime. Fujimori, daughter of former autocratic president Alberto Fujimori, is making her fourth bid for the presidency.
Les sondages placent la conservatrice Keiko Fujimori et le candidat de gauche Roberto Sanchez au coude-à-coude, dans un scrutin qui s’annonce très serré.
Tired, emotional and besieged by fans and enemies alike, by 1966 the Fab Four were ready to quit touring for good. A new collection of images by rock photographer Jim Marshall captures their last gigs The Beatles played their last official concert on 29 August 1966, at Candlestick Park in San Francisco. Jim Marshall’s pictures capture the group at a pivotal moment, when they are already feeling nostalgia for what they are leaving behind. Two months earlier, the Beatles had finished precording Revolver, a glittering collection of pop gems. The next day they boarded a plane to begin a global tour during which they would play nothing from it. They were not being perverse; it was simply that none of the songs lent themselves to live performance. On stage, they were a four-piece band. They could hardly play anything as complex as Eleanor Rigby or Tomorrow Never Knows to tens of thousands of fans. Continue reading...
Keiko Fujimori, the daughter of 1990s leader Alberto, is vying with a congressman to become country’s ninth president in a decade Peruvians go to the polls on Sunday in an election runoff that pits a perennial rightwing candidate, Keiko Fujimori, against a leftist congressman, Roberto Sánchez. Amid rising crime, chronic political instability, corruption scandals and voter apathy, they are vying to become Peru’s ninth president in a decade. Fujimori, who is the daughter of the late president Alberto Fujimori, won 17% of the vote in the first round in April. Sánchez, a former trade and tourism minister, took 12 % of the vote, edging out Rafael López Aliaga, an ultra-conservative former Lima mayor. The stage is set for a polarised left-right replay of the country’s last election in 2021. Continue reading...
Plus: Battle of the Boyne gets more interpretation, a use for wool at last and fears of spooking the Gap of Dunloe horses
Polls will open for the final round of Peru's presidential elections on Sunday with voters set to choose the country's ninth leader in 10 years. Following a first-round vote marred by logistical problems and fraud allegations, voters will choose between conservative Keiko Fujimori and leftist Roberto Sanchez.
La cadena consigue unas audiencias bastante notables gracias a Nacho Abad, Risto Mejide e Iker Jiménez
A candidata de direita à presidência do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda, Roberto Sánchez REUTERS/Alessandro Cinque O Peru voltará às urnas neste domingo (7) para o segundo turno das eleições presidenciais. Keiko Fujimori, conservadora e filha de um ex-presidente condenado, enfrentará Roberto Sánchez, um esquerdista conhecido por usar um chapéu camponês de aba larga. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As pesquisas apontam para um cenário indefinido e indicam que o próximo presidente deverá ser eleito por uma margem apertada. O primeiro turno já havia sido assim: o Peru demorou um mês para saber quem avançaria para a disputa final após uma contagem voto a voto. Tanto Keiko quanto Sánchez têm um passado conhecido na política peruana. A conservadora, que terminou o primeiro turno na liderança, com 17,17% dos votos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que passou 16 anos na prisão por violações de direitos humanos cometidas durante o governo dele. O legado de Fujimori ainda divide o país. Enquanto parte da população afirma que o governo trouxe estabilidade ao Peru na década de 1990, críticos dizem que a gestão foi autoritária. O ex-presidente morreu em 2024, aos 86 anos. Agora no g1 Esta é a quarta vez que Keiko tenta se eleger presidente. Em todas as disputas, ela chegou ao segundo turno. Nas campanhas anteriores, buscou se afastar da imagem do pai. Desta vez, porém, tem abraçado políticas públicas adotadas durante o governo dele. Sánchez, por sua vez, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso em 2022 sob acusação de tentativa de golpe. Ele recebeu 12,03% dos votos no primeiro turno e superou o terceiro colocado por uma margem de 21 mil votos. O candidato de esquerda defende um novo começo para o Peru, inclusive com a elaboração de uma nova Constituição — a atual foi criada justamente durante o governo Fujimori. 👉 Veja a seguir o que defende cada um dos candidatos. Uma nova Keiko A candidata conservadora à Presidência do Peru, Keiko Fujimori, em 17 de maio de 2026 REUTERS/Alessandro Cinque Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. A candidata também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha. O caso foi arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, ela foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia. Keiko tem se apresentado como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru. Na campanha, ela tem explorado o contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões. A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia do estilo de governo de Alberto Fujimori. Na década de 1990, ele derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas. Nessa onda, Keiko promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência. Ela afirma que travará uma "guerra frontal" contra o crime. "Trabalharemos com instituições financeiras (...) para identificar, rastrear e bloquear dinheiro proveniente de extorsão", disse. O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma "nova Keiko". Ainda assim, o partido faz questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática. A nova estratégia ajudou Keiko a reduzir os altos índices de rejeição que marcaram as campanhas anteriores. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. O índice é menor que o registrado no primeiro turno, quando chegou a 59%. Além do combate à violência, Keiko promete criar programas sociais voltados às famílias mais pobres, incluindo o pagamento de um auxílio. Recomeço para o Peru O candidato de esquerda para a Presidência do Peru, Roberto Sánchez, em 17 de maio de 2026 REUTERS/Alessandro Cinque Aos 57 anos, Roberto Sánchez foi quase uma zebra nas eleições peruanas. Poucas semanas antes do pleito, ele aparecia nas pesquisas com cerca de 7% das intenções de voto. O candidato de esquerda cresceu ao longo da campanha e avançou para o segundo lugar na reta final da apuração. Criado em uma família indígena com raízes no sul do Peru, Sánchez diz ter tido uma educação modesta. Em entrevistas, contou que chegou a cogitar seguir a vida religiosa e se tornar padre. Ele atribui o início da trajetória política ao trabalho social ligado à Igreja. O candidato costuma aparecer em público com um chapéu de palha usado por camponeses da região andina de Cajamarca, conhecido pela aba larga e pela copa alta. O acessório era usado pelo ex-presidente Pedro Castillo, que está preso. Sánchez visita Castillo com frequência na prisão e afirma que concederá indulto ao ex-presidente caso seja eleito. No entanto, ele nega que devolverá o poder ao aliado. Entre as principais promessas está a criação de uma nova Constituição. Segundo ele, o país precisa de um novo começo. O candidato defende maior supervisão estatal sobre os recursos naturais e a criação de impostos sobre grandes fortunas. Ele também propõe mudanças profundas no combate à corrupção, incluindo penas mais severas, proibição vitalícia de ocupar cargos públicos e uma reforma do sistema judiciário. Sánchez ainda quer que as Forças Armadas apoiem a polícia no enfrentamento do crime organizado. "Assassinato, insegurança e corrupção são um único problema", disse. "E a luta deve ser total." Ele afirma ainda que, como católico, apoia o aborto apenas em casos de estupro ou quando a vida da gestante está em risco. Também se opõe a qualquer forma de discriminação com base na orientação sexual, raça ou religião. O candidato também é alvo de polêmicas. Um promotor peruano o acusou de prestar declarações falsas em processos administrativos e de falsificar informações relacionadas a contribuições de campanha. O Ministério Público chegou a pedir a prisão dele.
A candidata de direita, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, antes de um debate televisionado em 31 de maio em Lima, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho. Reuters/Alessandro Cinque Em meio a uma profunda crise e ao descrédito das instituições, os peruanos vão às urnas neste domingo (7) para eleger um novo ou uma nova presidente entre o candidato da esquerda Roberto Sánchez e a líder de direita no país, Keiko Fujimori. O cenário é uma espécie de "repeteco" das últimas eleições de 2021, quando o esquerdista Pedro Castillo - de quem Sánchez era ministro - venceu Keiko no segundo turno e, meses depois, armou uma tentativa de golpe, sendo preso e condenado. A disputa chega ao final - assim se espera - depois de um primeiro turno extremamente conturbado, com direito a contestação, polêmicas e um atraso de quase um mês para o resultado das urnas. Keiko, filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, foi confirmada em primeiro lugar logo no início, mas a disputa entre quem seria seu adversário durou semanas e precisou ser apurada voto a voto. Sánchez e o candidato da extrema direita Roberto López Aliaga estavam praticamente empatados até a contagem final. O Observatório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o TSE peruano, só bateu o martelo quando a apuração chegou a 99,94% das atas eleitorais revisadas, e confirmou Sánchez no 2º turno. Ou seja, o tempo de campanha foi um dos menores que o país já teve. A demora na contagem e as contestações eleitorais, somadas a um número recorde de candidatos à presidência no país, 35 ao todo, mostram a extrema fragmentação política e a crise de confiança na democracia que vive o Peru. Lucas Berti, cientista político, pesquisador sobre o Peru no Observatório Político Sul-Americano e coordenador-executivo do Grupo de Relações Internacionais e Sul Global, afirma que, de fato, o que aconteceu nessas eleições no país não vem de um "vácuo". “É um sintoma de um processo de deslegitimação institucional que vem acontecendo nos últimos anos no país. E isso, na medida em que os presidentes eleitos não conseguem governar", afirmou. 9 presidentes em 10 anos O Peru contabilizou 9 presidentes em 10 anos. Para se ter ideia, os mandatos presidenciais no Peru são de 5 anos. Ou seja, em uma estabilidade democrática, o país teria apenas dois presidentes neste mesmo período. Porém, a realidade foi outra e alguns líderes não duraram nem 5 dias no cargo. “Nestes anos, a liderança que mais durou foi a de Dina Boluarte, que ficou no poder por quase três anos. Mas, ao desagradar a oposição liderada pela coalizão fujimorista de Keiko no Congresso, também caiu”, diz Berti Além disso, vale destacar o artigo 113 da Constituição peruana, que afirma que um presidente pode ser derrubado por “incapacidade moral ou física permanente” - e quem avalia esse diagnóstico são os parlamentares. Então, por exemplo, se o Congresso não gosta simplesmente de uma lei que o presidente tenta passar, eles podem acionar esse artigo, votar e, em menos de 24 horas, derrubar um presidente que foi eleito pela maioria da população. Para o cientista político Berti, essa facilidade do processo demonstra a fragilidade institucional em jogo no Peru. De acordo com ele, nos últimos anos, a coalizão fujimorista, de maioria absoluta no Congresso, vem articulando poderes, seja no Legislativo, nos tribunais ou no sistema judiciário. Desde 2008, a filha de Alberto Fujimori lidera essa corrente fujimorista ao fundar o partido Fuerza Popular e tenta chegar ao Poder Executivo no Peru. Só que isso não acontece, explica Berti. "Keiko perdeu as últimas três eleições (2011, 2016 e 2021) no segundo turno, por margens muito apertadas. E agora nessa eleição, em 2026, passa para o segundo turno com uma margem maior de votos. Alguns institutos dão vantagem para Keiko, outros para o Sánchez. O que indica uma coisa: a eleição será difícil e o resultado ainda está em aberto", diz Berti. Democracia em crise: 'desconfiança crônica' A consequência dessa queda de braço entre Executivo e Legislativo no país resultou não só em uma profunda crise política, mas também na forma como a população enxerga a democracia. "A credibilidade das instituições é baixíssima se olharmos os últimos 10 anos. E a desconfiança no Congresso passa de 90%, especialmente durante o processo que iria resultar na queda da ex-presidente Dina Boluarte, em 2025", explica Berti. Os dados mais recentes da pesquisa do Latinobarómetro, que mede o nível de democracia nos países da América Latina, apontam que o Peru enfrenta um dos níveis mais baixos de confiança nas instituições se comparado a outros países da América Latina. Há o que pode ser classificado como uma "desconfiança crônica". De acordo com os dados, 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso; e apenas 10% apenas se dizem satisfeitos com a democracia. Além disso, a pesquisa também notou outro sentimento perigoso: a indiferença sobre a política ou ao tipo de regime de governo. A própria fragmentação política extrema, como mostra o número de 35 candidatos à presidência no 1º turno, também demonstra isso. "Existe uma facilidade muito grande de criar partidos no Peru e são partidos chamados de 'pouco institucionalizados'. São partidos que não têm raízes efetivas em uma sociedade, que não é um partido que entra para a disputa durante 20, 40 anos. Mas sim legendas que surgem e somem, assim como também não há uma fidelidade dos candidatos aos partidos, que trocam de coalizão também com facilidade", explica Berti. Todo esse cenário reforça no eleitor a lógica de que os candidatos chegam muitas vezes a uma eleição sem base sólida ou sem um partido conhecido. Isso acaba gerando uma leitura de desconfiança e, muitas vezes, um descrédito e temor da facilidade com que essas pessoas eleitas podem cair. Não é difícil imaginar que o próximo presidente eleito, caso seja Sánchez, poderá enfrentar exatamente o mesmo padrão que derrubou os antecessores - a menos que consiga alterar essa correlação de forças no Parlamento. Já, se Keiko for eleita, segundo Berti, talvez exista uma facilidade maior de governabilidade, já que o partido dela tem maioria no Congresso. Mas, ainda assim, terá que lidar com uma crise política no país. Diante de tudo isso, sem dúvida, o maior desafio vai ser convencer o eleitor a sair de casa para votar e acreditar novamente na política peruana.