Uma semana após votação, candidato apoiado por Petro reconhece resultado das eleições presidenciais na Colômbia
Candidato presidencial colombiano Iván Cepeda. Foto de maio de 2026. REUTERS/Luisa Gonzalez O senador de esquerda Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia e apoiado pelo presidente Gustavo Petro, reconheceu no domingo (7) o resultado das eleições realizadas uma semana antes, no dia 31 de maio. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Desde o início da campanha eleitoral, respeitei estritamente as regras democráticas e a transparência com que se deve informar a opinião pública sobre o cumprimento das mesmas. Na minha condição de candidato presidencial pelo Pacto Histórico e pela Aliança pela Vida, comunico à opinião pública que, uma vez concluída a apuração dos votos, reconheço os resultados do primeiro turno da eleição presidencial", afirmou Cepeda em comunicado na rede social X. A votação determinou que Iván Cepeda disputará o 2º turno —em 21 de junho— contra o candidato de direita Abelardo de la Espriella. Segundo a autoridade eleitoral colombiana, Cepeda terminou a apuração atrás de Espriella, com 40,90% dos votos, contra 43,7% de seu rival, segundo a autoridade eleitoral colombiana. (Leia mais abaixo quem são os dois candidatos) A recusa de Cepeda em aceitar o resultado das eleições até o momento ocorreu porque o resultado contrariou a expectativa antes da votação, em que Cepeda era cotado em algum momento para até vencer o pleito já no 1º turno. Sua campanha, no entanto, perdeu força nos dias anteriores à votação. Petro também se recusou a aceitar a contagem, e não havia revertido sua posição até a última atualização desta reportagem. Agora no g1 Cepeda, no entanto, acusou nesta segunda-feira (8) seu rival de estar planejando forjar um autoatentado para tentar influenciar o 2º turno da eleição. Ele disse que a ação de Espriella ocorreria às vésperas do dia da votação. O senador não forneceu nenhuma prova para sustentar a acusação, porém ele afirmou ter recebido informações "por diferentes meios" e que as encaminhará para a Procuradoria-Geral da Colômbia. LEIA TAMBÉM: Eleição na Colômbia opõe reformas de esquerda a propostas de segurança da direita Gustavo Petro, presidente da Colômbia, diz que não aceita contagem inicial das eleições Entenda o mal-estar entre James Rodríguez e o presidente da Colômbia às vésperas da Copa Quem é Cepeda? Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita) Reuters Senador e filósofo, Ivan Cepeda faz parte do partido Pacto Histórico e representa a esquerda colombiana. O senador tem 63 anos e defende a continuidade das políticas adotadas pelo governo Petro. Ele ficou conhecido principalmente por atuar na mediação das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016. Apesar do acordo, no qual as Farc concordaram em se desarmar, grupos dissidentes da guerrilha continuam ativos e são apontados como responsáveis pela violência no país. Cepeda também foi pivô de um processo judicial que resultou na prisão do ex-presidente Álvaro Uribe. Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de organizar um complô para ligá-lo a grupos paramilitares Seis anos depois, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas por meio de terceiros. Em 2025, porém, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu o ex-presidente das acusações de suborno e fraude processual. Como candidato à Presidência, Cepeda defende o diálogo como forma de encerrar o conflito armado com guerrilhas. Também apoia o aumento do salário mínimo, a redução de benefícios para congressistas e uma reforma agrária. O senador promete dar continuidade às políticas sociais implementadas durante o governo de Gustavo Petro. A gestão de esquerda assumiu o país em meio aos impactos econômicos da pandemia e registrou aumentos do salário mínimo e queda do desemprego, mas também enfrentou críticas pelo aumento do déficit fiscal e dificuldades para aprovar parte de sua agenda no Congresso. Mesmo assim, a economia não aparece entre as principais preocupações dos colombianos. Pesquisa do instituto Invamer divulgada neste mês apontou a segurança pública como o principal problema do país para 40% dos entrevistados, enquanto desemprego e economia foram citados por 11%. Foi nesse cenário que De la Espriella ganhou força na disputa. Quem é Espriella? Líder nas urnas no 1º turno, Abelardo de la Espriella, de 47 anos, lidera o movimento ultraconservador Defensores da Pátria. O candidato afirma admirar políticos de direita, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele — com quem tem certa semelhança física. De la Espriella ganhou força na reta final da campanha. Ao contrário de Cepeda, ele não acredita que o problema das guerrilhas será resolvido por meio do diálogo. Para enfrentar a questão, promete uma ofensiva militar. Dois integrantes da campanha do candidato foram mortos a tiros em 15 de maio. De la Espriella também acusou integrantes da inteligência colombiana de participarem de um plano para assassiná-lo. Conhecido pelo apelido de "El Tigre", o advogado também defende retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Segundo ele, essas instituições servem para promover "políticas de esquerda". Ao mesmo tempo em que adota um discurso linha-dura, o candidato mantém um site chamado "De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas nas quais canta e até roupas em que aparece como garoto-propaganda. De la Espriella também se envolveu em polêmicas. Em uma entrevista na TV, por exemplo, se gabou do tamanho do órgão genital e afirmou que isso o ajudava a conquistar votos. O advogado também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações surgirem. Segundo ele, os dois deixaram de trabalhar juntos há seis anos.