First unit of Turkey’s Akkuyu NPP to launch in autumn-winter — Rosatom CEO
According to Alexey Likhachev, Rosatom received permission for the loading of dummy fuel assemblies into the first reactor of the Akkuyu NPP
"WINTER" · 총 138건
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According to Alexey Likhachev, Rosatom received permission for the loading of dummy fuel assemblies into the first reactor of the Akkuyu NPP
Xizang boasts 97 nature reserves, covering a total area of 434,000 square kilometers, and is home to 246 wildlife species under key national protection. Notably, over 80 percent of the global Tibetan antelope, wild yak and black-necked crane populations spend winter in the region.
Olivia Rodrigo addresses dating rumours after Cameron Winter date nightOlivia Rodrigo is about to release her third studio album - you seem pretty sad for a girl so in love, which was believed to be about the end of her relationship with Louis Partridge, but her recent sighting with...
Parada LGBT+ em São Paulo LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo acontece neste domingo (7), na Avenida Paulista, no Centro da capital. Com o tema "A rua convoca, a urna confirma", o evento celebra três décadas de mobilização da comunidade LGBTQIAPN+ e deve reunir milhões de pessoas na maior parada LGBT+ do mundo. Celebrando 30 anos de luta e resistência, a Parada reforça a importância da ocupação das ruas como espaço de mobilização política e de reivindicação de direitos. Segundo a organização, a manifestação busca destacar que avanços conquistados pela população LGBT+ nas últimas décadas foram resultado da pressão social e da participação ativa da sociedade. Neste ano, o Brasil também celebra os 30 anos da urna eletrônica. Por isso, a escolha do tema faz referência às eleições e à importância da participação popular na democracia. A mensagem é que a mobilização nas ruas e o voto caminham juntos na defesa e na ampliação dos direitos da população LGBTQIAPN+. Entre as atrações confirmadas estão alguns dos principais nomes da música e da cultura LGBT+ no país, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Melody, Pepita, Jup do Bairro, Diego Martins, Thiago Pantaleão, Majur e Katy da Voz e as Abusadas. O g1 reuniu tudo o que você precisa saber para aproveitar o evento. 🕙 Qual é o horário da Parada? A concentração começa às 10h, na Avenida Paulista, perto da Rua Peixoto Gomide (próximo ao Masp). Os trios elétricos devem começar a se movimentar no sentido Consolação entre 12h e 13h, seguindo pela Rua da Consolação. 🚇 Qual é a melhor forma de chegar? A recomendação é utilizar o transporte público. As estações mais próximas são as da Linha 2-Verde do metrô: ✅ Consolação ✅ Trianon-Masp ✅ Brigadeiro A expectativa é de grande movimento na região ao longo de todo o dia. 🌤️ Como fica o tempo? A notícia boa é que não há previsão de chuva. Segundo o meteorologista Cesar Soares, da Climatempo, o domingo será de tempo firme, com sol aparecendo ao longo do dia. 🌡️ Temperatura mínima: 9°C 🌡️ Temperatura máxima: 23°C 🥶 Sensação térmica nas primeiras horas da manhã: até 7°C ☀️ Durante a tarde, por causa da aglomeração, a sensação pode ficar entre 25°C e 26°C 💧 A recomendação é levar água e se manter hidratado, já que a umidade relativa do ar deve cair ao longo da tarde. 🚧 Quais ruas serão interditadas? A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fará bloqueios em etapas. A partir da meia-noite 🚫 Avenida Paulista, entre a Rua da Consolação e a Avenida Angélica 🚫 Avenida Paulista, entre a Praça Oswaldo Cruz e a Rua da Consolação (nos dois sentidos) 🚫 Complexo Viário Paulista/Túnel José Fanganiello Melhem (nos dois sentidos) 🚫 Vias transversais da Paulista entre as avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Angélica, exceto Rua Augusta, Alameda Campinas e Rua Pamplona A partir das 3h 🚫 Alameda Campinas, entre Rua São Carlos do Pinhal e Alameda Santos 🚫 Rua Pamplona, entre Rua São Carlos do Pinhal e Alameda Santos 🚫 Rua Augusta, entre Rua Luís Coelho e Alameda Santos A partir das 10h 🚫 Transversais da Rua da Consolação entre Alameda Santos e Rua Caio Prado A partir das 11h 🚫 Rua da Consolação, nos dois sentidos, entre Alameda Santos e Rua Caio Prado 🚫 Acessos da Amaral Gurgel e da Ligação Leste-Oeste para a Consolação serão bloqueados conforme o deslocamento da Parada 🚚 Qual será a ordem dos trios? Trio 1 – Trio de Abertura A RUA CONVOCA Apresentadoras: Silvetty Montilla & Tchaka Drag Queen Atrações: Pepita, DJ Diveras, Chelsea, Divina Valéria, DJ Midori, DJ Ivan Rocks, Uriel e Diego Martins Trio 2 – Famílias LGBT+ Apresentadoras: Helena Black & Judy Raiwbow Atrações: Canoah, Davi Bandeira, Gustavo Vianna, Huddson Viana e Las Bibas from Vizcaya Trio 3 – ONGs HIV/AIDS Atrações: DJ Lorran, DJs L.II.T.Air, Drag Thyfani, Drag Kiara, Trans Betty e Trans Pietra Trio 4 – Trio de Visibilidade Gay Apresentadoras: Xênia Star & Divina Raio Laser Atrações: Grag Queen, Chameleo, DJ Max Souza, Fiakra, DJ Will Capitão, DJ Brunno Capri, Kako, DJ Bertô, Dornelles e DJ Urlan Trio 5 – Trio de Visibilidade Bi+ Apresentadoras: Karen Bachini & Mãe Silvia Atrações: Zumbicore, Lirous K ́yo, Nega Jackie, Guilherme Garcia e MC Soffia Trio 6 – Trio Prefeitura I Apresentadora: Pri Drag Atrações: DJ Junior Lopez, DJ Well Souza, DJ Marcel Sat`anna, DJ Paulo Pringles, Drag Rhaiza Moreno, Drag Thelores, Drag Mirella Houston, Drag Gysella Popovick, Drag Luxa, Drag Ashilley Prado, Drag Dianna D ́agua, Drag Athena Joy, Drag Mizzayra Alonzo, Drag Alex Furtado, Drag Angel, Drag Baiana e Drag Natasha Ravelly Trio 07 – Trio Prefeitura II Apresentadora: Dimmy Kieer Atrações: Traemme, Joe Welck, DJ Alci, DJ Gab Sonzah, Drag Mahina Starlight, Drag Donatella Voggue, Drag Divina Loma, Drag Penelope Jolie, Drag Mina Tosca, Drag Sissy Girl, Drag Dragzonna, Drag Warralla Blachberry, Drag Wandera Jones, Drag Mariana Mercury, Drag Corona Bugie Oogie, Drag Haira Top e Drag Lavignea Trio 8 – Trio Prefeitura III Apresentadora: Nelly Winter Atrações: DJ Miro Rizzo, Drag Vera Ronsella, Drag Stefany Bourboun, Drag Vynna Whitee, Drag Penopole Jean, Drag Radha Vasconcellos, Drag Ticcy Mirelles, Drag Candice Kay, Drag Suburbia Freedon, Drag Artur Zanety, Drag Jefry Star, Drag Ariella Plin e Drag Marcinha do Corinto Trio 9 – Trio L’Oréal Groupe Atrações: Gloria Groove, Thiago Pantaleão, Lud Anjos, Reddy, Vita e Romero Ferro Trio 10 – Pessoas Associadas Apresentadoras: Leondethe Ferraz & Drag Tiffany Atrações: Gal Maria (Cover Oficial Gal), Böor, Drag Con, artistas do British Council (Rhys’ Pieces, Rusty Hinges, DJ Dr Bev e Dorian T. Fisk), DJ Tonyy, Brunelli e DJ Thonn Trio 11 – Trio de Visibilidade Lésbica Apresentadoras: Ananda & Debora Dias Atrações: DJ Stefany Araújo, DJ Pamela Pri, Milena Castro, DJ Nine Kirchenchtejn, DJ Luana Coelho, Bárbara Dumonn, DJ Cris Vilella e DJ Luanah Hansen Trio 12 – Trio de Visibilidade Travesti / Trans Apresentadoras: Gretta Sttar & Paula Beatriz Atrações: DJ Lara Pertile, Caique Teodoro, Katy da Voz e as Abusadas, Jup do Bairro, DJ Ledah, Isma Almeida, Boombeat e DJ Cris Negrini Trio 13 – Trio Amstel Atrações: Pabllo Vittar, Urias, Glaucia, Silvetty, Márcia Pantera, Magal e Renato Lopes Participação das festas: Madame e Nation Disco Club Trio 14 – Trio de Encerramento A URNA CONFIRMA Apresentadoras: Aysha Pink, Dindry Buck & Salete Campari Atrações: Majur, DJ Zuba, DJ Leo Vilardi & Guto Correa (B2B), MC Trans, Lysa Bombom, Melody, DJ Tiago Cardoso e DJ Tico Malagueta Marco Nanini na Parada LGBT+ de SP em 2025. Luiz Gabriel Franco/g1
A new dashboard tool announced Wednesday will allow the public to analyze the water quality of the Anacostia and Potomac rivers in the wake of a major sewage spill last winter. The tool was developed by the Reservoir Center for Water Solutions, a Washington, D.C.-based collection of nonprofit groups dedicated to environmental sustainability, and it […]
Het aantal mensen met een tekenbeet ligt al vroeg in het jaar op een hoog niveau, en dan moet de piek nog komen. Dat valt op te maken uit gegevens van tekenradar.nl, een initiatief van het RIVM en de Wageningen Universiteit. Het hoge aantal beten is het gevolg van de weersomstandigheden de afgelopen tijd, met halverwege mei regen en later die maand extreme warmte, zonnige dagen en opnieuw droogte. Bij tekenradar.nl melden enkele honderden mensen wekelijks of ze wel of niet gebeten zijn door een teek, wat een beeld oplevert waaruit een toe- of afname valt af te leiden. Vorige week liep het aantal mensen met een tekenbeet in die groep op tot 28 procent. Na het zonnige pinksterweekend ging het hard. "De droogte in het voorjaar was voor ons goed, want in principe worden teken daar minder actief van", vertelt bioloog Arnold van Vliet van de Wageningen Universiteit. "Maar de neerslag half mei kwam voor de teken op een mooi moment. Daardoor droogden ze minder uit, wat effect heeft op hoe ze op jacht gaan. En met het mooie weer gingen natuurlijk veel mensen het groen in, waarmee je dus in het domein van de teek komt." Volgens Van Vliet koersen we af op een vergelijkbaar scenario. "Het is nu regenachtig, maar de temperatuur lijkt weer flink omhoog te gaan en de neerslagkansen nemen weer af; exact in het piekseizoen." Hij verwacht volgende week of de week erna piekmomenten in het aantal tekenbeten. "En we moeten ook nog even afwachten wat juli doet." Vorig jaar viel de piek in juni, toen het hoogste aantal meldingen in vijf jaar binnenkwam. Van Vliet adviseert mensen om zichzelf goed te controleren. "Na een bezoek aan het groen een tekencheck doen", rijmt hij. Mocht je daarbij een teek ontdekken, is het zaak om hem zo snel mogelijk goed te verwijderen. "Vroeger zeiden we binnen 24 uur, maar inmiddels weten we: hoe sneller je dat doet, hoe lager de kans op het oplopen van de ziekte van Lyme." Naast lyme verspreiden de beestjes in Nederland soms ook tekenencefalitis (tbe), een virusinfectie die hersenvliesontsteking kan veroorzaken. Dat virus komt vooral voor in Centraal- en Oost-Europa, waar in sommige landen ook ertegen gevaccineerd wordt. De afgelopen jaren is ook in Nederland sprake van een toename van het aantal tbe-infecties. Vermoedelijk heeft dat ook te maken met het veranderende klimaat. Warmere winters Sowieso is er een complexe wisselwerking tussen klimaatverandering en tekenbeten in Nederland. Zo veranderen de aantallen teken die Nederland gedurende het jaar telt en hun activiteit door de veranderende temperaturen en neerslagpatronen. Daarnaast brengt klimaatverandering warmere winters met zich mee, zoals afgelopen winter, waardoor teken langer actief kunnen zijn en ook hun voortplantingsseizoen kan veranderen. "En het beïnvloedt natuurlijk ook de gastheren van de teek", legt Van Vliet uit. "Door warmere winters zien we minder sterfte van muizen en vogels." Er zijn dus meer dieren waar de teken hun tanden in kunnen zetten. Klimaat en gezondheid Daarnaast wijst hij op het effect van klimaatverandering op de vruchten aan bomen. "De beuk, bijvoorbeeld, heeft nu jaren achter elkaar beukennootjes. Normaal gesproken is dat het ene jaar wel en het andere jaar niet. Er is dus meer voedsel voor de gastheren van de teek." En meer voedsel, betekent opnieuw meer gastheren. Niet voor niets beschrijven de Wetenschappelijke Klimaatraad (WKR) en de Gezondheidsraad in een recent advies aan het kabinet nadrukkelijk dat klimaatverandering gunstig is voor de teek. De ontwikkelingen rond de teek in een veranderend klimaat moeten volgens Van Vliet de komende jaren goed gevolgd worden, want de gezondheidseffecten kunnen groot zijn.
A climate scientist has told FRANCE 24 that we should all watch out and prepare for the strong possibility of an extremely hot summer in the northern hemisphere in the coming months. The World Meteorological Organization is warning that the El Nino phenomenon is set to develop in the Pacific between now and the end of August, increasing the risk of extreme weather events. Climate scientist at the University of Oxford, Chloe Brimicombe, spoke to us in Perspective.
Soldiers of the 28th Mechanized Brigade named after the Knights of the Winter Campaign of the Ukrainian Ground Forces say they have established drone control over the Russian-occupied city of Horlivka in the Donetsk region.
The Delhi Gymkhana Club was born in 1913, raised for British officers and the colonial set, and was later inherited by bureaucrats, politicians, and the comfortably connected. None of that pedigree could save it, however, from the law. Last week India told it to vacate the land by June 5. The government read a single clause from the club’s own lease, named a public purpose, and issued the notice. The land returns to the state as do the buildings on it. The club says it will fight the decision in court, and it may. But the order is out and the clock has started. In Pakistan, the Lahore Gymkhana was born in the same year, is grander than Delhi’s and also sits on land worth a king’s ransom. But no notice to vacate has been issued. These are the facts from the government documents that explain why. India has ordered the Delhi Gymkhana Club to vacate its premises by June 5 — Credits: BBC 38 paisas a kanal The Lahore Gymkhana sits on state land ringed by The Mall, Jail Road, and Zafar Ali Road. There is no pricier address in the province. Its 1913 lease stretches back to the Raj, and has been repeatedly extended in 1921, 1960, and, in haste in 1996, five years before its expiry. This time it was extended for 50 years to cover the years 2000 to 2050. The gymkhana estate sprawls over 112 acres and the club holds three kanal and 16 marlas more than the record of rights allows — a tiny trespass that nobody thought to note until now. But that is not all. Inside Lawrence Gardens (Bagh-e-Jinnah), the Gymkhana keeps an exclusive cricket ground on three-and-a-half acres of the Agriculture Department. This was never part of the lease, there is no grant for it and no rent is paid. No paper explains how a public garden was fenced off for a private game. For the main estate, the club pays Rs5000 a year in rent. Not per kanal. In total. That comes to Rs417 a month, or under fifty paisas per kanal, for some of the most valuable earth in Pakistan. How little is Rs5000? Consider it against the government’s upper commercial rate. Total land 1,091 kanals 21,820 marla Market value 1,091 × Rs200 million/kanal Rs218.2 billion Fair annual rent 21,820 marla × Rs200,000/marla Rs4.364 billion The land is worth Rs218 billion so fair rent would be about Rs4.36 billion a year. Under the government’s 2023 policy, clubs can pay a tenth of market rent, but this would still come to Rs400 million a year. The club pays Rs5000. For years, the land’s real value sat behind a nominal colonial rent. It became visible when market figures were placed on the record. The admissions of guilt The club filed its defence with the Assembly admitting the buildings came after the lease, which said the government had to approve construction. Over the decades the club built its clubhouse, golf clubhouse, pool, two guest blocks, health club, administration block, mosque and a café in 2012. The Board of Revenue searched for permissions but none were on record. The club has not even paid its token Rs5,000 rent. The Additional Deputy Commissioner’s office sent a notice, dated 26 August 2020, saying that rent had not bee paid since 2011. Then the money. The club swears no public funds reach it but then lists them in the next breath: Rs2 million from President Zia in 1985, Rs2 million from PM Nawaz Sharif the same year, Rs50 million from CM Pervaiz Elahi in 2006, Rs10 million from CM Shehbaz Sharif in 2014. Four heads of government, four gifts from the public purse, to a private club. And who is the club for? Its rulebook answers. Every civil servant of Grade 18 and above may join for a token fee, and so may every commissioned officer of the armed forces. The other way to become a member is to inherit membership. The capture is not an accident of history. It is written into the founding charter. The roll of ordinary members, meanwhile, the club guards as confidential as if it were a list belonging to a Freemason Lodge. The instinct to maintain secrecy runs deep. When citizens used the Right to Information law to ask for the lease and the donor records, the club refused, and carried its refusal to the Lahore High Court, pleading, without blushing, that as a public limited company it was no “public body” and owed the public nothing. In January 2023, the court dismissed the plea. The land belongs to the state, the judge held. Handing over land worth billions of rupees almost free was an enormous benefit and rent of Rs5,000 a year “cannot be even termed as any rate whatsoever.” The same shrug was then offered to the Assembly when it asked who the club’s members were. Lahore Gymkhana — Credits: Express Tribune Institutionalising the giveaway The Gymkhana is no aberration. It is the template: in May 2023 the state made the template law. That month, a caretaker government in Punjab, an unelected stopgap whose only charge was to hold an election, approved a sweeping new policy. It had no mandate to make long-term land decisions but it made one anyway. On May 10 2023, the Colonies Department opened the door to hand prime state land to gymkhana clubs across the province, and fixed their rent at a tenth of market value. The discount was sewn into the rules. The Board of Revenue reports the harvest. The figure that matters is what the clubs actually pay, after the 90 per cent is shaved away: Rs20,000 an acre a year at Dera Ghazi Khan, Mandi Bahauddin, and Chiniot; Rs50,000 at Vehari, Sahiwal, and Dera Ghazi Khan; Rs60,000 at Kamalpur Syedaan in Attock; Rs100,000 at Saddar Gymkhana, Gujranwala; Rs120,000 at Jhang; Rs140,000 at Jhelum and Gujranwala City. An acre of prime city land, for the price of a secondhand motorcycle, every year. And the final irony: this generous policy, the Board says, does not reach the Lahore Gymkhana, because its lease is older. Elite enclaves on public land The Gymkhana is not the only refuge for the officer class in Lahore. Inside the GOR, that broad expanse of prime central land set aside for officialdom, stands the Punjab Civil Officers Mess on Tollington Road. At GOR’s gate stands the colonial Punjab Club. A short walk off, the Lahore Polo Club keeps its grounds and stables inside the Race Course, public parkland surrendered to horses and a handful of players. An exclusive school for the male heirs of the elite, Aitchison College (Chief’s College), spreads over 200 acres. None of these entities bought their land. It is public land, held in trust, enjoyed by the few. Islamabad tells the same story more starkly. The Islamabad Club, sprawled across 352 acres of CDA land, pays about three rupees an acre a month as its gates remain closed to ordinary citizens. The Gun and Country Club rose up on land meant for the Pakistan Sports Board; the Supreme Court declared it illegal in 2018 and ordered the land to be taken back, yet years later auditors could not trace some 38 acres, and the club sat on roughly 37 with no deed, no lease, no licence at all. The court said it aloud: there was no land in Islamabad for a public hospital [for the poor], but there was land aplenty for clubs for the rich. And the hunger has not eased. In Multan, the district administration moves to slice 15 acres off the Central Cotton Research Institute, founded in 1970, the cradle of more than forty cotton varieties, including the region’s first virus-free strain, to feed another gymkhana, while the country’s cotton reserves sit at a record low and we spend hard currency importing the very crop the institute exists to improve. The Pakistan Business Forum has written to the chief minister to stop it. The clubs took the parks. Now they reach into the seed bank. There has been an attempt to quantify this. In 2021, the UNDP put a number on the privileges captured by Pakistan’s elite. Cheap land and capital, tax breaks and soft inputs came to about $17.4 billion a year, which is nearly 6pc of the whole economy. The Gymkhana is merely a place where one may stand and watch the transfer happen: a 112 acres, for Rs5000. When the same hands value, grant, and enjoy the land This mechanism endures not through sloth but through strategy, as the actors make clear. The land belongs to the state. The men who grant it are senior civil servants in the Colonies Department, the Board of Revenue, the office of the Deputy Commissioner. The men who set the value of the land, and thus decide the rent, are with the same revenue service. And the men who enjoy the clubs are, by rule, civil servants of Grade 18 and above and senior officers of the armed forces. The same hands own the land, price the land, rent it, and carry the membership cards. When one cadre handles every aspect of a deal, its low price is no blunder. It is the purpose. No one at that table has any interest in making public land fetch a public price, for all of them gain from the opposite. The officer who would raise the rent, enforce the breach, or cancel the lease must act against his service, his colleagues, and likely his own leisure. That is what makes Sohaib Butt’s report so rare, and so telling. It took a man willing to go against the grain of his service to do the simplest thing: write down what the land is worth. This is the truth worth stating plainly. In Pakistan, real power does not change hands at the ballot box. Governments arrive and depart; the bureaucracy and elites abide. And on the matter of state land for clubs, those who never leave office and those who enjoy the clubs are one and the same. That is why such a file scarcely moves. And it is why it matters so greatly who, in the end, forced it into the open. Nestled within the Bagh-e-Jinnah, is one of the most picturesque cricket arenas of the world — Credits: Dawn archives Two-tiered justice The state can, of course, move on land with great speed if it wants. Take Islamabad, the capital that prides itself on order. For three months its bulldozers have flattened katchi abadis or the informal colonies where the city’s gardeners and nannies, washerwomen and labourers have lived for a generation. Around 25,000 people were driven out of Mulism Colony in Bari Imam alone. Settlements a quarter-century old, Rimsha Colony in H-9 and the largely Christian Allama Iqbal Colony in G-7, were marked for the same fate, along with the ancient villages of Saidpur and Nurpur Shahan.The state’s housing policy counts 60 such settlements in the city, home to between 300,000 and half a million souls; the CDA recognises barely 10 as lawful and brands the rest squatters. And here is the part that should silence the room: a Supreme Court order from 2015 was passed after the merciless clearance of the I-11 settlement left 25,000 people homeless. It stayed the summary evictions altogether. The bulldozers came regardless. The same legal system that cannot dislodge an unpaid colonial lease in 18 months had no trouble dislodging the poor in open defiance of its highest court. Punjab is no kinder about informality. It is just quieter about it. For three decades, it has promised to regularise its katchi abadis, and for three decades that promise has mostly stayed on paper. There is a law to sanction the work done and an agency to get it done but the number of settlements grows faster than the lists of “regularised” ones. Surveys are started and abandoned. Notifications are issued and forgotten. The poor who put up their housing on the edges of Lahore and Faisalabad and Rawalpindi live out their years in limbo, always one bureaucrat’s signature away from eviction. Three decades is a lifetime. A child born in one of these colonies has grown, married, and had children, and the family still cannot say for certain that the ground beneath their feet is legally theirs. Meanwhile, the new law enforcer is punishing and swift. The Punjab government created the Punjab Enforcement and Regulatory Authority (PERA), to clear what it deemed to be encroachments. It is aided by deputy and assistant commissioners and a uniformed force with black Vigos. Through 2025 PERA hired thousands of staff and opened stations across Lahore and beyond, as its drives targeted the small folk. Traders protested its methods: a shop photographed in the evening, sealed the next morning, fined Rs10,000 to Rs25,000, kept shut until the owner paid. Thella wallahs, vendors, kiosks punished for setting up on a footpath. But 112 acres of the city’s finest land, held on a dead lease, built over without leave, exempted by a rule the board invented, is “legitimate possession,” defended for generations. The bulldozer works swiftly for the weak but stalls for the strong. What Rs218 billion could buy instead of membership It is worth listing what Rs218 billion would buy in a place that cannot pay for medicine. In 2025-26, Punjab set aside Rs630.5 billion for its health sector, and proudly announced that for the first time this included Rs79.5 billion for free medicine. And yet Dawn reported that Rawalpindi’s three public hospitals (Holy Family, Benazir Bhutto, and the Teaching Hospital) were given a fraction of Rs4.5 billion they asked for. Their vendors are refusing to deliver stocks until the bills are cleared. The Lahore Gymkhana land, on the other hand, is worth Rs218 billion, or three times the free medicine funding. A single elite golf-and-dining estate, that pays Rs5000 in rent, is worth more than the tab for medicines in a province of 120 million people. The Assembly did its job It took an elected Assembly more than one attempt to set this right. The matter was brought up at the last session but did not move ahead for “mysterious” reasons. The House pressed further. A member moved an adjournment motion and the Speaker called it out: this was elite capture of state land. The Speaker formed a committee and for the first time in history, opened its hearings to the public and TV cameras. The House’s members killed it at the first sitting by placing on the record, all of them, that they sought no membership of the club, only the public interest. In a few weeks they ferreted out from their government two documents that settled everything. The first was the valuation, ADC(R) report (shown above), which turned Rs5,000 into a scandal by comparison. The second document ended the argument. The Law and Parliamentary Affairs Department gave a clean opinion on what the state may do: Clause 6 of the 1996 lease lets the government end the lease at any time, on six months’ notice. Clause 8 says that when it ends, the club is owed nothing for any building it raised. The Board of Revenue added that the state is bound to resume the land when public purpose requires it, or when the lease is broken. India reclaimed its gymkhana land by reading one clause of a lease. Punjab’s lawyers have now confirmed the province holds the same power to take back the Rs218 billion estate, with every building on it, on six months’ notice, and pay nothing. Credit for this denouement goes to the House of elected representatives. What they cannot do alone is sign the order. That pen rests with the executive, which is the same bureaucracy that would rather keep the file shut. Inside Lahore Gymkhana Cricket Museum, the first of its kind in Pakistan — Credits: Dawn archives Options The remedy is not exotic. The simplest one is to cancel the lease. The second option is to take back the land for public use, which is what Delhi did. We don’t need to look far to find precedent. When the Royal Palm Club in Lahore defaulted on its lease of Railways land, the state took the land back and pulled down structures. Indeed, members on both benches have said if it can be done to a club on railway land in Lahore, it can be done to a club on nazul (state) land in Lahore. The most durable option is a legal statute to dedicate the gymkhana estate to a fixed public use. And one use should unite the benches. The estate is a manicured, thirsty green in one of the most poisoned cities on earth. Take it back. Grow a native forest on it the fast and thick Miyawaki way and plan a park. Such greenery traps the dust, cools the air, and pushes back against the smog that sends people to our hospitals each winter. A golf course serves a hundred men. A forest would serve millions. We say the law protects everyone alike but we must admit it does not. The thella wallah is presumed to be illegal and is not given time to prove otherwise. The Lahore Gymkhana Club is presumed to be lawful no matter what the file says. Delhi has shown us the way. There was never a question of what the law allowed if elite land had to be taken back. The Assembly has proven this twice and put proof on record. What remains is the will to choose a public forest or park over a private fairway, the many over the few, the medicine over the membership. The House has spoken. The executive has not. For now, the silence belongs to the people holding the pen, and everyone can see why they would rather not sign.
Forecasters say resorts are set for fresh snowfall after early falls already blanketed the alpine slopes.
Fewer than one in 10 SEW customers satisfied with firm’s handling of supply crisis, which left tens of thousands without water South East Water failed to adequately communicate with customers during outages last winter that left tens of thousands of people without water, a report has concluded. Fewer than one in 10 SEW customers were satisfied with how the company handled the water supply crisis that stretched across parts of Kent and Sussex last winter, the consumer council for water (CCW) said. The report found communication was the company’s greatest failing. Continue reading...
Bitcoin hasn't had this cold a winter in seven years.
BoM and other agencies expect transition to the first El Niño since spring 2023 sometime during winter Follow our Australia news live blog for latest updates Sign up for climate and environment editor Adam Morton’s free Clear Air newsletter here Australia should prepare for an imminent El Niño, with the Bureau of Meteorology and other agencies forecasting that the weather phenomenon is likely to develop in the coming months. “The models are really aligning now,” Felicity Gamble, a senior BoM climatologist, said. “We are expecting a transition to El Niño sometime during winter.” Continue reading...
A investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos concluiu que o Brasil adota práticas desleais e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras – o órgão incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. Na lista de práticas que "oneram ou restringem" os EUA, segundo a investigação, estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. No Brasil, a medida já teve reverberações políticas e declarações do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro. Neste episódio, Natuza Nery entrevista o analista político americano Brian Winter, especializado em América Latina. Brian explica o que está por trás da decisão da Casa Branca e analisa o impacto do novo tarifaço nas relações entre os países e na corrida eleitoral brasileira. Convidado: Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly e analista político especializado em América Latina. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Natuza Nery. Tarifaço dos EUA pune a 25 de Março e o Pix O que você precisa saber: Quais os próximos passos e prazos da investigação comercial dos EUA contra o Brasil? Rubio diz que a América é cheia de amigos e aliados dos EUA, mas deixa Brasil de fora Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria' ANA FLOR: Novo tarifaço dos EUA é mais sério e tem potencial eleitoral Ministro da Fazenda diz que família Bolsonaro fez 'movimento' contra o PIX e que governo vai proteger ferramenta CAMAROTTI: Planalto vê situação adversa e prevê cenário similar ao de 2025 em caso de novas tarifas dos EUA Oposição culpa governo e base de Lula chama proposta de tarifa dos EUA de 'tariflávio'; Motta e Alcolumbre não comentam O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Anúncio à imprensa sobre a inauguração do Instituto Federal Goiano – Campus Catalão, em Catalão - GO Ricardo Stuckert / PR
South Korea may soon be preparing to say goodbye to its beloved panda twins, again. Rui Bao and Hui Bao, the giant panda sisters born at Everland in 2023, are expected to return to China this winter, according to their zookeeper Kang Cheol-won, setting the stage for another emotional farewell for fans. In a video uploaded to Everland's YouTube channel on Wednesday, Kang said experts from Korea and China are in discussions to determine when the panda twins should return to China. "Fu Bao had a di
winter starsno wishesjust hot chocolate--Stephen A. Peters (Washington, USA)Selected by Dhugal J. Lindsay
Higher electricity prices and a lack of cheap energy are in the news. Even before the start of the Iran war, consumers over the winter of 2025-2026 experienced some of the highest energy prices on record, especially electricity consumers in the Northeast and New England.
Ontario’s members of provincial parliament will get an extra long break from the legislature this summer, as it takes a 21-week recess. The extended break comes after the legislature sat for 30 days, following a 14-week winter break. Government house leader Steve Clark says the house will come back on Oct. 27, the day after […]
ISLAMABAD: Four PTI leaders, including the party’s general secretary, were expelled from Gilgit-Baltistan while local leaders were detained on Tuesday. General elections in GB are scheduled for Sunday (June 7), after a four-month delay attributed to harsh winter weather. According to the PTI leadership, the party is not being allowed to campaign in the upcoming elections. “Today, upon entering Gilgit-Baltistan, I, along with Shaukat Basra, Naeem Panjutha, and Zaheer Babar, was stopped by the police within the jurisdiction of Jal Police Station and prevented from proceeding further,” PTI Secretary General Salman Akram Raja claimed in a post on X. “The DSP informed us that my name had been specifically listed in their records. We and our colleagues from the Insaf Student Federation (ISF) were subsequently surrounded by police vehicles and forcibly escorted out of the province,” claimed the PTI general secretary. Raja said that these actions “represent an attempt to restrict our constitutional right to free movement and political activity”. “Such measures cannot suppress the voice of the people or their democratic aspirations. The nation has already made its decision: it stands with Imran Khan and the cause of freedom,” he added. Talking to Dawn, Raja said that party leaders were travelling to GB by road, as PTI stalwart and former National Assembly speaker Asad Qaiser had earlier not been allowed to travel by air. Similarly, PTI lawmaker Junaid Akbar was also expelled from the region. “When we reached the area of Jal police station in Diamer District, we were stopped by the police,” he alleged. “The police officer was already aware that I was going to Gilgit-Baltistan. They told us that they had orders not to allow us to go there. I asked them who had given the orders, but they said, ‘You can understand who has given us the orders,’” he added. Raja added that the police travelled with the PTI leaders until they reached Babusar Top, at which point they returned. Shaukat Basra, while talking to Dawn, said that the people of GB were supporting PTI, and that was why the government was scared of the party’s election campaign. “They are not giving us a level playing field for the elections, but I believe that the strategy of the government will backfire. While we were expelled, the local leaders and workers of the ISF, who had come to receive us, were arrested by the police,” he added. Meanwhile, PTI Secretary Information Sheikh Waqas Akram strongly condemned the incident, comparing it with the general elections held on February 8, 2024. According to Akram, Raja and other party leaders were barred from entering GB and sent back, a “repeat of the suppression tactics used against PTI leadership ahead of and during the 2024 general elections”. He claimed that police were being provided lists and were identifying and stopping PTI-affiliated individuals from entering the region. Akram said the alleged action “constitutes a clear violation of the Constitution and democratic principles”. Furthermore, he said a systematic campaign was being carried out in the name of issuing no-objection certificates (NOCs), mirroring the administrative hurdles and restrictions imposed on PTI candidates and workers across Pakistan in February 2024. He said ruling parties, particularly the PML-N and PPP, were enjoying full state patronage. “The administration is providing them with facilities and protocol for their public meetings, while every door is being shut on PTI, a clear replication of the one-sided state support extended to these parties in February 2024”, he said. Earlier today, political bigwigs sought to garner public support in GB as PML-N President Nawaz Sharif and PPP Chairman Bilawal Bhutto-Zardari addressed rallies. Bilawal said the region should be afforded the same rights and protections that other provinces enjoy under the 18th Amendment. Meanwhile, the PML-N supremo lamented the lack of development in the region. “I am speaking to you after many years. Isn’t that the case? Perhaps you have forgotten me,” Nawaz said while addressing the public in Gilgit, prompting roaring chants in his support. The PML-N president then assured the GB residents that he would hold a meeting with Prime Minister Shehbaz Sharif and ask him to expand the airport so that commercial jets could operate there.
Publisher do NYT, A.G. Sulzberger Damon Winter/The New York Times via AP A era da inteligência artificial anunciou sua chegada há menos de quatro anos, com o lançamento público do ChatGPT. Em poucos meses, o chatbot da OpenAI acumulou 100 milhões de usuários, tornando-se o produto de consumo de crescimento mais rápido da história. Hoje, ele é apenas um entre vários sistemas de IA cada vez mais poderosos, ao lado dos desenvolvidos por Anthropic, Google, Meta, Microsoft e X. Há poucas dúvidas de que a inteligência artificial generativa representa a próxima grande revolução tecnológica — e ela traz consigo uma série vertiginosa de questões importantes. A IA vai impulsionar um salto de produtividade? Vai eliminar categorias inteiras de empregos? Vai desbloquear avanços médicos extraordinários? Ou facilitar ataques biológicos? É possível compreender plenamente as ações dos modelos e agentes de IA? É possível controlá-los? Estou aqui hoje para falar de questões que são, reconheço, um pouco mais restritas. Mas elas importam muito para mim, para vocês e para a sociedade. Como a IA vai mudar o jornalismo? Como essas mudanças vão afetar o ecossistema de informação que funciona como a esfera pública dos cidadãos engajados ao redor do mundo? E o que as pessoas presentes nesta sala podem fazer para garantir o futuro do jornalismo baseado em fatos e reportagens em primeira mão — essencial para a saúde das nossas democracias? Os primeiros sinais nos dão razão para preocupação As empresas que lideram a IA, já entre as mais ricas e poderosas da história humana, estão consolidando um controle desproporcional sobre nossos dados e nossa atenção. Ao mesmo tempo, deixam de assumir uma responsabilidade fundamental que acompanha esse poder: garantir que o público tenha acesso a notícias e informações confiáveis. Esse sequestro da esfera pública é viabilizado pelo pecado original que move seus produtos de IA — um roubo descarado de propriedade intelectual em uma escala sem precedentes. Os gigantes da tecnologia vasculham sites de notícias sem permissão e sem compensação. Reempacotam o material roubado como se fosse seu, desviando o público e a receita que deveriam ir para as organizações jornalísticas que criaram esse trabalho. E isso não acontece apenas uma vez, durante o processo de treinamento, mas incontáveis vezes, todos os dias. Por isso, temo que estejamos caminhando rapidamente para um futuro com cada vez menos jornalistas capazes de fazer o trabalho caro e difícil da reportagem original — ir a lugares, conversar com pessoas, buscar informações, cobrir temas e eventos relevantes, oferecer contexto e análise, investigar os poderosos. Um futuro em que uma fonte essencial de uma sociedade saudável e de uma democracia estável — a verdade, a compreensão e a responsabilização proporcionadas pelo jornalismo original — continue a se esgotar. Esse dano potencial vai muito além do jornalismo. As empresas de IA saquearam todo o conjunto de obras originais da civilização — um ato que também ameaça o futuro de livros, filmes, músicas, pesquisas científicas e uma série de outros campos. Nos Estados Unidos, essas indústrias representam não apenas o coração da vida cultural e intelectual do país, mas também um pilar de sua economia e uma de suas exportações mais influentes. Globalmente, as profissões criativas empregam mais de 50 milhões de pessoas e geram cerca de US$ 12 trilhões em valor econômico por ano. As pessoas reunidas aqui hoje lideram organizações de notícias de mais de 60 países. Isso significa que já passaram por uma série de pressões que assolaram o jornalismo em todo o mundo — da queda de receitas à intermediação tecnológica e aos ataques crescentes à liberdade de imprensa. Mas diante da IA, precisamos fazer mais. Nossa profissão tem sido silenciosa demais, passiva demais e fragmentada demais diante dos abusos das empresas que lideram essa revolução. Não podemos permitir que os entusiastas da IA dominem a conversa pública sem que nos posicionemos em defesa de um futuro sustentável para o jornalismo original. Não podemos assistir enquanto empresas de IA tentam desmantelar permanentemente os direitos que nos dão controle sobre o trabalho que criamos. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto esse trabalho é usado para construir produtos substitutos que minam nossa capacidade de conquistar o público e a receita necessários para continuar fazendo jornalismo. Alguns líderes do setor tecnológico vão retratar meus comentários de hoje como sendo contra a IA. Como uma defesa do status quo. Como mais uma instituição engessada reagindo com raiva aos inovadores que impulsionam o progresso. E, para ser justo com nossos colegas do Vale do Silício, existe uma tradição de incumbentes estabelecidos — digamos, um jornal de 175 anos — reclamando de novas tecnologias e dos disruptores por trás delas. Por isso, vale dizer claramente: a organização que lidero, o "The New York Times", tem um longo histórico de abraçar a tecnologia para avançar a missão do jornalismo independente. Temos uma história de parcerias respeitosas com empresas de tecnologia para levar esse jornalismo a novos leitores, de novas formas. Enfrentar as disrupções com curiosidade, abertura e capacidade de adaptação nos ajudou a atravessar o colapso do nosso negócio impresso e sairmos mais fortes do outro lado. Hoje, meus colegas usam tecnologia de IA — de forma responsável, ética e com humanos tomando as decisões — para melhorar a forma como reportamos, editamos, distribuímos e monetizamos nosso jornalismo. Manter uma tecnologia nova e poderosa à distância é uma receita para o fracasso. E acredito plenamente que a IA tem o poder de fazer muito bem no mundo. Não estou chamando a IA — nem os gigantes tecnológicos que controlam essa tecnologia — de inerentemente ruins ou malignos. Estou alertando que as empresas de IA estão fazendo escolhas que violam leis já consolidadas, ameaçam a viabilidade do trabalho criativo e parecem destinadas a causar danos desnecessários e graves. As organizações de notícias deveriam querer os benefícios que a IA pode trazer. Mas as empresas de tecnologia deveriam também querer apoiar o fluxo saudável e sustentável de informações, ideias e criatividade que alimenta a própria IA — para garantir que suas ações não nos levem a uma tragédia dos bens comuns cívicos. Os quatro ingredientes da IA Os modelos de IA são feitos com quatro ingredientes básicos. O primeiro é o talento — as pessoas que desenvolvem os algoritmos. O segundo é o que as empresas de tecnologia chamam de "computação": a infraestrutura por trás da IA, como chips e data centers. O terceiro é a energia — a eletricidade necessária para alimentar esses produtos tão consumidores de recursos. O quarto é o que as empresas de tecnologia chamam de "dados". A própria palavra parece quase projetada para fazer o trabalho criativo e expressivo soar trivial, como uma commodity abundante. Mas "dados" é frequentemente usado, entre outras coisas, como sinônimo de livros, filmes, músicas e jornalismo — o que poderia ser descrito com mais precisão como "conteúdo protegido por direitos autorais". Talento, computação, energia e dados são todos essenciais para o sucesso da IA e, portanto, para o sucesso dos gigantes tecnológicos. Os três primeiros são pagos — porque é claro que são. Nenhum CEO de tecnologia ousaria sugerir que os engenheiros mais talentosos trabalhem de graça. Pelo contrário, eles regularmente oferecem pacotes de remuneração que chegam a dezenas ou até centenas de milhões de dólares. Tampouco considerariam roubar chips de uma fábrica da Nvidia ou fazer uma ligação ilegal em uma linha de energia. Os investidores consideram que as recompensas financeiras potenciais da IA são tão grandes que estão aceitando prejuízos na casa dos centenas de bilhões de dólares para construir data centers e usinas de energia. Em contraste, as empresas de IA tomam os "dados" sem consentimento nem compensação. As justificativas para o roubo mudam o tempo todo. Dizem que a inovação exige isso. Insistem que estão apenas usando fatos, que ninguém pode possuir. Reclamam que os acordos demoram demais e custam caro demais. Alegam que a doutrina do "uso justo" permite que tomem conteúdo de graça de qualquer jeito. Às vezes chegam até a invocar a segurança nacional — alertam que, se as empresas de IA forem obrigadas a pagar, os Estados Unidos perderão a corrida tecnológica para a China. Nenhum desses argumentos resiste ao escrutínio. Um chatbot só consegue reproduzir "fatos" porque copiou ilegalmente artigos jornalísticos inteiros, o que lhe permite tomar emprestado com a mesma liberdade a linguagem protegida e o estilo da escrita. Construir data centers e usinas de energia é muito mais caro e demorado do que contratar advogados para redigir acordos de licenciamento com organizações de notícias. O uso justo não permite esse tipo de cópia, retenção e regurgitação prejudicial e substitutiva de uma obra — quanto menos de tudo o que a humanidade já produziu. Na competição com a China, os Estados Unidos se enfraquecem ao abandonar as proteções de propriedade intelectual que alimentam a inovação e sustentam as empresas criativas americanas. A avaliação combinada das seis principais empresas de IA é de US$ 11 trilhões — mais de três vezes o PIB da França. O investimento privado em IA nos Estados Unidos chegou a quase US$ 350 bilhões em 2025 e está acelerando em 2026. Portanto, o roubo de propriedade intelectual certamente não ocorre por falta de dinheiro para pagá-la. Embora os acordos de licenciamento com editores não sejam públicos, com base no tamanho dos poucos acordos que foram divulgados, estima-se que menos de meio por cento desse investimento esteja indo para compensar as pessoas e empresas que criam os dados que alimentam a IA. Embora existam muitas fontes de dados, os próprios executivos de IA reconheceram que conteúdo original e de alta qualidade é particularmente valioso para a eficácia e confiabilidade da tecnologia. Cinco dos dez principais sites usados para treinar alguns dos modelos de linguagem mais populares pertencem a editoras de notícias. A OpenAI confessou que seria "impossível treinar os modelos de IA líderes de hoje sem usar materiais protegidos por direitos autorais". Um engenheiro da empresa escreveu que o sucesso dos modelos "não é determinado pela arquitetura, hiperparâmetros ou escolhas de otimização. É determinado pelo seu conjunto de dados, nada mais". Em outras palavras: você é o que você come. O caso do 'The New York Times' Vamos olhar de perto a experiência do "The New York Times" para entender como isso funciona. Se você quer respostas abrangentes e precisas no seu chatbot de IA, é difícil imaginar uma fonte de dados melhor do que uma organização jornalística que, por 175 anos, empregou jornalistas profissionais experientes e bem remunerados para descobrir novas informações, narrar eventos em andamento e avaliar desenvolvimentos em política, negócios, cultura, esportes, ciência e assuntos globais. Esse trabalho original é valioso para as empresas de tecnologia em grande parte porque foi cuidadosamente escrito e editado, verificado de forma independente, submetido aos mais altos padrões de justiça e precisão, e apresentado de forma distintiva e envolvente. Só no ano passado, o "The New York Times" publicou quase meio milhão dessas obras — de artigos a fotos, vídeos e podcasts —, a um custo de mais de US$ 2 bilhões. Temos jornalistas em todos os 50 estados americanos e em 155 países, e esses profissionais não raramente enfrentam situações de risco de vida. Na Ucrânia, por exemplo, tivemos mais de 70 jornalistas e equipe de apoio em campo. Tudo isso apenas em 2025. Some essas contribuições ao longo de 175 anos e 20 milhões de obras originais, e você terá uma ideia mais clara do que nossa redação contribuiu para a compreensão pública do mundo. O valor distintivo do jornalismo do "Times" — assim como o de outras fontes de jornalismo de qualidade — foi repetidamente reafirmado pela preferência que as empresas de IA demonstram por ele. Embora a maioria das empresas de IA oculte suas fontes de treinamento, o "Times" foi a maior fonte individual de dados proprietários em um conjunto de dados importante usado para treinar vários modelos diferentes, seguido por outras organizações jornalísticas, como "The Guardian" e "Los Angeles Times". As empresas de IA consideram a extração de informações de organizações jornalísticas de qualidade como um dos sinais mais confiáveis de que seus produtos estão funcionando corretamente. Como disse um vice-presidente da Microsoft: "Conteúdo premium melhora significativamente a qualidade das respostas". No entanto, os gigantes tecnológicos argumentaram de forma consistente que não deveriam ser obrigados a pedir permissão para usar — muito menos pagar por — esse tipo de propriedade intelectual. Seu argumento, como mostram suas ações, é que têm direito a ela. A Meta treinou seu modelo em um banco de dados notório de livros pirateados ilegalmente. A Perplexity desafiou abertamente a norma consolidada de que sites não podem ser rastreados às escondidas, contrariando suas objeções explícitas. A OpenAI fez lobby junto ao governo americano para obter imunidade legal pelo confisco de obras alheias. Até mesmo a Anthropic, frequentemente citada por seu compromisso com o desenvolvimento ético da IA, se recusou a pagar pelo jornalismo de alta qualidade que usa em seus produtos. Ações como essas levaram o "Times" a processar a OpenAI, sua parceira, a Microsoft e, posteriormente, a Perplexity, por violações flagrantes de nossos direitos de propriedade intelectual protegidos pela lei de direitos autorais dos Estados Unidos — tanto no treinamento de seus modelos quanto no uso contínuo de nosso trabalho em seus produtos. Assim como outras organizações jornalísticas que entraram com ações semelhantes, acreditamos que essas violações ameaçam a capacidade de longo prazo das organizações de notícias de continuar produzindo jornalismo original e confiável, do qual o público — e, como se vê, os próprios modelos de IA — depende. Mas processos judiciais são lentos e caros — o nosso já se estende por dois anos e meio e custou mais de US$ 20 milhões. Como as empresas de IA certamente sabem, a maioria das organizações jornalísticas não tem recursos para ir a tribunal defender seus direitos. Um setor já fragilizado Mesmo antes da chegada da IA, o setor global de notícias lutava para sobreviver às ondas de mudança desencadeadas pela internet, pelo smartphone e pelas redes sociais. Nas últimas duas décadas, os Estados Unidos perderam, segundo algumas estimativas, 75% de seus jornalistas e mais de 3.000 jornais. Um novo jornal fecha a cada três dias. Os veículos digitais não preencheram nem uma fração desse vazio. Grandes regiões dos Estados Unidos já não têm um único repórter fazendo perguntas na câmara municipal, cobrindo as escolas locais ou conectando sua comunidade com um conjunto comum de fatos. E quando se olha para as formas mais caras e desafiadoras de jornalismo — investigar irregularidades ou ir às linhas de frente de conflitos — percebe-se que o número de jornalistas fazendo esse trabalho caiu de forma ainda mais dramática. A disrupção provocada pela IA promete ser ainda mais devastadora. Antes da IA, havia uma troca de valor real — ainda que desequilibrada — entre as plataformas de tecnologia e os criadores de conteúdo digital, como as organizações de notícias. Esse era o pacto da chamada web aberta. As empresas de tecnologia — principalmente as plataformas de busca e redes sociais — ficavam com uma fatia crescente das receitas publicitárias que antes iam para as organizações de notícias, mas, em contrapartida, entregavam um público muito maior. Na próxima fase da disrupção, as empresas de tecnologia, ao se apropriar do próprio jornalismo, também estão tomando uma parcela crescente do público que ele conquista. Veja o caso do Google. O objetivo dos mecanismos de busca sempre foi identificar os sites mais úteis e enviar as pessoas para eles. As pessoas iam ao Google, pesquisavam um assunto e clicavam em um link para sites como o "Financial Times", "Le Monde" ou "El País" para ler a matéria. O Google ficava com a grande maioria das receitas publicitárias. Mas também enviava tráfego significativo para as organizações de notícias por meio de links, permitindo que os editores ganhassem dinheiro exibindo anúncios ou vendendo assinaturas. Na era da IA, o Google usa cada vez mais o conteúdo das organizações de notícias e de outros sites para responder às perguntas diretamente. Como resultado, fazer com que um usuário do Google clique em um link é, segundo pesquisas do setor, dez vezes mais difícil hoje do que era uma década atrás. Ainda assim, o Google mantém o padrão mais elevado em termos de envio de leitores para os editores, e só podemos esperar que esse compromisso continue. Os modelos de IA concorrentes enviam tráfego de referência a uma taxa 96% menor do que a busca do Google, segundo um estudo. Os gigantes tecnológicos têm plena consciência das implicações dessa mudança sobre os modelos de negócios já frágeis das organizações de notícias. Como escreveu o chefe de monetização de IA da Microsoft: "A web aberta foi construída sobre uma troca de valor implícita, em que os editores tornavam o conteúdo acessível e os canais de distribuição — como a busca — ajudavam as pessoas a encontrá-lo. Esse modelo não se traduz de forma limpa para um mundo orientado pela IA." Ele acrescentou: "Os editores precisam de formas sustentáveis e transparentes de controlar como seu conteúdo premium é usado." Um sentimento digno. Mas basta olhar para uma página de lançamento recente do próprio mecanismo de busca com IA da Microsoft para encontrar uma postura bem diferente: "Olá do Bing! Em vez de clicar em links, podemos conversar sobre tudo o que você quiser saber." Essa dinâmica fez, evidentemente, o tráfego para os sites de notícias despencar. Os maiores jornais acompanhados pelo Comscore registraram quedas de mais de 45%, em média, à medida que a corrida pela IA se intensificou nos últimos quatro anos. Editores de notícias globais consultados pelo "Reuters Institute" se preparam para que as quedas de tráfego significativas continuem nos próximos anos. Menos tráfego para os editores provavelmente significa menos oportunidades de publicidade, que continua sendo uma importante fonte de receita para a maioria das organizações de notícias. Nas últimas duas décadas, a receita combinada de publicidade dos jornais já caiu 80%. A Meta sozinha fatura oito vezes mais em receita publicitária do que todos os jornais do mundo juntos. Para compensar a queda da publicidade, muitas organizações de notícias recorreram a modelos de assinatura. Mas na medida em que as pessoas percebem que podem acessar trabalhos roubados gratuitamente por meio de produtos de IA, será cada vez mais difícil para as organizações de notícias desenvolver e aprofundar relações com potenciais assinantes. Esse roubo não acontece apenas porque os editores "deixam seus brinquedos no quintal"; acontece mesmo quando eles estão "trancados com segurança dentro de casa". Um estudo descobriu que cerca de 30% das varreduras por bots de IA violam restrições explícitas de acesso ao conteúdo dos sites, incluindo conteúdo protegido por paywalls. A fonte de receita com a qual alguns esperam compensar essas perdas é o dinheiro das próprias empresas de IA, por meio de licenciamento de conteúdo ou micropagamentos. Algumas organizações de notícias maiores, incluindo o "Times", assinaram acordos de licenciamento. Outras adotaram micropagamentos das empresas de IA para cada uso individual do jornalismo. Mas há boas razões para questionar se qualquer um desses modelos será suficiente para compensar a receita e os leitores perdidos para produtos de IA concorrentes. Enquanto isso, muitas organizações de notícias menores, cujo trabalho também foi tomado e usado por modelos de IA, não receberam nenhuma compensação, e a grande maioria dos editores diz não esperar receitas significativas das plataformas de IA. De forma preocupante, mesmo enquanto essas empresas de tecnologia tentam divulgar acordos e outras ações que sinalizam que valorizam o jornalismo, simultaneamente argumentam em tribunal, junto a legisladores e agências federais, que não têm nenhuma obrigação com os criadores da propriedade intelectual que usam para alimentar seus produtos. Não é concorrência — é parasitismo Para ser claro: não estou levantando essas preocupações porque as organizações de notícias deveriam temer a concorrência. Se as empresas de tecnologia estivessem destinando recursos reais para colocar seus próprios repórteres em campo para produzir jornalismo original, eu daria boas-vindas a isso. Mas não é isso que está acontecendo. As plataformas tecnológicas nunca fizeram tentativas sérias de criar o trabalho original e de base — como reportagem local, jornalismo investigativo ou testes rigorosos de produtos — do qual seus usuários, plataformas e produtos de IA dependem. E agora vão um passo além, simplesmente tomando as reportagens e coberturas de outros, muitas vezes até apresentando-as como suas. Um estudo descobriu que a OpenAI creditou as organizações de notícias que desenterraram as informações citadas em apenas 1% de suas respostas. Os líderes das transições tecnológicas anteriores pelo menos tentavam argumentar que suas plataformas seriam simbióticas com os criadores. O Spotify, por exemplo — que tem seus críticos na indústria musical — destaca os pagamentos que envia aos artistas. As empresas de IA, em contraste, adotaram uma postura mais abertamente parasitária, mais próxima à do Napster, a antiga plataforma de música pirata. Um pesquisador sênior da Microsoft escreveu que uma das "promessas centrais dos LLMs" é sua capacidade de usar "seus dados de treinamento para substituir o trabalho pago daqueles que criaram esses dados". De forma mais evocativa, a escritora de ficção científica Margaret Atwood comparou essa dinâmica a ser "assassinada pela minha réplica". É uma aposta segura que tais ações dos gigantes tecnológicos vão alimentar tendências destrutivas que já estão tensionando a sociedade. Uma queda contínua no jornalismo original. Uma onda crescente de desinformação, propaganda, teorias conspiratórias, deepfakes e lixo gerado por computador. Um público que continua a ser radicalizado por algoritmos que amplificam o medo, a raiva e a divisão. Os repórteres são os responsáveis por enriquecer o registro público com informações até então desconhecidas. Aquele fato surpreendente. Aquele detalhe revelador. Aquela citação da testemunha ocular. Aquele documento secreto. Aquela análise do especialista. Aquela foto, vídeo, gravação de áudio. Em termos simples, o jornalismo original é muitas vezes a forma como você sabe o que sabe. Os produtos de IA não conseguem fazer esse tipo de reportagem original. Eles extraem o registro público, mas têm dificuldade de acrescentar algo a ele. Mesmo a extração tem sido problemática. Uma pesquisa da "European Broadcasting Union" descobriu que os principais assistentes de IA distorceram significativamente as notícias em quase metade de todas as respostas. Tanto o Google quanto a Apple, por exemplo, cometeram erros graves ao usar ferramentas de IA para reescrever manchetes e alertas de notícias de organizações jornalísticas que aparecem em seus produtos. Como a IA tende a ser ruim em expressar incerteza, ela frequentemente não está apenas errada — está errada com confiança. E, ao contrário das organizações de notícias das quais roubam, as empresas de IA não rastreiam nem corrigem esses erros, deixando seus usuários sem qualquer forma de saber quando foram induzidos a erro. Isso importa em parte porque os produtos de IA provavelmente não vão apenas suplementar, mas substituir as relações diretas com organizações de notícias para muitas pessoas. Pesquisas sugerem que essa mudança está acontecendo muito mais rapidamente do que a maioria imagina. A Amazon Web Services, que trabalha com muitas empresas de IA, estima que a maioria do conteúdo online já é gerado por IA — um número que alguns especialistas esperam que chegue a mais de 90% nos próximos anos. Já hoje, o número de sites de notícias locais falsos é maior do que o de sites reais, pois a IA dificulta a sobrevivência dos sites verdadeiros e facilita a criação de sites falsos a baixo custo. De forma reveladora, as empresas de IA não querem dizer que os resultados de seus produtos são confiáveis. Não querem dizer que são justos ou precisos. Isso se deve em parte ao fato de não serem. Quando o ativista político americano Charlie Kirk foi assassinado no ano passado, por exemplo, o bot da Perplexity sugeriu que a declaração da Casa Branca sobre a morte de Kirk havia sido fabricada, e o Grok, do X, insistia que ele estava vivo e bem. Mas tão importante quanto isso, as empresas de IA se recusam a ser responsáveis pelo que seus chatbots dizem aos usuários numa tentativa de escapar da responsabilidade legal. A Microsoft alertou ao lançar o Copilot: "Apenas para fins de entretenimento. Pode cometer erros e pode não funcionar como pretendido. Não confie no Copilot para aconselhamento importante. Use o Copilot por sua conta e risco." Em algum nível, o público entende que isso não será bom para ele. Dois terços dos americanos estão muito preocupados com a disseminação de informações imprecisas pela IA, segundo o Pew Research Center. Mas uma porcentagem crescente de pessoas recorre à IA para notícias, informações e orientações — e algumas a consideram mais confiável do que as organizações de notícias das quais ela depende para suas respostas. Tudo isso vai agravar o alarmante declínio da saúde social e cívica. Evidências mostram que, quando uma organização de notícias local desaparece, as pessoas de uma comunidade começam a confiar menos umas nas outras e a se odiar mais. Tornam-se mais isoladas e menos tolerantes. O engajamento cívico diminui e a corrupção pública aumenta. E imagine o que acontece quando a abordagem das empresas de tecnologia em relação ao setor jornalístico chega à sua conclusão lógica. Apesar da importância do jornalismo para a tecnologia mais valiosa do mundo, as ações das empresas de tecnologia estão comprometendo sua mais importante fonte de novas notícias, novas informações, novas análises. Isso tornaria os próprios produtos de IA menos úteis e menos confiáveis — mais uma vítima desnecessária de escolhas desnecessárias e prejudiciais. O que podemos fazer Um setor jornalístico em declínio pode parecer impotente diante de algumas das empresas mais ricas que o mundo já viu. E o caminho à frente não é facilitado pela realidade de que precisamos continuar operando em um ecossistema de informação controlado de forma desproporcional por esses gigantes tecnológicos. Mas ainda há ações que podemos tomar — tanto para nos posicionar contra os abusos das empresas de IA quanto para preparar nossas próprias organizações para ter sucesso nessa nova era. Compartilharei algumas ideias para cada uma dessas frentes, com a convicção de que ideias melhores e mais numerosas surgirão das pessoas presentes nesta sala. No que diz respeito a defender seu trabalho das empresas de tecnologia, tenho quatro reflexões centrais: Defenda seus direitos. Os direitos de propriedade intelectual precisam ser mantidos se nossa profissão quiser ter um caminho à frente. No meu país, esses direitos estão ancorados na Constituição e sustentados por séculos de precedentes. Eles também são compatíveis com um entendimento ético básico de que roubar é errado. Mas seus direitos só serão mantidos se você insistir em que sejam respeitados e resistir quando não forem. Isso exigirá coragem — e às vezes recursos, que escasseiam — mas o caminho alternativo de tolerar silenciosamente o roubo sistemático do seu trabalho acabará por minar sua capacidade de continuar fazendo jornalismo. Negocie com cuidado. Organizações de notícias que assinam acordos para licenciar conteúdo para empresas de IA estão fazendo algo razoável. Mas aconselho a avaliar a viabilidade de longo prazo de cada acordo. Os gigantes tecnológicos têm uma posição de força extraordinária: já tomaram seu conteúdo e pretendem usá-lo de qualquer forma. Ainda assim, antes de aceitar uma oferta, vale perguntar se o pagamento reflete algo próximo ao valor justo — e se você está retendo algum controle significativo sobre como seu trabalho será usado. Pressione seus legisladores. A IA é cada vez mais impopular entre o público. À medida que os legisladores consideram como reagir, nossa indústria precisa se unir em torno de um conjunto pequeno e claro de pedidos. Algumas ideias iniciais: garantir que as proteções já robustas de propriedade intelectual sejam reforçadas — e não enfraquecidas — para a era da IA. Exigir que bots se identifiquem e limitar sua capacidade de vasculhar sites sem permissão. Exigir transparência para que as organizações de notícias saibam quando e como seu trabalho é usado pela IA. Garantir que as empresas de IA sejam legalmente responsáveis pelo conteúdo difamatório que geram. Una-se aos outros. Enfrentamos empresas de IA que gastam quantias inimagináveis em marketing, lobby e doações políticas para persuadir o público e cooptar políticos. A firma de capital de risco por trás de muitos investimentos em IA é hoje o maior doador político dos Estados Unidos. O único caminho da indústria jornalística para contrabalançar essa influência é trabalhar em conjunto e, igualmente importante, com outras indústrias criativas. Participe de briefs de amicus curiae e seja ativo em suas associações profissionais. Estude como nossos colegas da música e de outras profissões atravessaram seus momentos "Napster". Há também coisas que podemos fazer para tornar nossas próprias organizações de notícias mais resilientes enquanto enfrentamos esse desafio. Mais quatro ideias: Use a IA do jeito certo. As redações devem criar padrões cuidadosos para o uso responsável da IA. E então devem ser agressivas e criativas para colocar a tecnologia a serviço da melhoria do seu jornalismo e do fortalecimento de seus negócios. A IA pode trazer valor real às organizações que encontrarem as formas certas de adotá-la, e uma mudança dessa magnitude vai destruir qualquer organização que se recuse a evoluir. Não há nada de inerentemente ruim na tecnologia de IA — são as ações das empresas por trás dela que precisam ser reformadas. Seja um destino, antes de tudo. Um mundo cada vez mais intermediado por plataformas de IA deixaria as organizações de notícias ainda mais à mercê dos gigantes tecnológicos para compartilhar tráfego, crédito e dinheiro. O caminho mais claro para sustentar um jornalismo de qualidade será por meio de relações diretas com o público. Ser um destino não significa ignorar a internet mais ampla. Você ainda precisa criar novas relações onde as pessoas estão, que geralmente é uma plataforma tecnológica. Mas para aprofundar essas relações — torná-las leais, habituais e valiosas — seu público precisa aprender que é melhor se engajar diretamente com você do que por meio de um intermediário. Foque no jornalismo original. Muitas organizações de notícias se enfraqueceram e se tornaram commodities ao tentar alimentar as preferências em constante mudança dos algoritmos de busca e redes sociais com clickbait, agregação e opiniões fáceis. A economia dessa abordagem vai piorar ainda mais. Para ser um destino em um mundo intermediado pela IA, você vai precisar de um jornalismo tão diferenciado que tenha sua própria gravidade. O coração disso é o jornalismo original. O público não tem outra fonte para esse trabalho. E a IA tampouco. Explique por que o jornalismo importa. As empresas de IA têm megafones gigantescos e têm comunicado com muito cuidado — e de forma seletiva — os benefícios de seu trabalho, ao mesmo tempo em que minimizam os danos. A indústria jornalística precisa, por sua vez, mostrar que o jornalismo original é um ingrediente essencial nas sociedades saudáveis, nas nações seguras e nas democracias fortes — e demonstrar como as ações dos gigantes tecnológicos estão colocando tudo isso em risco. Informação é valiosa. Jornalismo é valioso Na última transição digital, as organizações de notícias — incluindo o "Times", por um bom tempo — compraram a afirmação repetida do Vale do Silício de que "a informação quer ser livre". Muitos nem sabiam que a citação original, do filósofo da tecnologia Stewart Brand, tinha outra parte: "A informação quer ser cara, porque é muito valiosa — a informação certa no lugar certo simplesmente transforma sua vida." Não podemos ser tão ingênuos desta vez. As organizações de notícias são coletivamente menores e mais fracas do que há duas décadas. Os gigantes tecnológicos são maiores e mais fortes — e muito mais dispostos a usar seu tamanho e poder. Enquanto isso, a própria onda da IA pode ser maior e mais veloz, à medida que a tecnologia continua a melhorar. Mesmo que as coisas pareçam estar bem por enquanto, lembre-se: essas primeiras ondas anunciam um tsunami que se aproxima. Enquanto nos preparamos, precisamos nos lembrar: a informação é valiosa. O jornalismo é valioso. A internet já está sobrecarregada de bots e lixo digital. Está cada vez mais difícil saber de onde as coisas vieram e se são verdadeiras. Isso criou uma sensação crescente de que nada pode ser confiado, exigindo de todos uma vigilância quase paranoica sobre tudo — ou, pior, um mergulho no niilismo. O efeito não é apenas que as pessoas acreditam em coisas falsas: é que deixam de acreditar em coisas verdadeiras. Essa combinação tóxica já está levando mais pessoas a se desengajarem completamente. As empresas de tecnologia acenam para essas tendências e dizem "não é culpa nossa" e, de forma ainda mais reveladora, "não é nosso problema". As organizações de notícias deveriam se posicionar como a alternativa confiável nesse caos. Notícias e informações em que se pode confiar são mais raras e mais necessárias do que nunca. O tipo produzido por equipes de profissionais experientes, apoiados por processos e padrões rigorosos. Segundo pesquisas, quando alguém quer verificar algo que encontrou e que acha que pode ser falso, a opção preferida é "uma fonte de notícias em que confio". Em último lugar na lista? Um chatbot de IA. Continuo convicto do valor criado por organizações de notícias de qualidade dedicadas ao trabalho difícil e caro do jornalismo original — para os leitores, para as comunidades, para a sociedade como um todo. E, sim, até para os modelos de IA. Quem mais irá aos lugares onde os eventos estão se desdobrando? Quem nos trará relatos em primeira mão das linhas de frente de uma guerra? Quem nos equipará com informações confiáveis em uma crise de saúde pública? Quem vai expor a empresa de sucesso ou a carreira política construídas sobre uma mentira? Quem vai garantir que os debates sobre políticas econômicas sejam informados por seus impactos sobre pessoas reais? Quem mais pode enriquecer todo esse trabalho com conhecimento especializado duramente conquistado, que acrescenta perspectiva e contexto, e com compromissos profissionais profundamente enraizados de tornar cada matéria tão justa e precisa quanto possível? A questão é se esse valor será sugado pelos gigantes tecnológicos — ou se voltará para as organizações de notícias, permitindo que continuem esse trabalho essencial. Espero que todos vocês levem essa questão a sério. Acredito que o futuro das nossas organizações de notícias e a saúde da esfera pública dependem de como responderemos. Obrigado. (c) 2026 The New York Times Company. Texto original disponível em: https://www.nytco.com/press/a-i-journalism-and-the-uncertain-future-of-the-public-square/