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O que muda para a Colômbia — e a América do Sul — com aliança entre Trump e Abelardo de la Espriella

G1 (Globo)
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O que muda para a Colômbia — e a América do Sul — com aliança entre Trump e Abelardo de la Espriella

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Quem é Abelardo de la Espriella, presidente eleito em apuração preliminar na Colômbia
O governo de Donald Trump nos Estados Unidos acompanhou de perto a campanha presidencial de Abelardo de la Espriella na Colômbia, apoiando abertamente sua candidatura.
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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi um dos primeiros líderes mundiais a felicitar o outsider de direita, após sua vitória nas eleições colombianas de domingo (21).
"O governo Trump está disposto a trabalhar de perto com seu próximo governo, para fazer avançar a cooperação em prol da segurança regional, pôr fim à migração ilegal para os Estados Unidos e fortalecer nossos laços econômicos", declarou Rubio no X.
De la Espriella possui nacionalidade americana. Ele afirmou que deseja uma relação próxima com Trump, de quem se declara ser admirador.
O presidente eleito também busca uma estratégia de pulso firme contra o crime, alinhado à posição do mandatário americano - algo que deve ter impacto no xadrez geopolítico de toda a região, incluindo o Brasil.
Durante os quatro anos de governo progressista do presidente Gustavo Petro, as relações entre os Estados Unidos e a Colômbia foram turbulentas.
Após o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, houve sucessivas crises diplomáticas e desencontros em temas como segurança, política de drogas e migração.
As relações entre os países melhoraram em fevereiro deste ano, após uma visita amigável de Petro a Washington. Mas a desconfiança entre os dois presidentes se manteve latente.
A vitória de De la Espriella abre um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e a Colômbia. Apesar de perder força nos últimos anos, esta permanece sendo a aliança mais importante para o país sul-americano.
'Vitória propícia para Trump'
Trump e Espriella preveem relações menos tensas entre os dois países
Getty Images/BBC News Mundo
"Esta parece uma vitória conveniente para Trump", declarou à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC), o diretor da consultoria de análise geopolítica Colombia Risk Analysis, Sergio Guzmán.
A Colômbia era um dos poucos países da América do Sul com um governo de esquerda. Gustavo Petro representava um bloqueio contra as aspirações de Trump no continente.
O triunfo de De la Espriella, indicado pela apuração preliminar, e a aparente vitória de Keiko Fujimori no Peru fizeram com que o Brasil (com eleições marcadas para outubro) e o Uruguai passassem a ser os únicos países sul-americanos com presidentes de esquerda, mais distantes dos Estados Unidos e do seu mandatário republicano.
Os reticentes governos do Brasil e da Colômbia limitaram, até certo ponto, as tentativas de Trump de realizar ações militares contra o crime em geral e o narcotráfico no continente.
De la Espriella deixou claras suas intenções de bombardear acampamentos "narcoterroristas" e carregamentos de drogas na Colômbia, o principal produtor e exportador de cocaína do mundo e cenário de um conflito armado com diversas frentes, que dura mais de 60 anos.
Tudo isso coincide com a estratégia militar americana que, desde setembro de 2025, atacou dezenas de supostas narcoembarcações, deixando mais de 200 mortos no litoral da América do Sul.
Além disso, os Estados Unidos capturaram o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e realizaram operações conjuntas contra o crime organizado, ao lado da Venezuela e do Equador.
Em relação à Colômbia, apesar das desavenças com Petro, permanece a cooperação internacional e de inteligência que caracterizou as relações entre os dois países por décadas.
"A vitória de De la Espriella vem de encontro às prioridades dos Estados Unidos no hemisfério ocidental que, além das políticas antinarcóticos e da perseguição às organizações criminosas, também envolvem o controle e a repatriação de migrantes", explica Elizabeth Dickinson, do centro de estudos International Crisis Group.
"O desafio para o próximo presidente colombiano será garantir que suas prioridades e o que for melhor para o seu país coincidam com esta agenda [americana], protegendo ao mesmo tempo sua população civil em um contexto de divisão política e conflitos internos", prossegue ela.
A apuração preliminar indica que quase 13 milhões de colombianos votaram em De la Espriella, enquanto 12,7 milhões preferiram seu adversário, o candidato do governo Petro, Iván Cepeda.
Com uma eleição tão apertada, espera-se resistência ativa frente a algumas políticas que o presidente eleito deseja implementar. Mas, no seu discurso da vitória, De la Espriella se mostrou mais conciliador que na campanha, prometendo governar "para todos os colombianos".
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A Colômbia que espera De la Espriella
Abelardo de la Espriella
JAIME SALDARRIAGA / AFP
Os quatro anos de "paz total" de Petro — a estratégia do governo, que priorizava a negociação sobre a luta contra grupos armados — resultaram em uma Colômbia que não consegue frear a expansão desses grupos, iniciada em 2018, dois anos depois do acordo de desmobilização entre o Estado colombiano e a guerrilha das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
A Colômbia tem, hoje, o segundo maior índice de homicídios do continente, atrás apenas do Equador, além de um recorde histórico de cultivo de folhas de coca. Mas estes índices reduziram seu ritmo de aumento nos últimos anos.
O mesmo não ocorre com o crescimento dos grupos armados. Hoje, eles somam mais de 27 mil integrantes, depois de terem dobrado de tamanho nos últimos cinco anos.
Agora, De la Espriella propõe priorizar a via do confronto, desarmar as negociações e aumentar o orçamento militar. Mas não se trata de algo novo na Colômbia.
Diferentes governos se sucedem, alternando receitas de pulso firme e mãos estendidas, para pôr fim ao conflito armado. Mas ninguém atingiu sucesso absoluto.
Parece haver certo consenso de que o Plano Colômbia (um pacote milionário de ajuda militar e econômica de Washington a Bogotá, no início dos anos 2000) e a estratégia de "Segurança Democrática" do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) debilitaram militarmente as Farc.
Tudo isso possibilitou o posicionamento do governo que se seguiu a Uribe, do presidente Juan Manuel Santos (2010-2018), para forçar as Farc a negociar e depor as armas.
A questão, segundo vários analistas, é que, depois do processo de paz, não foram resolvidos desafios como as desigualdades, o vigor da economia ilícita e a limitada presença do Estado em regiões remotas.
Estes fatores criaram um campo fértil para a proliferação do crime, com novos grupos armados e receitas, como a do narcotráfico e da mineração ilegal.
De la Espriella levantou a possibilidade de fazer reviver um "Plano Colômbia 2.0".
A história mostra que o pulso firme não resolveu o conflito armado e a questão do narcotráfico. Talvez por isso, o presidente eleito também prometeu levar investimentos às regiões mais afetadas pela violência e pela criminalidade.
Este objetivo é maiúsculo e, ao mesmo tempo, uma faca de dois gumes.
Apesar dos seus sucessos militares, atribui-se às iniciativas de confronto, como o Plano Colômbia e a Segurança Democrática de Uribe, o empoderamento de grupos paramilitares, que acabaram envolvidos em massacres contra a população civil.
As questões existentes
Membros do grupo guerrilheiro Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB) depõem suas armas em cerimônia de desarmamento no município de Valle del Guamuez, em Putumayo, na Colômbia, em 18 de junho de 2026.
Raul Arboleda/AFP
Atualmente, os Estados Unidos teriam, alinhados à sua visão de segurança, os governos do Equador e da Venezuela, seguramente do Peru e, em breve, da Colômbia. São quatro países que enfrentam graves desafios de segurança e crime organizado.
Para Dickinson, um lado positivo desta situação é que haverá maior cooperação regional. Mas também existem riscos.
"Washington segue mais a sua agenda do que os interesses locais dos países mais afetados pela violência que se expandiu pela região", explica ele. E este é um dos diversos equilíbrios que De la Espriella precisará manter em suas relações com os Estados Unidos.
Seus adversários já acusaram o presidente eleito de supostamente priorizar os interesses dos Estados Unidos, em detrimento da Colômbia.
Para Guzmán, outra preocupação é que, apesar da vitória de De la Espriella, os Estados Unidos possam não demonstrar a mesma generosidade de antes com o país.
"Existe uma expectativa de que os Estados Unidos retribuam à Colômbia a assistência militar e social que haviam recebido", explica o analista. "Acho difícil, já que Trump não é um líder particularmente generoso."
A Colômbia foi um dos países mais afetados pelos cortes da USAID, a agência de cooperação americana que destinava milhões de dólares para projetos sociais e de desenvolvimento no país sul-americano, desmantelada pelo governo Donald Trump.
Nos últimos anos, enquanto os Estados Unidos pareciam afastados dos seus interesses na região, a Colômbia, como outros países da América Latina, foi se aproximando da China, que é o maior adversário geopolítico dos americanos.
Atualmente, Pequim disputa com Washington a posição de maior parceiro comercial de Bogotá. E os especialistas preveem que a China poderá superar os americanos nos próximos anos.
"Acho provável que os Estados Unidos peçam à Colômbia que suspenda suas relações com a China, que se ampliaram com Petro", analisa Guzmán.
"Mas não será tão simples, pois a China ocupa um espaço importante de investimentos que De la Espriella não poderá ignorar e os Estados Unidos não conseguirão ocupar."
A pouco mais de dois meses da posse de De la Espriella, suas relações com o país mais poderoso do mundo parecem mais complexas do que transpareceu durante a campanha eleitoral.
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