Anvisa aprova mais 5 marcas de semaglutida: o que esperar dos preços e qual o caminho para chegar ao SUS

ONP 요약
Anvisa approved five new semaglutide-based injectable pens, known as "weight loss pens," for adults with type 2 diabetes and obesity, complementing diet and exercise. The decision was published in the official gazette on Wednesday.
Anvisa aprova registro de 5 novas canetas emagrecedoras à base de semaglutida
Cinco meses depois de a patente da semaglutida cair no Brasil, o mercado de medicamentos para emagrecimento ganha mais cinco concorrentes. Nesta quarta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou as novas marcas, ampliando a oferta de GLP-1 no país. Mas ainda há uma indefinição: quanto as novas opções vão custar e como a ampliação da oferta pode abrir caminho para a entrada do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).
As autorizações contemplam os produtos:
Zempneo, da Brainfarma;
Semavy, da Cosmed;
Orsema, da Ranbaxy;
Seemasun, da Sun Farmacêutica;
Owozy, da Ávita Care.
A aprovação não significa que os medicamentos já estarão nas prateleiras. Antes disso, falta uma etapa decisiva para o bolso do consumidor: a definição do preço máximo de venda pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Anvisa. Esse valor funciona como um teto: as empresas podem cobrar menos, mas não acima dele.
O g1 apurou que o Ministério da Saúde pediu celeridade nessa análise. Normalmente, o processo pode levar até dois meses, mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem, a definição deve sair em algumas semanas. Se seguir o mesmo caminho da semaglutida da EMS, isso pode acontecer ainda nas primeiras semanas de agosto.
🔴 O mercado brasileiro vem mostrando que há demanda para esse tipo de medicamento. Em 2025, os GLPs movimentaram R$ 11,45 bilhões no país, segundo dados da consultoria IQVIA. Só entre janeiro e abril de 2026, as vendas já somaram R$ 5,54 bilhões, quase metade de todo o volume registrado no ano passado.
A entrada de novos concorrentes deve ampliar a competição e aumentar a pressão por preços menores. Esse movimento também pode influenciar a discussão sobre a incorporação da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS).
No ano passado, o sistema chegou a debater a inclusão da substância na rede pública, mas a proposta acabou travada pelo preço. Agora, com mais fabricantes e medicamentos mais acessíveis, especialistas esperam que o cenário seja diferente na nova rodada de discussões, prevista para setembro.
"A chegada de novas opções no mercado amplia a oferta, reduz preço e o mais importante é que isso facilita uma inclusão pelo SUS. Não podemos ter apenas uma classe social com acesso a tratamento de verdade", Clayton Macedo, que é médico endocrinologista e coordenador na Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Brasil movimentou mais de R$ 11 bilhões em
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O que esperar dos novos preços?
A chegada da semaglutida da EMS mudou o cenário para quem faz tratamento com a substância. Antes da queda da patente, uma caneta podia chegar a R$ 1 mil para um mês de tratamento. Hoje, esse valor está em pouco mais de R$ 300.
O movimento também levou a Novo Nordisk a rever os preços praticados e ampliar os descontos oferecidos em seu programa de fidelidade.
Com mais cinco marcas chegando ao mercado, especialistas apontam que a concorrência deve seguir a lógica da oferta e da demanda e tornar os preços ainda mais competitivos.
💵 Mas de quanto estamos falando? No que depender da CMED, segundo fontes ouvidas pelo g1, a tendência é que os preços máximos sigam a mesma lógica aplicada ao Ozivy, primeira versão nacional da semaglutida produzida pela EMS: um valor proporcional ao de Ozempic e Wegovy.
O ponto importante é que a CMED define apenas um teto. Cada farmacêutica pode vender o medicamento por um valor inferior, o que significa que o preço final poderá variar entre as marcas.
O g1 procurou as empresas que receberam autorização para comercializar as novas versões da semaglutida. As que responderam afirmaram que ainda não vão divulgar os preços.
A Ávita Care, responsável pela marca Owozy, informou apenas que o medicamento "será competitivo com relação ao medicamento original e aos novos entrantes no mercado", sem informar uma faixa de valores.
Para especialistas do setor farmacêutico, a definição dos preços será estratégica para posicionar cada empresa em um mercado que acaba de ganhar novos concorrentes. A expectativa, de forma geral, é de mais marcas com preços próximos aos da marca nacional.
E como a chegada de novas marcas pode mudar o cenário no SUS?
Desde o ano passado, o Ministério da Saúde vinha pedindo celeridade à Anvisa na análise desses registros, numa tentativa de acelerar a abertura do mercado e ampliar as opções disponíveis. A lógica por trás desse movimento é facilitar uma futura incorporação da substância na rede pública.
Desde que assumiu o ministério, Alexandre Padilha vem dando sinais nessa direção. Em julho de 2025, anunciou uma parceria entre um laboratório público e uma farmacêutica para viabilizar a produção nacional de canetas emagrecedoras.
O anúncio foi feito poucos dias antes de a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar a inclusão de novos medicamentos na rede pública, rejeitar a incorporação da semaglutida.
Na época, a comissão apontou que o principal entrave era o preço. O custo estimado para atender à demanda do SUS chegava a R$ 4,1 bilhões em cinco anos.
Agora, a Conitec deve fazer uma nova avaliação em setembro, segundo o Ministério da Saúde.
Desta vez, a própria Novo Nordisk apresentou uma nova proposta, com desconto de 59% sobre o preço anterior. Segundo a empresa, os valores são:
0,25 mg a 1 mg: R$ 396,88 por dose;
1,7 mg: R$ 594,49 por dose;
2,4 mg: R$ 764,64 por dose.
O pedido em análise é para incorporar a substância, e não uma marca específica. Na prática, isso significa que, se houver aprovação, o Ministério da Saúde poderá comprar a semaglutida de qualquer fabricante habilitado.
Setembro é justamente o mês em que boa parte das novas marcas deve estar no mercado, segundo a previsão das empresas.
Em paralelo, o Ministério da Saúde iniciou um projeto-piloto com semaglutida no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. A expectativa é acompanhar cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, todos com indicação para cirurgia bariátrica.
Segundo a pasta, os pacientes serão acompanhados até o próximo ano para subsidiar a construção de um protocolo para uso da medicação na rede pública.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que a avaliação inicial de inclusão da semaglutida está prevista para setembro. O parecer final deve ser emitido em até 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 90 dias.
Médicos dizem que acesso no SUS é essencial
Enquanto o preço cai nas farmácias, médicos ainda questionam o quanto a abertura do mercado pode, de fato, ampliar o acesso ao tratamento.
Hoje, pacientes com obesidade atendidos pelo SUS não têm acesso a medicamentos específicos para tratar a doença. A principal alternativa é a cirurgia bariátrica.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, mais de 6 milhões de pessoas aguardam pelo procedimento no país.
A rede pública, atualmente, tem 120 centros habilitados para realizar a cirurgia. A maior parte está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Na Região Norte, existem apenas cinco serviços habilitados.
Como não há uma fila nacional única, o tempo de espera varia conforme o município e pode ultrapassar cinco anos.
Enquanto isso, cerca de um quarto da população brasileira vive com obesidade, condição mais frequente entre pessoas de menor renda. São justamente esses pacientes que mais dependem do SUS e também os que apresentam maior risco para doenças que pressionam o sistema de saúde.
Em setembro, esse cenário pode mudar com a avaliação da Conitec, mas tudo ainda depende da avaliação orçamentária da comissão -- levando em conta que esse foi o principal entrave da negativa anterior.
"Não podemos olhar apenas para o custo. Diabetes, doenças cardiovasculares e AVC podem roubar qualidade de vida e anos de convivência com a família. Mas, se quisermos olhar apenas para o custo, basta comparar quanto o sistema gasta tratando todas as doenças relacionadas à obesidade", afirma Clayton.
No pedido de incorporação apresentado à Conitec no ano passado, o relatório mostra alguns desses custos:
um paciente que sofre AVC custa mais de R$ 57 mil ao sistema;
um paciente em diálise custa quase R$ 73 mil apenas no primeiro ano;
um infarto gera um custo médio de R$ 4.900;
uma internação por insuficiência cardíaca custa quase R$ 17,8 mil.
Para a pesquisadora Maria Laura Precinotto, doutoranda em Saúde Pública pela USP, os medicamentos são uma demanda importante no tratamento da obesidade e não se pode permitir que o acesso fique restrito a uma parcela da população.
"O acesso a esses medicamentos não pode ser uma questão de status social", explica.
Apesar disso, ela defende que uma eventual incorporação seja acompanhada da estruturação de uma política pública, com equipes multidisciplinares, centros especializados e um plano nacional para o tratamento da obesidade. E reforça que é preciso cautela com medidas eleitoreiras.
"É preciso que o Ministério da Saúde debata o acesso ao tratamento e ao acompanhamento, mas sem reducionismo. Não dá para achar que falar de obesidade no SUS é apenas inserir os GLP-1 e que isso resolve o problema no país", afirma. ...
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