'Baixe sua arma': pressão de moradores leva militares a ajudar em resgates na Venezuela

ONP Summary
Two seismic events struck northern Venezuela on June 24, claiming more than 1,400 lives and injuring thousands, with several hundred people still missing amid collapsed structures. The destruction particularly affected communities near Caracas, triggering a coordinated international response involving rescue teams from Brazil, Spain, and other nations working to locate survivors. Rescue operations continue against time constraints and infrastructure limitations in affected areas.
Progressive: Progressive-leaning outlets emphasize that Venezuela's pre-existing economic collapse, political deterioration, and systematically destroyed state institutions left the nation unprepared to respond to the disaster, framing the earthquake as a catastrophe striking an already devastated country.
Moderate: Centrist outlets focus on the humanitarian scale of the crisis, documenting victim stories, family tragedies, and the coordination of international rescue operations, highlighting both the operational challenges of search-and-rescue efforts and the widespread suffering across affected communities.
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Voluntários e bombeiros equatorianos da Busca e Resgate Urbano (USAR) procuram corpos no local de um prédio que desabou em Caraballeda, estado de La Guaira.
Juan Barreto / AFP
Um protesto de moradores obrigou neste domingo (28) um grupo de militares a pegar picaretas e pás e participar da remoção dos escombros de um edifício desabado, quatro dias após os terremotos na Venezuela que já causaram quase 1.500 mortes.
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"O país precisa de vocês. Baixe sua arma, largue as balas", grita, indignado, um homem a um militar na região de Tanaguarena, no estado de La Guaira, o epicentro da tragédia, constataram jornalistas da AFP.
Dezenas de pessoas que trabalhavam nas operações de resgate em um prédio destruído pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira (24) confrontaram um grupo de cerca de 20 militares que estava no local apenas fazendo a segurança.
Alexander Mijares, um comerciante de 26 anos que havia ido como voluntário ajudar na busca por uma amiga que ficou soterrada naquele local, explicou à AFP a razão de sua explosão de indignação.
"Eles ficaram encostados em uma parede quando nós tínhamos que retirar uma pessoa que estava morta, e eles estavam tranquilamente parados em um canto", relatou.
Sobrevivente conta como conseguiu ser resgatada dos escombros na Venezuela
"Por que não os trouxeram com macacões de trabalho? Por que não os trouxeram com pás e picaretas? Por que os trouxeram com fuzis e armas? Onde está a guerra?", protestou. "Eles existem para defender um país", acrescentou.
Ao seu lado, um grupo de pessoas também gritava contra os militares. "Meus filhos não vão ser jogados em uma vala comum", reclamou outro homem em um dos edifícios de Tanaguarena, exasperado com a demora no resgate dos corpos.
Diante do protesto, os militares pegaram as ferramentas e começaram a remover os escombros.
Os militares têm sido um setor privilegiado durante os governos de Hugo Chávez (1999–2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro. Pilar do poder na Venezuela, as Forças Armadas também são vistas como um instrumento de repressão.
Equipes de resgate e voluntários buscam possíveis vítimas em Caraballeda, estado de La Guaira.
Maurício Valenzuela / AFP ...