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Cães e gatos percebem a gravidez? Entenda comportamento e veja dicas para evitar estresse nos animais

G1 (Globo)
Cães e gatos percebem a gravidez? Entenda comportamento e veja dicas para evitar estresse nos animais

De acordo com especialista, animais podem detectar alterações hormonais por meio do odor corporal
Divulgação
Embora não existam estudos científicos que comprovem que os animais de estimação são capazes de perceber quando as tutoras ficam grávidas, há quem diga que eles conseguem sentir que há algo de diferente acontecendo em casa.
O problema é que, para alguns deles, essa mudança drástica na rotina pode provocar dificuldades de adaptação e alterações no comportamento, como explica a médica-veterinária e professora da Universidade de Sorocaba (Uniso) Andrea Cristina Higa Nakaghi, de 52 anos.
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"Cães e gatos são extremamente sensíveis às mudanças fisiológicas e comportamentais dos seus tutores. Os cães, principalmente, possuem um olfato altamente desenvolvido e podem detectar alterações hormonais por meio do odor corporal", explica a especialista.
É justamente por isso que, durante a gestação, alguns animais adquirem o hábito de deitar a cabeça na barriga da tutora. O comportamento, segundo Andrea, está relacionado ao vínculo afetivo entre os dois e ao conforto de estar na companhia da "mamãe humana".
"A barriga da gestante costuma estar mais aquecida, e cães e gatos gostam de procurar locais quentes para descansar. Além disso, podem estar buscando proximidade com a tutora."
Mas será que eles conseguem sentir o bebê mexendo dentro do útero? De acordo com a veterinária, nos estágios finais da gestação, é possível que os bichinhos percebam movimentos fetais ou vibrações quando estão muito próximos da barriga. No entanto, não há evidências de que eles compreendam que existe um bebê ali.
"Acredito que os cães e gatos que percebem essas mudanças já sejam animais mais próximos dos tutores e já tenham o hábito de procurar se aconchegar no colo independente da gestação", reforça.
Casal Monique e Douglas, de Sorocaba (SP), com os 'irmãos' Manu e Paçoca
Arquivo pessoal
De 'ignorado' a guardião
Na casa da engenheira Monique Estela Figuerêdo e do empresário Douglas Canton de Oliveira, ambos de 31 anos, em Sorocaba, não houve nenhuma alteração no comportamento do buldogue francês Paçoca durante a gestação da pequena Manuela Figuerêdo Canton de Oliveira, hoje com cinco meses de idade.
"Ele não percebeu as mudanças no ambiente, não interagiu com a barriga e viveu normalmente durante toda a gravidez. Por isso, acreditávamos que não teríamos problemas de adaptação depois", conta Monique.
Mesmo assim, os tutores decidiram tomar alguns cuidados antes do primeiro contato entre Manu e Paçoca.
"Guardamos a primeira toquinha que a Manu usou, que ainda tinha bastante sangue do nascimento. Minha sogra, que estava cuidando do Paçoca, levou a toquinha para casa e a deixou na caminha dele para que ele pudesse se familiarizar com o cheiro dela. Quando chegamos em casa com a Manu, ele já estava nos aguardando. O Douglas o pegou no colo e o levou até ela para que pudesse cheirá-la e ter esse primeiro contato."
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Nos dias seguintes, o casal notou que a mudança de comportamento das pessoas que visitavam a recém-nascida acabou gerando algumas reações no cãozinho: ele começou a latir excessivamente para qualquer coisa que passava na rua e, em um episódio específico, fez xixi no sofá da casa.
"Como a Manu é a primeira filha, neta e sobrinha, recebemos muitas visitas da família, e todos ficaram muito focados nela. De certa forma, naquele momento de euforia, o Paçoca acabou sendo 'ignorado', algo que não era comum para ele, já que todas as pessoas que vinham à nossa casa costumavam dar muita atenção a ele", continua.
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Diante desta mudança de comportamento de Paçoca, Monique e Douglas contrataram um adestrador. "Procuramos um profissional para nos orientar. Eu, principalmente no puerpério, não estava sabendo lidar com as crises dele. Ele latia muito, raspava a porta justamente quando a bebê dormia e, em alguns momentos, parecia até que estava fazendo de propósito."
"A ajuda de um profissional foi muito importante para entendermos o lado dele. Percebemos que ele estava estressado com a mudança de rotina e que precisaríamos criar uma nova dinâmica, incluindo-o nesse processo. Ainda estamos em adaptação, mas já conseguimos ver uma grande melhora", explica Monique.
Com as orientações do profissional, a relação entre "irmãos" teve uma aproximação. No início, segundo a tutora, Manu não percebia a existência de Paçoca, mas hoje já olha para ele e tenta alcançá-lo.
"O Paçoca também assumiu um papel de verdadeiro guardião dela. Ele sempre fica no mesmo ambiente em que ela está e, quando estou amamentando, está constantemente ao nosso lado", completa a engenheira.
Em alguns casos, é necessário procurar um veterinário
Divulgação
Transtornos de personalidade
Animais de maior apego e necessidade de ficar próximo dos tutores podem acabar desenvolvendo algumas psicopatias (transtornos de personalidade), como ansiedade de separação, estresse crônico e comportamentos compulsivos, durante a gestação e, posteriormente, com a chegada do novo membro à família.
Por isso, os tutores devem ficar atentos às seguintes alterações:
Comportamento mais protetor;
Busca por mais contato físico;
Marcação de território;
Aumento da ansiedade;
Lambidas excessivas nas patas, principalmente após o nascimento do bebê;
Perseguição da cauda;
Lambidas excessivas da pele em gatos;
Micção inadequada, especialmente em gatos;
Aumento de comportamentos agressivos com outros cães ou, até mesmo, com os tutores.
"O importante é sempre estar atento às mudanças comportamentais dos pets e, caso sejam persistentes e estiverem comprometendo a saúde e a qualidade de vida deles, não hesitar em procurar um veterinário", alerta a professora.
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Cuidados necessários
Para evitar que os cães e gatos sofram durante este período de adaptação à nova rotina, é importante tomar alguns cuidados e prepará-los para o nascimento do bebê. Veja as orientações da veterinária:
Manter a rotina de alimentação, passeios, brincadeiras e atenção;
Acostumar o animal aos novos objetos e ambientes do bebê;
Reforçar comportamentos calmos com recompensas positivas;
Evitar mudanças bruscas de rotina logo após o nascimento;
Evitar punições relacionadas à presença do bebê.
"A melhor forma de evitar problemas é mantendo os horários e a rotina o mais semelhantes possível do que eram antes da chegada do bebê, reservando diariamente um momento exclusivo com o animal."
"Uma dica é dar carinho e petiscos quando estiver com o bebê. Assim, o animal associa a presença dele a uma experiência positiva. E fazer enriquecimento ambiental com brinquedos, atividades e petiscos para o animal não manter a atenção apenas no novo integrante. Isso é muito importante, em especial para gatos", continua.
Lambidas excessivas em gatos estão entre sinais de alerta
Divulgação
Os primeiros contatos
Na ida para casa, o primeiro contato do bebê com os "irmãos de quatro pratas" deve ser sempre supervisionado pelos tutores. A veterinária explica que, no caso dos cães, é importante que gastem energia antes do encontro, principalmente os mais agitados e grandes.
"Mantenha o ambiente calmo e deixe que o cão ou gato chegue próximo voluntariamente. Deixe o animal cheirar o bebê de forma controlada, mas nunca deixe o bebê e o animal sozinhos, independentemente da confiança no pet. A adaptação deve ser gradual, sem forçar o animal. É importante também acostumar a criança e ensinar a conviver com o pet de forma tranquila", orienta.
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