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Quem era o motorista de aplicativo morto por três adolescentes durante corrida em Ribeirão Preto, SP

G1 (Globo)
Quem era o motorista de aplicativo morto por três adolescentes durante corrida em Ribeirão Preto, SP

Corpo de motorista de aplicativo morto por adolescentes é achado no Rio Pardo em Ribeirão
O motorista de aplicativo José Edson da Silva, morto por três adolescentes, de 13, 14 e 16 anos, durante uma corrida em Ribeirão Preto (SP), era casado e pai de dois filhos. Ele tinha 43 anos, morava em Sertãozinho (SP) e trabalhava no transporte particular de passageiros para aumentar a renda da família.
“Ele era um pai de família maravilhoso, ele estava trabalhando só para trazer uma renda a mais para a família. Ele e a esposa, os dois sempre na luta para manter as contas em dia e tudo”, diz a cunhada Rosângela Ferreira dos Santos.
José Edson era evangélico e casado há 15 anos com a auxiliar de cozinha Cristiane Ferreira dos Santos. Os dois filhos do casal têm 11 e 13 anos.
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O motorista de aplicativo José Edson da Silva, de 43 anos, morreu após sair para fazer corrida em Ribeirão Preto, SP
Arquivo pessoal
Como motorista de aplicativo, ele estava trabalhando há mais ou menos três anos. Segundo Rosângela, o cunhado também atuava em usinas de cana-de-açúcar na região em vagas abertas temporariamente durante a safra.
“Já fazia um tempo que ele estava sem carteira registrada. A empresa que ele trabalhava foi contrato de três meses e mandou ele embora. Então ele ficava comprometendo a renda e ele ajudava dentro de casa com tudo que ele ganhava no aplicativo.”
Rosângela afirma que os filhos, principalmente o mais novo, eram muito apegados ao pai. Desde o desaparecimento de José Edson na última terça-feira (14), a família tentou disfarçar a gravidade da situação para os dois meninos.
“Nós estávamos escondendo o nosso choro. Chorava dentro dos quartos, chorava escondido, não deixava eles verem a TV. Mas teve uma hora que a gente não teve como esconder, porque eles estavam aqui. Por que o meu pai está demorando voltar para casa? Por que o meu pai não ouve mais meus áudios? Eles falavam constantemente com o pai, mesmo o pai trabalhando. Se o filho mandasse uma mensagem, ele respondia na hora.”
Rosângela Ferreira dos Santos, cunhada do motorista de aplicativo José Edson da Silva, morto por adolescentes em Ribeirão Preto, SP
Aurélio Sal/EPTV
Temor pela atividade
A morte violenta de José Edson, no entanto, deixou a todos sem chão. A cunhada diz que a família temia pela segurança dele, desde que começou a fazer corridas em Ribeirão Preto.
“A gente sempre alertando a ele que era muito perigoso. Em Sertãozinho, não era nem tanto porque eu acho uma cidade muito tranquila. Lá, nunca aconteceu isso, ele sempre voltava para casa. E aqui [em Ribeirão Preto], infelizmente, ceifaram a vida dele em troca de um carro”, afirma Rosângela.
José Edson trabalhava cadastrado como motorista da 99. Em nota, a empresa lamentou o caso e disse que se solidariza com a família.
"Assim que o relato foi registrado em sua Central de Segurança, uma equipe especializada foi designada e busca contato com familiares do José Edson da Silva para oferecer acolhimento e informações para o acionamento do seguro, que inclui atendimento psicológico e suporte para despesas funerárias. A empresa segue à disposição para colaborar com as autoridades, se necessário."
O que aconteceu
O motorista de aplicativo desapareceu na terça-feira, quando saiu de Sertãozinho (SP), para trabalhar nas corridas em Ribeirão Preto.
O corpo dele foi achado no Rio Pardo, em Ribeirão Preto, nesta sexta-feira (17), depois que três adolescentes confessaram o crime à polícia e apontaram o local onde tinham deixado a vítima. Eles foram encaminhados à Fundação Casa.
Como são menores de 18 anos, eles não respondem por crime, mas por ato infracional análogo a latrocínio, o roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver.
Segundo a Polícia Civil, os três relatam que chamaram uma corrida para roubar o carro do motorista. José Edson recebeu um mata-leão e perdeu a consciência. A polícia suspeita que ele possa ter sido jogado ainda vivo no rio.
Cristiane Ferreira dos Santos, esposa de motorista de aplicativo desaparecido em Sertãozinho, SP
Cacá Trovó/EPTV
Carro encontrado em blitz
O carro de José Edson, um Hyundai HB20, foi achado na quarta-feira (15) com os três adolescentes ao ser parado em uma blitz, em Ribeirão Preto.
Eles foram levados à Delegacia de Infância e Juventude (Diju), alegaram que compraram o veículo por R$ 1,3 mil em um ponto de tráfico de drogas na cidade. Após o interrogatório, eles foram liberados.
O carro foi entregue à família de José Edson, mas levado na quinta-feira (16) para perícia.
Nesta sexta-feira, os adolescentes foram conduzidos à delegacia para prestar novo depoimento e confessaram. O que ajudou a polícia a avançar nas investigações foi o acesso aos dados da corrida que José Edson fazia momentos antes de desaparecer.
Adolescentes usaram cartões do motorista de aplicativo José Edson da Silva após o crime para abastecer carro da vítima em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/Câmeras de segurança
Segundo o delegado André Baldochi, responsável pela investigação, o adolescente de 13 anos chamou o carro por um aplicativo usando a conta do padrasto. No trajeto após o embarque, houve o anúncio do roubo.
A suspeita da polícia é de que o jovem de 16 anos tenha aplicado um mata-leão na vítima.
“Confessaram que a morte ocorreu dentro do veículo, sufocou a vítima, ela apagou, segundo eles. Eles foram nesse local, imaginando que a vítima estivesse morta, e abandonaram o corpo, jogando no Rio Pardo”, afirma Baldochi.
Os três ainda usaram cartões da vítima após o crime. Um dos pagamentos foi em um posto de combustíveis onde abasteceram o veículo da vítima.
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