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Derrota para a Noruega foi a única partida da Copa em que o Brasil teve menos controle da bola que o adversário

G1 (Globo)
Derrota para a Noruega foi a única partida da Copa em que o Brasil teve menos controle da bola que o adversário

Pouca posse de bola e baixa intensidade marcam a eliminação do Brasil na Copa do Mundo
A derrota para a Noruega expôs como a Seleção anda distante do próprio DNA.
Vinte e nove minutos do segundo tempo. Partida empatada, e o Brasil tinha ali o último ataque antes de começar a perder a partida. O gol norueguês não saiu no lance seguinte. Em vez da pressa, os nórdicos optavam por controle. Toques preferencialmente curtos, aproximações, bola de pé em pé até uma oportunidade aparecer. E eles seguiam tranquilos nessa ciranda de passes. Para lá e para cá. Brasileiros na roda. Se perdiam a posse, logo recuperavam. Tudo sob a coordenação do talentoso Martin Odegaard.
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A estatística oficial da Fifa mostrava claramente uma diferença no estilo de jogo. A Noruega trocou quase o dobro de passes do Brasil: 683 a 347. E, nesse ritmo, o deles, a bola passou por toda a defesa da Seleção até encontrar o artilheiro da Copa do Mundo. Foram 5 minutos de supremacia norueguesa até o gol de Haaland.
“Nunca é nossa estratégia ficar atrás. Mas acredito que a Noruega nos surpreendeu. Conseguiram colocar muitos jogadores atrás da linha da bola e conseguiram mover muito bem. O Odegaard consegue controlar os jogos e hoje ele fez isso”, diz Vini Jr., atacante da Seleção.
Depois veio o segundo, o gol brasileiro no fim e a Copa terminou em uma partida em que a Seleção das cinco estrelas no peito ficou com a bola por apenas 18,5 minutos contra 31 da Noruega.
“Com certeza é uma coisa que temos que melhorar. Mesmo assim, com 30% de posse, criamos mais que o adversário”, afirma Alisson, goleiro da Seleção.
Derrota para a Noruega foi a única partida da Copa em que o Brasil teve menos controle da bola que o adversário
Jornal Nacional/ Reprodução
A Seleção finalizou mais que a Noruega. No primeiro tempo, a estratégia de esperar o rival no campo de defesa para contra-atacar em velocidade funcionou. Foi assim na jogada do pênalti desperdiçado e na melhor jogada do time na segunda etapa, quando Vini deixou Endrick livre para marcar.
“Eu acho que a escalação inicial deixou o Brasil um pouco mais vulnerável de pegada no meio de campo. Para mim, o Paquetá fez muito mais falta para a equipe para ajudar o Bruno Guimarães”, diz a comentarista Ana Thaís Matos.
"A gente não foi envolvido só pela qualidade do adversário. Porque nós optamos por sermos um time reativo, um time que marcava no campo de defesa e saía rápido no contra ataque. Então, foi uma estratégia do nosso treinador. E não funcionou", afirma o comentarista Caio Ribeiro.
A derrota para a Noruega foi a única partida deste Mundial em que o Brasil teve menos controle da bola que o adversário. Uma eliminação com a pior posse da Seleção Brasileira nos últimos 60 anos de Copa do Mundo.
"Sobre essa posse de bola, resultado de uma estratégia muito mal sucedida. Seleção norueguesa, hoje, tem uma equipe coletiva melhor do que a Seleção Brasileira. E quando você dá a bola a um adversário que coletivamente é melhor do que você, você consequentemente vai sofrer", afirma o comentarista Roger Flores.
“Parecia um jogo que a equipe tinha controlado, tivemos oportunidades. Era muito mais complicado fazer a pressão alta, porque a Noruega metia muitos jogadores atrás, baixava muito o Odegaard. Então, fazer uma pressão muito alta era um risco para a velocidade de Haaland no um contra um”, afirma Carlo Ancelotti, técnico da Seleção.
A camisa amarela que encantou o planeta controlando adversários do mundo todo vai embora dos Estados Unidos vendo os outros jogarem.
Comentários
Paulo Nunes e Renata Vasconcellos em Nova York, nos Estados Unidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Renata Vasconcellos: A gente viu na reportagem. A crise na Seleção Brasileira parece ser também uma crise de identidade, porque a tradição do nosso futebol é ter domínio de jogo, posse de bola. E foi tudo o que a gente não viu com a Noruega, né?
Paulo Nunes, comentarista: É, mas quando você contrata um treinador com o perfil do Ancelotti, você muda essa característica, esse perfil. O Ancelotti, nos dois livros dele, ele explica muito sobre isso. Ele gosta de dar a bola ao adversário, gosta de jogar no contra-ataque, nas transições. Ele fez isso no Milan, ele fez no Real Madrid, fez no Bayern.
Renata Vasconcellos: A gente viu isso muito claro no primeiro tempo de jogo contra a Noruega.
Paulo Nunes: Exatamente. Mas você não pode, uma Seleção Brasileira, em uma Copa do Mundo, dar a bola para a Noruega. A Noruega não teve mais posse de bola que Senegal, do que a própria França, do que o Iraque. Então é um risco que não pode ser tomado. A Seleção Brasileira sempre propôs o jogo, sempre jogou em cima do adversário, marcando pressão. E essa era a ideia, no meu modo de ver: marcar pressão a uma defesa que para mim era a fragilidade que tinha a Noruega. Esse foi o erro para mim da Seleção Brasileira.
Renata Vasconcellos: Erro especificamente do técnico também, né? De uma questão tática. E olhando para frente, para o futuro, que que você apontaria?
Paulo Nunes: Eu acho que primeiro dar esse tempo para ele de quatro anos desse novo ciclo. Eu acho importante. Mas mais importante que isso é tentar achar algumas posições que a gente não tem no futebol brasileiro. Laterais, a gente está devendo. Volantes a gente está... O Casemiro provavelmente vai sair. E, principalmente, Renata, um meio-campo. Se a gente tivesse um Odegaard na nossa Seleção Brasileira, a Seleção Brasileira seria outra.
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