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Audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros são realizadas em Washington

G1 (Globo)
Audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros são realizadas em Washington

Começam audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros
Começaram nesta segunda-feira (6), em Washington, as audiências públicas sobre o tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros.
Representantes do setor produtivo querem mostrar ao governo dos Estados Unidos que uma sobretaxa de 25% vai prejudicar não só empresas do Brasil, mas a indústria e os consumidores americanos.
“As tarifas, a elevação das tarifas tira a competitividade da própria indústria, que já está instalada aqui nos Estados Unidos”, afirma Homero Busnello, diretor indústria de refrigeração.
“As exportações brasileiras acontecem em setores que são importantes para a produção americana, insumos, máquinas e equipamentos. Então, é uma situação que leva a perdas para os dois lados”, afirma Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
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O governo brasileiro não vai discursar nas audiências sobre o tarifaço. Mas a embaixada brasileira em Washington enviou diplomatas para acompanhar as discussões.
Os Estados Unidos alegaram que o Brasil adota práticas desleais e abriu uma investigação baseada na Seção 301 da lei de comércio americana. O governo brasileiro rebateu as críticas na semana passada, na tentativa de escapar da taxação de 25%. A resposta dos americanos deve sair até dia 15 de julho.
Audiências públicas sobre tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros são realizadas em Washington
Jornal Nacional/ Reprodução
O Brasil também é alvo de outra apuração do governo americano. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos incluiu o país entre aqueles que falham no combate ao trabalho forçado. A sobretaxa que pode ser aplicada é de 12,5%.
Nesta segunda-feira (6), o Brasil enviou uma resposta sobre o caso. Disse que a acusação não tem respaldo e está incorreta; e pediu que os Estados Unidos não imponham tarifas ou medidas comerciais a produtos brasileiros. O Itamaraty afirmou que o Brasil possui um dos marcos legais mais avançados do mundo para combater o trabalho forçado e que a legislação brasileira criminaliza a circulação de mercadorias associadas ao trabalho escravo ao longo da cadeia de suprimentos - impondo responsabilidade penal a qualquer pessoa que adquira produtos dessas práticas ilegais.
A Confederação Nacional da Indústria calcula que, se as tarifas adicionais de 25% e de 12,5% forem adotadas, mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil serão afetados - o que representa quase US$ 15 bilhões.
“Esse é um desafio que nós estamos enfrentando de uma maneira muito preocupante e objetiva, já que os Estados Unidos é o mais importante parceiro de produtos manufaturados do Brasil”, diz Ricardo Alban, presidente CNI.
Ainda nesta semana, equipes técnicas dos dois países devem se reunir para preparar uma última rodada de negociações entre ministros brasileiros e Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos.
“Nós temos que continuar fazendo nosso papel, negociando, discutindo, debatendo tecnicamente, demonstrando quais são de fato os interesses do país. Com o Brasil, os Estados Unidos têm superávit, o que eles não têm com o resto do mundo. Então, não se justifica", afirma Márcio Fernando Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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