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STF suspende reintegração de posse que geraria despejo de famílias vulneráveis em Campinas

G1 (Globo)
STF suspende reintegração de posse que geraria despejo de famílias vulneráveis em Campinas

STF suspende reintegração de posse que geraria despejo de famílias vulneráveis em Campinas
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a reintegração de posse de um imóvel que abriga 17 pessoas em situação de vulnerabilidade no Jardim Novo Campos Elíseos, em Campinas (SP). A decisão liminar, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, impede a desocupação forçada até a análise do caso.
A disputa teve início em 2023, quando o proprietário ajuizou uma ação para cobrar uma dívida de R$ 34 mil em aluguéis atrasados de uma empresa que alugava o local para funcionar como bar. No entanto, a Justiça constatou que o espaço estava ocupado por famílias sem autorização do dono.
Moraes argumentou, na decisão do último dia 17, que a retirada das famílias poderia violar garantias constitucionais de proteção a pessoas em situação de vulnerabilidade.
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Segundo o processo, a desocupação atingiria pessoas distribuídas em sete famílias, incluindo crianças — uma delas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e hipotireoidismo congênito—, uma gestante e um idoso — entenda o caso completo abaixo.
Ao fim do recesso, o processo será encaminhado ao relator, o ministro Cristiano Zanin. A partir daí, o caso será analisado para uma decisão definitiva.
O g1 procurou as defesas do proprietário e das famílias que ocupam o imóvel, mas não teve retorno até a última atualização desta matéria.
Alugado para ser um bar
Imóvel se tornou casas para famílias
Reprodução/TJ
O imóvel é composto por dois salões comerciais. A disputa começou em maio de 2023, quando o proprietário entrou na Justiça para pedir o despejo de uma empresa que alugou o imóvel e devia mais de R$ 34 mil em aluguéis atrasados desde janeiro de 2022.
Ao tentar localizar os responsáveis para realizar o despejo, um oficial de Justiça constatou que o bar já não funcionava mais no endereço. No lugar do comércio, o imóvel havia sido dividido em pelo menos cinco casas pequenas, ocupadas por famílias sem autorização do proprietário.
O contrato de locação dos salões comerciais havia sido firmado em 2006. Porém, uma das moradoras relatou que vivia no imóvel há 12 anos.
A Justiça de Campinas atendeu o pedido do dono e transformou a ação de despejo em uma reintegração de posse, autorizando a desocupação do imóvel, inclusive com apoio policial, se necessário.
🔎 A principal diferença entre despejo e reintegração de posse é a existência de um contrato de aluguel. O despejo ocorre quando há um contrato de locação. Já a reintegração de posse é usada para retirar ocupantes sem vínculo contratual e devolver o imóvel ao proprietário.
Versões do proprietário e das famílias
Imóvel se tornou casas para famílias
Reprodução/TJ
No processo, o proprietário ressaltou que o espaço foi descaracterizado, com a divisão irregular dos salões em moradias e construções clandestinas.
Além disso, ele afirmou que, por ser idoso, depende da renda do aluguel para complementar seu sustento e que, apesar de continuar responsável pelo imóvel, não consegue atender às notificações da Prefeitura para manutenção e limpeza devido à ocupação.
Já as famílias que vivem no local, de acordo com o processo, contaram que ocupam o imóvel há muitos anos e que a posse está consolidada. A defesa teria apresentado, por exemplo, uma conta de água que indica uma ligação em nome de uma das moradoras desde 1997.
Segundo os ocupantes, aquela é a única moradia do grupo e que eles não têm para onde ir. Eles argumentaram que as moradias são de alvenaria e permanentes e que muitos dos adultos cresceram naquele local.
O que foi decidido
Famílias em situação de vulnerabilidade têm residido no local
Reprodução/TJ
Na decisão, Moraes afirmou que as instâncias inferiores (Justiça de Campinas e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) violaram regras estabelecidas pelo STF para desocupações coletivas, que exigem, entre outras medidas, a inspeção judicial e a tentativa de mediação antes da remoção.
Também destacou que eventuais despejos devem assegurar o encaminhamento das famílias para locais com condições dignas de moradia, sem separação de seus integrantes.
Para o ministro, a desocupação forçada, com possibilidade de uso de força policial e arrombamento, representava risco de dano irreparável às famílias e, por isso, o direito de propriedade deve ser conciliado com a proteção à vida, à saúde e à moradia de pessoas vulneráveis.
STF
Jornal Nacional/ Reprodução
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