A guerra acabou? O Estreito de Ormuz vai reabrir? o que se sabe sobre o acordo entre EUA e Irã

EUA e Irã assinam pré-acordo pelo fim da guerra, diz agência
Estados Unidos e Irã anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para colocar fim na guerra que travam há mais de três meses no Oriente Médio.
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Mas o anúncio não significa o fim automático do conflito. Pelo contrário: ainda há algumas etapas até o desfecho completo, dúvidas sobre o Estreito de Ormuz e, principalmente, informações conflitantes de ambos os lados.
Veja, abaixo, o que já se sabe e o que ainda falta ser esclarecido sobre o acordo:
É o fim da guerra?
Esse é o intuito final do acordo, segundo as duas partes, mas não, a guerra ainda não acabou. O acordo prevê, inicialmente um cessar-fogo — ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.
Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O acordo, segundo Teerã, prevê que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias.
Aí, sim, a guerra terminaria, se tudo correr conforme o planejado.
Mas o tema é espinhoso, e, por isso, onde EUA e Irã estão mais longe de um consenso. O governo Trump quer que Irã encerre por completo seu programa nuclear, que Washington diz servir para criar armas nucleares — este foi, inclusive, o principal argumento de Trump para atacar o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra.
Teerã, no entanto, nega e diz que o programa é usado exclusivamente para fins civis.
Quando o acordo foi assinado? E por quem?
Anunciado no domingo (14), o acordo de paz foi assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, seu vice, J.D. Vance, e pelo presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf), que recebeu autorização do líder supremo iraniano para a assinatura. Ghalibaf é ainda o chefe da comitiva de negociadores do Irã e uma das figuras centrais da política do país.
A assinatura, no entanto, foi feita de forma virtual, segundo o governo dos EUA. Os dois países ainda assinarão o termo de forma presencial em uma cerimônia marcada para sexta-feira (19) em Genebra, na Suíça.
Só então, para o Irã, é que haverá de fato um acordo — por enquanto, Teerã chama o texto virtualmente assinado de memorando de entendimento.
Quando o acordo começa a valer?
De forma prática, o acordo já tem validade — nesta segunda-feira, inclusive, os conflitos no Líbano, que integra o acordo, diminuíram, segundo autoridades.
O Irã, no entanto, não deixou claro se os termos já entraram em vigor. O Hezbollah, grupo terrorista contra quem Israel luta em território libanês, afirmou nesta segunda que Teerã pediu para adiar a assinatura do acordo, que ocorreria neste fim de semana, para sexta-feira com o intuito de observar se os rivais cumpririam os termos ao longo da semana.
A implementação oficial de todas as contrapartidas técnicas e jurídicas também valerá a partir da assinatura presencial na sexta-feira.
Quais os termos do acordo?
Irã anuncia exigências em memorando de entendimento com EUA; veja lista
Oficialmente, os pontos do acordo não foram divulgados. Donald Trump disse que a íntegra do texto deve ser tornado público após a cerimônia presencial de assinatura do acordo, na sexta-feira (19).
Mas a mídia estatal iraniana divulgou alguns trechos do texto que Teerã diz ter sido reivindicações suas aceitas por Washington.
Entre eles, estão:
Um pacto de não agressão mútua envolvendo todas as partes, inclusive Israel e o Líbano;
A reabertura e o livre trânsito nas rotas marítimas comerciais do Oriente Médio;
Discussões de compensações ao Irã por danos de guerra;
A gradual suspensão de sanções financeiras e a retirada de forças de combate dos EUA da região.
Como fica o Estreito de Ormuz?
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Reprodução/TV Globo
Neste ponto, ambos os lados disseram que o Estreito de Ormuz, que se tornou o grande ponto de tensão da guerra, será reaberto de forma imediata. Da mesma forma, Donald Trump afirmou já ter ordenado o levantamento do bloqueio naval que navios da Marinha dos EUA fazem na entrada do estreito, impedindo a passagem de navios que comercializem com portos iranianos na região.
Mas o consenso termina por aí: nesta segunda-feira (17), Trump disse inclusive que o tráfego de navios no canal já havia começado a se mexer após o anúncio. Mas o Irã, que controla, na prática, a movimentação de navios em Ormuz, não confirmou.
Além disso, o Ministério da Defesa do Irã também anunciou que passará a cobrar uma "taxa de serviço" aos navios que cruzarem o estreito, apesar de Donald Trump ter afirmado que o acordo proíbe a instauração de um pedágio no tráfego local de embarcações.
Como fica o enriquecimento de urânio no Irã?
Um desfecho sobre esse ponto foi adiado e será debatido durante o cessar-fogo, no âmbito do programa nuclear. Interlocutores disseram a agências de notícias que ambas as partes usaram esse recurso para conseguir anunciar o fim da guerra agora.
Washington quer o desmantelamento total do enriquecimento de urânio — procedimento feito para criar materiais nucleares. Trump disse que sua equipe de negociadores exigiu que uma equipe independente entre no Irã e escave todo o material nuclear e envie o urânio já enriquecido em território iraniano para fora do país, possivelmente para a Rússia, que já se ofereceu para receber o material.
Mas Teerã, de momento, se opõe.
Como ficam as sanções ao Irã?
Os EUA concordaram em relaxar e aliviar as sanções econômicas, mas de forma gradativa e condicionada ao cumprimento do acordo.
O objetivo de Teerã é conseguir restabelecer a exportação de petróleo, atualmente proibida pelas sanções do Ocidente, para recuperar sua economia severamente castigada por mais de três meses de conflito.
Como fica o conflito no Líbano?
Este é um dos pontos onde há menos consenso, pelo menos entre Israel e as outras partes.
O anúncio oficial do acordo feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou que o encerramento permanente das operações militares inclui a frente no Líbano.
O fim dos ataques de Israel em território libanês é inclusive uma exigência direta de Teerã para assinar o acordo. Isso porque o Irã é aliado e financia o Hezbollah, alvo dos ataques de Israel no Líbano. O grupo terrorista atacaou o território israelense dias após o início do conflito, quando EUA e Israel bombardearam o Irã.
Nesta segunda-feira, Benjamin Netanyahu disse inclusive que suas tropas permanecerão nas "zonas de segurança", espaços ocupados por Israel dentro do território israelense "até que seja necessário".
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