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Falhas nas linhas de trens e metrôs de SP crescem 27% em 2026, e média passa de uma ocorrência por dia

G1 (Globo)
Falhas nas linhas de trens e metrôs de SP crescem 27% em 2026, e média passa de uma ocorrência por dia

Estação da Luz lotada após falha em linhas da CPTM e da Tic Trens em São Paulo.
Hermínio Bernardo/TV Globo
O número de falhas nos trens e metrôs de São Paulo cresceu 27% no 1° semestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da produção da TV Globo, que sistematiza diariamente esses dados.
As linhas privatizadas foram as que mais tiveram crescimento das falhas no 1° semestre de 2026. Apesar disso, a Linha 3-Vermelha do Metrô foi a que mais registrou problemas no período.
De janeiro e a junho deste ano, foram registradas 205 falhas na malha férrea do estado, número superior às 161 ocorrências registradas no mesmo período de 2025.
A média é de mais de uma falha por dia, nos 181 dias dos primeiros seis meses do ano.
No ano passado inteiro houve 313 falhas nos mesmos modais. Os valores deste 1° semestre equivalem a 66% das falhas do ano passado todo.
O levantamento leva em contra falhas em trilhos, maquinário, rede aérea, descarrilamentos, etc. Falhas técnicas e mecânicas em geral. Acidentes como suicídio, atropelamento, acidente entre vão e plataforma não entram, assim como alagamentos.
Linha 11-Coral da CPTM tem atrasos e plataformas lotadas na manhã desta terça-feira
A Linha 3-Vermelha do Metrô foi a que mais registrou problemas neste 1° semestre. No total, foram 28 falhas no período.
Apesar de liderar as falhas desde o ano passada, a Linha 3-Vermelha teve um recuo de 31% em relação às 41 falhas registradas no 1° semestre de 2025.
Na sequência do ranking de 2026, a linha que mais registrou problemas foi a Linha 7-Rubi - da concessionária Tic Trens - com 21 falhas no período, e a Linha 8-Diamante, da Viamobilidade, com 20 falhas no total.
QUADRO GERAL DE FALHAS - LINHAS FÉRREAS DE SP
Por meio de nota, o Metrô afirmou que as ocorrências diminuíram de 2025 para 2026 e que iniciou um novo programa de manutenção para reduzir falhas.
A companhia disse também que adquiriu novos equipamentos para manutenção da via permanente, implantou tecnologias de inspeção automatizada dos trilhos e está na fase final de testes do sistema CBTC na Linha 3, dentro do programa de modernização das Linhas 1, 2 e 3, com investimento de R$ 700 milhões.
Já a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pela fiscalização das empresas privadas que operam as linhas de trem e metrô em São Paulo, diz que "realiza fiscalizações permanentes dos serviços prestados pelas concessionárias de transporte sobre trilhos, acompanhando continuamente os registros de falhas e incidentes operacionais e monitorando o cumprimento das obrigações previstas nos contratos de concessão, as quais são apuradas por meio dos indicadores de desempenho do contrato que podem penalizar a remuneração da Concessionária".
"Sempre que são identificadas ocorrências maiores que possam configurar descumprimento contratual, a Agência instaura os procedimentos de fiscalização cabíveis, solicitando esclarecimentos e relatórios técnicos às concessionárias para apuração das causas, avaliação das medidas corretivas adotadas e verificação de eventuais responsabilidades", declarou.
Veja abaixo o que disseram as demais concessionárias.
Privadas x estatais
Trem da concessionária TIC Trens, que começa a operar a Linha 7-Rubi a partir desta quarta-feira (26).
Reprodução/TV Globo
As linhas privatizadas foram as que mais tiveram crescimento das falhas no 1° semestre de 2026. Nos seis meses iniciais deste ano, foram 89 falhas, contra 57 no mesmo período do ano passado.
A alta foi de 56% em relação ao mesmo semestre de 2025. A Linha 7-Rubi, da Tic Trens, foi a que teve o maior percentual de aumento de falhas: alta de 600%, passando de 3 falhas em 2025 para 21 no 1° semestre de 2026.
Vale lembrar que a Tic Trens assumiu a linha em 26 de novembro de 2025. Ou seja, no 1° semestre do ano passado a linha ainda era operada pela CPTM.
Situação semelhante na Linha 4-Amarela, que no ano passado teve 5 falhas no 1° semestre e neste ano já soma 16. Crescimento de 220% entre um semestre e outro.
Em compensação, a Linha 8-Diamante, da CPTM teve queda de 16,6%, passando de 24 falhas para 20 no mesmo período (veja quadro abaixo).
FALHAS NAS LINHAS PRIVATIZADAS
As quatro linhas ainda operadas pela CPTM também tiveram alta das falhas. Foram 36 falhas neste ano, contra 18 do ano passado. Alta de 100%.
O maior problema foi registrado exatamente nas três linhas que estão sendo repassadas para a Trivia Trens, que passa a operar sozinha as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, a partir de 21 de julho.
A linha 11-Coral teve quatro falhas no 1° semestre de 2025 e neste ano já teve 15 problemas. Conforme o g1 já publicou, 10 desses problemas aconteceram nesse último mês de junho.
FALHAS NAS LINHAS DA CPTM
Embora a Linha 2-Vermelha esteja na liderança das falhas de 2026, as agora cinco linhas operadas pelo Metrô tiveram redução de 8% em relação ao ano passado.
Em 2025 ainda não existia a Linha-17 Ouro, do Monotrilho da Zona Sul. Com isso, as linhas operadas pela estatal de transportes do estado tiveram 85 falhas em 2025, contra 78 no 1° semestre de 2026.
As linhas 2-Verde e 15-Prata tiveram aumento de 14% e 15%, respectivamente, enquanto as demais recuaram.
FALHAS NAS LINHAS OPERADAS PELO METRÔ
O que diz o governador de SP
Em coletiva de imprensa na última quinta-feira (2), dia da inauguração da Linha 6-Laranja do Metrô, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que está muito preocupado com o número de falhas dos sistemas de trens do estado, mas que seu governo “não está parado” e está conversando com as concessionárias e empresas estatais para corrigir problemas.
Ele admitiu, entretanto, que grande parte das falhas são geradas por problemas estruturais que demoram a ser resolvidos e exigem alto investimento financeiro.
“Com relação às falhas, é uma questão que nos preocupa muito. Já foi objeto de várias reuniões com as concessionárias. A gente não fica vendo uma falha e fica parado. A gente busca entender por que aconteceu aquela falha. Nós temos uma série de questões que são de ordem estrutural. A gente tinha defeito de via permanente, de sistema de alimentação. A gente tem ausência de subestação. A gente tem falta de aterramento...”, declarou.
“[As concessionárias] tem dado retorno, tem feito investimentos. Por exemplo, a gente tinha muito problema no sistema de alimentação aérea por falta de aterramento. Por incrível que pareça, nós chegamos a essa altura do campeonato sem aterramento em diversos pontos da rede aérea, que precisava ter. Então, você tem uma ocorrência de chuva com descarga atmosférica [raios], você tinha rompimento de [rede aérea]. O problema dos pantógrafos que enroscam com certa frequência, nós já identificamos esses problemas também e já estamos fazendo as correções”, disse.
Tarcísio também falou que quer diminuir o intervalo entre cada uma das viagens do sistema, que atualmente está entre 6 a 7 minutos, para 2 minutos e meio.
Porém, essa diminuição deve demorar pelo menos mais três anos, até que um novo sistema de sinalização seja instalado em todas as linhas.
“A grande mudança que está sendo feita, que é silenciosa, é a mudança do sistema de comunicação das linhas, e vai demorar uns três anos. A gente precisa modernizar para trazer o sistema europeu, que é o mais moderno que nós temos hoje. Qual é o objetivo disso? É diminuir os intervalos entre trens. A gente opera com um intervalo de trens muito alto, muito acima do razoável. Vamos diminuir bastante isso de 6 a 7 minutos para dois minutos e meio. E só é possível com um sistema de comunicações novo. E é isso que a gente está investindo agora. (...) tem várias questões de engenharia que ficaram ao longo de percurso que a gente está olhando”, declarou.
Tarcísio afirma ter mudado de opinião e diz que não deve privatizar novas linhas de metrô
No último dia 30 de junho, o governador também tinha anunciado a desistência de repassar novas linhas de Metrô para a iniciativa privada.
Ele havia afirmado estar satisfeito com o serviço prestado pela estatal do Metrô e disse que a empresa vai, inclusive, operar a Linha 17-Ouro do Monotrilho, que antes seria repassada para a ViaMobilidade, do Grupo Motivo.
"A capacidade que a gente tem que ter é de mudar de opinião. A gente não concede algo por conceder. Não é aquele negócio de 'eu preciso necessariamente ter a iniciativa privada operando'. Não é isso. É como eventualmente eu posso ter mais investimentos e melhores serviços. O Metrô está operando muito bem e hoje a tendência é que ele continue operando essas linhas. Até porque, você não pode correr o risco de ter muitas linhas operadas por poucos operadores privados", afirmou (veja vídeo acima).
O que dizem as operadoras
O Metrô afirmou que as ocorrências diminuíram de 2025 para 2026 e que iniciou um novo programa de manutenção para reduzir falhas. A companhia disse também que adquiriu novos equipamentos para manutenção da via permanente, implantou tecnologias de inspeção automatizada dos trilhos e está na fase final de testes do sistema CBTC na Linha 3, dentro do programa de modernização das Linhas 1, 2 e 3, com investimento de R$ 700 milhões.
A CPTM disse que trabalha para a melhoria contínua dos serviços e que realiza monitoramento contínuo, com manutenções preventivas, preditivas e corretivas.
A TIC Trens afirmou que segue um cronograma de obras alinhado com o Governo do Estado de São Paulo e que executa um programa gradual de investimentos em modernização.
A Viamobilidade e o Grupo Motiva disseram que mantém iniciativas que incluem investimentos em sistemas de energia, sinalização, via permanente e material rodante, além da ampliação do uso de tecnologias de monitoramento e manutenção preditiva, que permitem identificar antecipadamente a necessidade de intervenções para reduzir a ocorrência de falhas.
A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) disse que realiza fiscalização permanente dos serviços prestados pelas concessionárias de transporte sobre trilhos e que poderá aplicar penalidades previstas em contrato, incluindo multas que variam de R$ 40 mil a R$ 4 milhões, conforme a natureza e a gravidade das infrações.
Nota do Metrô:

O Metrô informa que, no primeiro semestre de 2026, ocorreram 28 falhas em equipamentos com impacto relevante em toda a rede, sendo apenas 4 na Linha 3-Vermelha. No mesmo período de 2025, foram registradas 31 ocorrências na rede e 13 na Linha 3.
A companhia iniciou um novo programa de manutenção para reduzir falhas e ampliar a disponibilidade da frota e da infraestrutura. Entre as medidas adotadas estão a modernização dos métodos de intervenções no sistema de portas dos trens e portas das plataformas da Linha 3-Vermelha, por meio do programa Manutenção 5.0, que utiliza Inteligência Artificial para monitoramento e predição de falhas, além da ampliação do monitoramento de aparelhos de mudança de via e trilhos.
O Metrô também adquiriu novos equipamentos para manutenção da via permanente, implantou tecnologias de inspeção automatizada dos trilhos e está na fase final de testes do sistema CBTC na Linha 3, dentro do programa de modernização das Linhas 1, 2 e 3, com investimento de R$ 700 milhões.
A companhia também reforçou a segurança da infraestrutura com a ampliação do monitoramento eletrônico para reduzir ocorrências como furtos de cabos, que impactaram a operação neste ano.
Os resultados já aparecem nos indicadores operacionais. Entre 2025 e 2026, a quilometragem média entre falhas aumentou 17%, enquanto a quilometragem entre falhas com impacto operacional cresceu 20%. No mesmo período, as restrições operacionais relacionadas à sinalização e à via permanente caíram 32%, e as causadas pela alimentação elétrica foram eliminadas.
Nota da Tic Trens:
A TIC Trens iniciou a operação comercial da Linha 7-Rubi em 26 de novembro de 2025, data em que assumiu a gestão da infraestrutura ferroviária e a responsabilidade pela operação, manutenção e divulgação dos resultados da concessão. A concessionária segue um cronograma de obras alinhado com o Governo do Estado de São Paulo, com o objetivo de reforçar a segurança operacional e aprimorar a prestação de serviços à população. Para isso, executa um programa gradual de investimentos em modernização, conforme as diretrizes estabelecidas no contrato de concessão, com conclusão prevista até 2031.
Entre as medidas adotadas estão o reforço das equipes de operação, manutenção, limpeza e vigilância — que atualmente somam mais de 650 colaboradores —, além da ampliação do monitoramento operacional, da manutenção preventiva contínua, da limpeza periódica de trens e estações e de ações permanentes de combate ao comércio irregular dentro do sistema ferroviário. A concessionária também mantém patrulhamento motorizado, equipes dedicadas de atendimento e segurança e um sistema integrado com mais de 700 câmeras distribuídas ao longo da linha, com o objetivo de restringir ocorrências que impactam diretamente a operação.
Paralelamente, seguem em andamento os investimentos em modernização da infraestrutura, manutenção operacional e revisão geral da frota, com a expectativa de promover ganhos graduais em regularidade, conforto, segurança e qualidade da experiência dos passageiros ao longo dos próximos anos.
É importante destacar que a operação ocorre em um trecho com compartilhamento de vias entre trens de passageiros e de carga, o que pode exigir ajustes temporários nos intervalos e reduções pontuais de velocidade, especialmente fora dos horários de pico e aos finais de semana. Esses períodos também são utilizados para a execução de serviços programados de modernização da infraestrutura ferroviária, vinculados ao projeto TIC Eixo Norte.
Nota da Motiva(Viamobilidade e Via Quatro):
A plataforma de trilhos da Motiva mantém um programa permanente de modernização e manutenção das linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, com foco em ampliar a confiabilidade dos sistemas e a qualidade do serviço prestado aos clientes.
As iniciativas incluem investimentos em sistemas de energia, sinalização, via permanente e material rodante, além da ampliação do uso de tecnologias de monitoramento e manutenção preditiva, que permitem identificar antecipadamente a necessidade de intervenções e reduzir a ocorrência de falhas.
Todas as ocorrências operacionais são analisadas pelas equipes de engenharia e manutenção, que adotam planos de ação específicos para eliminar as causas identificadas e aperfeiçoar continuamente a operação.
A Motiva reforça que segue investindo na modernização de seus ativos, em conjunto com o Poder Concedente, sempre com foco na segurança, na confiabilidade da operação e na melhoria da experiência dos clientes.
Nota da CPTM:
A CPTM ressalta que trabalha para a melhoria contínua dos serviços e a oferta de um transporte cada vez mais seguro e eficiente. Para isso, realiza monitoramento contínuo de seus ativos, com manutenções preventivas, preditivas e corretivas, além do acompanhamento em tempo real pelo Centro de Monitoramento de Ativos (CMA) para aumentar a disponibilidade operacional e reduzir impactos aos passageiros. Vale destacar que ocorrências provocadas por condições climáticas extremas podem afetar pontualmente a operação, sem refletir o desempenho do sistema.
Nota da Artesp:
A Artesp realiza fiscalização permanente dos serviços prestados pelas concessionárias de transporte sobre trilhos, acompanhando continuamente os registros de falhas e incidentes operacionais e monitorando o cumprimento das obrigações previstas nos contratos de concessão, as quais são apuradas por meio dos indicadores de desempenho do contrato que podem penalizar a remuneração da Concessionária.
Sempre que são identificadas ocorrências maiores que possam configurar descumprimento contratual, a Agência instaura os procedimentos de fiscalização cabíveis, solicitando esclarecimentos e relatórios técnicos às concessionárias para apuração das causas, avaliação das medidas corretivas adotadas e verificação de eventuais responsabilidades.
Após a análise técnica, caso sejam constatadas irregularidades ou descumprimentos contratuais, a Artesp poderá instaurar processo sancionatório para aplicação das penalidades previstas em contrato, incluindo multas que variam de R$ 40 mil a R$ 4 milhões, conforme a natureza e a gravidade da infração. ...

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