iCities Talks Podcast - Edição Smart City Expo Curitiba 2026
Edição Smart City Expo Curitiba 2026.
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Coffee Party impulsiona novo comportamento do consumidor Crédito: Divulgação. O café está cada vez mais presente em ambientes que vão além da mesa do café da manhã ou da pausa durante o expediente. Impulsionadas por mudanças no comportamento do consumidor, as chamadas Coffee Parties vêm conquistando espaço em diferentes cidades brasileiras ao unir música, gastronomia, convivência e novas formas de apreciar a bebida. A tendência, já observada em grandes centros internacionais, ganhou força no Brasil ao dialogar com um público que busca experiências durante o dia, em ambientes abertos e com propostas de lazer associadas ao bem-estar. Nesse cenário, o café assume papel central como elemento de conexão social. Evento une música, gastronomia, convivência e novas formas de apreciar o café Crédito: Divulgação. Foi dentro desse movimento que o Café Prima Qualità, marca da Torrefação Cooxupé, promoveu duas edições de sua Coffee Party. A primeira ocorreu no ano passado em Campinas (SP), reunindo influenciadores, especialistas em cafés especiais, profissionais da gastronomia e convidados ligados ao universo do café. A segunda foi realizada em Poços de Caldas (MG), no último mês de maio, no Parque do Cristo, um dos principais pontos turísticos da cidade. Café, música e novas formas de consumo As Coffee Parties surgem em um momento de transformação do mercado cafeeiro. Embora o consumo tradicional continue predominante, cresce o interesse por experiências que valorizam diferentes métodos de preparo, bebidas geladas, drinks autorais e ocasiões de consumo que extrapolam a rotina convencional. Coffee Party Prima Qualitá já aconteceu nos estados de Minas Gerais e de São Paulo Crédito: Divulgação. Ao incorporar música, interação social e ambientes descontraídos, os eventos aproximam o café de públicos que enxergam a bebida como parte de um estilo de vida contemporâneo. Em Campinas, a Coffee Party Prima Qualità apostou em uma programação voltada à experimentação sensorial. Drinks desenvolvidos especialmente para a ocasião mostraram a versatilidade do café em receitas criativas, enquanto convidados do universo gastronômico contribuíram para ampliar o diálogo sobre qualidade, origem e cultura cafeeira. Já em Poços de Caldas, a proposta levou a experiência para um espaço ao ar livre com vista privilegiada da cidade. A programação reuniu apresentações musicais e momentos de degustação, conectando moradores e visitantes ao universo do café em um ambiente de lazer. O primeiro evento "Coffee Party Prima Qualità" aconteceu em Campinas Crédito: Divulgação. Cultura cafeeira em transformação O avanço desse tipo de iniciativa acompanha uma evolução observada no mercado de cafés especiais. Consumidores têm demonstrado interesse crescente pela história dos grãos, pelas regiões produtoras e pelos processos que levam o café da lavoura à xícara. Nesse contexto, eventos experienciais ajudam a aproximar a cadeia produtiva do consumidor final, criando novas oportunidades de relacionamento com a bebida. A conexão é especialmente significativa em Minas Gerais, estado responsável pela maior produção de café do país, e em regiões como o Sul de Minas, onde a cafeicultura exerce papel relevante na economia, na geração de renda e na identidade cultural. Tendência ganhou força no Brasil ao dialogar com um público que busca experiências durante o dia Crédito: Divulgação. Uma tendência que chega às regiões produtoras Ao realizar edições em Campinas e Poços de Caldas, a marca Prima Qualità, da Cooxupé, levou a tendência das Coffee Parties para localidades que possuem forte vínculo com o café, seja pelo consumo, pelo turismo ou pela produção. A iniciativa acompanha um movimento global de valorização das experiências ligadas à bebida e reforça como o café continua ampliando sua presença em diferentes momentos do cotidiano. “Mais do que uma bebida tradicional, o café passa a ocupar novos espaços de convivência, entretenimento e descoberta, mantendo sua essência enquanto se conecta às transformações de comportamento das novas gerações”, afirma o vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho. Coffee Party acontece em ambientes abertos e com propostas de lazer associadas ao bem-estar, tendo o café como elemento de conexão social Crédito: Divulgação. Coffee Party Prima Qualità, em Poços de Caldas, aconteceu no Cristo, ponto turístico da cidade Crédito: Divulgação. Quem é a Cooxupé? A Cooxupé está consolidada como a maior cooperativa do mundo. Com sede em Guaxupé, no Sul mineiro, a cooperativa possui mais de 21 mil cooperados, com produção de café arábica em mais de 360 cidades das regiões do Sul e Cerrado de Minas Gerais, Matas de Minas e da média mogiana do estado de São Paulo. São 94 anos de atividades no cooperativismo brasileiro com o envolvimento de mais de 2.8 mil colaboradores. Dentre os diversos trabalhos que a cooperativa comanda para trazer valor agregado à produção dos cooperados, está a indústria torrefadora própria, em atividade desde 1984, também já consolidada no varejo brasileiro de cafés torrados, moídos e solúveis. Com marcas reconhecidas pelos consumidores, como Evolutto e Prima Qualità, a indústria da cooperativa mineira vem ampliando participação no mercado nacional, impulsionada pela expansão da distribuição, inovação de produtos e adaptação às novas tendências de consumo. Atualmente, os produtos da Torrefação Cooxupé estão presentes em pontos de vendas distribuídos pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A estrutura industrial da Torrefação Cooxupé conta atualmente com 209 colaboradores e possui certificação internacional FSSC 22000, concedida pela DNV, que atesta a qualidade e a segurança do Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos da indústria.
Pitbull salva idoso de ser agredido pelo filho em São José do Rio Preto (SP) Reprodução / TV TEM O pitbull que salvou um idoso de 69 anos das agressões do filho, de 44 anos, em São José do Rio Preto, agiu de forma instintiva, segundo o médico veterinário. Nesta sexta-feira (5), o crime completa uma semana. Conforme apurado pela TV TEM, a vítima cuida do animal todos os dias. O tutor é o neto do idoso, que, ao ver as agressões contra o avô, decidiu soltar o cão para tentar conter o suspeito. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Em entrevista ao g1, o médico veterinário Eduardo Baldão Fachini, de 42 anos, explicou que, mesmo o idoso não sendo o responsável pelo cachorro, a reação está associada à proteção. “Ele agiu por instinto de proteção e de defesa ao idoso e pela relação de ambos, além da defesa do território dele. Acredito que o cão em questão tem boa ligação com o senhor e com o neto, não tendo o mesmo respeito pelo suspeito”, explicou. Pitbull salva idoso de ser agredido pelo filho em São José do Rio Preto (SP) Arquivo pessoal Conforme apurado pela TV TEM, o suspeito chegou à casa do pai na tarde do dia 29 de maio alterado e pedindo a chave do imóvel. Ao receber uma resposta negativa, o investigado demonstrou comportamento agressivo e atingiu o pai com um soco. O neto da vítima, que mora na casa dos fundos, decidiu soltar o cachorro. Pit bull que protegeu tutor durante tentativa de agressão deve receber alta em Rio Preto O pitbull avançou contra o suspeito. Em seguida, o filho pegou uma faca, golpeou o cão e também usou um garfo para atingir o pai. Apesar dos ferimentos, a vítima conseguiu se esconder no banheiro e acionar a polícia. Após a chegada da corporação, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal e maus-tratos contra animais. Veja abaixo os detalhes da raça. “Os cães são animais extremamente sociáveis e vivem predominante em grupos, conhecidos como alcateias, tanto em vida livre quanto em nossos lares. Por isso, eles nos consideram parte de sua alcateia. Em nossas casas, os animais tendem a criar laços fortes com quem os alimenta e lhes dá carinho, agindo sempre em defesa e proteção dos membros da casa”, pontua Eduardo. A Polícia Ambiental foi acionada e aplicou uma multa no valor de R$ 3 mil ao investigado. O idoso ainda relatou à TV TEM que o filho faz uso de entorpecentes e já havia apresentado comportamento agressivo. LEIA MAIS: Lobo-guará é visto caminhando por rua em cidade no interior de SP Rio Preto amplia oferta de soro antiescorpiônico após alta nos acidentes com escorpiões Crosta verde cobre afluente do Tietê no noroeste de SP e afasta pescadores e turistas Desfecho positivo Na ocasião do crime, o idoso apresentou ferimentos no corpo, mas foi socorrido e já está fora de perigo. O animal também foi atingido e ficou internado em uma clínica veterinária. Chamado de Iron, o pitbull recebeu alta no dia 30 de maio e retornou para casa. O idoso ainda relatou à TV TEM que o filho faz uso de entorpecentes e já havia apresentado comportamento agressivo. Idoso foi salvo por pitbull das agressões do filho em São José do Rio Preto (SP) Reprodução / TV TEM Raça agressiva Questionado sobre a raça, o veterinário explicou que, na visão dele pitbull não é agressivo. “Na verdade, não considero uma raça agressiva. A grande maioria deles é extremamente dócil no convívio com os humanos e outros animais. O problema acontece quando as pessoas que não têm experiência com cães de guarda, não os educam nem os socializam adequadamente. Isso gera acidentes e uma repercussão negativa muito alta e relacionada à raça”, pontua o especialista. Pitbull salva idoso de ser agredido pelo filho em São José do Rio Preto (SP) Arquivo pessoal O pitbull surgiu de uma combinação das raças buldogue e terrier, que originou a bull terrier. A necessidade de cães capazes de morder touros motivou o cruzamento. Nos Estados Unidos, esses animais chegaram a ser usados em "rinhas”. Com a popularização da prática, foram feitos cruzamentos entre os cães que venciam as disputas. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM
Navios comerciais no Estreito de Ormuz próximo à costa do Omã em maio de 2026. REUTERS/Stringer A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está prestes a completar 100 dias em meio a negociações para encerrar o conflito e ao aumento da pressão do Congresso americano sob o presidente Donald Trump. Muitos políticos, empresários e investidores acreditam que uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz– por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial – derrubará rapidamente os preços de energia, uma vez que petroleiros e navios de gás atualmente parados poderão, finalmente, deixar o Golfo Pérsico. No entanto, executivos do setor petrolífero, líderes da indústria naval e economistas preveem o contrário: a paz não fará com que os mercados de energia e as cadeias de suprimentos globais voltem imediatamente ao normal. Segundo eles, os impactos podem durar muitos meses – ou até anos. Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, maior fornecedora de petróleo do Golfo, disse a investidores no mês passado que, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto imediatamente, "levaria meses para o mercado se reequilibrar". Se o fechamento durasse mais algumas semanas, acrescentou, a normalização poderia se estender até 2027. Irã divulga imagens de lanchas rápidas de ataque no Estreito de Ormuz O tráfego pela estreita via marítima entre o Irã e Omã permanece em uma fração do nível normal, apesar de um cessar-fogo frágil e negociações de paz que enfrentaram repetidos retrocessos. Os preços do petróleo continuam cerca de 30% acima dos níveis anteriores à guerra, mantendo gasolina, diesel e fertilizantes significativamente mais caros. Esses custos adicionais estão pressionando a inflação global, desorganizando cadeias de suprimentos e elevando os preços dos alimentos em todo o mundo, devido ao encarecimento dos fertilizantes. Reabertura irregular de Ormuz Mesmo se um acordo de paz for assinado, especialistas afirmam que as empresas de transporte marítimo precisarão recuperar a confiança para enviar tripulações de volta à região. Isso pode exigir um período de observação de 30 a 45 dias. Também será necessário estabelecer medidas de segurança, incluindo patrulhas navais internacionais, para proteger contra possíveis ataques esporádicos a embarcações. Armadores e tripulações continuam altamente cautelosos devido à persistência dos ataques a navios no Estreito de Ormuz. Só na última semana, várias embarcações foram atingidas, segundo o CEO da gigante energética Chevron, Mike Wirth, que afirmou que a reabertura provavelmente ocorrerá de forma "intermitente". "Basta um único ataque a um navio para afastar a grande maioria deles", afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da plataforma de inteligência de mercado e análises Sparta Commodities, acrescentando que as empresas de navegação já substituíram a receita do Golfo por outras rotas, então "por que assumir o risco?". O Lloyd's de Londres, principal mercado de seguros marítimos do mundo, registrou um aumento acentuado nos prêmios de risco de guerra para travessias pelo Estreito de Ormuz, que continuam elevados mesmo após o cessar-fogo, iniciado em 8 de abril. Quando Ormuz for considerado seguro, os muitos petroleiros presos dentro do Golfo Pérsico também precisarão sair com segurança, enquanto outros navios partirão de portos distantes para buscar novos carregamentos."O processo pode levar oito semanas, ou até mais, dependendo do tempo de cada etapa", alertou Crosby. Presos pelo bloqueio do estreito de Ormuz há quase 100 dias: 'Só existe uma saída' Danos à infraestrutura prolongam impactos Os danos físicos à infraestrutura energética da região do Golfo representam outro grande fator de atraso. Dezenas de campos de petróleo, oleodutos, refinarias e instalações de gás natural liquefeito (GNL) foram atingidos. Os custos de reparo foram estimados, em abril, entre 25 bilhões e 58 bilhões de dólares, segundo a consultoria Rystad Energy. O complexo de Ras Laffan, no Catar, foi o mais afetado: ataques iranianos eliminaram 17% da capacidade de GNL do país. Autoridades catarianas alertam que os reparos podem levar de três a cinco anos. Produtores de GNL também podem passar anos resolvendo disputas contratuais por entregas não realizadas, com atrasos que podem afetar cronogramas de transporte até 2027, segundo advogados consultados pela S&P Global Platts. Outras instalações energéticas podem levar semanas ou meses para voltar a operar, devido à necessidade de testes rigorosos de segurança, aos impactos de longas paralisações e à escassez de peças de reposição, o que já era um problema antes do conflito. Instalações que estão paradas desde março acumulam pressão, detritos e possíveis processos de corrosão, exigindo inspeções cuidadosas antes de voltarem a funcionar, para evitar acidentes. Trump diz que deve alcançar acordo para estender cessar-fogo com o Irã e reabrir Ormuz na próxima semana Escassez de energia pode piorar Para Crosby, um "problema de estoques" pode surgir até o verão no hemisfério norte, pois atualmente outras regiões do mercado global de petróleo estão compensando temporariamente a falta de oferta do Golfo. Desde o início da guerra, os Estados Unidos aumentaram a produção de petróleo a níveis recordes; a China reduziu suas importações em 3,5 milhões de barris por dia, usando reservas estratégicas; e países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) também recorreram aos seus estoques. No entanto, essas medidas não são sustentáveis. Os estoques de petróleo dos EUA devem atingir níveis perigosamente baixos nos próximos meses, enquanto a China precisará retomar as importações, competindo com o resto do mundo por uma oferta limitada. O diretor da AIE, Fatih Birol, alertou que, embora o excesso de oferta antes da guerra tenha ajudado a amortecer o choque inicial, o mercado de petróleo pode entrar em uma "zona crítica" já em julho ou agosto devido à queda dos estoques. "Quando os estoques começarem a se esgotar, a única solução será o aumento dos preços, porque só preços mais altos conseguem reduzir a demanda de fato", avaliou Crosby. Segundo o especialista, os preços podem até dobrar, alertando que esse caminho pode levar a uma recessão global. EUA sancionam órgão criado pelo Irã para cobrar taxas no Estreito de Ormuz
Sede do Governo do Amazonas Bruno Zanardo/Secom O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), encaminhou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. A proposta, que servirá de base para a elaboração do orçamento estadual do próximo ano, aponta preocupações com a desaceleração da economia, a queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), os efeitos da Reforma Tributária e o aumento da dívida pública do país. O texto foi enviado por meio de mensagem governamental e ainda será analisado pelos deputados estaduais. A LDO estabelece as metas e diretrizes que vão orientar a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. Na justificativa encaminhada à Aleam, o governo afirma que o cenário internacional continua marcado por "elevada incerteza", agravada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, com reflexos sobre os preços da energia e das commodities. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp "A economia do Estado do Amazonas tende a ser influenciado pelo desempenho da economia nacional. Com uma previsão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de aproximadamente 1,8%, o Amazonas deve seguir a mesma tendência de crescimento moderado. Esse ritmo mais moderado pode limitar o crescimento da atividade industrial, particularmente no Polo Industrial de Manaus", diz trecho do documento. Agora no g1 A mensagem também cita projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), que indicam crescimento global de 3,1% em 2026. O governo, no entanto, alerta para um cenário adverso caso haja agravamento das tensões geopolíticas e recessão mundial. "Em um cenário adverso, marcado pelo agravamento de tensões geopolíticas e eventual recessão global, o crescimento econômico poderá desacelerar para patamares próximos de 2%, acompanhado de inflação em torno de 6%", diz. Arrecadação do ICMS De acordo com o projeto, um dos principais riscos para as contas estaduais é a possibilidade de frustração na arrecadação do ICMS, especialmente em caso de crescimento econômico abaixo do esperado e desaceleração mais intensa do consumo. A mensagem informa que a arrecadação do ICMS principal registrou queda de 4,85% no primeiro quadrimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o governo, o resultado foi influenciado principalmente pela retração de 22% no segmento de insumos importados e de 26% no setor de combustíveis. O documento atribui a queda à valorização cambial e à redução do volume tributável de mercadorias importadas. O texto também afirma que o Amazonas iniciou 2026 com sinais de desaceleração econômica. De acordo com a mensagem, o Índice de Atividade Econômica Regional registrou queda acumulada de 1,2% no primeiro bimestre do ano, com retração nos setores da indústria, comércio e serviços. "Para 2026 e 2027, o desempenho econômico estará condicionado à capacidade de enfrentamento dos desafios de ordem interna e externa, que poderão influenciar o ritmo da atividade econômica e os resultados fiscais", diz trecho do documento. Reforma Tributária A mensagem governamental também aponta um "elevado grau de incerteza" sobre os impactos da Reforma Tributária nas finanças estaduais. Segundo o governo, a transição para o novo sistema tributário pode afetar a previsibilidade das receitas públicas e dificultar as projeções orçamentárias durante os próximos anos. "A fase de transição para o novo sistema tributário impõe desafios relacionados ao processamento operacional, à adaptação do Estado e à mensuração dos impactos econômicos decorrentes das alterações na estrutura de arrecadação, o que pode afetar a previsibilidade das receitas públicas e ocasionar desvios entre as projeções orçamentárias e a efetiva realização da receita", diz a mensagem. O projeto também estabelece que as despesas com pessoal dos três Poderes, do Ministério Público e do Poder Executivo deverão respeitar o limite de 60% da Receita Corrente Líquida Estadual em 2027. Novas admissões de servidores só poderão ocorrer se houver cargos vagos, previsão orçamentária e respeito aos limites fiscais.
Escalas complexas pedem inteligência, não improviso Crédito: Divulgação. Nem toda empresa tem uma rotina simples de trabalho. Em muitos setores, a gestão de jornada envolve turnos alternados, escalas complexas, equipes externas, folgas variáveis, plantões, diferentes unidades, horários especiais e grande volume de colaboradores. Nesses casos, controlar o ponto é apenas uma parte do desafio. Indústrias, hospitais, redes de varejo, empresas de logística, segurança, facilities, construção civil, agronegócio, educação e operações com múltiplas unidades conhecem bem essa realidade. Quando a gestão de jornada depende de processos manuais ou sistemas desconectados, os problemas aparecem rapidamente: falha de escala, excesso de horas extras, atrasos em aprovações, retrabalha para o RH e falta de visibilidade para os gestores. Para Dimas Fausto, presidente da Dimastec, empresas com operações complexas precisam de ferramentas que entreguem clareza e capacidade de decisão. “Empresas com jornadas complexas não podem depender de improviso. O Mydhas foi desenvolvido para transformar escalas, turnos e ocorrências em informação organizada, permitindo que o RH e a operação decidam com mais precisão”, afirma. O Mydhas, nova plataforma da Dimastec, surge como uma resposta para empresas que precisam lidar com jornadas complexas de forma mais inteligente. A plataforma conecta colaboradores, gestores, operação e RH em um único ambiente digital. Isso permite que informações importantes circulem com mais rapidez e que decisões sejam tomadas com base em dados atualizados. Em vez de depender de controles paralelos, a empresa passa a ter uma visão mais integrada da sua operação. Para setores com alta complexidade operacional, essa integração é decisiva. Em uma indústria, por exemplo, atrasos e horas extras podem indicar gargalos em uma linha de produção. Em uma rede de varejo, escalas mal distribuídas podem afetar atendimento, vendas e produtividade. Em hospitais, plantões e jornadas precisam ser acompanhados com precisão. Na logística, equipes em campo exigem respostas rápidas. Na construção civil, diferentes frentes de trabalho tornam a visibilidade ainda mais importante. Em todos esses casos, o ponto deixa de ser apenas um registro trabalhista. Ele passa a ser um indicador da saúde operacional da empresa. O Mydhas ajuda a transformar essas informações em inteligência prática. Com dados de jornada em tempo real, o RH e os gestores conseguem identificar desvios, acompanhar ocorrências e tomar decisões antes que os problemas se tornem custos maiores. Isso é especialmente importante quando falamos de horas extras. Muitas empresas só percebem o volume real dessas despesas no fechamento da folha. Mas, quando a plataforma mostra o impacto ao longo do mês, é possível agir antes. Reorganizar escalas, redistribuir demandas, entender causas e evitar acúmulos desnecessários. O mesmo vale para faltas, atrasos e justificativas. Quando as informações chegam tarde, a gestão perde capacidade de reação. Quando chegam em tempo real, viram oportunidade de decisão. Outro ponto importante é a autonomia dos gestores. Em operações complexas, centralizar todas as decisões no RH pode gerar lentidão. O Mydhas permite que o gestor participe mais diretamente dos fluxos, recebendo notificações e aprovando solicitações com mais agilidade. Isso aproxima a decisão da operação e reduz o peso operacional sobre o RH. Ao mesmo tempo, o RH mantém uma visão estratégica do todo. Consegue acompanhar indicadores, analisar padrões, identificar riscos e apoiar a empresa com dados mais consistentes. Essa combinação entre autonomia e controle é fundamental para empresas que desejam crescer sem perder eficiência. Quanto mais complexa a operação, maior a necessidade de sistemas que conversem entre si e entreguem informações confiáveis. Ferramentas genéricas muitas vezes não acompanham a realidade de setores com jornadas variadas. O Mydhas foi pensado justamente para transformar demandas reais do RH e da operação em recursos práticos de produtividade, engajamento e inteligência. Em um mercado em que tempo, custo e eficiência são fatores decisivos, improvisar deixou de ser opção. Escalas complexas exigem inteligência. E a gestão de jornada, quando bem estruturada, pode se tornar uma das maiores aliadas da produtividade empresarial.
Publisher do NYT, A.G. Sulzberger Damon Winter/The New York Times via AP A era da inteligência artificial anunciou sua chegada há menos de quatro anos, com o lançamento público do ChatGPT. Em poucos meses, o chatbot da OpenAI acumulou 100 milhões de usuários, tornando-se o produto de consumo de crescimento mais rápido da história. Hoje, ele é apenas um entre vários sistemas de IA cada vez mais poderosos, ao lado dos desenvolvidos por Anthropic, Google, Meta, Microsoft e X. Há poucas dúvidas de que a inteligência artificial generativa representa a próxima grande revolução tecnológica — e ela traz consigo uma série vertiginosa de questões importantes. A IA vai impulsionar um salto de produtividade? Vai eliminar categorias inteiras de empregos? Vai desbloquear avanços médicos extraordinários? Ou facilitar ataques biológicos? É possível compreender plenamente as ações dos modelos e agentes de IA? É possível controlá-los? Estou aqui hoje para falar de questões que são, reconheço, um pouco mais restritas. Mas elas importam muito para mim, para vocês e para a sociedade. Como a IA vai mudar o jornalismo? Como essas mudanças vão afetar o ecossistema de informação que funciona como a esfera pública dos cidadãos engajados ao redor do mundo? E o que as pessoas presentes nesta sala podem fazer para garantir o futuro do jornalismo baseado em fatos e reportagens em primeira mão — essencial para a saúde das nossas democracias? Os primeiros sinais nos dão razão para preocupação As empresas que lideram a IA, já entre as mais ricas e poderosas da história humana, estão consolidando um controle desproporcional sobre nossos dados e nossa atenção. Ao mesmo tempo, deixam de assumir uma responsabilidade fundamental que acompanha esse poder: garantir que o público tenha acesso a notícias e informações confiáveis. Esse sequestro da esfera pública é viabilizado pelo pecado original que move seus produtos de IA — um roubo descarado de propriedade intelectual em uma escala sem precedentes. Os gigantes da tecnologia vasculham sites de notícias sem permissão e sem compensação. Reempacotam o material roubado como se fosse seu, desviando o público e a receita que deveriam ir para as organizações jornalísticas que criaram esse trabalho. E isso não acontece apenas uma vez, durante o processo de treinamento, mas incontáveis vezes, todos os dias. Por isso, temo que estejamos caminhando rapidamente para um futuro com cada vez menos jornalistas capazes de fazer o trabalho caro e difícil da reportagem original — ir a lugares, conversar com pessoas, buscar informações, cobrir temas e eventos relevantes, oferecer contexto e análise, investigar os poderosos. Um futuro em que uma fonte essencial de uma sociedade saudável e de uma democracia estável — a verdade, a compreensão e a responsabilização proporcionadas pelo jornalismo original — continue a se esgotar. Esse dano potencial vai muito além do jornalismo. As empresas de IA saquearam todo o conjunto de obras originais da civilização — um ato que também ameaça o futuro de livros, filmes, músicas, pesquisas científicas e uma série de outros campos. Nos Estados Unidos, essas indústrias representam não apenas o coração da vida cultural e intelectual do país, mas também um pilar de sua economia e uma de suas exportações mais influentes. Globalmente, as profissões criativas empregam mais de 50 milhões de pessoas e geram cerca de US$ 12 trilhões em valor econômico por ano. As pessoas reunidas aqui hoje lideram organizações de notícias de mais de 60 países. Isso significa que já passaram por uma série de pressões que assolaram o jornalismo em todo o mundo — da queda de receitas à intermediação tecnológica e aos ataques crescentes à liberdade de imprensa. Mas diante da IA, precisamos fazer mais. Nossa profissão tem sido silenciosa demais, passiva demais e fragmentada demais diante dos abusos das empresas que lideram essa revolução. Não podemos permitir que os entusiastas da IA dominem a conversa pública sem que nos posicionemos em defesa de um futuro sustentável para o jornalismo original. Não podemos assistir enquanto empresas de IA tentam desmantelar permanentemente os direitos que nos dão controle sobre o trabalho que criamos. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto esse trabalho é usado para construir produtos substitutos que minam nossa capacidade de conquistar o público e a receita necessários para continuar fazendo jornalismo. Alguns líderes do setor tecnológico vão retratar meus comentários de hoje como sendo contra a IA. Como uma defesa do status quo. Como mais uma instituição engessada reagindo com raiva aos inovadores que impulsionam o progresso. E, para ser justo com nossos colegas do Vale do Silício, existe uma tradição de incumbentes estabelecidos — digamos, um jornal de 175 anos — reclamando de novas tecnologias e dos disruptores por trás delas. Por isso, vale dizer claramente: a organização que lidero, o "The New York Times", tem um longo histórico de abraçar a tecnologia para avançar a missão do jornalismo independente. Temos uma história de parcerias respeitosas com empresas de tecnologia para levar esse jornalismo a novos leitores, de novas formas. Enfrentar as disrupções com curiosidade, abertura e capacidade de adaptação nos ajudou a atravessar o colapso do nosso negócio impresso e sairmos mais fortes do outro lado. Hoje, meus colegas usam tecnologia de IA — de forma responsável, ética e com humanos tomando as decisões — para melhorar a forma como reportamos, editamos, distribuímos e monetizamos nosso jornalismo. Manter uma tecnologia nova e poderosa à distância é uma receita para o fracasso. E acredito plenamente que a IA tem o poder de fazer muito bem no mundo. Não estou chamando a IA — nem os gigantes tecnológicos que controlam essa tecnologia — de inerentemente ruins ou malignos. Estou alertando que as empresas de IA estão fazendo escolhas que violam leis já consolidadas, ameaçam a viabilidade do trabalho criativo e parecem destinadas a causar danos desnecessários e graves. As organizações de notícias deveriam querer os benefícios que a IA pode trazer. Mas as empresas de tecnologia deveriam também querer apoiar o fluxo saudável e sustentável de informações, ideias e criatividade que alimenta a própria IA — para garantir que suas ações não nos levem a uma tragédia dos bens comuns cívicos. Os quatro ingredientes da IA Os modelos de IA são feitos com quatro ingredientes básicos. O primeiro é o talento — as pessoas que desenvolvem os algoritmos. O segundo é o que as empresas de tecnologia chamam de "computação": a infraestrutura por trás da IA, como chips e data centers. O terceiro é a energia — a eletricidade necessária para alimentar esses produtos tão consumidores de recursos. O quarto é o que as empresas de tecnologia chamam de "dados". A própria palavra parece quase projetada para fazer o trabalho criativo e expressivo soar trivial, como uma commodity abundante. Mas "dados" é frequentemente usado, entre outras coisas, como sinônimo de livros, filmes, músicas e jornalismo — o que poderia ser descrito com mais precisão como "conteúdo protegido por direitos autorais". Talento, computação, energia e dados são todos essenciais para o sucesso da IA e, portanto, para o sucesso dos gigantes tecnológicos. Os três primeiros são pagos — porque é claro que são. Nenhum CEO de tecnologia ousaria sugerir que os engenheiros mais talentosos trabalhem de graça. Pelo contrário, eles regularmente oferecem pacotes de remuneração que chegam a dezenas ou até centenas de milhões de dólares. Tampouco considerariam roubar chips de uma fábrica da Nvidia ou fazer uma ligação ilegal em uma linha de energia. Os investidores consideram que as recompensas financeiras potenciais da IA são tão grandes que estão aceitando prejuízos na casa dos centenas de bilhões de dólares para construir data centers e usinas de energia. Em contraste, as empresas de IA tomam os "dados" sem consentimento nem compensação. As justificativas para o roubo mudam o tempo todo. Dizem que a inovação exige isso. Insistem que estão apenas usando fatos, que ninguém pode possuir. Reclamam que os acordos demoram demais e custam caro demais. Alegam que a doutrina do "uso justo" permite que tomem conteúdo de graça de qualquer jeito. Às vezes chegam até a invocar a segurança nacional — alertam que, se as empresas de IA forem obrigadas a pagar, os Estados Unidos perderão a corrida tecnológica para a China. Nenhum desses argumentos resiste ao escrutínio. Um chatbot só consegue reproduzir "fatos" porque copiou ilegalmente artigos jornalísticos inteiros, o que lhe permite tomar emprestado com a mesma liberdade a linguagem protegida e o estilo da escrita. Construir data centers e usinas de energia é muito mais caro e demorado do que contratar advogados para redigir acordos de licenciamento com organizações de notícias. O uso justo não permite esse tipo de cópia, retenção e regurgitação prejudicial e substitutiva de uma obra — quanto menos de tudo o que a humanidade já produziu. Na competição com a China, os Estados Unidos se enfraquecem ao abandonar as proteções de propriedade intelectual que alimentam a inovação e sustentam as empresas criativas americanas. A avaliação combinada das seis principais empresas de IA é de US$ 11 trilhões — mais de três vezes o PIB da França. O investimento privado em IA nos Estados Unidos chegou a quase US$ 350 bilhões em 2025 e está acelerando em 2026. Portanto, o roubo de propriedade intelectual certamente não ocorre por falta de dinheiro para pagá-la. Embora os acordos de licenciamento com editores não sejam públicos, com base no tamanho dos poucos acordos que foram divulgados, estima-se que menos de meio por cento desse investimento esteja indo para compensar as pessoas e empresas que criam os dados que alimentam a IA. Embora existam muitas fontes de dados, os próprios executivos de IA reconheceram que conteúdo original e de alta qualidade é particularmente valioso para a eficácia e confiabilidade da tecnologia. Cinco dos dez principais sites usados para treinar alguns dos modelos de linguagem mais populares pertencem a editoras de notícias. A OpenAI confessou que seria "impossível treinar os modelos de IA líderes de hoje sem usar materiais protegidos por direitos autorais". Um engenheiro da empresa escreveu que o sucesso dos modelos "não é determinado pela arquitetura, hiperparâmetros ou escolhas de otimização. É determinado pelo seu conjunto de dados, nada mais". Em outras palavras: você é o que você come. O caso do 'The New York Times' Vamos olhar de perto a experiência do "The New York Times" para entender como isso funciona. Se você quer respostas abrangentes e precisas no seu chatbot de IA, é difícil imaginar uma fonte de dados melhor do que uma organização jornalística que, por 175 anos, empregou jornalistas profissionais experientes e bem remunerados para descobrir novas informações, narrar eventos em andamento e avaliar desenvolvimentos em política, negócios, cultura, esportes, ciência e assuntos globais. Esse trabalho original é valioso para as empresas de tecnologia em grande parte porque foi cuidadosamente escrito e editado, verificado de forma independente, submetido aos mais altos padrões de justiça e precisão, e apresentado de forma distintiva e envolvente. Só no ano passado, o "The New York Times" publicou quase meio milhão dessas obras — de artigos a fotos, vídeos e podcasts —, a um custo de mais de US$ 2 bilhões. Temos jornalistas em todos os 50 estados americanos e em 155 países, e esses profissionais não raramente enfrentam situações de risco de vida. Na Ucrânia, por exemplo, tivemos mais de 70 jornalistas e equipe de apoio em campo. Tudo isso apenas em 2025. Some essas contribuições ao longo de 175 anos e 20 milhões de obras originais, e você terá uma ideia mais clara do que nossa redação contribuiu para a compreensão pública do mundo. O valor distintivo do jornalismo do "Times" — assim como o de outras fontes de jornalismo de qualidade — foi repetidamente reafirmado pela preferência que as empresas de IA demonstram por ele. Embora a maioria das empresas de IA oculte suas fontes de treinamento, o "Times" foi a maior fonte individual de dados proprietários em um conjunto de dados importante usado para treinar vários modelos diferentes, seguido por outras organizações jornalísticas, como "The Guardian" e "Los Angeles Times". As empresas de IA consideram a extração de informações de organizações jornalísticas de qualidade como um dos sinais mais confiáveis de que seus produtos estão funcionando corretamente. Como disse um vice-presidente da Microsoft: "Conteúdo premium melhora significativamente a qualidade das respostas". No entanto, os gigantes tecnológicos argumentaram de forma consistente que não deveriam ser obrigados a pedir permissão para usar — muito menos pagar por — esse tipo de propriedade intelectual. Seu argumento, como mostram suas ações, é que têm direito a ela. A Meta treinou seu modelo em um banco de dados notório de livros pirateados ilegalmente. A Perplexity desafiou abertamente a norma consolidada de que sites não podem ser rastreados às escondidas, contrariando suas objeções explícitas. A OpenAI fez lobby junto ao governo americano para obter imunidade legal pelo confisco de obras alheias. Até mesmo a Anthropic, frequentemente citada por seu compromisso com o desenvolvimento ético da IA, se recusou a pagar pelo jornalismo de alta qualidade que usa em seus produtos. Ações como essas levaram o "Times" a processar a OpenAI, sua parceira, a Microsoft e, posteriormente, a Perplexity, por violações flagrantes de nossos direitos de propriedade intelectual protegidos pela lei de direitos autorais dos Estados Unidos — tanto no treinamento de seus modelos quanto no uso contínuo de nosso trabalho em seus produtos. Assim como outras organizações jornalísticas que entraram com ações semelhantes, acreditamos que essas violações ameaçam a capacidade de longo prazo das organizações de notícias de continuar produzindo jornalismo original e confiável, do qual o público — e, como se vê, os próprios modelos de IA — depende. Mas processos judiciais são lentos e caros — o nosso já se estende por dois anos e meio e custou mais de US$ 20 milhões. Como as empresas de IA certamente sabem, a maioria das organizações jornalísticas não tem recursos para ir a tribunal defender seus direitos. Um setor já fragilizado Mesmo antes da chegada da IA, o setor global de notícias lutava para sobreviver às ondas de mudança desencadeadas pela internet, pelo smartphone e pelas redes sociais. Nas últimas duas décadas, os Estados Unidos perderam, segundo algumas estimativas, 75% de seus jornalistas e mais de 3.000 jornais. Um novo jornal fecha a cada três dias. Os veículos digitais não preencheram nem uma fração desse vazio. Grandes regiões dos Estados Unidos já não têm um único repórter fazendo perguntas na câmara municipal, cobrindo as escolas locais ou conectando sua comunidade com um conjunto comum de fatos. E quando se olha para as formas mais caras e desafiadoras de jornalismo — investigar irregularidades ou ir às linhas de frente de conflitos — percebe-se que o número de jornalistas fazendo esse trabalho caiu de forma ainda mais dramática. A disrupção provocada pela IA promete ser ainda mais devastadora. Antes da IA, havia uma troca de valor real — ainda que desequilibrada — entre as plataformas de tecnologia e os criadores de conteúdo digital, como as organizações de notícias. Esse era o pacto da chamada web aberta. As empresas de tecnologia — principalmente as plataformas de busca e redes sociais — ficavam com uma fatia crescente das receitas publicitárias que antes iam para as organizações de notícias, mas, em contrapartida, entregavam um público muito maior. Na próxima fase da disrupção, as empresas de tecnologia, ao se apropriar do próprio jornalismo, também estão tomando uma parcela crescente do público que ele conquista. Veja o caso do Google. O objetivo dos mecanismos de busca sempre foi identificar os sites mais úteis e enviar as pessoas para eles. As pessoas iam ao Google, pesquisavam um assunto e clicavam em um link para sites como o "Financial Times", "Le Monde" ou "El País" para ler a matéria. O Google ficava com a grande maioria das receitas publicitárias. Mas também enviava tráfego significativo para as organizações de notícias por meio de links, permitindo que os editores ganhassem dinheiro exibindo anúncios ou vendendo assinaturas. Na era da IA, o Google usa cada vez mais o conteúdo das organizações de notícias e de outros sites para responder às perguntas diretamente. Como resultado, fazer com que um usuário do Google clique em um link é, segundo pesquisas do setor, dez vezes mais difícil hoje do que era uma década atrás. Ainda assim, o Google mantém o padrão mais elevado em termos de envio de leitores para os editores, e só podemos esperar que esse compromisso continue. Os modelos de IA concorrentes enviam tráfego de referência a uma taxa 96% menor do que a busca do Google, segundo um estudo. Os gigantes tecnológicos têm plena consciência das implicações dessa mudança sobre os modelos de negócios já frágeis das organizações de notícias. Como escreveu o chefe de monetização de IA da Microsoft: "A web aberta foi construída sobre uma troca de valor implícita, em que os editores tornavam o conteúdo acessível e os canais de distribuição — como a busca — ajudavam as pessoas a encontrá-lo. Esse modelo não se traduz de forma limpa para um mundo orientado pela IA." Ele acrescentou: "Os editores precisam de formas sustentáveis e transparentes de controlar como seu conteúdo premium é usado." Um sentimento digno. Mas basta olhar para uma página de lançamento recente do próprio mecanismo de busca com IA da Microsoft para encontrar uma postura bem diferente: "Olá do Bing! Em vez de clicar em links, podemos conversar sobre tudo o que você quiser saber." Essa dinâmica fez, evidentemente, o tráfego para os sites de notícias despencar. Os maiores jornais acompanhados pelo Comscore registraram quedas de mais de 45%, em média, à medida que a corrida pela IA se intensificou nos últimos quatro anos. Editores de notícias globais consultados pelo "Reuters Institute" se preparam para que as quedas de tráfego significativas continuem nos próximos anos. Menos tráfego para os editores provavelmente significa menos oportunidades de publicidade, que continua sendo uma importante fonte de receita para a maioria das organizações de notícias. Nas últimas duas décadas, a receita combinada de publicidade dos jornais já caiu 80%. A Meta sozinha fatura oito vezes mais em receita publicitária do que todos os jornais do mundo juntos. Para compensar a queda da publicidade, muitas organizações de notícias recorreram a modelos de assinatura. Mas na medida em que as pessoas percebem que podem acessar trabalhos roubados gratuitamente por meio de produtos de IA, será cada vez mais difícil para as organizações de notícias desenvolver e aprofundar relações com potenciais assinantes. Esse roubo não acontece apenas porque os editores "deixam seus brinquedos no quintal"; acontece mesmo quando eles estão "trancados com segurança dentro de casa". Um estudo descobriu que cerca de 30% das varreduras por bots de IA violam restrições explícitas de acesso ao conteúdo dos sites, incluindo conteúdo protegido por paywalls. A fonte de receita com a qual alguns esperam compensar essas perdas é o dinheiro das próprias empresas de IA, por meio de licenciamento de conteúdo ou micropagamentos. Algumas organizações de notícias maiores, incluindo o "Times", assinaram acordos de licenciamento. Outras adotaram micropagamentos das empresas de IA para cada uso individual do jornalismo. Mas há boas razões para questionar se qualquer um desses modelos será suficiente para compensar a receita e os leitores perdidos para produtos de IA concorrentes. Enquanto isso, muitas organizações de notícias menores, cujo trabalho também foi tomado e usado por modelos de IA, não receberam nenhuma compensação, e a grande maioria dos editores diz não esperar receitas significativas das plataformas de IA. De forma preocupante, mesmo enquanto essas empresas de tecnologia tentam divulgar acordos e outras ações que sinalizam que valorizam o jornalismo, simultaneamente argumentam em tribunal, junto a legisladores e agências federais, que não têm nenhuma obrigação com os criadores da propriedade intelectual que usam para alimentar seus produtos. Não é concorrência — é parasitismo Para ser claro: não estou levantando essas preocupações porque as organizações de notícias deveriam temer a concorrência. Se as empresas de tecnologia estivessem destinando recursos reais para colocar seus próprios repórteres em campo para produzir jornalismo original, eu daria boas-vindas a isso. Mas não é isso que está acontecendo. As plataformas tecnológicas nunca fizeram tentativas sérias de criar o trabalho original e de base — como reportagem local, jornalismo investigativo ou testes rigorosos de produtos — do qual seus usuários, plataformas e produtos de IA dependem. E agora vão um passo além, simplesmente tomando as reportagens e coberturas de outros, muitas vezes até apresentando-as como suas. Um estudo descobriu que a OpenAI creditou as organizações de notícias que desenterraram as informações citadas em apenas 1% de suas respostas. Os líderes das transições tecnológicas anteriores pelo menos tentavam argumentar que suas plataformas seriam simbióticas com os criadores. O Spotify, por exemplo — que tem seus críticos na indústria musical — destaca os pagamentos que envia aos artistas. As empresas de IA, em contraste, adotaram uma postura mais abertamente parasitária, mais próxima à do Napster, a antiga plataforma de música pirata. Um pesquisador sênior da Microsoft escreveu que uma das "promessas centrais dos LLMs" é sua capacidade de usar "seus dados de treinamento para substituir o trabalho pago daqueles que criaram esses dados". De forma mais evocativa, a escritora de ficção científica Margaret Atwood comparou essa dinâmica a ser "assassinada pela minha réplica". É uma aposta segura que tais ações dos gigantes tecnológicos vão alimentar tendências destrutivas que já estão tensionando a sociedade. Uma queda contínua no jornalismo original. Uma onda crescente de desinformação, propaganda, teorias conspiratórias, deepfakes e lixo gerado por computador. Um público que continua a ser radicalizado por algoritmos que amplificam o medo, a raiva e a divisão. Os repórteres são os responsáveis por enriquecer o registro público com informações até então desconhecidas. Aquele fato surpreendente. Aquele detalhe revelador. Aquela citação da testemunha ocular. Aquele documento secreto. Aquela análise do especialista. Aquela foto, vídeo, gravação de áudio. Em termos simples, o jornalismo original é muitas vezes a forma como você sabe o que sabe. Os produtos de IA não conseguem fazer esse tipo de reportagem original. Eles extraem o registro público, mas têm dificuldade de acrescentar algo a ele. Mesmo a extração tem sido problemática. Uma pesquisa da "European Broadcasting Union" descobriu que os principais assistentes de IA distorceram significativamente as notícias em quase metade de todas as respostas. Tanto o Google quanto a Apple, por exemplo, cometeram erros graves ao usar ferramentas de IA para reescrever manchetes e alertas de notícias de organizações jornalísticas que aparecem em seus produtos. Como a IA tende a ser ruim em expressar incerteza, ela frequentemente não está apenas errada — está errada com confiança. E, ao contrário das organizações de notícias das quais roubam, as empresas de IA não rastreiam nem corrigem esses erros, deixando seus usuários sem qualquer forma de saber quando foram induzidos a erro. Isso importa em parte porque os produtos de IA provavelmente não vão apenas suplementar, mas substituir as relações diretas com organizações de notícias para muitas pessoas. Pesquisas sugerem que essa mudança está acontecendo muito mais rapidamente do que a maioria imagina. A Amazon Web Services, que trabalha com muitas empresas de IA, estima que a maioria do conteúdo online já é gerado por IA — um número que alguns especialistas esperam que chegue a mais de 90% nos próximos anos. Já hoje, o número de sites de notícias locais falsos é maior do que o de sites reais, pois a IA dificulta a sobrevivência dos sites verdadeiros e facilita a criação de sites falsos a baixo custo. De forma reveladora, as empresas de IA não querem dizer que os resultados de seus produtos são confiáveis. Não querem dizer que são justos ou precisos. Isso se deve em parte ao fato de não serem. Quando o ativista político americano Charlie Kirk foi assassinado no ano passado, por exemplo, o bot da Perplexity sugeriu que a declaração da Casa Branca sobre a morte de Kirk havia sido fabricada, e o Grok, do X, insistia que ele estava vivo e bem. Mas tão importante quanto isso, as empresas de IA se recusam a ser responsáveis pelo que seus chatbots dizem aos usuários numa tentativa de escapar da responsabilidade legal. A Microsoft alertou ao lançar o Copilot: "Apenas para fins de entretenimento. Pode cometer erros e pode não funcionar como pretendido. Não confie no Copilot para aconselhamento importante. Use o Copilot por sua conta e risco." Em algum nível, o público entende que isso não será bom para ele. Dois terços dos americanos estão muito preocupados com a disseminação de informações imprecisas pela IA, segundo o Pew Research Center. Mas uma porcentagem crescente de pessoas recorre à IA para notícias, informações e orientações — e algumas a consideram mais confiável do que as organizações de notícias das quais ela depende para suas respostas. Tudo isso vai agravar o alarmante declínio da saúde social e cívica. Evidências mostram que, quando uma organização de notícias local desaparece, as pessoas de uma comunidade começam a confiar menos umas nas outras e a se odiar mais. Tornam-se mais isoladas e menos tolerantes. O engajamento cívico diminui e a corrupção pública aumenta. E imagine o que acontece quando a abordagem das empresas de tecnologia em relação ao setor jornalístico chega à sua conclusão lógica. Apesar da importância do jornalismo para a tecnologia mais valiosa do mundo, as ações das empresas de tecnologia estão comprometendo sua mais importante fonte de novas notícias, novas informações, novas análises. Isso tornaria os próprios produtos de IA menos úteis e menos confiáveis — mais uma vítima desnecessária de escolhas desnecessárias e prejudiciais. O que podemos fazer Um setor jornalístico em declínio pode parecer impotente diante de algumas das empresas mais ricas que o mundo já viu. E o caminho à frente não é facilitado pela realidade de que precisamos continuar operando em um ecossistema de informação controlado de forma desproporcional por esses gigantes tecnológicos. Mas ainda há ações que podemos tomar — tanto para nos posicionar contra os abusos das empresas de IA quanto para preparar nossas próprias organizações para ter sucesso nessa nova era. Compartilharei algumas ideias para cada uma dessas frentes, com a convicção de que ideias melhores e mais numerosas surgirão das pessoas presentes nesta sala. No que diz respeito a defender seu trabalho das empresas de tecnologia, tenho quatro reflexões centrais: Defenda seus direitos. Os direitos de propriedade intelectual precisam ser mantidos se nossa profissão quiser ter um caminho à frente. No meu país, esses direitos estão ancorados na Constituição e sustentados por séculos de precedentes. Eles também são compatíveis com um entendimento ético básico de que roubar é errado. Mas seus direitos só serão mantidos se você insistir em que sejam respeitados e resistir quando não forem. Isso exigirá coragem — e às vezes recursos, que escasseiam — mas o caminho alternativo de tolerar silenciosamente o roubo sistemático do seu trabalho acabará por minar sua capacidade de continuar fazendo jornalismo. Negocie com cuidado. Organizações de notícias que assinam acordos para licenciar conteúdo para empresas de IA estão fazendo algo razoável. Mas aconselho a avaliar a viabilidade de longo prazo de cada acordo. Os gigantes tecnológicos têm uma posição de força extraordinária: já tomaram seu conteúdo e pretendem usá-lo de qualquer forma. Ainda assim, antes de aceitar uma oferta, vale perguntar se o pagamento reflete algo próximo ao valor justo — e se você está retendo algum controle significativo sobre como seu trabalho será usado. Pressione seus legisladores. A IA é cada vez mais impopular entre o público. À medida que os legisladores consideram como reagir, nossa indústria precisa se unir em torno de um conjunto pequeno e claro de pedidos. Algumas ideias iniciais: garantir que as proteções já robustas de propriedade intelectual sejam reforçadas — e não enfraquecidas — para a era da IA. Exigir que bots se identifiquem e limitar sua capacidade de vasculhar sites sem permissão. Exigir transparência para que as organizações de notícias saibam quando e como seu trabalho é usado pela IA. Garantir que as empresas de IA sejam legalmente responsáveis pelo conteúdo difamatório que geram. Una-se aos outros. Enfrentamos empresas de IA que gastam quantias inimagináveis em marketing, lobby e doações políticas para persuadir o público e cooptar políticos. A firma de capital de risco por trás de muitos investimentos em IA é hoje o maior doador político dos Estados Unidos. O único caminho da indústria jornalística para contrabalançar essa influência é trabalhar em conjunto e, igualmente importante, com outras indústrias criativas. Participe de briefs de amicus curiae e seja ativo em suas associações profissionais. Estude como nossos colegas da música e de outras profissões atravessaram seus momentos "Napster". Há também coisas que podemos fazer para tornar nossas próprias organizações de notícias mais resilientes enquanto enfrentamos esse desafio. Mais quatro ideias: Use a IA do jeito certo. As redações devem criar padrões cuidadosos para o uso responsável da IA. E então devem ser agressivas e criativas para colocar a tecnologia a serviço da melhoria do seu jornalismo e do fortalecimento de seus negócios. A IA pode trazer valor real às organizações que encontrarem as formas certas de adotá-la, e uma mudança dessa magnitude vai destruir qualquer organização que se recuse a evoluir. Não há nada de inerentemente ruim na tecnologia de IA — são as ações das empresas por trás dela que precisam ser reformadas. Seja um destino, antes de tudo. Um mundo cada vez mais intermediado por plataformas de IA deixaria as organizações de notícias ainda mais à mercê dos gigantes tecnológicos para compartilhar tráfego, crédito e dinheiro. O caminho mais claro para sustentar um jornalismo de qualidade será por meio de relações diretas com o público. Ser um destino não significa ignorar a internet mais ampla. Você ainda precisa criar novas relações onde as pessoas estão, que geralmente é uma plataforma tecnológica. Mas para aprofundar essas relações — torná-las leais, habituais e valiosas — seu público precisa aprender que é melhor se engajar diretamente com você do que por meio de um intermediário. Foque no jornalismo original. Muitas organizações de notícias se enfraqueceram e se tornaram commodities ao tentar alimentar as preferências em constante mudança dos algoritmos de busca e redes sociais com clickbait, agregação e opiniões fáceis. A economia dessa abordagem vai piorar ainda mais. Para ser um destino em um mundo intermediado pela IA, você vai precisar de um jornalismo tão diferenciado que tenha sua própria gravidade. O coração disso é o jornalismo original. O público não tem outra fonte para esse trabalho. E a IA tampouco. Explique por que o jornalismo importa. As empresas de IA têm megafones gigantescos e têm comunicado com muito cuidado — e de forma seletiva — os benefícios de seu trabalho, ao mesmo tempo em que minimizam os danos. A indústria jornalística precisa, por sua vez, mostrar que o jornalismo original é um ingrediente essencial nas sociedades saudáveis, nas nações seguras e nas democracias fortes — e demonstrar como as ações dos gigantes tecnológicos estão colocando tudo isso em risco. Informação é valiosa. Jornalismo é valioso Na última transição digital, as organizações de notícias — incluindo o "Times", por um bom tempo — compraram a afirmação repetida do Vale do Silício de que "a informação quer ser livre". Muitos nem sabiam que a citação original, do filósofo da tecnologia Stewart Brand, tinha outra parte: "A informação quer ser cara, porque é muito valiosa — a informação certa no lugar certo simplesmente transforma sua vida." Não podemos ser tão ingênuos desta vez. As organizações de notícias são coletivamente menores e mais fracas do que há duas décadas. Os gigantes tecnológicos são maiores e mais fortes — e muito mais dispostos a usar seu tamanho e poder. Enquanto isso, a própria onda da IA pode ser maior e mais veloz, à medida que a tecnologia continua a melhorar. Mesmo que as coisas pareçam estar bem por enquanto, lembre-se: essas primeiras ondas anunciam um tsunami que se aproxima. Enquanto nos preparamos, precisamos nos lembrar: a informação é valiosa. O jornalismo é valioso. A internet já está sobrecarregada de bots e lixo digital. Está cada vez mais difícil saber de onde as coisas vieram e se são verdadeiras. Isso criou uma sensação crescente de que nada pode ser confiado, exigindo de todos uma vigilância quase paranoica sobre tudo — ou, pior, um mergulho no niilismo. O efeito não é apenas que as pessoas acreditam em coisas falsas: é que deixam de acreditar em coisas verdadeiras. Essa combinação tóxica já está levando mais pessoas a se desengajarem completamente. As empresas de tecnologia acenam para essas tendências e dizem "não é culpa nossa" e, de forma ainda mais reveladora, "não é nosso problema". As organizações de notícias deveriam se posicionar como a alternativa confiável nesse caos. Notícias e informações em que se pode confiar são mais raras e mais necessárias do que nunca. O tipo produzido por equipes de profissionais experientes, apoiados por processos e padrões rigorosos. Segundo pesquisas, quando alguém quer verificar algo que encontrou e que acha que pode ser falso, a opção preferida é "uma fonte de notícias em que confio". Em último lugar na lista? Um chatbot de IA. Continuo convicto do valor criado por organizações de notícias de qualidade dedicadas ao trabalho difícil e caro do jornalismo original — para os leitores, para as comunidades, para a sociedade como um todo. E, sim, até para os modelos de IA. Quem mais irá aos lugares onde os eventos estão se desdobrando? Quem nos trará relatos em primeira mão das linhas de frente de uma guerra? Quem nos equipará com informações confiáveis em uma crise de saúde pública? Quem vai expor a empresa de sucesso ou a carreira política construídas sobre uma mentira? Quem vai garantir que os debates sobre políticas econômicas sejam informados por seus impactos sobre pessoas reais? Quem mais pode enriquecer todo esse trabalho com conhecimento especializado duramente conquistado, que acrescenta perspectiva e contexto, e com compromissos profissionais profundamente enraizados de tornar cada matéria tão justa e precisa quanto possível? A questão é se esse valor será sugado pelos gigantes tecnológicos — ou se voltará para as organizações de notícias, permitindo que continuem esse trabalho essencial. Espero que todos vocês levem essa questão a sério. Acredito que o futuro das nossas organizações de notícias e a saúde da esfera pública dependem de como responderemos. Obrigado. (c) 2026 The New York Times Company. Texto original disponível em: https://www.nytco.com/press/a-i-journalism-and-the-uncertain-future-of-the-public-square/
O governo brasileiro emitiu uma nota nesta terça-feira (2) em que rebate a proposta dos Estados Unidos de um novo tarifaço contra o Brasil. O texto manifesta indignação com a conclusão de uma investigação preliminar que sugere práticas comerciais desleais por parte do país. A nota também cita articulações da família Bolsonaro contra interesses nacionais e lamenta que o trabalho de articulação entre o Executivo e o governo norte-americano tenham sido "sabotados" — mote usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um evento nesta terça, em Goiás. No comunicado, antecipado pelo blog do Valdo Cruz, o governo brasileiro classifica como injustificável as medidas; apresenta dados do superávit americano em bens e serviços; e, também, menciona que o Brasil "se reserva ao direito" de adotar medidas recíprocas (leia texto completo abaixo). PIX é uma conquista do povo brasileiro, diz Alckmin ao comentar novo tarifaço dos EUA Paralelamente, a equipe do governo concedeu coletiva de imprensa para detalhar o posicionamento do governo brasileiro. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como "injusta" a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de taxar exportações do Brasil. Leia nota do governo brasileiro na íntegra "O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares. Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%. O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%. Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo. O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional. O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro. ANEXO Resumo dos argumentos apresentados pelo Brasil sobre os itens investigados no contexto da Seção 301: Nas sucessivas reuniões realizadas com os técnicos do USTR, as autoridades brasileiras forneceram farta documentação que comprova que a política comercial brasileira não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e nem viola normas internacionais vigentes. 1. Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico: A lei brasileira confere tratamento equitativo a empresas nacionais e estrangeiras. Não há, no Brasil, qualquer restrição contra as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O país é um grande mercado para as “big techs” americanas. O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA. 2. Tarifas preferenciais: Os acordos comerciais celebrados pelo MERCOSUL com terceiros países (México e Índia) não restringem o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro. Insumos e componentes de origem norte-americana incorporados a produtos brasileiros beneficiam-se de Acordos do MERCOSUL com outros mercados. 3. Aplicação de leis anticorrupção: O Brasil é parte dos principais instrumentos internacionais de combate à corrupção e dispõe de arcabouço legal e institucional consistente para sua aplicação, regularmente avaliado pelos mecanismos multilaterais pertinentes. Desde 2017, foram celebrados mais de trinta acordos de leniência. Em abril de 2026, por iniciativa do Governo brasileiro, foi apresentada proposta para enfrentamento ao crime organizado e de combate à corrupção ao Departamento de Estado. 4. Proteção de direitos de propriedade intelectual: Os Estados Unidos são o principal beneficiário do sistema brasileiro de propriedade intelectual. Respondem por cerca de 30% dos pedidos de patente e lideram os contratos de licenciamento e cessão de ativos. Os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano somaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do registrado em 2020. 5. Etanol: O Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não-discriminatórias, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis tem desenvolvido diretrizes técnicas específicas para a participação de produtores norte-americanos no Programa. Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena para os 18% aplicados pelo Brasil. Por outro lado, o açúcar brasileiro conta com cota ínfima de cerca de 150 mil toneladas e, acima da cota, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a uma alíquota de 80%. 6. Desmatamento: Desde 2023, o Governo estabeleceu e está cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em cerca de cinquenta por cento na comparação com 2022. A área queimada no País como um todo recuou cerca de quarenta por cento em 2025 frente à média do período 2017-2024. Além disso, dados divulgados semana passada pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus seis biomas, atingiu seu menor nível em 7 anos. Governo do Brasil" Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação Anadolu via Getty Images
O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (2), indignação com a conclusão preliminar de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O processo, conhecido como "Seção 301", apura supostas práticas comerciais desleais do Brasil e pode resultar em tarifas sobre produtos nacionais LEIA MAIS: Veja nota do governo brasileiro que rebate proposta dos EUA de aplicar novo tarifaço contra o Brasil De acordo com a nota oficial a qual o blog teve acesso, a investigação foi motivada por "provocação da família Bolsonaro" e é vista pelo Itamaraty como uma tentativa de ingerência em temas internos O governo criticou a atuação de "falsos patriotas" que usariam cargos públicos para conspirar contra os interesses do país (leia mais abaixo). Lula associa 'filhos de Bolsonaro' a novo tarifaço proposto pelos EUA Ameaça ao PIX e superávit dos EUA Um dos pontos centrais da tensão é a menção explícita ao PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) — nas recomendações preliminares dos EUA. O governo brasileiro classificou o sistema como um "patrimônio brasileiro", com uma "infraestrutura pública, gratuita e neutra" e citou que empresas norte-americanas já participam ativamente desse ecossistema. "Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares", diz um dos trechos da nota. "O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA", prossegue. Para rebater as acusações de desequilíbrio comercial, o Brasil apresentou números que favorecem os americanos: Superávit acumulado: nos últimos 15 anos (2011-2025), os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões com o Brasil. Dados de 2025: apenas no ano passado, o saldo positivo para os EUA foi de US$ 40,52 bilhões (bens e serviços). Tarifas baixas: atualmente, 76% das importações dos EUA entram no Brasil sem pagar imposto, com uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%. Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana Ricardo Stuckert/Divulgação Argumentos ambientais e de propriedade intelectual O Brasil também utilizou dados técnicos para refutar as justificativas da investigação: Meio Ambiente: o governo destacou que o desmatamento na Amazônia Legal recuou cerca de 50% em relação a 2022, e a área queimada no país caiu 40% em 2025. Patentes: os EUA são os maiores beneficiários do sistema de patentes brasileiro, respondendo por 30% dos pedidos. O pagamento de royalties aos americanos dobrou entre 2020 e 2024, atingindo US$ 1,38 bilhão. Etanol e Açúcar: o país aponta que, enquanto o Brasil é aberto ao etanol americano, o açúcar brasileiro enfrenta tarifas de até 80% nos EUA. Queda nas exportações e 'Lei de Reciprocidade' O clima de incerteza já impacta os negócios. Segundo o governo, no primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor nível da série histórica. "O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.", menciona outro trecho. Apesar do embate, a nota cita que existe uma tentativa de solução diplomática. Para tanto, cita a reunião entre o presidentes Lula e Trump em 7 de maio. Na ocasião, os dois líderes estabeleceram um prazo até 15 de julho para que negociações tarifárias encerrem a investigação sem a imposição de sanções. Caso as tarifas sejam confirmadas, o Brasil afirmou que poderá acionar a Lei de Reciprocidade. A legislação, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, autoriza o Estado a adotar medidas para enfrentar injustiças comerciais que não tenham amparo nas regras internacionais Leia nota do governo brasileiro na íntegra "O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares. Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões. Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%. O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%. Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo. O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional. O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros. É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro. ANEXO Resumo dos argumentos apresentados pelo Brasil sobre os itens investigados no contexto da Seção 301: Nas sucessivas reuniões realizadas com os técnicos do USTR, as autoridades brasileiras forneceram farta documentação que comprova que a política comercial brasileira não discrimina, não prejudica o comércio dos EUA e nem viola normas internacionais vigentes. 1. Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico: A lei brasileira confere tratamento equitativo a empresas nacionais e estrangeiras. Não há, no Brasil, qualquer restrição contra as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O país é um grande mercado para as “big techs” americanas. O PIX é infraestrutura pública e gratuita de pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e de grande aceitação pela população. Suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema. O Brasil é o segundo maior mercado mundial das duas principais redes de cartão de crédito dos EUA. 2. Tarifas preferenciais: Os acordos comerciais celebrados pelo MERCOSUL com terceiros países (México e Índia) não restringem o acesso de produtos norte-americanos ao mercado brasileiro. Insumos e componentes de origem norte-americana incorporados a produtos brasileiros beneficiam-se de Acordos do MERCOSUL com outros mercados. 3. Aplicação de leis anticorrupção: O Brasil é parte dos principais instrumentos internacionais de combate à corrupção e dispõe de arcabouço legal e institucional consistente para sua aplicação, regularmente avaliado pelos mecanismos multilaterais pertinentes. Desde 2017, foram celebrados mais de trinta acordos de leniência. Em abril de 2026, por iniciativa do Governo brasileiro, foi apresentada proposta para enfrentamento ao crime organizado e de combate à corrupção ao Departamento de Estado. 4. Proteção de direitos de propriedade intelectual: Os Estados Unidos são o principal beneficiário do sistema brasileiro de propriedade intelectual. Respondem por cerca de 30% dos pedidos de patente e lideram os contratos de licenciamento e cessão de ativos. Os pagamentos de royalties ao mercado norte-americano somaram US$ 1,38 bilhão em 2024, o dobro do registrado em 2020. 5. Etanol: O Programa Nacional de Biocombustíveis é aberto a produtores estrangeiros em condições não-discriminatórias, e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis tem desenvolvido diretrizes técnicas específicas para a participação de produtores norte-americanos no Programa. Os EUA aplicam tarifa de 12,5% sobre o etanol brasileiro, uma diferença relativamente pequena para os 18% aplicados pelo Brasil. Por outro lado, o açúcar brasileiro conta com cota ínfima de cerca de 150 mil toneladas e, acima da cota, está sujeito a tarifa de US$ 340 por tonelada, equivalente a uma alíquota de 80%. 6. Desmatamento: Desde 2023, o Governo estabeleceu e está cumprindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em cerca de cinquenta por cento na comparação com 2022. A área queimada no País como um todo recuou cerca de quarenta por cento em 2025 frente à média do período 2017-2024. Além disso, dados divulgados semana passada pelo MapBiomas indicam que, em 2025, o desmatamento no Brasil, em seus seis biomas, atingiu seu menor nível em 7 anos. Governo do Brasil"
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro classifica como "injusta" a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Ele também afirmou que o Brasil recebeu "com indignação" o resultado de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre essas práticas citadas pelo departamento dos EUA, estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. "O Brasil recebe com indignação e é injusta a proposta, entende que ela é injusta", afirmou Alckmin. Alckmin deu as declarações após uma reunião com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em que as conclusões do USTR foram debatidas. Agora no g1 O vice-presidente rebateu as críticas ao PIX, destacando que o sistema é uma conquista tecnológica que impulsiona a economia sem custos para os cidadãos. "O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro. É tecnologia a serviço da sociedade e da economia, garantindo agilidade sem custos para a população", afirmou o vice-presidente. Sobre a relação com o setor de tecnologia, o ministro ressaltou que o governo mantém as portas abertas. "O Brasil é aberto às big techs. Empresas nacionais e estrangeiras recebem o mesmo tratamento no país", pontuou. Desequilíbrio comercial e tarifas Alckmin destacou que a balança comercial entre os dois países é amplamente favorável aos americanos. Segundo ele, os EUA registram um superávit de US$ 40 bilhões na relação com o Brasil. O vice-presidente citou exemplos de desequilíbrio no setor de commodities, como etanol e açúcar. "Dos dez produtos que o Brasil mais importa dos EUA, oito entram aqui com tarifa zero. Entendemos que essa proposta [de taxação] é total descabível", defendeu. Meio ambiente e corrupção O ministro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento para reforçar o compromisso ambiental do governo. Ele destacou que a Amazônia registrou uma queda de mais de 50% nos índices. Alckmin lembrou que o país aprovou dispositivos recentes para fortalecer o combate à corrupção e respeita as normas de propriedade intelectual — área onde, segundo ele, os EUA são os maiores beneficiários. Diálogo e críticas a 'sabotadores' Apesar da indignação com a proposta, o vice-presidente afirmou que o caminho para evitar que as recomendações se convertam em sanções reais é a diplomacia. "O caminho é o diálogo que já vem ocorrendo. Não existe tema proibido", disse Alckmin, que também aproveitou para criticar opositores internos", declarou Alckmin. Falsos patriotas e sabotadores colocam interesses pessoais e eleitorais acima do país. Vamos trabalhar e dialogar para que essas medidas não se concretizem". Ao lado de Alckmin, também participaram da entrevista coletiva em Brasília o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Durante a coletiva, Durigan também saiu em defesa do PIX, afirmando que o mecanismo financeiro é um "símbolo da nossa soberania financeira" e "não está em debate". Durigan também criticou a atuação da família Bolsonaro. "Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix. E, sobre a Seção 301, mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país e do nosso povo. De fato, inovamos, geramos uma tecnologia cobiçada por regiões que querem ter um Pix. As pessoas usam com facilidade, e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de um meio de pagamento democrático. O Pix será protegido, resguardado e não está em debate", afirmou. Durigan também disse que a taxação imposta pelos Estados Unidos prejudica empresários e trabalhadores brasileiros. Mas que o governo tem como contestar os pontos apresentados pelos americanos. "O desmatamento é combatido, o trabalho e a renda das famílias melhoraram, propriedade intelectual é uma área em que eles são os maiores beneficiados, e as big techs têm um grande mercado no Brasil. Cumprindo as leis brasileiras, podem operar normalmente no país", declarou. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo pretende manter as articulações mesmo durante o feriado de Corpus Christi para tentar "desarmar a possibilidade de um novo tarifaço" dos Estados Unidos. De acordo com esses auxiliares, novas reuniões entre representantes dos dois governos podem ocorrer ainda nesta semana. Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo Fabio Rodrigues/g1
PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.
Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa para a inflação em 2026, que subiu para 5,09%. Esta é décima segunda semana seguida de aumento. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, próximo de US$ 94 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). ➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 5,04% para 5,09%; ➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,01% para 4,02%; ➡️ Para 2028, a previsão cresceu de 3,65% para 3,66%; ➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Agora no g1 Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano na última semana, embutindo reduções no decorrer do ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 11,25% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Royalties do petróleo: procurador do RJ afirma que mudança na lei seria fatal para finanças do estado Jornal Nacional/ Reprodução Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,89% para 1,90%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB permaneceu em 1,70%. Taxa de câmbio O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,17 para R$ 5,16 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25 por dólar.
Um decreto do governo federal publicado nesta sexta-feira (29) amplia a isenção de impostos sobre a venda e importação de querosene de aviação (QAV) e do biodiesel até 31 de julho. A medida faz parte de um pacote de ações para conter a alta dos combustíveis, pressionados pela escalada do preço do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio (entenda mais abaixo). O benefício — que reduz custos para companhias aéreas e produtores de combustíveis, e pode ajudar a conter repasses de preços ao consumidor — terminaria neste domingo (31). 🔎O querosene de aviação é um insumo sensível para o setor, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após aumento anunciado pela Petrobras mês passado. Agora no g1 Relembre o pacote para conter alta dos combustíveis A medida prorroga uma das ações do pacote anunciado em abril. Na ocasião, o governo anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os combustíveis no país. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das medidas anunciadas será de R$ 30,5 bilhões. Ele afirmou, no entanto, que esse valor não terá impacto nas contas públicas, porque deve ser compensado por outras receitas do governo, como a arrecadação com o óleo diesel e os royalties do petróleo — valores pagos por empresas pela exploração de petróleo. As medidas incluem a concessão de subvenção — uma espécie de ajuda financeira do governo — para reduzir o preço de alguns combustíveis. Serão contemplados o diesel importado, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e o querosene de aviação. LEIA MAIS: Governo publica decreto que fixa em R$ 0,44 subsídio por litro da gasolina No Brasil, Petrobras anuncia aumento para o querosene de aviação Jornal Nacional/ Reprodução Entre as medidas anunciadas pelo governo estão: subvenção ao diesel (importado e ao produzido no Brasil); isenção de impostos federais sobre o biodiesel; subvenção ao gás de cozinha; subvenção ao querosene da aviação; e linhas de crédito para o setor aéreo.
PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.
No Complexo Japy, café da Cooxupé é preparado para compor os blends que são exportados Crédito: Divulgação. Na exportação de café brasileiro, a Cooxupé ocupa uma posição estratégica ao conectar a produção de milhares de cooperados ao mercado internacional. Com embarques para 50 países, em cinco continentes, a cooperativa atua tanto no fornecimento em larga escala, característico do mercado de commodities, quanto na ampliação da presença em cafés especiais. Exportação como eixo do negócio A exportação é o eixo central da operação: cerca de 80% das atividades da cooperativa estão ligadas ao mercado externo. Ao longo das últimas décadas, a Cooxupé estruturou uma operação que integra recebimento, beneficiamento, armazenagem e logística, com destaque para o escritório em Santos (SP), responsável por conectar a produção ao fluxo internacional de exportações. Esse modelo permite atender diferentes perfis de compradores, desde grandes torrefadoras e tradings globais, no mercado de commodities, até clientes que buscam cafés com maior valor agregado, com foco em qualidade, origem e rastreabilidade em todas as operações. A base produtiva, formada por mais de 21 mil cooperados, em sua maioria pequenos produtores, sustenta essa diversidade de oferta. Em 2025, a cooperativa respondeu pelo embarque de 6.078 milhões de sacas de café, sendo destinadas 4.8 milhões de sacas para a exportação direta e 1.2 milhão para o mercado interno. Por vários anos seguidos, a Cooxupé é líder brasileira nas exportações de café tipo arábica, segundo ranking do Cecafé - Conselho dos Exportadores de Café do Brasil. Presença global e novos mercados A atuação internacional inclui agendas estratégicas no exterior. A cooperativa por exemplo em novembro de 2025, esteve presente na China International Import Expo (CIIE), realizada em Xangai, uma das principais vitrines globais para importadores, reforçando a presença brasileira em um mercado em expansão no consumo de café. Avanço nos cafés especiais No segmento de cafés especiais, a atuação da SMC Speciality Coffees, empresa controlada pela Cooxupé, amplia a inserção da cooperativa no mercado de cafés especiais. Em 2025, somente a SMC registrou embarque total de 192,7 mil sacas, sendo 167,9 mil destinadas ao mercado externo, para 24 países. Entre os principais destinos estão Estados Unidos, Países Baixos, Suíça, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul. A estratégia inclui a intensificação do relacionamento com compradores e presença constante em eventos do setor, ampliando a visibilidade dos cafés especiais no mercado internacional. Cafés especiais produzidos pelos cooperados da Cooxupé alcançam países por meio da SMC, a casa de cafés diferenciados controlada pela cooperativa Crédito: Divulgação. Qualidade como estratégia de mercado Os resultados também se refletem no aumento da qualidade e na valorização dos cafés. Programas como o “Especialíssimo” e o “Donas do Café” têm impulsionado a produção de lotes diferenciados, ampliando a oferta de cafés com padrão sensorial elevado e rastreabilidade, atributos cada vez mais demandados no mercado internacional. Criado para valorizar a produção de cafés especiais entre os cooperados, o Especialíssimo reconhece os melhores lotes de cada safra e acompanha o crescimento da qualidade ao longo dos anos. “A cada edição, somos surpreendidos com o avanço da produção de cafés de qualidade dos nossos cooperados”, diz o vice-presidente da cooperativa, Osvaldo Bachião Filho. Já o projeto “Donas do Café” tem ampliado a participação feminina na produção de cafés especiais e contribuído para a geração de microlotes diferenciados, com maior valor agregado e aceitação em mercados internacionais. O presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, destaca o impacto dessas iniciativas. “Quando atuamos de forma conjunta, conseguimos ampliar nossa presença nos mercados mais exigentes”, afirma. Processo de classificação do café define padrão de qualidade da bebida para formação dos blends encaminhados ao mercado internacional Crédito: Divulgação. Estrutura para competir no mercado global A estrutura operacional é um dos pilares da atuação internacional da cooperativa. Com unidades distribuídas em regiões estratégicas, armazéns e um sistema logístico integrado, a Cooxupé garante padronização, escala e eficiência, fatores determinantes para manter competitividade tanto no mercado de commodities quanto no de cafés especiais. Combinando volume, diversidade de oferta e presença internacional, a cooperativa se posiciona como um dos principais elos entre a produção cafeeira brasileira e o mercado global.
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca dois dias antes do anúncio de Washington sobre PCC e CV Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas repercutiu na imprensa internacional. Em comunicado publicado nesta quinta-feira (28/5), o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que CV e PCC "são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil" e que elas serão designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho. O anúncio ocorre dois dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, e na mesma semana em que ele pediu que o presidente Donald Trump designasse as facções brasileiras como organizações terroristas, durante encontro na Casa Branca. "Após nova pressão dos Bolsonaros, EUA classificam gangues brasileiras como grupos terroristas", foi a manchete do The New York Times para uma reportagem sobre o assunto. Segundo o jornal, a decisão dos EUA foi tomada após "meses de lobby agressivo dos filhos do ex-presidente preso, Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump". "A medida surge poucos dias depois de dois dos filhos de Bolsonaro, um dos quais planeja se candidatar à presidência ainda este ano, terem visitado Trump na Casa Branca." O jornal americano afirmou que a decisão americana "ameaça trazer tensão novamente às relações entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental, que só recentemente começaram a reparar suas relações". "Isso gerou preocupação entre autoridades brasileiras de que os EUA possam estar tentando influenciar as próximas eleições, ajudando um novo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que desafiará nas eleições de outubro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, a quem acusa de ser leniente com o crime." Governo Trump declara PCC e CV como organizações terroristas: o que pode acontecer agora? O jornal afirma que o governo Trump já designou mais de uma dúzia de gangues latino-americanas como organizações terroristas, dando poderes extras de sanções econômicas contra grupos ou entidades ligadas a essas gangues. "A designação pelos EUA pode causar grandes dores de cabeça para o setor bancário, pois pode permitir que os EUA imponham sanções a instituições brasileiras que possam ter feito negócios com as quadrilhas", afirma a reportagem do The New York Times. "Especialistas afirmam que isso representa um risco significativo, pois as quadrilhas brasileiras conseguiram se infiltrar na economia formal, acumulando participações na distribuição de gás, no mercado imobiliário, em commodities e em criptomoedas. Isso deixa as instituições financeiras brasileiras vulneráveis." Jornal americano New York Times destacou pressão da família Bolsonaro na decisão de Washington Reprodução O jornal financeiro Financial Times também destacou que o anúncio foi feito após visita de Flávio Bolsonaro a Trump esta semana. "Embora Washington já estivesse considerando a mudança há pelo menos um ano, o momento escolhido [para a decisão] dará um impulso ao senador de 45 anos, conhecido por sua postura firme em relação à lei e à ordem", disse reportagem do jornal britânico. "O governo Lula resistia à medida, argumentando que os grupos não perseguem objetivos ideológicos e que a designação poderia levar a uma intervenção militar dos EUA no Brasil." O Financial Times afirma que "embora já estivesse em andamento uma reaproximação entre os governos [Trump e Lula], como evidenciado pela visita de Lula a Washington no início deste mês, a medida de quinta-feira pode pôr em risco esse progresso". O que se sabe sobre a designação de CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA A rede Al Jazeera, do Catar, disse que "desde que retornou à Casa Branca para um segundo mandato, Trump tem buscado a designação de 'terroristas' para diversas redes criminosas latino-americanas". "Esses esforços têm sido criticados como um pretexto para expandir a influência militar dos EUA no Hemisfério Ocidental, como parte da 'Doutrina Donroe' de Trump, sua versão da política expansionista do século 19 conhecida como Doutrina Monroe." A Al Jazeera também disse que a decisão de Washington "provavelmente vai causar repercussões na política" brasileira, em especial na eleição. "Trump já interveio na política brasileira em favor da família Bolsonaro. No ano passado, ele aumentou as tarifas de importação do Brasil para quase 50% em um ato de solidariedade ao pai de Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro", diz a reportagem. "Assim como Trump, Jair Bolsonaro foi indiciado por tentativa de subversão da democracia após sua derrota nas eleições de 2022. Apesar dos apelos de Trump para que o processo contra Bolsonaro fosse encerrado, o ex-presidente acabou sendo condenado a 27 anos de prisão." A rede francesa France24 afirmou em reportagem que "países como o México e o Brasil, com líderes de centro-esquerda, têm se manifestado veementemente contra as designações [de quadrilhas criminosas como terroristas], enquanto outros, como o Equador e Honduras, governados por governos de direita, as apoiaram." Do ponto de vista político, a designação de terrorista é uma clara afronta a Lula, que saiu de uma reunião presencial com Trump em Washington no início deste mês "'muito satisfeito'", afirma a reportagem da France24. LEIA TAMBÉM: Classificação dos EUA sobre CV e PCC pode ameaçar soberania e impactar empresas brasileiras, dizem especialistas Com designação dos EUA, PCC e CV se juntam a Estado Islâmico, Al-Qaeda e Hamas em lista de terroristas PCC e CV em lista terrorista: Brasil pode ser invadido pelos EUA, como aconteceu com a Venezuela? Entenda
Classificação de CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA vira armadilha eleitoral O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ter pedido a Donald Trump, em encontro na terça-feira (26/5), que os Estados Unidos classifiquem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Três semanas antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Washington e tentou, entre outras coisas, evitar esse movimento, segundo interlocutores de seu governo. Para estudiosos, facções como o PCC e o Comando Vermelho são criminosas, porque agem por interesses econômicos, sem qualquer motivação ideológica, diferentemente das organizações terroristas. Mas Trump tem contestado essa distinção, a exemplo do que fez no México, com os cartéis, no ano passado. Caso o republicano adote a mesma medida no Brasil, os Estados Unidos poderiam lançar mão de instrumentos jurídicos, financeiros, diplomáticos e militares na tentativa de ampliar sua influência sobre Brasília e, de alguma forma, sobre as eleições, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Isso porque o simples cenário de incerteza sobre uma eventual adesão de Trump ao pedido de Flávio já seria capaz de gerar instabilidade, afirmam especialistas — o que, em última análise, poderia desgastar Lula. O que Trump poderia fazer contra o Brasil? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Os analistas consideram improvável uma intervenção militar nos moldes da que foi feita na Venezuela em janeiro para depor Nicolás Maduro. Ainda assim, afirmam que haveria formas menos explícitas de pressionar as facções e, por consequência, o governo brasileiro. Trump poderia valer-se, por exemplo, das leis RICO (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act) e Kingpin (Foreign Narcotics Kingpin Designation Act). A RICO (Lei sobre Organizações Influenciadas por Atividades Criminosas e Corruptas) foi criada para combater a máfia americana, mas permite processar organizações envolvidas nos chamados crimes continuados — aqueles que não se esgotam em um ato, mas persistem ao longo do tempo, como corrupção, lavagem de dinheiro, extorsão e tráfico. Já a Kingpin Act (Lei de Designação de Chefes do Narcotráfico Estrangeiro) é voltada ao narcotráfico internacional. Ela autoriza o governo a perseguir traficantes, carteis e seus facilitadores financeiros, bloqueando bens, transações e acesso ao sistema bancário americano. Ambas são profundamente reguladas e exigem investigação formal, produção de provas e revisão judicial para que suas sanções sejam de fato aplicadas. No entanto, quando um grupo passa a ser classificado como terrorista — ou um país é visto como abrigo dessas organizações —, as autoridades americanas ganham margem mais ampla de atuação. Isso porque o tema passa a ser tratado como uma ameaça à segurança nacional. Esses instrumentos se assemelham à Lei Magnitsky, que impõe sanções financeiras a acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Foi ela que, no ano passado, Trump usou contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dificultando sua relação com o sistema financeiro americano. Na visão do professor Carlos Gustavo Poggio, especialista em política externa americana para a América Latina, não é impossível imaginar que Trump possa recorrer a alguma dessas leis para impor sanções a bancos brasileiros, por exemplo. Afinal, mesmo que indiretamente e até sem saber, muitos deles mantêm relações financeiras ou comerciais que podem cruzar, em algum nível, com integrantes do PCC e do Comando Vermelho. É nesse mesmo sentido, diz Poggio, que civis também poderiam ser prejudicados. "Muitas pessoas que moram em comunidades, por exemplo, podem ter relação com alguma empresa que tem ligação com o Comando Vermelho sem nem saber disso e estariam sujeitas a sanções", explica o professor, que vive nos Estados Unidos e realizou seu pós-doutorado na Universidade Georgetown, em Washington. Essas sanções poderiam incluir, entre outras medidas, restrições para que empresas americanas como Visa e Mastercard mantenham relações com brasileiros, o que poderia asfixiar a vida financeira do país mesmo sem uso de força militar. Outra consequência seria que o enfrentamento às facções poderia se tornar mais difícil, sobretudo no que diz respeito às suas atuações internacionais — algo para o qual o Brasil conta com a ajuda de instituições estrangeiras como o FBI, a polícia federal americana. "Se o Brasil define PCC e CV como organizações criminosas e os Estados Unidos diz que elas são terroristas, há uma discordância. A partir disso, instituições como o FBI deixariam de cooperar com o Brasil, até porque isso passaria a ser um assunto da CIA, que age de forma secreta", ele explica, citando a agência de inteligência estrangeira americana. LEIA TAMBÉM EUA e Irã chegam a acordo, mas falta aprovação final de Trump Copa do Mundo: EUA, México e Canadá anunciam medidas de viagem para conter risco de contágio pelo Ebola Governo Trump pressiona por criação de nota de US$ 250 com o rosto do presidente, diz jornal Globopop: clique para ver vídeos do palco do g1 Quais são as chances reais de retaliações? Foto de Flávio sentado com Trump na Casa Branca foi criada com IA Reprodução O professor Carlos Gustavo Poggio considera todas essas possibilidades de retaliação improváveis, mesmo que Trump atenda ao pedido de Flávio para classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Leonardo Trevisan, também professor de relações internacionais, faz a mesma avaliação. Ele considera que, embora Trump seja imprevisível, não seria viável adotar uma postura tão agressiva contra o Brasil, sobretudo diante da experiência do "tarifaço", que gerou prejuízos ao governo americano. "Não estou falando somente de exportação de café ou de commodities, mas de toda a cadeia produtiva integrada entre Brasil e Estados Unidos. Há centenas de empresas que atuam em parceria nos dois países, e não interessa ao governo americano ver essa relação econômica ser prejudicada", afirma. Trevisan é mestre em História Econômica e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado na Universidade de Londres. Para ele, essas medidas, embora possíveis, seriam tão disruptivas que é até difícil imaginar seus efeitos práticos. O caso do México é ilustrativo. Depois que Trump classificou os cartéis como terroristas, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum atendeu a parte das demandas de Washington — como a extradição de criminosos e o reforço da segurança nas fronteiras — e afastou rapidamente qualquer retaliação mais profunda. Para ilustrar seu argumento, Trevisan se lembra das ações recentes dos Estados Unidos contra Venezuela — com a prisão de Maduro — e Cuba — com o indiciamento do ex-presidente Raúl Castro por ter mandado, há 30 anos, derrubar um avião com três cidadãos americanos que morreram. "Em ambos os casos, não existe uma balança comercial comparável à que os Estados Unidos mantêm com o Brasil. No caso da Venezuela, o interesse americano sempre esteve ligado ao petróleo", diz. "Em relação a Cuba, há um componente eleitoral, principalmente por parte de Marco Rubio, secretário de Estado de Trump e um possível sucessor político. Rubio é descendente de cubanos e defende mudanças no regime", acrescenta. Poggio faz eco à Trevisan e avalia que ambos os ataques serviram mais para gerar um espetáculo e fidelizar os eleitores expatriados desses países que vivem nos Estados Unidos, mais numerosos e relevantes do que os brasileiros. "O eleitorado venezuelano e cubano que vive na Flórida é extremamente contra seus próprios países. Muitas dessas famílias fugiram da ditadura e nutrem uma enorme simpatia pelo governo dos Estados Unidos. Tanto que o secretário da Justiça fez o anúncio do indiciamento de Castro diante de uma plateia de cubanos, que o aplaudiram", conta. "A comunidade brasileira nos Estados Unidos não tem influência política, então o Brasil não tem a mesma relevância internamente", finaliza o professor.
Celular mostra ofertas de especulação sobre esportes na Polymarket AP Photo/Jenny Kane Um funcionário do Google lucrou US$ 1,2 milhão no site de especulações Polymarket ao acertar quem seria a pessoa mais buscada do ano. O segredo: uso indevido de informações privilegiadas. Ele está sendo acusado nos Estados Unidos por cometer fraude eletrônica, fraude de commodities e lavagem de dinheiro. O processo foi aberto na quarta-feira (27) pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York e pelo FBI. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O italiano Michele Spagnuolo é engenheiro de software no Google desde 2014. Com residência na Suíça, ele passou por audiência com uma juíza federal em Nova York. Os investigadores afirmam que Spagnuolo usou o seu acesso a um sistema interno do Google para acertar que o cantor americano D4vd seria a pessoa mais pesquisada no site em 2025, o que, de fato, aconteceu. Agora no g1 Por meio do apelido AlphaRacoon, o funcionário apostou US$ 2,5 milhões no nome de D4vd quando outros usuários ainda viam chances mínimas de o cantor aparecer no topo da lista, afirmaram as autoridades. Como engenheiro de software do Google, Spagnuolo usou seu acesso a dados internos de sistemas da empresa para definir sua especulação no Polymarket, um dos maiores sites de mercados de previsão. ❓ Um mercado de previsão é uma plataforma de compra e venda de contratos baseados em palpites sobre eventos futuros. Cada contrato tem um preço baseado na chance de o evento acontecer e paga um valor caso ele se concretize. Quanto menor a probabilidade, menor o preço e maior o retorno para quem acertar. O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que têm irritado bets esportivas no Brasil A plataforma do Google tem alertas de que as informações são privadas, e o funcionário teve que concordar com políticas de confidencialidade da empresa. Ainda assim, fez apostas de outubro a dezembro de 2025, segundo a investigação. O lucro indevido veio em 4 de dezembro, quando o Google publicou suas listas com os principais temas do ano em suas buscas. Segundo a ação, após receber o dinheiro pela especulação, Spagnuolo tomou medidas para ocultar o uso ilegal de informações particulares e a origem de seus lucros ilícitos. "As acusações reforçam uma mensagem de décadas: executivos de empresas não podem usar informações confidenciais para obter lucro em nossos mercados", disse Jay Clayton, procurador federal para o Distrito Sul de Nova York. Esta não é a primeira polêmica envolvendo o uso de informações privilegiadas para faturar em mercados de previsão. Um investidor anônimo ganhou R$ 2 milhões em janeiro por apostar na derrubada de Nicolás Maduro. O lucro foi alto porque o contrato foi feito antes mesmo da divulgação da operação militar dos EUA que levou a prisão do então presidente venezuelano. Com preocupações sobre o uso de informações privilegiadas para apostar em eventos futuros, a Casa Branca orientou funcionários a não usarem discussões internas para especularem nas plataformas.
EP Agro Summit em Piracicaba reúne produtores e especialistas para debater futuro do agro O primeiro dia do EP Agro Summit 2026, nesta quarta-feira (27), em Piracicaba (SP), reuniu produtores rurais, especialistas e lideranças para debater as tendências e os desafios do setor. Com o tema "O Novo Agro é Agora", o encontro abordou a necessidade de equilibrar legado e inovação em um cenário de transformação global. Com 14 horas de programação e 30 palestras, o evento busca conectar teoria e prática em assuntos como agricultura 5.0, sustentabilidade e uso de dados para a tomada de decisão. O EP Agro Summit continua nesta quinta-feira (28), com transmissão ao vivo pelo g1, a partir das 8h. Para a produtora rural e palestrante Luciana Dalmagro, o conceito de "Novo Agro" passa por um balanço entre a tradição e as novas tecnologias. "Quando a gente fala 'Novo Agro', a gente faz um equilíbrio muito grande entre legado e inovação, passando por sucessão, por diferenciação, por sucessão familiar e comunicação", afirmou. EP Agro Summit 2026: primeiro dia de palestras e debates em Piracicaba (SP), nesta quarta-feira (27) Reprodução/EPTV Horizonte de oportunidades Em um cenário de crise internacional, com guerras e incertezas sobre insumos, o planejamento se torna ainda mais crucial. "Como é que a gente decide agora? Esse é o momento de decisão. E a gestão de riscos e o planejamento, a governança, eles ajudam muito nesse sentido", destacou Roberta Paffaro, especialista em gestão de risco em commodities agrícolas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Apesar dos desafios, o futuro reserva oportunidades para o Brasil, segundo Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV. "Guerras, insegurança, incerteza sobre insumos, fertilizantes, combustível, tudo isso cria uma agenda muito pior. Quando isso passar, e vai passar, nós vamos ter um horizonte fantástico para três áreas: segurança alimentar, energética e a questão das terras raras", avaliou Rodrigues. Um evento para o setor Iniciativa do Grupo EP, o evento foi elogiado por reunir diferentes elos da cadeia produtiva. "Não tem tantos eventos para discutir os grandes temas nacionais e reunir gente do setor, desde produtores a executivos. Então, é de uma relevância enorme", disse Sílvio Passos, presidente do conselho da Agroven. Para André Coutinho Nogueira, co-presidente do Grupo EP, a realização do EP Agro Summit é uma escolha natural. "Se a gente fosse considerar a área da EPTV, nós somos o quarto maior potencial de consumo do Brasil e com muitas verticais do agronegócio. Nos orgulha muito, e a gente fica muito animado de fazer esse evento um evento perene, que ele aconteça todo ano", afirmou. EP Agro Summit 2026: primeiro dia de palestras e debates em Piracicaba (SP), nesta quarta-feira (27) Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba
Algumas moedas caíram, outras se mantiveram estáveis e algumas se mostraram mais resistentes - como o yuan chinês - durante a guerra do Irã. Getty Images Quando a guerra dos EUA e Israel com o Irã eclodiu no fim de fevereiro, não foi apenas o Oriente Médio que sentiu as consequências. À medida que o conflito interrompeu o transporte comercial e o fluxo de mercadorias em todo o mundo, os preços do petróleo subiram, elevando a inflação e abalando os mercados globais. Como costuma acontecer em tempos de incerteza, alguns investidores se afastaram de investimentos potencialmente mais arriscados em mercados emergentes, colocando seu dinheiro no dólar americano, que é tradicionalmente visto como um porto seguro. Isso teve impacto sobre muitas moedas — algumas despencaram em valor, enquanto outras se mostraram mais voláteis e algumas até se valorizaram. Embora o preço do petróleo "afete a todos… as flutuações cambiais podem amplificar ou amortecer esse efeito", diz o economista André Perfeito, da consultoria APCE. Então, quando combinadas com outros fatores que também afetam a economia, o que essas flutuações cambiais significam para diferentes países e seus cidadãos? Com alta do petróleo, mercado financeiro passa a projetar inflação acima de 5% neste ano Os mais atingidos O valor da moeda pode afetar o preço de itens do dia a dia, como alimentos Bloomberg via Getty Images Países que importam grande parte de sua energia, especialmente petróleo, estão entre aqueles cujas moedas sofreram pressão. Eles incluem Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Egito, que enfrentaram novas pressões decorrentes do aumento dos custos de combustível e da persistente escassez de divisas. À medida que os investidores transferiram dinheiro para dólares americanos, a demanda por essas moedas caiu e seu valor enfraqueceu, o que, por sua vez, elevou o custo do pagamento da dívida emitida em dólares. O petróleo e outros produtos — que foram afetados pelo bloqueio do transporte no estreito de Ormuz — também são geralmente cotados em dólares. À medida que uma moeda perde valor, as importações se tornam relativamente mais caras, afetando tudo, desde energia até plásticos e fertilizantes. Isso impacta o preço de alimentos e itens do dia a dia nas lojas. Na Índia, a rupia caiu cerca de 5% em relação ao dólar americano desde o início da guerra e atingiu repetidas mínimas recordes com a subida dos preços do petróleo. A moeda indiana já estava enfraquecendo antes do conflito, e o impacto da guerra intensificou essa tendência. Alguns bancos centrais responderam aumentando as taxas de juros e vendendo algumas de suas reservas de dólares americanos para sustentar o valor de suas moedas. O Banco da Indonésia tomou essas duas medidas, vendendo repetidamente dólares e comprando sua própria moeda, a rupia indonésia, para aumentar a demanda por ela. Quando as taxas de juros sobem, isso significa que as pessoas obtêm um maior retorno sobre suas economias, mas isso também significa maiores pagamentos de dívidas, como empréstimos e prestações de imóveis. Volátil e com tendência de alta O rublo russo tem sido uma das moedas com melhor desempenho em relação ao dólar americano desde o início da guerra com o Irã, em grande parte porque a Rússia é um grande produtor de petróleo Bloomberg via Getty Images Outro grupo de moedas tem sido mais volátil, com fortes oscilações em ambas as direções. Países como África do Sul, Colômbia, Chile e México se enquadram nessa categoria. Essas moedas frequentemente reagem de forma intensa ao humor do mercado global: enfraquecem quando investidores buscam refúgios seguros como o dólar, mas podem se recuperar rapidamente quando os preços das commodities sobem ou o apetite por risco retorna. Alguns exportadores de energia, incluindo Brasil e Malásia, se beneficiaram parcialmente dos preços mais altos do petróleo, que aumentaram as receitas de exportação e sustentaram o interesse dos investidores. Bancos, incluindo Goldman Sachs e Bank of America, destacaram a forte demanda por títulos do governo brasileiro e ações de empresas em relatórios para clientes em abril. O Goldman Sachs aponta o Brasil como sua principal escolha de mercado emergente. No entanto, Martín Castellano, chefe de pesquisa da América Latina no Institute of International Finance, diz que os preços mais altos da energia podem aumentar a inflação no Brasil, atrasando os cortes nas taxas de juros e afetando os fluxos de capital. O Brasil também importa produtos refinados, como gasolina e diesel, elevando os custos de combustível no país. O real brasileiro se fortaleceu em parte devido aos preços mais altos do petróleo Getty Images Além disso, a incerteza política antes da eleição presidencial de outubro “aumentará o prêmio de risco sobre a taxa de câmbio”, escreveu a economista da XP Luiza Pinese em um relatório recente. Um grupo distinto de moedas permaneceu mais resiliente por diferentes razões. A moeda chinesa permaneceu relativamente estável, sustentada em parte por controles de capital e intervenções políticas que limitam flutuações bruscas. Isso inclui restrições à entrada e saída de dinheiro do país e intervenções diretas do banco central para administrar de perto a taxa de câmbio do yuan. O rublo russo, uma das moedas de melhor desempenho em relação ao dólar desde o início da guerra do Irã, também tem sido sustentado por altas receitas de energia e rígidos controles de capital, incluindo medidas que exigem que os exportadores convertam os lucros estrangeiros em rublos e limitem o fluxo de dinheiro para fora do país. E as economias desenvolvidas? O dólar australiano tem sido menos volátil, em grande parte porque a Austrália é um grande exportador de commodities, particularmente de minério de ferro Bloomberg via Getty Images Moedas tradicionalmente consideradas portos seguros se fortaleceram no início da crise, à medida que investidores buscavam segurança. O dólar americano e o franco suíço atingiram picos antes de recuarem para níveis semelhantes aos vistos antes da guerra. Moedas ligadas ao petróleo, como a coroa norueguesa, receberam impulso significativo com a alta dos preços do petróleo bruto. O iene japonês, no entanto, não se comportou como uma moeda típica de porto seguro e enfraqueceu, em parte porque o Japão depende muito da energia importada. Os dólares canadense e australiano também se beneficiaram de preços mais fortes das commodities que seus países exportam, como petróleo bruto, gás, metais, minério de ferro e carvão, embora as preocupações com o crescimento global e as tensões comerciais tenham limitado esses ganhos. O euro e a libra esterlina também tiveram seus próprios surtos de volatilidade, impulsionados por preocupações com os custos mais altos de energia, a inflação persistente e a desaceleração do crescimento em toda a Europa. O que acontece agora? Economistas dizem que, embora os ataques aéreos iniciais ao Irã tenham levado os investidores a ativos mais seguros e fortalecido o dólar, a moeda americana enfraqueceu desde então, o que poderia ajudar os mercados emergentes. “Um dólar mais fraco normalmente significa condições monetárias mais fáceis, mais espaço para cortes nas taxas de juros nos países em desenvolvimento e menor aversão ao risco — tudo favorável aos mercados emergentes”, dizem economistas da empresa de investimentos global britânica AllianceBernstein em um relatório recente. Eles acrescentaram que o papel do dólar permanece central, já que grande parte da dívida das economias emergentes é emprestada em dólares americanos e as principais commodities também são cotadas em dólares, o que significa que um dólar mais fraco tende a melhorar suas perspectivas. No entanto, o FMI alertou em abril que as interrupções contínuas da guerra do Irã estão empurrando a economia global para seu cenário “adverso”, marcado por uma combinação de crescimento fraco e inflação mais alta. Nesse cenário — onde os preços do petróleo permanecem altos, a inflação se torna menos estável e as condições financeiras se tornam mais restritivas — o crescimento global pode cair para 2,5% com a inflação subindo para 5,4%, em comparação com a previsão atual do fundo de 3,1% com 4,4% de inflação. O FMI também traçou um cenário mais severo, no qual o crescimento global cai para 2% e a inflação ultrapassa 6%. Espera-se que o FMI atualize suas previsões novamente em julho. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).