Porto mais ágil é crucial para o futuro de Santos

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O futuro do Porto de Santos passa pela ampliação da capacidade operacional, pela redução da burocracia e pela formação de profissionais preparados para um setor cada vez mais tecnológico. realizado no auditório do Parque Tecnológico de Santos, na Vila Nova.
Durante o encontro, representantes do setor portuário, do poder público, da inovação e do Grupo Tribuna discutiram os desafios que envolvem o crescimento do complexo santista e seus impactos na Cidade, na economia e no mercado de trabalho.
Para o CEO da Brasil Terminal Portuário, Cláudio Oliveira, destravar investimentos é uma das medidas mais urgentes para garantir competitividade ao Porto. Segundo ele, o excesso de etapas e a demora nos processos acabam impactando diretamente o desenvolvimento do setor.
“Talvez o setor portuário e logístico brasileiro precisasse ter uma espécie de Poupatempo, algo que facilite o trâmite, porque é complicado para a gente”, afirmou.
Oliveira também destacou que a demora na ampliação da capacidade portuária pode levar armadores a buscarem outras alternativas. Para ele, esse movimento traria prejuízos não apenas ao Porto, mas também à Cidade e aos trabalhadores.
Um dos exemplos citados foi o Tecon Santos 10, terminal de contêineres previsto para o cais do Saboó. O projeto, considerado estratégico para o aumento da capacidade do complexo, ainda passa por análises e discussões enquanto o Porto opera próximo ao seu limite.
“Se tudo correr bem, e ainda não sabemos quando isso vai acontecer, levará cinco anos para esse terminal estar operando 100%. Ele já vai nascer, provavelmente, com a capacidade tomada. Quando ficar definido o ganhador do Tecon Santos 10 e for assinado o contrato, temos que imediatamente pensar no próximo terminal”, avaliou.
Infraestrutura e planejamento
A necessidade de antecipar soluções também foi defendida pelo deputado federal Paulo Alexandre Barbosa. Ele citou a futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes como exemplo de obra importante, mas que já exige planejamento para etapas seguintes.
“Estamos falando de uma obra que vai terminar depois de 2030. Pensando no futuro e sabendo que todos os anos o Porto bate recordes, quando ela for finalizada, vamos ter necessidade da quarta conexão”, afirmou.
A discussão reforçou que o crescimento do Porto precisa estar conectado a investimentos em infraestrutura, mobilidade, logística e planejamento urbano. A avaliação dos participantes é que Santos precisa se preparar para os próximos anos com uma visão integrada, capaz de acompanhar o ritmo de expansão das operações portuárias.
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Qualificação profissional
Outro ponto central do debate foi a formação do trabalhador do futuro. Em um cenário marcado por inteligência artificial, automação e novas tecnologias, os participantes defenderam que a qualificação precisa acompanhar as transformações do setor.
O secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi, destacou que a tecnologia impacta diretamente as relações de trabalho. Segundo ele, o avanço tecnológico pode alterar funções existentes, mas também criar novas oportunidades.
“Isso impacta na relação de trabalho e tem que ser acompanhado, de fato, de uma transição e uma qualificação. Existe a manutenção de alguns empregos e funções específicas, mas também a criação de outros postos”, disse.
Orlandi citou como exemplo a parceria entre a Prefeitura de Santos e a Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos, da Autoridade Portuária de Santos. A iniciativa resultou na criação de cursos voltados a demandas específicas do setor.
“Desenvolvemos um curso de mecânica portuária, demanda necessária da área. Fechamos a primeira turma e estamos abrindo a segunda, além da primeira de eletricistas no setor”, explicou.
Para o secretário, além de preparar trabalhadores para as funções atuais, também é necessário pensar nas profissões que ainda serão criadas. Nesse processo, o Parque Tecnológico de Santos foi citado como um espaço estratégico para desenvolver talentos ligados à inovação e à tecnologia.
Transformação exige integração
O supervisor de Transformação Digital do Porto de Santos, Rogério Saran, afirmou que as mudanças necessárias para o futuro do Porto e da Cidade dependem da participação de pessoas de diferentes segmentos.
Segundo ele, é preciso estimular uma cultura de colaboração e tirar os profissionais da zona de conforto.
“Todo mundo vai ter que sair do seu cantinho, olhar para o lado, se expor e interagir. Antes dos futuros profissionais, muitos ainda no Ensino Fundamental 1, por exemplo, temos um trabalho de aprimoramento na cabeça de todos que já trabalham nesse ambiente”, afirmou.
Para Saran, a transformação não acontece apenas por meio da tecnologia, mas principalmente pela mudança de postura dos envolvidos.
“Temos que ser inconformados. Não pode haver o conforto de tocar as coisas do jeito que estão sendo tocadas hoje. O Porto e a Cidade somos nós, as pessoas. A mudança acontece delas. Isso tem uma pressão impossível de ser contida. Vai melhorar se a comunidade participar”, destacou.
Inovação e território educador
Além do Parque Tecnológico de Santos, o Hub de Inovação Armazém 7, inaugurado em maio no Parque Valongo e gerido pelo Instituto Presbiteriano Mackenzie, também foi apontado como parte importante desse processo de integração entre Porto, Cidade, educação e inovação.
O diretor de Administração do Instituto Presbiteriano Mackenzie, Eduardo Abrunhosa, afirmou que o hub tem papel relevante na construção de um território educador, conectando o cais com a Cidade e estimulando novas formas de pensar o desenvolvimento urbano e portuário.
“Ele também é de inovação. É a construção de um território educador, conectando o cais com a Cidade, discutindo interação e integração urbana, mas com um eixo profundo. Temos que investigar e trazer as respostas do que acontece ao redor”, comentou.
Santos 500+ aponta caminhos
Com a realização do último encontro, o projeto Santos 500+ encerrou uma série de debates voltados ao futuro da Cidade. Ao longo da programação, foram discutidos temas como demografia, mercado de trabalho, mudanças climáticas, mobilidade urbana, desenvolvimento urbano, verticalização e Porto.
Para a gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, os encontros ajudaram a reunir pistas sobre o que precisa ser feito agora para que Santos siga crescendo com qualidade de vida, desenvolvimento econômico e melhores condições para a população.
“Principalmente se entendermos que, sim, seremos uma população com mais pessoas idosas, impactada cada vez mais pelas mudanças climáticas e eventos extremos, com prédios mais altos e desafios de mobilidade urbana”, afirmou.
Segundo ela, o próximo passo é transformar os debates em respostas mais assertivas para o curto, médio e longo prazos.
“Todas as interfaces são conhecidas mas, agora, é preciso pensar em políticas públicas que deem respostas mais assertivas e eficientes. Há muito trabalho pela frente, e fico bem feliz de termos conseguido reunir um time bom de especialistas e gestores para debater essas questões”, avaliou.
O diretor de Negócios do Grupo Tribuna, Demetrio Amono, destacou que o projeto reforça o papel do Grupo em fomentar discussões estratégicas para o desenvolvimento regional.
“É nosso papel fomentar essa discussão e olhar para a frente. Os 500 anos de Santos estão batendo à porta, e precisávamos dessa discussão do que precisamos fazer para mitigar riscos e aproveitar as oportunidades para ter mais desenvolvimento sustentável”, afirmou. ...
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