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Estudantes da Unicamp se juntam a professores e encerram greve; servidores continuam paralisados

G1 (Globo)
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Estudantes da Unicamp se juntam a professores e encerram greve; servidores continuam paralisados

Assembleia em Limeira foi realizada na noite desta sexta
Víctor Guglielmoni
Os estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmaram nesta sexta-feira (12) o encerramento da greve por políticas de permanência e moradia estudantil. A decisão foi tomada um dia após o Diretório Central dos Estudantes (DCE) conseguir avanços na negociação com a reitoria, com 95% das pautas aprovadas.
Ainda nesta quinta (11), os estudantes do campus de Campinas (SP) já tinham votado pelo fim da paralisação. O término deverá ser confirmado em cada curso gradativamente.
Porém, ainda faltava a concordância dos alunos de Limeira (SP), o que ocorreu em assembleia na noite desta sexta. No encontro, foram lidos os compromissos firmados pela reitoria da universidade e houve uma votação pelo encerramento, que foi aprovado de forma unânime.
"É um trabalho muito árduo, muito difícil, às vezes a gente se submete a algumas situações, mas no fim é recompensador. Hoje mesmo na assembleia a gente se emocionou em alguns momentos. Com certeza, foi uma vitória", comentou Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico de Limeira.
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O fim da greve dos estudantes acontece um dia depois dos professores também terem encerrado a paralisação após aprovarem a proposta de reajuste salarial de 3,92% negociada entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis.
🔎 O Fórum das Seis é uma união sindical e estudantil que reúne representantes das três universidades estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp) e do Centro Paula Souza (Ceeteps).
Agora, apenas o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) permanece em greve e deve realizar uma nova assembleia na terça-feira (16). A reportagem solicitou e aguarda um posicionamento da instituição sobre o assunto.
Negociação
Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas
Reprodução/EPTV
Na noite desta quinta, os estudantes participaram de uma mesa de negociação. O DCE avaliou a reunião como "vitoriosa", após ter 95% das pautas contempladas nas propostas da Reitoria, e informou ao g1 que votou pelo encerramento da greve.
Na segunda-feira (8), os estudantes grevistas ocuparam ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA) afirmando que as propostas apresentadas pela reitoria na última mesa de negociação deixou de fora pontos centrais de suas demandas.
A instituição havia dito em nota que lamentava a ocupação, afirmando que "atos reivindicatórios não devem obstruir o direito de ir e vir", e que a interrupção das atividades na DGA "prejudica o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, de bolsas e de auxílios estudantis".
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O que propõe a Unicamp aos estudantes?
Trabalhadores bloqueiam entrada do campus da Unicamp para manifestação
A reitoria da Unicamp apresentou uma lista de compromissos ao movimento estudantil após uma mesa de negociação realizada na terça-feira (2). As propostas foram apresentadas 25 dias após o início das paralisações dos cursos do campus de Campinas (SP).
Entre as propostas, estão:
Permanência e Moradia Estudantil:
Investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira;
Constituição de grupo de trabalho para discutir alternativas de moradia estudantil em Limeira;
Aperfeiçoamento das discussões relativas às bolsas e aos auxílios de permanência.
Mobilidade, Infraestrutura e Convivência:
Ações voltadas ao aprimoramento do transporte estudantil e da mobilidade entre campi;
Circular externo aos fim de semana no campus de Limeira;
Ampliação e qualificação de espaços destinados à convivência, representação estudantil e atividades comunitárias;
Continuidade dos investimentos em infraestrutura, acessibilidade e mais servidores.
Acolhimento, Inclusão e Apoio Estudantil:
Ampliação das equipes de apoio psicossocial;
Reforço das estruturas de acolhimento, enfrentamento às violências e promoção da inclusão;
Instituição de mecanismos de acompanhamento voltados às políticas de diversidade, acessibilidade e permanência.
Programas e Participação Estudantil:
Constituição de grupos de trabalho para o aperfeiçoamento dos programas ProFIS e ProFIIVI;
Possibilidade de acúmulo de auxílios moradia e bolsas de estágio;
Avanço das discussões relacionadas à representação estudantil e ao acompanhamento das políticas de permanência.
"Os compromissos assumidos foram definidos a partir de cuidadosa avaliação de sua viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária, buscando assegurar que possam ser efetivamente implementados e sustentados ao longo do tempo", afirmou a Unicamp.
Quais as principais reinvindicações dos estudantes?
O movimento estudantil afirma que a greve busca "dignidade para morar, estudar e trabalhar". Entre as principais reinvindicações, estão:
bolsas e ações para garantir permanência;
melhorias no transporte dentro e entre os campi;
acesso a serviços de saúde especializada e mental;
implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas);
espaço físico para centros acadêmicos e diretórios
fim da terceirização de serviços;
contra a autarquização do Hospital de Clínicas.
Segundo o DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil e políticas de permanência.
Estopim da greve
Manifestantes protestam em rotatória na entrada da Unicamp, Campinas
Johnny Inselsperger/EPTV
A greve foi motivada pela falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada no dia 4 de maio.
🔎 O Cruesp é formado pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp.
"A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp dessa última segunda-feira. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado [...] percebemos, então, a necessidade de fazer uma movimentação um pouco maior", afirmou Guglielmoni.
📅 O movimento de greve começou de forma escalonada. O campus de Limeira (SP) entrou em greve ainda no dia 5 de maio, enquanto cursos de Campinas passaram a aderir a partir do dia 8. A greve geral da universidade foi aprovada posteriormente, em 18 de maio.
➡ De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), todos os cursos aderiram ao movimento com exceção da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (SP). Na última quarta-feira (3), outros dois cursos deixaram a greve, mas o DCE não informou quais.
Fim da greve dos docentes
Os docentes da Unicamp, assim como os estudantes, estavam em greve desde o dia 18 de maio. De acordo com a ADunicamp, a categoria se comprometeu a reabrir as negociações no segundo semestre caso a arrecadação do ICMS paulista alcance a projeção de R$ 187,1 bilhões prevista pelo governo estadual.
Ainda de acordo com a categoria, tanto a Diretoria da ADunicamp como integrantes do Comando de Greve e docentes que participaram da assembleia avaliaram como "extremamente positiva e forte as ações conjuntas das três categorias da Universidade, coordenadas e decididas em comum pela ADunicamp, STU e DCE".
Além da recomposição salarial, a pauta unificada também reivindica decisões e ações mais amplas das reitorias e do Governo do Estado, como melhorias nas condições de trabalho e estudo, fortalecimento das políticas de permanência estudantil e ampliação do financiamento das universidades públicas paulistas.
VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas ...

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