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Enteado de Jaques Wagner é citado em investigação da PF sobre supostos repasses ligados ao Banco Master

G1 (Globo)
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Enteado de Jaques Wagner é citado em investigação da PF sobre supostos repasses ligados ao Banco Master

Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário do Meio Ambiente da Bahia (Sema)
Sema
O secretário do Meio Ambiente da Bahia (Sema), Eduardo Mendonça Sodré Martins, foi citado em documentos da investigação da Polícia Federal (PF) no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero, sobre um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionado ao Banco Master.
Eduardo é enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos alvos da operação. A TV Bahia procurou as assessorias de comunicação do Governo da Bahia e da Sema, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Advogado especializado em Direito Ambiental, Eduardo Mendonça Sodré Martins é graduado pela Universidade Católica do Salvador e possui pós-graduação em Direito e Legislação Ambiental pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
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Ele integrou a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre 2011 e 2018 e atuou como professor da Universidade Católica do Salvador, onde lecionou disciplinas ligadas ao Direito Ambiental, Urbanístico e aos Direitos Humanos e Ambientais.
Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero
Segundo documentos que embasaram a operação, obtidos pelo blog da Andréia Sadi, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da PKL One Participações S.A. em 17 de outubro de 2025, empresa dirigida por Andréa Lima Novaes, apontada pela PF como prima de Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master.
A PF afirma que o repasse teria sido precedido por cobranças feitas por Eduardo Sodré, a Augusto Ferreira Lima. Lima é gestor associado ao Banco Master e apontado como principal interlocutor privado do senador.
Em uma das mensagens citadas pela PF, enviada em 4 de setembro de 2025, Eduardo afirmou a Augusto: “Amanhã vence os boletos e são altos”.
A defesa de Augusto Lima afirmou, em nota, que as diligências realizadas pela Polícia Federal eram “desnecessárias”, porque ele está “há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração” (Leia a íntegra da nota mais abaixo).
Procurada pelo g1, a assessoria de comunicação de Jaques Wagner não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.
Para os investigadores, a operação entre a PKL One e a BN Financeira é um dos pontos centrais do eixo financeiro da apuração. A PF busca verificar se o pagamento tinha lastro em serviços efetivamente prestados ou se serviu para dar aparência legal a repasses indevidos.
Documento oficial que cita cobrança de Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima antes de repasse de R$ 3,5 milhões à BN Financeira.
Reprodução
Eduardo Sodré é identificado nos documentos como enteado de Jaques Wagner, filho de Guilherme Henrique Sodré Martins e pessoa vinculada à BN Financeira. A empresa é descrita pela PF como “pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner”.
Os documentos não detalham, no trecho analisado, qual seria a função formal de Eduardo na BN Financeira, como eventual cargo ou participação societária. A vinculação apontada pela PF aparece associada ao papel atribuído a ele nas cobranças de pagamentos e à identificação da empresa como parte do núcleo familiar do senador.
A PKL One, responsável pelo repasse à BN Financeira, é descrita pela PF como empresa vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima. A diretora da PKL One, Andréa Lima Novaes, é prima dele.
Na prática, a suspeita da PF envolve o seguinte fluxo: a PKL One, dirigida pela prima de Augusto Lima, transferiu valores para a BN Financeira, empresa que os investigadores vinculam a Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner. A apuração busca saber se houve prestação real de serviços ou se a operação foi usada para ocultar vantagens indevidas.
Os investigadores afirmam que a BN Financeira foi constituída como microempresa, com capital social reduzido e “aparente baixa capacidade operacional”, apesar de ter recebido valores expressivos. Para a PF, esse perfil reforça a necessidade de apurar se a empresa tinha estrutura compatível com os serviços alegadamente prestados.
A PF também afirma que Eduardo teve papel ativo nas cobranças dirigidas a Augusto, mencionando boletos, notas fiscais, documentos a serem assinados e providências necessárias à formalização de pagamentos.
Ainda conforme os documentos, Augusto Lima teria atribuído dificuldades para realizar pagamentos ao insucesso da operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília. Para os investigadores, a menção reforça a suspeita de que os pagamentos à BN Financeira poderiam estar relacionados a interesses empresariais do grupo investigado.
A investigação também cita planilhas encontradas no celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro associado ao núcleo do Banco Master.
Segundo a PF, os arquivos tinham registros de pagamentos a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido atribuído a Eduardo Sodré, em valores superiores a R$ 2,34 milhões.
No despacho que autorizou a operação, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras da BN Financeira. A medida foi adotada diante da suspeita de que a empresa teria funcionado como veículo formal para recepção e dissimulação de vantagens indevidas.
Nona fase da Operação Compliance Zero
Senador Jaques Wagner (PT)
Waldemir Barreto/Agência Senado
A Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. Relembre as fases anteriores da operação.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no apartamento de Jaques Wagner, que fica no bairro do Corredor da Vitória, um dos metros quadrados mais caros da capital baiana. A cantora Ivete Sangalo e o jogador de futebol Everton Ribeiro moram em prédios da região, que costumam ter teleféricos para que os moradores acessem a Baía de Todos-os-Santos e também marinas privativas.
Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno, ex-sócio de Daniel Vorcaro, alvo da PF e ligado a petistas da Bahia
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, cita um apartamento localizado em um condomínio de alto padrão localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador, como uma das supostas vantagens recebidas pelo senador Jaques Wagner (PT) em troca de atuação em favor de interesses ligados ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, o imóvel fica no empreendimento Poème Horto, na Rua da Sapucaia, em uma região de imóveis de luxo na capital baiana. A unidade mencionada nos autos é o apartamento 1702, avaliado em R$ 2,4 milhões.
Segundo informações obtidas pela TV Globo e que constam nos autos, o foco central desta fase é a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master.
Jaques Wagner nasceu no Rio de Janeiro, mas fez carreira política na Bahia, onde ocupou cargos de deputado federal e governador.
Sua iniciação na vida política teve origem no movimento estudantil, a partir de 1968. Ele foi presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Engenharia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro.
Em 1973, foi obrigado a abandonar o curso, para o qual nunca retornou, em razão de perseguições do regime militar. Mudou-se então para Salvador e começou a trabalhar no Polo de Camaçari, como técnico em manutenção.
Pouco tempo depois, já militava no meio sindical. De 1987 a 1989 foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindiquímica). Sua ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem dessa época. Ambos se conheceram em um congresso de petroleiros. Também foi um dos responsáveis pela organização da CUT (Central Única dos Trabalhadores) na Bahia.
Seu primeiro cargo eletivo foi em 1990, como deputado federal. Foi reeleito duas vezes (em 1994 e em 1998).
Wagner também ocupou o Ministério do Trabalho no governo Lula (entre janeiro de 2003 e janeiro de 2004) e foi ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Com a crise do "mensalão", em 2005, foi designado Ministro das Relações Institucionais.
Em 2006, Wagner foi eleito governador da Bahia. Ele cumpriu dois mandatos no cargo, entre os anos de 2007 e 2014.
Quando foi eleito governador pela primeira vez, em 2006, Jaques Wagner quebrou um ciclo de quatro mandatos consecutivos do Partido da Frente Liberal (PFL) à frente da Bahia. Ele chegou ao poder depois de derrotar seu principal concorrente na disputa, o então governador Paulo Souto (PFL), lançado à política pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) e que o havia derrotado quatro anos antes.
Jaques Wagner também foi ministro da Defesa entre janeiro e outubro de 2015 e, em seguida, assumiu a Casa Civil, cargo que ocupou até março de 2016, no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Ele também chegou a ser Ministro-Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência em 2016.
Nota da defesa de Augusto Lima
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública".
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Senador Jaques Wagner (PT-BA)
Andressa Anholete/Agência Senado
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