Turistas morrem carbonizados dentro de carro em incêndio florestal na Espanha

Carro é encontrado em meio a vegetação queimada em incêndio florestal na região de Almería, na Andaluzia, Espanha
Jon Nazca/Reuters
Quatro pessoas foram encontradas carbonizadas em um veículo em uma região afetada por incêndios florestais no sul da Espanha.
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Acredita-de que as vítimas sejam britânicas, já que o automóvel tinha o volante posicionado do lado direito, disse o chefe regional de gestão de desastres, Antonio Sanz.
No total, 12 mortes foram confirmadas. Outras oito pessoas foram encontradas espalhadas pelo rastro deixado pelo fogo, após aparentemente terem abandonado seus veículos e tentado escapar a pé.
Chamas de incêndio florestal avançam no distrito de Los Gallardos, em Almería, na Espanha, em 10 de julho de 2026
José Jordan/AFO
O incêndio começou na quinta-feira na região de Los Gallardos, uma área de relevo acidentado, repleta de ravinas e casas espalhadas, prendendo as pessoas que tentavam fugir, segundo as primeiras investigações.
Nessa região, a poucos quilômetros do quente Mediterrâneo andaluz e em meio ao relevo sinuoso de Almería, vivem muitos estrangeiros, atraídos pelo sol e pela tranquilidade.
Nos últimos dias, prefeitos locais e policiais foram de porta em porta nas casas da região indicando rotas seguras de remoção para moradores e turistas. Quem estava na vila de Bédar foi aconselhado a não deixar o local.
Muitos deles, porém, contrariando as autoridades, acabaram saindo de Bédar, que foi poupada das chamas, e pegaram a estrada de encontro ao incêndio (leia mais abaixo).
“A vila de Bedar, no fim das contas, não foi afetada pelas chamas na maioria dos casos, de modo que a ordem para permanecer em casa evitou uma situação mais grave”, disse Juanma Moreno, presidente regional.
“Por favor, sigam sempre as recomendações das autoridades — sempre, por favor... porque, nesse tipo de incêndio, o vento muda, de modo que o fogo pode vir em sua direção vindo do sul e, em seguida, mudar para outra direção”, disse Moreno aos repórteres local.
A maioria das vítimas provavelmente era composta por estrangeiros que moram na região, incluindo britânicos e belgas, disse Sanz.
Além dos 12 mortos, 23 pessoas continuam desaparecidas em um dos incêndios florestais mais graves da Espanha em anos. As chamas continuam fora de controle.
Esforços de segurança
Moreno confirmou nesta sexta-feira que nenhum alerta por mensagem de texto havia sido enviado aos moradores das aldeias localizadas acima de Los Gallardos, onde o incêndio começou, já que as orientações variavam de acordo com o local onde moravam naquele terreno montanhoso e arborizado, além da rapidez com que a situação se desenvolvia.
Em vez disso, os prefeitos locais e a polícia foram de porta em porta ou ligaram para os moradores, indicando uma rota segura para a retirada ou instruindo-os a permanecerem em suas moradias.
Ángel Collado, prefeito de Bédar, o vilarejo de onde as vítimas fugiram, disse que “agiu desde o primeiro momento, batendo em todas as portas e fazendo com que os moradores saíssem”, ou dizendo-lhes para ficarem, dependendo da evolução do incêndio naquele momento.
“Mesmo com aqueles que não queriam sair, insistimos que precisavam sair”, disse ele aos repórteres em um relato emocionado.
Em Bédar, ele disse ter implorado, sem sucesso, a um grupo de nove pessoas que se preparavam para sair que se abrigassem no local. Em vez disso, sete delas morreram ao tentar escapar, afirmou.
Aqueles que morreram também não haviam seguido a rota indicada. Sanz disse que eles haviam escolhido outro caminho de saída por um leito de rio seco, o que acabou se revelando uma armadilha.
De um centro de resgate improvisado em uma funerária na vila vizinha de Lubrín, Francisco, outro morador de Bédar, contou que a polícia lhe disse para ficar em casa enquanto o incêndio se aproximava e pediu que ele mantivesse a linha telefônica aberta.
“Eles me disseram: ‘Francisco, não desligue, precisamos manter contato. Quando o incêndio diminuir um pouco, iremos buscá-lo’”, contou ele ao jornal La Voz de Almería.
Enquanto isso, eles tentaram se proteger da melhor maneira possível.
“Quebramos o vidro de uma janela grande. Trancamos a porta da frente e nos refugiamos na garagem. Esperamos lá por cerca de duas horas”, disse ele.
Eles acabaram sendo retirados, embora ainda não saibam em que condições está a casa deles.
Ruptura de cabo de eletricidade
Los Gallardos se preparava para celebrar suas festas locais quando a tragédia aconteceu.
O fogo teria começado, segundo os indícios, em uma vala, após a ruptura de um cabo de eletricidade que os fortes ventos rapidamente tornaram incontrolável. Em duas horas, avançou 15 km.
Mais de 400 efetivos de vários corpos continuam lutando contra esse incêndio que já devastou 3.150 hectares e forçou o deslocamento de 600 pessoas. Segundo as previsões, as condições meteorológicas de sábado poderiam facilitar os trabalhos dos bombeiros. ...
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