Quatro jogadores do Haiti jogaram por clube de projeto social brasileiro e hoje disputam a Copa do Mundo; entenda

AI Summary
Brazil will play Haiti in their second group-stage match of the 2026 FIFA World Cup on Friday in Philadelphia, with all 68,324 available seats sold. Haiti, ranked lowest among the tournament's 48 teams, faces a Brazilian squad composed of elite players valued at significantly greater resources, while the island nation contends with humanitarian challenges and governance instability. The match underscores the competitive and economic disparities between participating nations.
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Jogadores do Haiti perfilam-se durante a execução dos hinos nacionais antes da partida.
REUTERS/Pilar Olivares
Quando a seleção de Carlo Ancelotti enfrentar o Haiti nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, quatro jogadores do adversário terão uma conexão em comum com o Brasil. Todos passaram pela Academia Pérolas Negras, projeto social criado por brasileiros no país caribenho há mais de 20 anos.
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O goleiro Josué Duverger, o lateral-direito Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques — que jogou a Copinha de 2017 — e o atacante Derick Etienne passaram pelo projeto, que foi criado pela ONG Viva Rio durante a atuação do país na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti.
A iniciativa nasceu em meio a um dos períodos mais turbulentos da história recente do país caribenho e transformou o futebol em uma ferramenta de inclusão social, educação e desenvolvimento profissional.
Hoje, mais de duas décadas depois, seus frutos estarão do outro lado do campo diante da seleção pentacampeã mundial.
A história do Brasil no Haiti
A relação começou em 2004.
Naquele ano, após uma crise política e uma guerra civil que derrubaram o então presidente Jean-Bertrand Aristide, o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). O país liderou a operação militar internacional até 2017.
Também em 2004, a ONG Viva Rio iniciou sua atuação no território haitiano a convite da ONU. A proposta era desenvolver projetos sociais em áreas como saúde, educação e segurança pública, mas o futebol rapidamente se tornou uma das principais ferramentas de integração social.
O vínculo ganhou ainda mais força em 19 de agosto daquele ano, quando a seleção brasileira desembarcou em Porto Príncipe para disputar o chamado "Jogo da Paz". A partida reuniu milhares de pessoas nas ruas da capital haitiana e se tornou um símbolo da aproximação entre os dois países.
Foi nesse contexto que surgiu a Academia Pérolas Negras.
Militares da Minustah no Haiti.
UN/MINUSTAH/Jesús Serrano Redondo
O que é o Pérolas Negras
Criada pela Viva Rio, a Academia Pérolas Negras foi concebida para oferecer muito mais do que treinamento esportivo.
Além do futebol, os jovens atendidos pelo projeto tinham acesso a educação, acompanhamento nutricional, fisioterapia e serviços de saúde. A ideia era criar oportunidades para adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas atividades e começou a participar de competições internacionais. Em 2016, o projeto ganhou uma sede no Rio de Janeiro e passou a disputar torneios oficiais no Brasil, inicialmente com equipes compostas majoritariamente por atletas haitianos e refugiados.
O Pérolas Negras participou de duas edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2016 e 2017.
No ano seguinte, conquistou o título da então quarta divisão do Campeonato Carioca e iniciou sua trajetória no futebol profissional brasileiro. Atualmente, disputa a Série A2 do Campeonato Carioca e mantém categorias de base filiadas à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
Academia Pérolas Negras
Reprodução
Os quatro jogadores do Haiti formados pelo projeto
Josué Duverger
O goleiro de 25 anos é a terceira opção da seleção haitiana na Copa do Mundo e faz parte da geração que passou pelo processo de formação da Academia Pérolas Negras, ainda no Haiti.
Carlens Arcus
Aos 29 anos, o lateral-direito é um dos jogadores mais experientes do elenco haitiano e atua no futebol francês. Ele também passou pelo projeto brasileiro, também no Haiti, antes de consolidar a carreira internacional. Atualmente, defende o Angers, da França.
Danley Jean Jacques
É o caso de maior destaque. O meio-campista de 26 anos atua pelo Philadelphia Union, dos Estados Unidos, e se tornou um dos principais nomes da seleção haitiana. Antes disso, passou pela base do Pérolas Negras, no Rio de Janeiro, integrou a equipe que disputou a Copinha de 2017 e, posteriormente, construiu carreira na França, onde defendeu o Metz.
Derick Etienne
O atacante, que atua nos Estados Unidos, também teve parte de sua formação ligada ao projeto e integra a lista de jogadores que passaram pela Academia antes de chegar à seleção principal haitiana.
Danley Jean Jacques, Derrick Etienne, Carlens Arcus e Josué Duverger, respectivamente,
Reprodução/Redes Sociais
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