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Finalista da Copa, Argentina tem incentivo à imigração europeia em sua Constituição e foi de país indígena para maioria branca

G1 (Globo)
Finalista da Copa, Argentina tem incentivo à imigração europeia em sua Constituição e foi de país indígena para maioria branca

ONP Summary

Spain and Argentina, defending European and World Cup champions respectively, meet in the 2026 final on July 19 with an evenly matched history: six wins and two draws each across 14 meetings. The tournament sets records as the largest World Cup with 48 nations and 104 matches contested across North America.

Fãs argentinos comemoram vitória sobre o Egito na Copa nas ruas de Buenos Aires
Luis Robayo/AFP
A campanha da seleção da Argentina na Copa do Mundo extrapolou os gramados e fomentou debates nas redes sociais que foram além do futebol e reacendeu debates sobre racismo e sobre a própria formação da sociedade argentina, com forte influência europeia.
Mas o que pouca gente sabe é que a Argentina tem até um artigo específico em sua Constituição para fomentar a vinda de imigrantes do Velho Continente.
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Por que Brasil e Argentina tratam o racismo de forma diferente? Entenda as leis dos dois países
O Artigo 25 da Constituição argentina diz:
"O Governo Federal fomentará a imigração europeia; e não poderá restringir, limitar nem impor qualquer imposto sobre a entrada no território argentino de estrangeiros que tenham como objetivo cultivar a terra, desenvolver as indústrias e introduzir e ensinar as ciências e as artes".
O texto é de 1853 e foi escrito no contexto de uma nação que tinha conquistado sua independência da Espanha há menos de 40 anos. O trecho, porém, ainda aparece na versão atualizada da Constituição.
A permanência desse artigo no texto constitucional é ultrapassada, afirmou ao g1 o comentarista da GloboNews Ariel Palacios.
“Esse artigo é totalmente anacrônico, deveria ser removido, porque na prática o governo não estimula essa imigração e nunca fez campanhas públicas para trazer europeus, até porque eles [europeus] estão muito mais confortáveis atualmente na União Europeia”, afirmou Palacios.
Uma outra legislação sobre o tema, a Lei de Migrações de 2003, afirma que a imigração deve ocorrer sob os princípios da “igualdade e universalidade” e não distingue o continente de origem.
A virada étnica
Herança da colonização espanhola, esse artigo específico é um indicativo de como a Argentina atual foi construída e como sua sociedade passou de uma maioria indígena para uma maioria branca.
Segundo Palacios, as cidades argentinas eram compostas no início por uma minoria de colonizadores espanhóis e o restante de indígenas. Além disso, mais de 200 mil africanos escravizados também foram levados ao território entre o século XVI e início do século XIX.
A Espanha então incentivou a vinda de seus cidadãos para a colônia, política se manteve depois que a Argentina se tornou independente, em 1816, com uma grande onda de europeus chegando ao país em meados do século XIX e no século XX.
Cerca de 7 milhões de imigrantes, principalmente da Espanha e da Itália, chegaram entre 1850 e 1950. Uma outra onda de imigrantes do leste europeu rumou à Argentina após a queda da União Soviética, segundo Palacios.
Em paralelo, as parcelas da população negra e de povos originários foram diminuindo ao longo dos séculos, como consequência de alguns fatores:
genocídios derivados da expansão territorial
guerras civis - com recrutamento desproporcional de negros
uma epidemia devastadora de febre amarela, em 1871, que atingiu bairros pobres com mais força.
''A população de afro-argentinos foi morta nas guerras da independência e nas guerras civis, que duraram décadas. Eles sempre eram colocados na linha de frente. Foi devastador", afirmou Palácios. Já os povos originários foram vítimas de massacres e genocídios, explicou.
Esses dois movimentos - a chegada de imigrantes europeus e a queda da população originária - contribuíram para uma virada demográfica na Argentina.
👉 Segundo um censo realizado em 2022, a parcela de descendente dos povos originários encolheu para apenas 2,9%. A população negra é ainda menor, de 0,7% do total de 46,2 milhões de habitantes contabilizados naquele ano.
Apesar disso, Palacios afirma que a população argentina tem um certo grau de miscigenação para além do que as estatísticas mostram, porque o costume na época da colonização era dos espanhóis se casarem com as mulheres indígenas. Palacios ressalta ainda que a cultura dos povos originários tem grande influência nos ritmos mais populares da Argentina - como o tango.
O tango vem da milonga, que tem origem na música africana, explica o advogado e ativista argentino Alí Delgado, em entrevista à Deutsche Welle. Segundo ele, a Argentina sofreu um apagamento racial deliberado ao longo dos séculos.
"A Argentina acha que não é racista porque a Argentina acha que não existem pessoas negras no país [...] Dizem que é o país mais branco da América do Sul, a Paris das Américas, da América Latina. A Argentina não é branca. Se fosse, eu não estaria aqui", afirmou Delgado à DW.
"Somos negros, somos argentinos, e a Argentina também é negra", concluiu o ativista (veja a entrevista completa de Delgado no vídeo abaixo).
Como a Argentina fomentou por séculos o mito de um país branco e europeu ...

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