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'Não tinha pessoa fixa para colocar o equipamento', diz biomédica que pulou de rope jump com equipe que lançou estudante sem corda

G1 (Globo)
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'Não tinha pessoa fixa para colocar o equipamento', diz biomédica que pulou de rope jump com equipe que lançou estudante sem corda

Biomédica de Serrana, SP, percebeu desorganização da equipe de rope jump em Limeira, SP
A biomédica Josiane Francischini Pereira classifica como desorganizada a atuação da empresa responsável pelo salto de rope jump que terminou na morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas no último sábado (13) em Limeira (SP).
Segundo ela, não havia uma pessoa fixa responsável por cada etapa do processo, inclusive a checagem do equipamento.
“Quando a gente chegou lá, ficava a moça principal para receber, colocar as pulseirinhas e te dava uma senha. Aí ficava uma fila mais ou menos, mal organizada, não tinha uma pessoa fixa para colocar o equipamento certinho. Cada hora ia um, eles iam se revezando. Aí alguns iam comer, deitavam lá para dar uma descansada e voltavam. Então assim, a gente reparou que era uma desordem ali. Mas como éramos os últimos, a gente achou que, ‘ah, eles estavam aqui desde manhã, então tudo tranquilo’, diz.
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A biomédica Josiane Francischini Pereira durante salto na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP)
Arquivo pessoal
Josiane é de Serrana (SP) e esteve na Ponte do Esqueleto no fim de maio para saltar com o marido. Os mesmos instrutores envolvidos na morte de Maria Eduarda auxiliaram o casal na prática.
“Como fomos os últimos, a gente acabou criando mais conexão ali com eles, conversando, sendo que um dia antes eles pedem para não conversar com os operadores de corda, para eles não perderem a atenção em momento algum”, afirma.
No áudio recebido por Josiane no dia anterior com instruções para o salto, uma funcionária da empresa reforça o pedido para que os praticantes não conversem com os operadores da corda em hipótese alguma.
“Gente, mais um ponto bem importante aqui de atenção, tá? Por gentileza, não conversem com o operador das cordas. Quando vocês chegarem lá, vocês vão ver que os operadores das cordas estão isolados com um cone. Não puxa assunto com ele, não pergunta nada pra ele, não tira a atenção dele. Os operadores da corda estão cuidando e protegendo a vida de vocês. Não tirem a atenção do operador. Quem está com a corda na mão operando as cordas, não pode conversar. Por favor, não conversem com o operador das cordas.”
Áudio enviado pela empresa de rope jump ao grupo de Josiane, que tinha contratado salto no dia 16 de maio em Limeira, SP
Reprodução/Instagram
A biomédica conta que o marido tem formação em elétrica industrial, o que o levou a fazer várias perguntas sobre o equipamento de segurança para dar mais tranquilidade à esposa na hora do salto.
“Eles falaram que é seguro, eles explicaram que tinha dois mosquetões que prendiam em duas cordas. Então, tipo assim, tinha meio que uma corda reserva caso uma estourasse, e cada corda suporta mais de mil quilos”, diz.
De acordo com Josiane, a escolha da empresa para o salto foi feita pelo marido. No Instagram, o perfil tinha cerca de 50 mil seguidores e não houve nenhuma suspeita do casal sobre o serviço contratado.
“Eles foram profissionais no WhatsApp. A gente fez o agendamento, o pagamento. Uma semana antes eles montam um grupo com todo mundo que vai saltar, em torno de 90 pessoas a 95, mais ou menos. E depois disso, eles vão montando grupos por horários, para a gente chegar e não ficar tanto tempo esperando”, afirma.
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Achou que vídeo fosse mentira
A biomédica soube da tragédia envolvendo Maria Eduarda no sábado, por volta do meio-dia. Josiane recebeu um vídeo feito por um homem que tinha contratado o serviço do salto no mesmo dia que ela, mas desistiu e voltou no fim de semana.
“A gente pensou que fosse mentira. Um moço do nosso grupo não conseguiu saltar no dia por muito medo e foi nessa mesma data do acontecido. Ele mandou praticamente na hora que tinha acontecido. Na hora que eu assisti, me deu uma coisa no estômago, eu nem consegui comer. Eu me senti no lugar da menina, porque a gente estava lá menos de um mês atrás.”

A tragédia
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas sendo carregada por três funcionários até a beirada da plataforma. Ela foi lançada e, logo após a queda, houve gritos de desespero dizendo "a corda" e "gente, a corda".
A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros.
Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da ponte.
Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda.
Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda.
Os três instrutores foram presos. Em depoimento à polícia, eles não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas
Reprodução
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