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Carão, babado, gag e cunt: saiba os significados de gírias usadas pela comunidade LGBTQIAPN+

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Carão, babado, gag e cunt: saiba os significados de gírias usadas pela comunidade LGBTQIAPN+

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Carão, babado, gag e cunt: saiba o significado de gírias usadas pela comunidade LGBTQIAPN+
Neste domingo (28) é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+. A data é marcada por movimentos a favor do respeito a lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, transsexuais e travestis, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não-binárias e mais.
Além da luta por respeito, igualdade e liberdade de expressão, a comunidade também é conhecida pelo uso de variações linguísticas sociais, que englobam gírias e jargões. Assista acima.
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🏳️‍🌈 Carão, babado, odara, gag e cunt são algumas das palavras utilizadas por pessoas que se identificam com a comunidade e também pela população em geral. Os termos podem ter conotações diferentes, variando conforme o contexto e a situação.
Por isso, o g1 separou as gírias mais populares entre a comunidade e o que elas significam. Confira abaixo:
Gírias utilizadas pela comunidade LGBTQIAPN+
Arte/g1
🗣️Variações linguísticas sociais
Procurado pela reportagem, o professor doutor Leonardo Lemos de Souza, do corpo docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São José do Rio Preto (SP), explicou que as gírias contribuem para a sensação de pertencimento na comunidade.
"As gírias podem produzir reconhecimento, cumplicidade e pertencimento. Elas funcionam como marcas de identificação, formas de humor, afeto, ironia, proteção e crítica social. Mas esse pertencimento nunca é universal. Uma palavra que aproxima certas pessoas pode afastar outras, sobretudo quando carrega memórias de violência, ridicularização ou exclusão", comentou.
Ainda conforme o docente, é importante evitar a ideia de que haja um vocabulário restrito e limitado à comunidade.
"Gírias sempre podem ser preconceituosas, inclusive entre pessoas que também são colocadas às margens. A linguagem não está fora das relações de poder. Ela pode reproduzir hierarquias de gênero, sexualidade, raça, classe, território, corpo e geração, mesmo quando circula dentro de grupos minoritários", pontua o especialista.
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🌈 Como surgiram as primeiras gírias
As gírias surgem nos encontros entre grupos, nas ruas, nas festas e eventos sociais, bares e casas noturnas. No caso da comunidade LGBTQIAPN+, a professora Larissa Pelúcio, da Unesp, explica que os jargões vêm do bajubá ou pajubá, uma linguagem desenvolvida por travestis nas ruas, com forte presença de termos vindos dos terreiros e das religiões de matriz africana.
"Foi uma linguagem de resistência, proteção e comunicação cifrada em contextos de violência. Hoje, muitos termos do pajubá circulam em vários meios, inclusive em novelas, programas de televisão e, de modo muito intenso, nas redes sociais. Mas, como toda linguagem é viva, ela também se reinventa", comenta a docente.
Código de Barras (LGBTQIAPN+) em São José do Rio Preto (SP)
Reprodução/Victor Natureza
Larissa ainda pontua que nem todas as pessoas de determinados grupos se reconhecem nos mesmos vocabulários, o que pode gerar diferentes interpretações.
"Palavras criadas em contextos de dor, resistência e vulnerabilidade podem ser esvaziadas quando usadas por quem não conhece sua história. Há diferenças geracionais importantes: uma palavra que para algumas pessoas jovens pode soar empoderada, para pessoas mais velhas pode remeter a ofensas sofridas durante décadas", conta.
✋🏽 Palavras pejorativas
Tanto Leonardo quanto Larissa são unânimes ao concordar que algumas palavras foram e ainda são usadas de forma pejorativa na sociedade brasileira.
Dependendo da situação, a palavra pode reproduzir hierarquias de gênero, sexualidade, raça, classe, território, corpo e geração, mesmo quando circula dentro de grupos minoritários.
"Termos como bixa poc e pão com ovo, por exemplo, mostram bem essa ambivalência. Bixa poc pode remeter a um estilo mais afetado, mais expansivo, frequentemente associado a formas feminilizadas de expressão de gênero em homens gays ou bichas", explica Fernanda.
Um termo pode ser interpretado como afeto dentro de um grupo e como agressão quando vem de pessoas que estão fora do núcleo social. Ressignificar é uma estratégia importante, mas não obriga que todos se reconheçam naquela palavra.
"O termo sapatão, por exemplo, foi historicamente usado de forma pejorativa contra mulheres cis ou trans que se relacionam afetiva e sexualmente com outras mulheres. Hoje, muitas dessas mulheres ressignificam a palavra como afirmação política, identidade, humor e orgulho. Ao mesmo tempo, ela não é aceita por todas", finaliza Leonardo.
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