Bebê encontrada engatinhando na rua: mãe estava na casa de uma amiga e deixou criança com filho adolescente

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Bebê é encontrado engatinhando sozinho no meio da rua em Vila Velha
A mãe da bebê de 1 ano e 4 meses encontrada engatinhando sozinha durante a madrugada em rua de Vila Velha, na Grande Vitória, disse ao advogado que saiu de casa para visitar uma amiga e deixou a menina dormindo sob os cuidados do filho mais velho, um adolescente de 14 anos.
O advogado da mulher, Lucas Recla, disse ao g1 que o caso foi um episódio atípico e isolado. Informou que a mãe trabalha como faxineira e mora com três dos cinco filhos em residência fixa.
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A mãe foi autuada pela Polícia Civil em flagrante por abandono de incapaz, mas a Justiça concedeu liberdade provisória para ela responder o processo em liberdade em audiência de custódia na sexta-feira (26).
O nome da mãe não será divulgado para preservar a identidade da criança, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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VÍDEO: bebê é encontrado engatinhando sozinho no meio da rua em Vila Velha
Gif mostra bebê engatinhando sozinho em Vila Velha
Reprodução
Na casa de uma amiga
De acordo com a defesa, na noite em que a bebê foi encontrada sozinha na rua por um motoboy, a mulher recebeu um convite para ir à casa de uma amiga, que mora na rua de trás da residência, e deixou a criança dormindo sob os cuidados do filho mais velho, um adolescente de 14 anos.
"Ele tem discernimento e capacidade de cuidar da criança, como todo filho mais velho em âmbito familiar ajuda nas tarefas domésticas. Quando a genitora retornou, horas depois para a residência, constatou que a criança não se encontrava mais na cama, não se encontrava mais dentro de casa", relatou Recla.
Conforme a defesa, a mulher acionou imediatamente a Polícia Militar ao perceber a ausência da bebê.
Porta danificada pelo ex-marido que está preso
O advogado afirmou que a residência da família está com uma porta provisória desde que o imóvel foi danificado em um episódio de violência doméstica atribuído ao ex-companheiro da mulher.
"A casa dela que está em reforma pelo fato dessa violência doméstica. O ex-marido da genitora da criança quebrou a porta da entrada da casa e hoje tem uma porta provisória que essa criança conseguiu ultrapassar. Segundo os relatos da mãe, ela fez o mesmo trajeto de rotina em que a mãe leva a criança para passear durante a semana", relatou.
Ainda segundo a defesa, a mãe trabalha como faxineira, tem residência fixa e costuma deixar a filha com uma cuidadora de confiança enquanto está no trabalho.
O advogado afirmou que a mulher não recebe apoio da família do pai da criança e que o homem está preso por outros crimes.
Recla também disse que a família enfrenta situação de vulnerabilidade social e que a mulher deveria receber acompanhamento da rede de assistência social, com acesso a benefícios e apoio psicológico.
Mãe está abalada
Segundo o advogado, desde que deixou a prisão, a mãe está emocionalmente abalada e recebe apoio de familiares.
A mulher tem cinco filhos e só mora com três, a bebê de 1 ano e 4 meses, o adolescente de 14 anos e uma menina de 12 anos, que, na noite do ocorrido, dormia na casa de uma amiga.
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Guarda será discutida na Justiça
A bebê permanece em acolhimento institucional enquanto a Vara da Infância analisa quem ficará responsável por ela.
Segundo o advogado, a defesa pretende pedir que a guarda permaneça com a mãe por entender que o episódio foi isolado. Caso a Justiça entenda de forma diferente, a defesa informou que buscará a indicação de um familiar que reúna os requisitos legais para assumir a guarda da criança.
"A criança é uma criança saudável, que está sendo bem cuidada, que tem uma rede de apoio familiar muito extensa e com condições financeiras. Então, eu tenho certeza que a mãe reúne, sim, os critérios necessários para estar com a guarda da criança. Mas, nós vamos discutir isso dentro do processo, com calma, com cautela, sempre olhando para a parte mais vulnerável e, com toda certeza, fazendo justiça social através das leis", defendeu Recla.
Por tramitar em segredo de Justiça, o advogado afirmou que os próximos passos serão tratados com cautela para preservar a integridade física e emocional da bebê.
O caso
A criança foi encontrada engatinhando sozinha, apenas de fralda, por volta da 1h da madrugada de quinta-feira (25), no bairro Barramares, em Vila Velha. Imagens de câmeras de segurança mostram a menina percorrendo cerca de 130 metros sozinha antes de ser socorrida por um motoboy e moradores da região.
Imagens de câmeras de segurança registraram a bebê engatinhando pela calçada por volta da 1h da manhã. No vídeo, a menina aparece sozinha, apenas de fralda, sem nenhum adulto por perto.
Momentos depois, um motoboy que passava pela rua para e a bebê, ao lado de um cachorro, engatinha até a moto.
Um casal de moradores contou que ouviu os gritos de um motoboy pedindo ajuda. Segundo eles, o motociclista relatou que, inicialmente, pensou que o vulto atravessando a rua fosse um animal.
"Ele falou que, quando vinha de moto, viu um vulto atravessando a rua e achou que fosse um cachorrinho. Quando chegou perto, viu que era uma criança. Ela olhou para ele e começou a chorar. Foi quando ele parou a moto", contou um morador, que preferiu não se identificar.
'Ela estava gelada'
A conselheira tutelar do município Rafaela Ladeira disse ao g1 que a criança vai permanecer acolhida até que a Vara da Infância decida com quem ela ficará. Até o momento, não houve manifestação da Justiça sobre o caso.
Segundo Rafaela, assim que uma criança é acolhida institucionalmente, o Conselho comunica imediatamente o Ministério Público e a Justiça, que passam a decidir sobre a reintegração familiar ou a guarda provisória.
A conselheira contou que já atuou em outros casos semelhantes, mas afirmou que nunca consegue encarar esse tipo de situação com naturalidade.
"Nunca vou me acostumar. Atuar em situações de violência contra crianças e adolescentes é sempre muito triste. É revoltante ver um bebê tão frágil, que deveria ser amado, cuidado e protegido em seu lar, ficar vulnerável à mercê da sorte, sozinha na friagem e na escuridão da noite", disse a conselheira.
Bebê é encontrado engatinhando sozinho no meio da rua em Vila Velha
Reprodução
O que fazer ao encontrar uma criança em situação de abandono
A conselheira tutelar Rafaela Ladeira orienta que, em casos de abandono de crianças ou adolescentes, a prioridade é acionar imediatamente a Polícia Militar.
Segundo ela, quando há uma situação de flagrante ou qualquer risco à integridade da criança, as forças de segurança são responsáveis pelo primeiro atendimento e, posteriormente, acionam o Conselho Tutelar para acompanhar o caso.
Já em situações de suspeita de negligência ou de qualquer violação dos direitos de crianças e adolescentes, a população também pode procurar diretamente o Conselho Tutelar ou fazer a denúncia por meio do Disque 100.
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