Furtos e roubos contra motoristas de aplicativo aumentam 48% em Campinas; categoria cria rede de proteção

Roubos e furtos contra motoristas de aplicativo sobem 48% em Campinas
Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que os registros de furtos e roubos contra motoristas de aplicativo cresceram 48% em Campinas (SP), passando de 73 casos em 2024 para 108 em 2025. Até abril de 2026, 30 boletins de ocorrência foram contabilizados.
O cenário de insegurança levou a categoria a adotar medidas próprias de proteção para reduzir os riscos durante o trabalho, como a participação em grupos de mensagens que reúnem motoristas de aplicativo — entenda abaixo.
🔍 O levantamento, obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), considera ocorrências registradas em vias públicas e em que as vítimas foram identificadas como motoristas de aplicativo. No entanto, os dados não confirmam se eles estavam trabalhando no momento dos crimes.
Insegurança como rotina
A falta de segurança traduzida nas estatísticas faz parte da rotina de profissionais como Rogério de Jesus, que atua na área há seis anos. Em 2025, ele teve o carro roubado por passageiros que anunciaram o assalto durante uma corrida na madrugada.
"Foi passada uma corrida via aplicativo. Chegando no local, era em nome de terceiros e eles me mostraram o print da corrida. Abri a porta, eles entraram no carro e no que eu virei a esquina ele já falou assim: 'nem precisa ir seguir mais com o carro, porque isso é um assalto'", relatou Rogério.
O veículo foi recuperado, mas o trabalhador informou que ficou com trauma e teve um prejuízo de R$ 6 mil, o que o fez mudar a rotina e passar a priorizar corridas na região central.
Grupos para reforçar segurança
Trabalhando nos aplicativos desde 2017, o motorista Paulo César Madruga passou a participar de grupos para reforçar a segurança entre os colegas após o registro de um latrocínio na cidade.
"Nós temos grupos de WhatsApp, onde a gente troca ideias e orienta principalmente os novatos. Também temos pontos de encontro aqui no Centro. A gente notou que os criminosos utilizam corridas em dinheiro. Então, hoje a gente tem essa ferramenta que bloqueia o dinheiro e dá mais segurança para nós. Eu sei que não é 100%, mas já é alguma coisa", contou.
Ele ainda informou que a insegurança faz parte da rotina de quem trabalha com transporte por aplicativo. "Graças a Deus, hoje eu estou aqui com vida, mas tenho colegas que não estão aqui para contar a mesma história", declarou.
Câmeras como medida de segurança
Para o especialista em segurança Ruyryllo de Magalhães, é necessária uma junção de esforços envolvendo o trabalho das polícias, das empresas e dos motoristas.
Ele sugere que o ideal seria a instalação de câmeras com identificação facial dentro dos carros, para facilitar o trabalho de investigação da Polícia Civil.
"É preciso ter uma junção dos trabalhos da segurança pública, das empresas de aplicativo e dos motoristas. O ideal seria até ter câmeras de reconhecimento facial dentro dos carros. Entrou no carro, já identifica. Abriu a porta, lá atrás já tem a câmera, filma a pessoa e já sabe quem é. Isso ajuda na identificação", disse.
O que dizem os citados
A Associação de Motoristas de Transporte de Aplicativo do Estado de São Paulo (Amobitec) informou que o ideal seria uma política pública de segurança efetiva, com a instalação de câmeras nos veículos.
A entidade declarou que já enviou projetos às plataformas e acredita que o pagamento das corridas deveria ser feito exclusivamente por cartão.
Até a última atualização dessa reportagem, a empresa Uber e a Secretaria de Segurança Pública não haviam se manifestado sobre o aumento de casos e o relato de insegurança dos motoristas. O espaço segue aberto.
Imagem de arquivo de aplicativo de mobilidade urbana.
Reprodução/EPTV
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