Operação que investiga bets ilegais por movimentação bilionária cumpre mandados em PE, SP e CE

Operação Conto da Sorte cumpre 14 mandados de busca e apreensão em três estados
Uma operação contra um esquema criminoso de movimentação bilionária através de bets ilegais cumpriu, nesta quinta-feira (18), 14 mandados de busca e apreensão em três estados: Pernambuco, Ceará e São Paulo (veja vídeo acima). Não houve prisões nessa fase da Operação Conto da Sorte, deflagrada pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco e pela Receita Federal.
"O objetivo é colher provas sobre um esquema de exploração irregular de apostas de quotas fixas e jogos de azar na internet, as chamadas bets. [...] Os crimes investigados são de lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogo de azar e loteria não autorizada, associação criminosa e contra as relações de consumo", afirmou o Ministério Público do Rio Grande do Norte, em nota.
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Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A investigação foi iniciada a partir de uma análise técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, após a prefeitura de Bodó, município potiguar, criar a autarquia Lotseridó.
Antes de encerrar as atividades, em outubro de 2025, a Lotseridó passou a credenciar, de forma irregular, empresas de apostas de quota fixa, que "permanecem atuando à revelia da SPA", segundo a Receita Federal. O valor movimentado pelas bets ilegais "será revelado com os dados coletados nas buscas, apreensões e quebras de sigilo", mas chega a bilhões de reais.
Ainda de acordo com a Receita Federal, a Operação Conto da Sorte foi deflagrada para apreender "documentos diversos e informações em mídia como elementos de prova para a investigação, [...] bens e direitos até o limite de R$ 145 milhões para garantia de restituição dos ilícitos apurados".
Como funcionava o esquema
Dinheiro apreendido na Operação Conto da Sorte, deflagrada em PE, em SP e no CE
MPRN/Divulgação
O funcionamento do esquema criminoso praticado pela quadrilha investigada foi divulgado pela Receita Federal:
Os criminosos constituíram "dezenas de empresas de exploração de jogos de azar e apostas e instituições de pagamento, que eram então repassadas formalmente a terceiros, sem capacidade econômica, enquanto o controle gerencial e financeiro permanecia com o grupo";
"Alguns dos sócios ostensivos seriam beneficiários de auxílio emergencial, enquanto outras empresas teriam sido colocadas em nome de parentes dos investigados";
Algumas dessas empresas não existem e são utilizadas apenas para a movimentação financeira nas suas contas bancárias;
A investigação apontou "movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, indícios de sonegação fiscal, de lavagem de dinheiro com a aquisição de imóveis";
Também foi verificada a "ausência de repasse sobre a receita líquida de apostas, prevista na Lei nº 13.756/2023, que regulamenta a atividade das bets".
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