Idosos sentem falta de Centro Social que atendia mais de 300 pessoas em Teresina: 'Lá eu não tinha problemas'

Fechamento de centro impacta vida de idosos em Teresina
O Centro Social Pedro Arrupe, no bairro Vermelha, Zona Sul de Teresina, está fechado há mais de um ano. Antes do encerramento das atividades, o espaço atendia mais de 300 idosos com ações de lazer, convivência, assistência alimentar e acompanhamento psicossocial.
Mantido pela Rede Jesuítas Brasil, o centro encerrou as atividades devido aos custos de manutenção. Segundo a instituição, o funcionamento do local custava quase R$ 1 milhão por ano.
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À TV Clube, o ex-diretor do centro, padre Anselmo Dias, afirmou que tentou negociar a continuidade do projeto com a Prefeitura de Teresina, mas não chegou a um acordo.
"A gente tinha um prazo, estabelecemos o mês de abril, porque não temos mais dinheiro para tocar [o projeto]. Como não obtivemos a resposta do poder público, a gente tá fechando o centro social", disse o padre Anselmo, na época do fechamento.
Ao g1, a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) informou que a proposta de aluguel apresentada foi considerada incompatível com critérios de economicidade e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos, o que inviabilizou a contratação.
Idosos lamentam fechamento de centro social há mais de um ano em Teresina
Reprodução/TV Clube
Segundo a pasta, os idosos atendidos pelo centro foram acolhidos pela rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e encaminhados para outras unidades do município (leia a íntegra da nota ao fim da reportagem).
Fundado em 1966, o Centro Social Pedro Arrupe era uma associação civil sem fins lucrativos que funcionava de segunda a sexta-feira, durante todo o dia. As atividades foram encerradas em maio de 2025.
A aposentada América Rodrigues lamentou o fechamento do espaço e afirmou que a mudança afetou diretamente a rotina dos frequentadores.
"Lá dentro não tinha problemas porque tinha pessoas para conversar, para brincar. Esse espaço fechado mudou a vida de muitas pessoas, inclusive a minha. Eu fico revendo os vídeos das atividades que a gente fazia aqui", disse.
Nota da Semcaspi
A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (SEMCASPI) informa que o Centro Social Padre Arrupe funcionava em um imóvel pertencente à Associação Antônio Vieira, entidade que, durante anos, executou, em parceria com o Município de Teresina, serviços socioassistenciais voltados à pessoa idosa, por meio de termos de fomento firmados com a secretaria.
Em razão de uma reestruturação institucional, a Associação Antônio Vieira optou por redirecionar sua atuação para outras áreas, deixando de executar os serviços da política de assistência social desenvolvidos no Centro Social Padre Arrupe. Com o encerramento dessas atividades pela entidade, a SEMCASPI iniciou tratativas para manter o atendimento à população idosa no mesmo espaço, desta vez com a execução direta dos serviços pela própria Prefeitura de Teresina.
Para isso, foi aberta negociação para a locação do imóvel onde funciona o Centro Social Padre Arrupe. No entanto, o valor apresentado para o aluguel mostrou-se incompatível com os princípios da economicidade, da razoabilidade e da responsabilidade na aplicação dos recursos públicos, impossibilitando o contrato.
É importante ressaltar que, mesmo diante da impossibilidade de manter o funcionamento no imóvel, nenhum usuário ficou desassistido. Todos os idosos atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) foram acolhidos pela rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), sendo encaminhados para outras unidades da SEMCASPI, como os Centros de Convivência Jatobá e Marly Sarney, além dos serviços ofertados nos territórios dos CRAS, assegurando a continuidade do atendimento, das atividades e do acompanhamento social.
A SEMCASPI reafirma seu compromisso com a proteção da pessoa idosa e esclarece que todas as medidas adotadas tiveram como objetivo preservar a continuidade dos serviços, observando os princípios da legalidade, da transparência e da responsabilidade na gestão dos recursos públicos.
*Eduarda Barradas, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.
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