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Suspeito de matar vaqueiro no Ceará denunciou delegado que divulgou imagem dele como procurado

G1 (Globo)
Suspeito de matar vaqueiro no Ceará denunciou delegado que divulgou imagem dele como procurado

Vídeo mostra correria após campeão de vaquejada ser morto no Ceará
Darlei Teixeira Vitor, preso na madrugada desta quarta-feira (8) em Quixadá suspeito de matar o campeão de vaquejada Francisco Eudázio Lira Soares, entrou com uma ação na Justiça contra o delegado que o procurava enquanto estava foragido.
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O suspeito, de 55 anos e conhecido como Sasom Boiadeiro, é investigado pelo crime ocorrido em 7 de junho deste ano, em Quixeramobim, no interior do Ceará. O vaqueiro Dadá Guedes, apelido de Francisco, foi assassinado com golpes de faca momentos após a vítima ganhar o 1º lugar na competição.
Sasom Boiadeiro, à esquerda, é o suspeito de matar Dadá Guedes, à direita
Reprodução
Conforme a polícia, após passar um mês foragido, Sasom Boiadeiro se entregou na Delegacia de Quixadá e foi colocado à disposição da Justiça. Ainda em junho, a Delegacia de Quixeramobim concluiu o inquérito sobre o caso e o suspeito foi indiciado pelo crime de homicídio qualificado.
"A Polícia Civil informa que cumpriu, nesta quarta-feira, um mandado de prisão preventiva em desfavor de um homem, de 56 anos, suspeito de envolvimento em um homicídio doloso registrado em Quixeramobim. O mandado foi cumprido na Delegacia de Quixadá, onde o suspeito foi, posteriormente, colocado à disposição do Poder Judiciário", disse a Polícia Civil.
Segundo documento ao qual o g1 teve acesso, dias após a morte de Dadá Guedes, a defesa de Sasom Boiadeiro entrou com uma "ação de obrigação de fazer", com pedido de urgência contra o delegado titutar de Quixeramobim, William Lopes, que investiga o crime, e o Estado do Ceará.
A medida judicial solicitava a remoção imediata das publicações feitas pelo delegado nas redes sociais que mostravam a foto do suspeito associando-o ao crime de homicídio. Na justificativa, a defesa de Sasom Boiadeiro alegou que o delegado "teria abusado de suas atribuições".
"Alega o autor, em resumo, que a autoridade policial teria abusado de suas atribuições ao divulgar sua imagem em redes sociais, associando-a a crime de homicídio, antes de qualquer condenação, o que supostamente violaria seu direito à presunção de inocência", diz um trecho do documento.
Pedido negado pela Justiça
Família de Dadá Guedes fez caminhada e colocou cartazes da sede da prefeitura de Quixeramobim durante ato que pediu a prisão do suspeito do crime.
Arquivo pessoal
Ao analisar o caso no dia 12 de junho, o juiz de Direito Rodrigo Campelo Diógenes reconheceu a ilegitimidade da denúncia contra o delegado William Lopes, mantendo o Estado de Ceará como único réu na ação, visto que este seria responsável por atos dos agentes públicos no exercício da função.
Em relação à alegação da defesa do suspeito de que as imagens divulgadas pelo delegado "teriam causado risco à integridade e à imparcialidade de futuro julgamento" contra Sasom Boiadeiro, o magistrado entendeu que os requisitos apresentados não são suficientes para a tutela de urgência, visto que o próprio autor da ação encontrava-se foragido.
"O Delegado de Polícia, ao divulgar a imagem do investigado, atua, em princípio, no estrito cumprimento do dever legal e na tentativa de cumprir uma ordem judicial de prisão. A utilização de canais de comunicação para a localização de indivíduos com mandado de prisão em aberto é ferramenta inerente à atividade", disse Rodrigo Campelo.
Para o juiz, não houve indicativo de qualquer ilegalidade por parte do delegado que merecesse ser sanada com urgência.
"Não se nega que a presunção de inocência constitui direito fundamental. Contudo, tal direito não se estende a impedir que a autoridade policial divulgue a imagem de investigados ou foragidos, notadamente na tentativa de dar cumprimento à ordem de prisão, principalmente em contexto envolvendo investigação de crime hediondo com grande comoção social", justificou o juiz.
Por fim, o magistrado ressaltou que cabe ao Ministério Público criminal acompanhar a legalidade da condução da investigação policial.
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Como o crime aconteceu
Câmera registrou correria em rancho após campeão de vaquejada ser morto em Quixeramobim.
Reprodução
Segundo testemunhas, Dadá Guedes confraternizava com amigos após a vitória e o suspeito do crime também acompanhava o grupo.
Ao retornar da arena onde tinha ido buscar o troféu, antes mesmo de descer do cavalo, Dadá Guedes foi atingido por Sasom Boiadeiro com golpes na virilha e no ombro.
Após ser ferido, a vítima caiu do cavalo e derrubou o troféu, que quebrou. O vaqueiro chegou a ser socorrido pelos colegas e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito fugiu em uma motocicleta.
Uma câmera de segurança do rancho onde o crime aconteceu registrou a correria após o assassinato do campeão de vaquejada.
A filha de Darlei Teixeira Vitor enviou um relato à TV Verdes Mares em que alega que o pai atingiu a vítima com uma arma branca para se defender de um ataque, no qual "ele (Darlei) teve a clavícula quebrada pois passaram por cima dele com um cavalo". A lesão teria impedido o suspeito de se entregar à polícia antes, pois ele teria receio sobre a recuperação no presídio.
"Quanto aos fatos, a realidade é completamente outra da que foi divulgada. O acusado nunca exigiu divisão de premio, ele ser quer participava da disputada, então de forma alguma ele seria beneficiado ou prejudicado pela divisão do premio", alegou.
"Meu pai tem 56 anos, é réu primário e sem qualquer antecedentes. É um homem extremamente trabalhador, não vivia da vaquejada. Meu pai é pecuarista, cria gado de corte e é caminhoneiro, tem um caminhão boiadeiro, por isso o apelido 'Sasom Boiadeiro'. Tem renda fixa, seu próprio dinheiro e jamais mataria alguém por mil reais como foi divulgado por sites inconsequentes. Ele foi ofendido antes. E o fato já aconteceu distante da pista de vaquejada", defendeu a filha do suspeito.
Família contesta motivação
Dadá Guedes com troféu que ganhou na vaquejada antes de ser morto.
Arquivo pessoal
Inicialmente, uma testemunha relatou ao g1 que o crime teria sido motivado porque o suspeito queria que Dadá Guedes dividisse com ele uma parte do valor ganho na competição, mesmo sem o suspeito integrar a equipe do vaqueiro.
A vítima já havia dividido o prêmio de R$ 2 mil do 1º lugar da competição com outro competidor, ficando R$ 1 mil para cada um.
No entanto, a família de Dadá Guedes contesta essa versão do interesse do suspeito no prêmio da vítima e acredita que Sasom Boiadeiro "agiu com crueldade" com outro motivo, que ainda está sendo investigado pela polícia., segundo os familiares da vítima.
"Esse 'cara' não tinha nada a ver com a premiação, ele não estava correndo com o Dadá. Ele matou por pura crueldade e a gente quer justiça", disse uma parente de Dadá Gudes, que terá a identidade preservada.
Conforme a organização do torneio, antes de ser morto Dadá foi à arena com os outros vencedores para receber o troféu da vaquejada. No entanto, deixou o local antes de pegar o dinheiro, que foi recebido pelo patrão para repassá-lo.
Campeão de vaquejada agradeceu por vitória antes de ser assassinado em Quixeramobim
Dadá Guedes colecionava prêmios na vaquejada e era bastante querido no meio.
Arquivo pessoal
Francisco Eudazio Lira Soares, o Dadá Guedes, de 30 anos, foi morto a facadas após ser campeão de vaquejada em Quixeramobim.
Arquivo pessoal
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