Longe da família, venezuelanos em Santarém, no Pará, vivem angústia após terremoto e se mobilizam para ajudar vítimas

ONP Summary
Two major earthquakes (magnitudes 7.2 and 7.5) struck north-central Venezuela on June 24, 2026, destroying buildings and critical infrastructure including hospitals and morgues across the coastal state of La Guaira and surrounding areas. Official figures reported over 1,450 deaths and approximately 3,150 injuries, with rescue efforts continuing while secondary challenges including looting and public health risks from collapsed facilities emerged. International humanitarian teams and American military personnel were deployed to support local authorities in relief operations.
Progressive: Progressive-leaning outlets emphasize that the disaster exposes systemic failures—economic collapse, chronic government mismanagement, and inadequate emergency preparedness—framing the humanitarian crisis as rooted in institutional dysfunction.
Moderate: Centrist outlets focus on factual reporting of casualty numbers, infrastructure damage, rescue coordination, international assistance, and emerging secondary challenges such as looting and health hazards.
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Terremoto na Venezuela
Reprodução TV Globo
A mais de dois mil quilômetros de distância, venezuelanos que reconstruíram a vida em Santarém, no oeste do Pará, acompanham com desespero e aflição, os desdobramentos do terremoto que devastou a Venezuela na última quarta-feira. O desastre já deixou mais de 1.700 mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos, segundo as atualizações mais recentes. Sem conseguir retornar ao país, muitos tentam contato com parentes nas áreas afetadas enquanto se mobilizam para enviar ajuda humanitária.
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O mecânico Edwien León mora em Santarém há oito anos e não visita a Venezuela há mais de dois anos. Toda a sua família permanece no país: pais, irmão, duas filhas, primos e amigos. Apesar de ter conseguido confirmar que os parentes mais próximos estão bem, ele não esconde a emoção. "Fico muito preocupado, passa o desespero de saber como está sua família, se está morto. Não é fácil estar distante e saber de uma tragédia dessas", relatou.
Seu primo, o também mecânico Jampiero León, está no Brasil há menos tempo e guarda na memória um episódio parecido. Ele estava na Venezuela em 2018, quando o país foi atingido por outro terremoto. "Durou um minuto e meio. Não foi para o centro do país, foi no litoral. Não afetou tanto. Mas causou muita preocupação e medo nas pessoas", lembrou. Agora, de longe, ele acompanha uma tragédia de proporções muito maiores. "Muito triste pelas pessoas que perderam seus filhos, seus familiares, amigos", disse.
Os dois primos fazem parte de uma comunidade venezuelana que, mesmo distante, não ficou de braços cruzados. Equipes formadas por imigrantes venezuelanos em Santarém estão organizando coletas de donativos para enviar às vítimas.
A coordenadora Analy Chica Galicia explica que a prioridade agora não são roupas, alimentos ou água, itens que já foram arrecadados em grande quantidade em Manaus. O que falta são insumos médicos: gazes, bandagens, soluções salinas, álcool, luvas descartáveis, medicamentos injetáveis, além de materiais para os socorristas, como luvas de trabalho e máscaras N95. Itens de higiene pessoal e alimentos para bebês e adultos também são necessários.
Número de mortos nos terremotos na Venezuela sobe para 1.700
Os donativos podem ser entregues na Avenida Turiano Meira, 3873, bairro Diamantino, ou na Avenida Gripina Matos, 768, bairro Caranazal. Informações pelo número 93-992-57-2345.
Para a neuropsicóloga Suanne Souza, acompanhar uma tragédia à distância quando se tem familiares em outro país provoca impactos emocionais profundos. Segundo ela, sentimentos de impotência, insegurança e desequilíbrio psicológico são comuns nesses momentos. A especialista reforça a importância de ter uma rede de apoio para expressar o que se sente e reduzir a ansiedade. Quando esse suporte já não é suficiente, ela orienta a buscar acompanhamento psicológico profissional.
Edwien León deixou um recado para os brasileiros: "O Brasil está muito perto da Venezuela. A fronteira não pode ser um problema entre os dois países. Temos que ajudar os irmãos venezuelanos", disse.
O governo brasileiro já enviou uma missão humanitária à Venezuela em aeronave da Força Aérea Brasileira, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Um hospital de campanha, equipes de saúde, medicamentos e insumos também foram disponibilizados.
Nesta segunda-feira, mesmo com as chances de encontrar sobreviventes diminuindo, voluntários seguiam trabalhando incessantemente nos escombros. A ONU estima que os tremores afetaram até 6,8 milhões dos quase 30 milhões de habitantes do país. O risco de novos danos persiste, com tremores secundários continuando a atingir diversas regiões da Venezuela.
Colaborou: Adriana Marinho e Zé Rodrigues/ TV Tapajós
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