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Locais onde estão praça e shopping de Ribeirão Preto já foram cemitérios; entenda

G1 (Globo)
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Locais onde estão praça e shopping de Ribeirão Preto já foram cemitérios; entenda

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Praça e shopping escondem histórias de antigos cemitérios em Ribeirão Preto, SP
Uma simples caminhada pela Praça XV de Novembro ou uma visita ao Shopping Santa Úrsula pode levar moradores e visitantes a passar por locais que já tiveram uma função bem diferente. Os dois espaços, na região central de Ribeirão Preto (SP), guardam histórias ligadas a antigos cemitérios.
Enquanto a Praça XV abrigou o primeiro cemitério na área urbana de Ribeirão Preto, o terreno onde atualmente funciona o Shopping Santa Úrsula foi utilizado para o sepultamento de freiras e religiosas ligadas a congregação responsável pelo antigo colégio que ocupava o quarteirão.
Segundo especialistas, em locais como a Praça XV de Novembro, é possível que ainda haja restos mortais não retirados com o fechamento do cemitério.
"Desde quando foi urbanizada aquela área e formou-se a Praça XV, houve várias reformas e escavações. Foram encontrados sim ossos de pessoas que foram enterradas ali. Agora, com certeza, ficou muita gente ali ainda", afirma o historiador José Antônio Lages.
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Para resgatar esse passado, o g1 contou com a ajuda dele e do historiador Felipe Souza.
O cemitério da Praça XV de Novembro
Criado em 1867, com a construção da Capela de São Sebastião, o primeiro cemitério urbano de Ribeirão Preto ocupava a área que se estendia da atual Fonte Luminosa até as proximidades do Monumento ao Soldado Constitucionalista, na Praça XV.
Segundo o historiador José Antônio Lages, a localização seguia um critério da época, quando a Igreja Católica acumulava funções que hoje pertencem ao poder público.
"Várias funções públicas que hoje a gente reconhece que são funções do poder público e do estado, na verdade eram funções de responsabilidade da igreja, e essa questão dos cemitérios era a mesma coisa, os cemitérios eram de responsabilidade da igreja", afirma.
Capela de São Sebastião em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Naquele período, era função da igreja registrar nascimentos, casamentos e mortes. Por isso, os cemitérios eram instalados ao lado ou nos fundos das capelas, consideradas áreas sagradas para os sepultamentos.
Documentos históricos mostram que o espaço foi utilizado por cerca de uma década. Segundo Lages, existe inclusive um livro com registros dos sepultamentos realizados no local e que também servia como contabilidade dos custos da igreja.
"Temos inclusive o primeiro livro do registro desses óbitos. (...) Esse livro do Registro de Óbitos, o primeiro aqui de Ribeirão, é como se fosse um livro de contabilidade, porque de um lado a página registrava receita e despesa, já do lado contrário, no verso das páginas, é que você tinha os registros de óbito", relata.
O documento ainda reúne informações sobre os falecidos, como idade, filiação, causa da morte e até os valores pagos pelos sepultamentos. Em alguns casos, há registros de enterros realizados gratuitamente devido à situação financeira das famílias.
De acordo com o histórico, 268 sepultamentos foram anotados no livro de óbitos entre os anos 1867 e 1870, sendo 149 homens e 119 mulheres.
Capa e contra capa do livro de óbitos de Ribeirão Preto (SP)
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Crescimento da cidade e outros cemitérios
Segundo o historiador Felipe Souza, com o crescimento da então Vila de São Sebastião do Ribeirão Preto, o primeiro cemitério tornou-se pequeno para atender a demanda da cidade.
"Ele foi desativado por conta dos movimentos sanitaristas, higienistas, de afastar os mortos cada vez mais da centralidade urbana principal e também porque a Igreja Matriz já estava em decadência em 1878, era um prédio velho, já tinha caído uma torre também, um prédio construído de maneira mais simples também", explica.
Mapa da região central de Ribeirão Preto (SP) no fim do século XIX
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Após a desativação, outros dois cemitérios urbanos foram criados em diferentes pontos da região central antes da inauguração do Cemitério da Saudade, em 1893, primeiro cemitério público da cidade.
"Existiu um cemitério na Praça As Bandeiras, que é a praça da catedral. Inclusive, ele foi transferido ali da Praça XV para a Praça As Bandeiras por volta de 1878 e depois também é transferido novamente por volta de 1887 para o território próximo à atual Praça Sete de Setembro, onde funcionou até 1893, que é quando é criado o Cemitério da Saudade nos Campos Elíseos."
Cemitério da Saudade, em Ribeirão Preto, vira ponto turístico e recebe visitação guiada
Reprodução/EPTV
Lages conta, que antes da transformação definitiva da área em praça pública, familiares chegaram a ser convocados para transferir os restos mortais de parentes para o novo cemitério.
Apesar disso, não há certeza de que todas as sepulturas tenham sido removidas.
"Saiu publicada uma nota em um jornal local dizendo assim: ‘Por favor, quem tem os seus entes queridos enterrados no cemitério da Matriz, favor retirá-los e levar os restos mortais para o novo Cemitério da Saudade’", conta Lages.
Shopping Santa Úrsula também teve cemitério
Outra história pouco conhecida pelos moradores envolve o terreno onde atualmente funciona o Shopping Santa Úrsula.
Segundo Lages, o local abrigava um cemitério particular ligado à congregação religiosa responsável pelo antigo Colégio Santa Úrsula e que esse tipo de prática era comum em conventos e instituições religiosas.
"Ali tinha um cemitério pra enterrar os membros da Irmandade dentro do próprio edifício, por exemplo, as freiras e as monjas. Mas ele existiu exatamente ali naquele quarteirão onde hoje é o Shopping Santa Úrsula".
Colégio Santa Úrsula em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Com a demolição do antigo colégio e a construção do shopping, os restos mortais das religiosas foram transferidos para outro local, embora não existam registros sobre o destino das sepulturas.
"O colégio vendeu o terreno ali no centro da cidade para o shopping e o shopping abriu um outro terreno pra construir um colégio mais moderno".
*Sob supervisão de Rodolfo Tiengo.
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