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FMI libera R$ 1,7 bilhão para Venezuela após terremoto que deixou mais de 5 mil mortos

G1 (Globo)
FMI libera R$ 1,7 bilhão para Venezuela após terremoto que deixou mais de 5 mil mortos

Agora no g1
Três semanas após o duplo terremoto que deixou mais de 5 mil mortos na Venezuela, o Fundo Monetário Internacional (FMI) liberou na sexta-feira (17) recursos para a reconstrução das áreas devastadas.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou que a "Venezuela ganhou acesso a 346 milhões de dólares (R$ 1,77 bilhão ) de seus próprios recursos retidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse em um comunicado publicado no Telegram.
"Os fundos permitirão apoiar as famílias afetadas em moradia, infraestrutura, serviços públicos essenciais, entre outras necessidades", acrescentou Rodríguez.
O anúncio ocorre depois que o FMI retomou em abril suas relações com a Venezuela, congeladas desde 2019, após a captura de Nicolás Maduro em uma incursão militar americana em janeiro.
Enquanto isso, a angústia dos familiares aumenta ao tentar localizar seus entes queridos ainda sob os escombros de prédios que desabaram com os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 ocorridos em 24 de junho. Segundo o último balanço oficial, o número de mortos subiu para 5.069.
Em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 9 de julho de 2026, pessoas aguardam notícias de parentes que se acredita estarem presos sob os escombros após os terremotos de 24 de junho.
RAUL ARBOLEDA / AFP
"Ninguém vai para vala comum"
Na noite de sexta-feira, parentes e voluntários continuavam na busca por cadáveres. Nuvens de moscas se espalham entre as ruínas de prédios desabados em La Guaira, um balneário popular a 40 quilômetros de Caracas que registra os maiores danos.
"Tem muita gente lá embaixo, ninguém quer mexer com mortos", disse à AFP Hildegar Mujica, um economista de 60 anos que procura sua ex-esposa, soterrada entre placas de concreto empilhadas de uma torre de doze andares que a terra praticamente engoliu.
Mujica procura Leida Mata, uma aposentada de 62 anos que morava em um conjunto de quatro prédios em Caraballeda, uma área conhecida do litoral de La Guaira.
O desconforto dos familiares aumenta diante das dificuldades para recuperar cadáveres sem ajuda de máquinas. Alguns optaram por alugar retroescavadeiras para erguer paredes que os impedem de chegar até seus mortos.
"Em nenhum momento se viu, por parte dos órgãos do Estado, interesse pelos corpos que estão dentro de toda essa estrutura de pedra. Na verdade, há corpos visíveis e, se não há familiares que possam reconhecê-los, não são considerados", acrescentou Mujica.
Rodríguez garantiu que "ninguém vai para vala comum", ao se referir às ações de seu governo para localizar e identificar as vítimas.
Pagar para retirar mortos
Na cidade de La Guaira estão localizados a maioria dos 190 prédios que desabaram completamente devido à fúria dos terremotos. Outros 856 sofreram danos que os tornaram praticamente inabitáveis.
À medida que os dias passam, alguns familiares têm optado por pagar a particulares para que os ajudem na recuperação de seus parentes mortos.
Um deles contou à AFP, sob anonimato, que vai pagar 300 dólares (R$ 1.535 ) para que encontrem seu familiar.
"Por não termos um Estado que nos represente, ficamos à deriva, entregues à vontade de Deus", disse.
Johan Torumo, um voluntário de 45 anos nascido em La Guaira, é contra a cobrança pelo resgate de cadáveres.
"Tenho uma testemunha a quem tiraram 1.300 dólares (R$ 6.652 )", comentou o socorrista, que critica a falta de ajuda oferecida pelo governo.
O duplo terremoto deixou milhares de pessoas desabrigadas. Mais de 21.000 vivem em acampamentos em condições extremamente precárias de superlotação e escassez. ...

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