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Tigre, continência, K-pop, camisa da seleção: os símbolos do 2º turno na Colômbia

G1 (Globo)
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Tigre, continência, K-pop, camisa da seleção: os símbolos do 2º turno na Colômbia

Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda
Reuters/Luisa Gonzalez; Reuters/Sergio Acero
De um lado, um outsider extravagante que usa como símbolos a saudação militar, a imagem de um tigre e a camisa da seleção de futebol. De outro, um filósofo de esquerda que apostou nos jovens amantes do K-pop sul-coreano para dinamizar sua campanha.
A Colômbia vai às urnas neste domingo (21) para escolher entre o candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella e o candidato de esquerda Iván Cepeda - apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro.
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Os dois não poderiam ser mais diferentes. Sem experiência em cargos públicos, Abelardo de la Espriella se tornou uma figura quase teatral diante de seu adversário, Iván Cepeda, que adotou uma campanha mais austera.
Espriella lidera as pesquisas de intenção de voto e, se eleito, colocará fim ao primeiro governo de esquerda da Colômbia - país marcado por mais de seis décadas de conflito armado interno.
Confira a seguir as curiosidades do marketing político por trás dos candidatos à presidente na Colômbia:
Prestar continência
Comício do candidato Abelardo De La Espriella
Reuters/Charlie Cordero
Toda vez que Espriella termina uma intervenção, leva a mão direita ao cenho, baixa rapidamente e grita: "Firme pela pátria!".
Embora não tenha formação militar, inspirou seus apoiadores a prestar continência como saudação.
Seus atos públicos costumam ser acompanhados por militares reformados vestidos com trajes camuflados, que se alinham quando toca o hino nacional.
Em seus discursos, ele ressalta o trabalho dos soldados e assegura que, se for eleito presidente, sua cerimônia de posse será realizada em um batalhão.
Uma comissão surgida do acordo com as Farc estimou que pelo menos 403 mil membros da força pública foram vítimas durante o conflito armado.
O Tigre
Apoiador de Espriella leva tigre de pelúcia a comício.
Reuters/Cesar Quiroz
Segundo sua página na internet, o apelido de Espriella, "El Tigre" surgiu de uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe, que governou entre 2002 e 2010.
O líder da direita colombiana, que apoia o ultradireitista após a derrota de seu partido no primeiro turno, afirmou em 2024 que a Colômbia precisava de "um tigre" ou "uma tigresa" na Presidência.
Espriella assumiu como própria a imagem do felino, como fizeram os presidentes argentino, Javier Milei, com o leão, e o americano, Donald Trump, com a águia-careca americana.
Tudo isso combinado com vídeos de inteligência artificial e fogos de artifício no palanque.
K-popers
Apoiadora mostra imagem do candidato Ivan Cepeda
Reuters/Sergio Acero
A principal inspiração do esquerdista Iván Cepeda para conquistar votos veio do outro lado do Pacífico.
Sua campanha sóbria, a ponto de ser considerada enfadonha por alguns especialistas, visou os 'k-popers', fãs da música sul-coreana K-pop, que mobiliza milhões de pessoas ao redor do mundo.
O gesto simbólico do senador é o coração coreano: cruzar a ponta do indicador e o polegar para formar um pequeno coração.
Geralmente jovens da geração Z, os k-popers se organizaram para apoiar as propostas deste filósofo e defensor dos direitos humanos de 63 anos com danças, cartazes e vídeos com músicas do BTS e de outros grupos.
Também fizeram encontros presenciais, sobretudo em Bogotá.
Camisa da seleção
Abelardo De La Espriella com a camisa da seleção da Colômbia durante comício.
Reuters/Sergio Acero
A camisa amarela da seleção de futebol da Colômbia se tornou um símbolo da direita.
No marco da Copa do Mundo de Futebol-2026, Espriella e seus seguidores usaram a camisa na campanha diante do incômodo da esquerda, que os acusou de se apropriarem de um símbolo nacional.
Muitos de seus apoiadores votaram no primeiro turno vestindo camisas com os nomes de craques da seleção, como James Rodríguez e Luis Díaz.
A estratégia se assemelha à empregada no Brasil, onde os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro também têm usado a camisa verde e amarela da seleção como símbolo nos últimos anos.
Em uma tentativa de desvincular a camisa da direita, Petro e alguns ministros também a vestiram.
No começo de junho, uma juíza proibiu Espriella de usá-la como símbolo, mas a Suprema Corte suspendeu esta decisão em seguida.
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