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Em carta, suspeita presa nega ter organizado evento com morte de jovem lançada sem cordas: 'Não tenho conhecimento técnico'

G1 (Globo)
Em carta, suspeita presa nega ter organizado evento com morte de jovem lançada sem cordas: 'Não tenho conhecimento técnico'

Morte em Rope Jump: veja depoimento de apontada como organizadora do evento
Apontada pela polícia como organizadora do evento que terminou com a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, lançada sem cordas durante um salto de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves negou que era responsável pelas atividades e pelo grupo que as promovia.
A declaração ocorreu em uma carta escrita por Evelyne, que está presa, e divulgada à imprensa pela defesa dela na noite desta segunda-feira (6). No relato, a mulher acusa Luis Felipe Feliciano Egoroff, outro suspeito preso, de ser o organizador dos eventos.
"Toda parte de organização, planejamentos, decisões dos eventos era feita pelo Luis Felipe, que era a pessoa responsável por coordenar as equipes, definir a estrutura e cuidar de tudo o que era necessário para a realização dos eventos. Minha participação era somente nas atividades que eu era chamada para trabalhar", afirmou.
O g1 tenta contato com a defesa de Luis Felipe.
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Evelyne dos Santos, apontada como chefe da equipe responsável pelo salto e que se denomina, nas redes sociais, CEO da Entrecordas.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
O primeiro inquérito foi concluído no dia 22 de junho e indiciou três instrutores ligados ao salto por homicídio com dolo eventual, quando o autor não tem a intenção direta de matar a vítima, mas assume o risco de produzir esse resultado. São eles: Luis Felipe, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves.
Já na última semana, a polícia concluiu o segundo inquérito e indiciou Evelyne por homicídio e também por fraude processual, já que as investigações apontaram que ela excluiu uma conta do grupo nas redes sociais logo após a tragedia.
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Na carta, no entanto, Evelyne negou que tenha excluído a conta e alegou que ela foi derrubada por conta de denúncias dos usuários na plataforma. Além disso, a suspeita afirmou que não sabe onde está a câmera que estava com Maria Eduarda durante o salto.
Neste domingo (5), o Fantástico revelou que Evelyne pode ter orientado funcionários a apagarem imagens gravadas por câmeras após acidentes ocorridos.
"A minha conta do Instagram foi derrubada após denúncias, por isso eu não tenho mais acesso ao meu perfil e nem ao conteúdo dele. Não sei onde está a câmera usada nos eventos, pois ela nunca esteve sob minha responsabilidade ou controle", citou a suspeita.
Os quatro indiciados seguem presos. Já João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins também chegaram a ser presos, mas a polícia solicitou a revogação das prisões.
Ao concluir o inquérito final, a delegada Andrea Levy destacou que os elementos colhidos durante as investigações permitem a polícia concluir que o evento era realizado em contexto de "relevantes falhas organizacionais e de segurança, caracterizado por deficiência de protocolos operacionais, ausência de controles adequados, elevado número de participantes e execução da atividade em condições incompatíveis com o grau de risco envolvido".
Leia a carta de Evelyne na íntegra:
"Escrevo esta carta para esclarecer qual foi a minha participação nos eventos realizados da equipe 'Entre cordas'. Meu nome é Evelyne e eu trabalhava como freelancer, fazendo serviços de vendas e divulgação por meio de mídias sociais. Meu trabalho era divulgar os eventos e atender as pessoas. Os eventos já aconteciam antes mesmo de eu começar a trabalhar com eles. Fui chamada pelo Luis há 8 meses para prestar serviços como freelancer, ajudando na divulgação e nas vendas.
Toda parte de organização, planejamentos, decisões dos eventos era feita pelo Luis Felipe, que era a pessoa responsável por coordenar as equipes, definir a estrutura e cuidar de tudo o que era necessário para a realização dos eventos. Minha participação era somente nas atividades que eu era chamada para trabalhar.
Eu não tinha poder de decisão sobre a realização dos eventos, não fazia contratações, não realizava pagamentos, não coordenava funcionários e nem participava das decisões sobre montagem, manutenção, funcionamento dos equipamentos ou questões de segurança. Não tenho conhecimento técnico para a realização dos saltos e nunca ajudei na operação.
O dinheiro das vendas feitas nos eventos ia diretamente para o Luis Felipe, tanto que os comprovantes da maquininha de cartão estavam no nome dele, inclusive o cadastro da máquina de cartão. O WhatsApp e Pix também estavam em nome dele, onde os clientes faziam os pagamentos diretamente para ele. Eu não tinha controle sobre os valores recebidos e nem participava da administração do dinheiro dos eventos.
Já o Maicon, naquele dia era responsável por supervisionar os debrês. Luis Felipe que organizava as datas e me passava, eu vinha do RS no dia do evento combinado, fazia meu serviço, e voltava para casa. O Luis Felipe quem me pagava pelo trabalho, e eu recebia pelos dias dos eventos que eu trabalhava.
No dia do ocorrido, eu não desci da ponte. Permaneci na parte de cima, onde ainda havia várias pessoas na plateia. Depois que eu entendi o que havia acontecido, fiquei desesperada e com muito medo, e não saí de lá de cima. Eu estava sozinha na parte de cima da ponte e fiquei com receio da reação das pessoas que estavam lá, inclusive de sofrer algum tipo de agressão ou linchamento. Por isso, eu tentei falar pelo rádio para pedir ajuda, mas ninguém respondia.
Fiquei desesperada, sem saber o que fazer, comecei a gritar lá de cima da ponte, chamando o Gustavinho. Em nenhum momento fiquei sozinha com o Gustavinho, e nem com ninguém da equipe naquele dia. Ele subiu e, logo depois, uma mulher que estava na plateia se apresentou como enfermeira e pediu para ajudar. O Gustavinho se dispôs a ir com ela até a parte de baixo da ponte.
Depois disso, fiquei sozinha novamente e passei a chamar o Kaue para subir, pois o amigo da vítima estava gritando muito e eu comecei a passar mal com toda aquela situação. Quando ele sobe, logo depois a polícia chega e sobe todo mundo que estava lá embaixo.
Além disso, a minha conta do Instagram foi derrubada após denúncias, por isso eu não tenho mais acesso ao meu perfil e nem ao conteúdo dele. Não sei onde está a câmera usada nos eventos, pois ela nunca esteve sob minha responsabilidade ou controle. Gostaria ainda de deixar meus mais sinceros sentimentos e minha solidariedade à família da menina Maria Eduarda diante do ocorrido. Tenho muito respeito pela dor que a família está enfrentando e desejo, de coração, que todos os fatos sejam esclarecidos.
Desde o primeiro momento, tenho colaborado com as autoridades e com a Justiça, respondendo a todas as perguntas que me foram feitas, informando meu endereço corretamente, local onde fui encontrada posteriormente. Em nenhum momento resisti às determinações das autoridades. Continuo à disposição e seguirei colaborando com as investigações, porque também desejo que tudo seja esclarecido.
Evelyne dos S. Gonçalves."
Quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil por morte em rope jump
Reprodução
Abaixo, veja quem são as pessoas investigadas, a situação de cada uma delas e as suspeitas levantadas pela Polícia Civil:
Investigados
Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves
Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte
Foram indiciados por homicídio com dolo eventual
Estão presos desde o dia da tragédia. A prisão preventiva foi decretada no dia seguinte
Evelyne dos Santos Gonçalves
Apontada como organizadora do evento de rope jump
Foi indiciada por homicídio qualificado e fraude processual
Está presa desde o dia 20 de junho. Polícia pediu a prisão preventiva e aguarda decisão da Justiça
Polícia indica que Evelyne assumiu o risco ao manter a atividade em condições precárias
Ainda segundo a polícia, de acordo com depoimentos, a mulher pode ter orientado colaboradores a "sumir com a câmera" que estava presa ao pulso da jovem e que gravava o salto
Luís Gustavo de Oliveira
Atuava com a recepção dos praticantes, conferência de dados, organização e equipagem básica
Não foi preso nem indiciado pela polícia
Kauê Felipe Silva Silveira
Atuava como colaborador eventual da equipe, com posição de trabalho voltada para a estrutura de ancoragem, de costas para a área de lançamento
Polícia não verificou conduta atribuível ao investigado que tenha contribuído para a morte
Não foi preso nem indiciado
João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva
Exercia função de retirada do mosquetão dos participantes após a realização dos saltos, na parte inferior da ponte
Após a queda, aproximou-se da vítima, verificando sinais vitais e comunicando via rádio a necessidade de apoio especializado
Foi preso em 20 de junho por suspeita de ocultar provas
Polícia, no entanto, afastou essa possibilidade e pediu a revogação da prisão
Não foi indiciado
Gabriel Barros Martins
Exercia função específica no acompanhamento da descida do participante após o salto, realização dos bloqueios e desbloqueios do sistema e preparação do equipamento para futura utilização
Foi preso em 20 de junho por suspeita de fugir do local após a tragédia
No entanto, polícia descartou que ele tenha influência, de forma intencional ou não, na morte e pediu a revogação da prisão
Não foi indiciado
O que dizem as defesas
A defesa de Luis Felipe e de Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso. Segundo ela, tratava-se da prática de um grupo idôneo e que o ocorrido foi "uma fatalidade inexplicável".
Evelyne era representada por um profissional que declarou que ela estava confiante sobre a própria inocência. No entanto, ao decorrer do processo, a suspeita trocou de advogado. O novo defensor informou que recebeu a conclusão do inquérito com respeito, mas que discorda do indiciamento.
"Trata-se de manifestação da autoridade policial, que será submetida ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. As teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, confiando que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos, observando o devido processo legal e a presunção de inocência", informou Maurício Marchiori.
Em nota, os advogados de João Antonio, Vitor Aurélio e Ana Flávia de Almeida Foguel, informaram que o instrutor deve ser indenizado pelo período preso.
"A defesa lamenta o julgamento antecipado que João sofreu e o tempo que permaneceu em cárcere de forma ilegal, especialmente porque nunca houve qualquer indício de que ele teria desaparecido com referido objeto. Desde o início da segregação, esta se mostrou ilegal e desnecessária, sendo apontado todos os vícios pelos advogados subscritores. Apesar das graves e irreparáveis consequências pessoais que isso gerou em sua vida pessoal, restou comprovado que ele não praticou qualquer crime, devendo, inclusive, ser indenizado pelo período em que permaneceu, indevidamente, preso", afirmaram.
A defesa de Gabriel Barros informou que a suspeita é um equívoco.
O g1 tentou localizar a defesa de Vitor de Freitas Gonçalves, de Kauê Felipe Silva Silveira e de Luís Gustavo de Oliveira, mas não conseguiu até a última atualização desta reportagem.
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