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Fotógrafo que sobreviveu a tiro na cabeça supera sequelas e faz ensaios em parque de Teresina: 'mais de 2 meses sem conseguir falar'

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Fotógrafo que sobreviveu a tiro na cabeça supera sequelas e faz ensaios em parque de Teresina: 'mais de 2 meses sem conseguir falar'

Fotógrafo que sobreviveu a tiro na cabeça supera sequelas e faz ensaios em parque
O fotógrafo Walefy Alves, de 29 anos, trabalha aos fins de semana no Parque da Cidadania, em Teresina, para complementar a renda. Por trás da rotina de fotos ao ar livre, ele carrega uma história de superação após sobreviver a uma tentativa de assalto.
Em 2023, Walefy foi baleado na cabeça durante uma tentativa de assalto enquanto voltava de um trabalho. Os criminosos tentaram roubar os equipamentos de fotografia dele. Mesmo ferido, o fotógrafo conseguiu pilotar a motocicleta até a casa da mãe.
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"Só não levaram meu equipamento pois acharam que eu iria morrer. Passei meses sem conseguir falar. Mesmo com a dificuldade da fala, eu ainda corro atrás do meu sem atrasar ninguém", afirmou.
"Passei dois meses sem conseguir produzir som, pesava muito pra falar. Demorei para me levantar na hora, cai em cima da moto ao levantar algumas vezes, foi realmente complicado. Quando levantei, só lembrei da mãe, queria e fui ver ela. Quando cheguei em casa, esqueci do freio e bati com a moto no portão. Minha mãe veio braba pela pancada no portão, quando me viu...", detalhou Walefy.
Fotógrafo que sobreviveu a tentativa de assalto faz renda extra com sessão de fotos em Teresina
Reprodução (Walefy Alves/Arquivo pessoal)
Apesar do susto, o profissional afirma que não chegou a formalizar a denúncia contra os assaltantes. Na época da tentativa de roubo, ele já frequentava o Parque da Cidadania para praticar fotografia e atrair clientes.
"Em julho de 2023, passamos a ir para o parque treinar fotografia aleatória, fizemos muitas fotos dos animais que estavam lá e logo resolvemos oferecer fotos por unidade. Começamos a levar balanço para oferecer fotos das crianças, que faziam uma bela festa", explicou.
Walefy trabalha ao lado da companheira, Raquel Paz, que atua como diretora criativa dos projetos. O casal também atende em um estúdio na Zona Sul de Teresina, cedido pelo pai do fotógrafo. Mesmo com o espaço, eles continuam oferecendo ensaios independentes no Parque da Cidadania.
O profissional conheceu a fotografia por meio do pai quando ainda era criança, mas ressalta que se desenvolveu na carreira ao pesquisar e testar a atividade por conta própria.
"Falava super bem, tinha uma confiança extrema. As sequelas da tentativa de assalto atrapalharam bastante meu desempenho, vi muita diferença na aceitação dos clientes. [...] Tinha que falar o que me aconteceu para que o público possa confiar em meu trabalho, pois isso só mudou minha confiança, aparência e fala, não mudou meu conhecimento do equipamento de forma alguma", explicou.
Fotógrafo que sobreviveu a tentativa de assalto faz renda extra com sessão de fotos em Teresina
Reprodução (Arquivo pessoal)
Antes de se dedicar à fotografia, Walefy administrou uma hamburgueria. Ainda assim, mantinha o interesse pela área desde jovem. De acordo com ele, os clientes do empreendimento começaram a convidá-lo para fotografar ocasiões especiais.
"Parei para pensar no lucro e trabalho da hamburgueria e da fotografia e gostei da diferença, mesmo que a hamburgueria estivesse criando nome, eu estava super a fim de arriscar", afirma.
Casamentos comunitários
Os casamentos comunitários realizados aos domingos no Parque da Cidadania se tornaram outra possibilidade de renda extra para Walefy. A última cerimônia, realizada em maio, reuniu 185 casais e convidados.
O fotógrafo, que costuma estar no parque apenas aos fins de tarde, antecipou a rotina em nove horas, chegando às 7h30, para aproveitar o evento. Ele e a companheira atenderam alguns casais e faturaram mais de R$ 800 com as imagens.
"Seria melhor para nós se não tivessem colocado fotógrafo grátis. Ano passado fomos os únicos fotógrafos e fotografamos 8 casais. Fomos sem ter marcado com nenhum, apenas com a experiência que já temos mesmo. Todos saíram felizes", relatou Walefy.
Walefy relata que, na edição passada do casamento comunitário, a renda com as imagens chegou a R$ 1.600.
"Vendemos 1 foto por R$ 15, a partir de 3 fica R$ 12 cada e a partir de 10 fotos fica R$ 10 cada. Fazemos fotos antes, durante e após o evento. Ficamos até quando precisarem do serviço”, pontuou o fotógrafo.
*Eduarda Barradas, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.
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