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Avô é diagnosticado com autismo ao acompanhar tratamento do neto no Acre: 'Foi libertador'

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Avô é diagnosticado com autismo ao acompanhar tratamento do neto no Acre: 'Foi libertador'

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Avô descobre autismo aos 55 anos no Acre
A busca por respostas para entender o comportamento de Rurik Heitor Chaves, de 6 anos, revelou uma descoberta que atravessou gerações em uma família de Rio Branco. Após o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 do menino, o avô materno, Ramiro Mendes, de 58 anos, também passou por avaliação especializada e descobriu que também é autista.
A descoberta veio há três anos, quando Ramiro tinha 55 anos. "Quando recebi o diagnóstico, algumas coisas passaram a fazer mais sentido na minha vida, principalmente a enorme dificuldade de interação social", relembra.
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Avô e neto receberam o diagnóstico quando a neuropsicóloga Helenara Chaves, de 34 anos, percebeu que o filho apresentava comportamentos diferentes dos observados em outras crianças da mesma idade.
Ela conta que os primeiros sinais surgiram ainda nos primeiros meses de vida de Rurik.
“Ele tinha interesses muito específicos por formas e letras, algo que não era comum para uma criança tão pequena. Também apresentava movimentos repetitivos com as mãos e se incomodava em ambientes com muitas pessoas. Nós percebemos que havia características que precisavam ser investigadas”, relembrou.
Apesar do desenvolvimento precoce em algumas áreas, como a linguagem, o menino apresentava dificuldades de interação social. Diante das suspeitas, os pais iniciaram intervenções e buscaram acompanhamento especializado antes mesmo da confirmação diagnóstica.
“Foi um alívio porque conseguimos confirmar as hipóteses que observávamos nele. Ao mesmo tempo, existe um processo de luto, porque surgem preocupações sobre o futuro e sobre como oferecer tudo o que ele precisa”, afirmou Helenara.
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Enquanto acompanhava o desenvolvimento do neto e o processo de investigação do diagnóstico, Ramiro começou a perceber semelhanças entre os comportamentos de Rurik e situações que ele próprio vivenciava desde a infância.
O aposentado enfrentava um quadro de depressão associado ao desgaste provocado pelas relações sociais e fazia acompanhamento psiquiátrico. Durante as consultas, as características observadas no neto passaram a chamar a atenção dos profissionais que o atendiam.
A partir desses questionamentos, Ramiro aceitou passar por uma avaliação específica para o Transtorno do Espectro Autista. O diagnóstico de TEA nível 1 de suporte foi confirmado em 2023.
O diagnóstico de TEA de Rurik ajudou a família a identificar características semelhantes no avô materno, Ramiro Mendes, que recebeu o laudo aos 55 anos
Arquivo pessoal
Descoberta e respostas
Ao g1, Ramiro contou que a descoberta ajudou a compreender dificuldades que o acompanharam durante toda a vida.
“Sempre tive dificuldade em me relacionar com as pessoas e não compreendia por que isso acontecia. Se eu pudesse ficar sozinho, evitar conversar e interagir, isso me deixava muito confortável”, relatou.
Ramiro afirma ainda que o diagnóstico trouxe explicações para situações que enfrentava desde a infância, mas que nunca havia conseguido compreender completamente.
Segundo ele, a dificuldade para manter contato visual, a necessidade frequente de isolamento e os desafios para estabelecer relações sociais fizeram parte de diferentes fases da vida, inclusive durante os mais de 30 anos em que atuou como professor.
Pais de Rurik, Helenara e Rômulo Chaves, iniciaram intervenções ainda antes da confirmação do diagnóstico e acompanharam de perto o desenvolvimento do filho
Arquivo pessoal
“Uma mãe me procurou para falar sobre o filho e eu não conseguia olhar diretamente para ela. Precisei desviar o olhar durante toda a conversa. Ela ficou aborrecida e disse que eu estava sendo desrespeitoso. Na época, nem entendia por que aquilo acontecia. Hoje sei que essa dificuldade faz parte da minha condição”, relembrou.
Ainda de acordo com Ramiro, outra descoberta veio ao revisitar lembranças da infância. “Minha mãe me contou que comecei a falar por volta dos quatro anos e meio. Eu não entendia muitas das dificuldades que tive ao longo da vida. Quando recebi o diagnóstico, várias peças começaram a se encaixar”, contou.
Diagnóstico
Para Ramiro, a confirmação do diagnóstico representou mais do que uma explicação para comportamentos do passado. Segundo ele, a descoberta trouxe alívio e um novo entendimento sobre a própria trajetória.
“Descobrir o autismo foi libertador. Passei a entender quem eu era e por que determinadas situações aconteciam na minha vida”, pontuou.
O diagnóstico também provocou mudanças na forma como ele se relaciona com a família. Ramiro conta também que passou a refletir sobre comportamentos que, muitas vezes, geravam conflitos dentro de casa.
“Eu entendi que precisava aprender a ouvir mais e não permitir que o transtorno afetasse minha relação com a família”, diz.
O diagnóstico de TEA de Rurik ajudou a família a identificar características semelhantes no avô materno, Ramiro Mendes, que recebeu o laudo aos 55 anos
Arquivo pessoal
Ele afirma que esse processo o aproximou da esposa, dos filhos e dos netos, além de ajudá-lo a encontrar novas formas de comunicação e convivência. O aposentado destaca ainda que acompanhar o desenvolvimento de Rurik foi essencial para esse processo de autoconhecimento.
“O Rurik me ajudou muito a me compreender. Eu costumo dizer que não fui eu quem compreendeu o Rurik. Foi o Rurik quem me fez compreender melhor quem eu sou”, completou.
Trajetória e família
Atualmente, Rurik faz acompanhamento psicológico voltado para a regulação emocional e terapia ocupacional com integração sensorial. Ele também frequenta a escola, pratica futebol, jiu-jítsu e participa de atividades extracurriculares.
As atividades atuais têm como objetivo fortalecer habilidades sociais e emocionais, ao mesmo tempo em que estimulam os talentos do menino
Avô e neto compartilham não apenas características semelhantes, mas também uma nova compreensão sobre si mesmos.
Diagnosticado com TEA nível 1 aos 1 ano e 8 meses, Rurik Heitor Chaves, de 6 anos, faz terapias, pratica esportes e desenvolve habilidades ligadas à leitura e à linguagem
Arquivo pessoal
Para Helenara, a trajetória da família mostra como o acesso à informação e ao diagnóstico mudou ao longo das gerações.
“Meu pai cresceu sem respostas para muitas dificuldades que enfrentava. O Rurik, por outro lado, teve acesso à avaliação e às intervenções ainda na infância. Isso faz toda a diferença para o desenvolvimento e para a qualidade de vida'', completou.
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