Golpe do 'limpa-nome' pode estar por trás de R$ 33,8 milhões em dívidas ocultadas de consultas de crédito em Campinas

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Associações, advogados e juízes são investigados na "Indústria do Limpa Nome"
Um levantamento dos Cartórios de Protesto aponta que R$ 33,8 milhões em dívidas de Campinas (SP) deixaram de aparecer em consultas públicas de crédito, embora continuem existindo. Segundo a entidade, o fenômeno pode estar ligado ao golpe do 'limpa-nome', que dá a falsa aparência de regularidade financeira, iludindo consumidores endividados.
Entenda: o esquema vende a falsa promessa de que uma dívida pode simplesmente desaparecer. O que ocorre, porém, é apenas a retirada temporária do registro de inadimplência, enquanto a dívida continua existindo e pode voltar a aparecer depois (ao longo dessa reportagem, saiba mais sobre como funciona o golpe).
Na metrópole, o montante está relacionado a 4.589 protestos – que é um registro oficial, feito em cartório, de que uma dívida não foi paga. O cenário envolve:
384 devedores
374 credores
💸 Isso significa que mais de 4,5 mil dívidas não foram pagas, continuam registradas em cartório, mas não aparecem nas consultas de crédito.
Em todo o Brasil, 2,9 milhões de dívidas protestadas deixaram de aparecer publicamente, totalizando R$ 130 bilhões em débitos retirados das bases de informação utilizadas pelo mercado. Desse total, R$ 20,8 bilhões correspondem a créditos públicos, segundo os cartórios.
O crescimento dos casos levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a editar uma norma específica, o Provimento nº 225/26, para monitorar decisões judiciais que determinam a retirada de protestos das consultas públicas de crédito.
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Para especialistas, o prejuízo ultrapassa a esfera individual dos credores atingidos. Quando informações relevantes sobre inadimplência deixam de ser acessíveis ao mercado sem que a dívida tenha sido quitada, aumenta-se o risco das operações econômicas, encarece-se o crédito e reduz-se a segurança das relações comerciais.
“A publicidade dos protestos é fundamental para o funcionamento do mercado de crédito. Quando uma dívida válida deixa de aparecer das consultas públicas sem que tenha sido paga, cria-se uma distorção que prejudica credores, compromete a transparência das relações comerciais e aumenta o risco para todos aqueles que concedem crédito ou realizam negócios”, afirma Alexandre Arcaro, presidente do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção São Paulo (IEPTB/SP).
Como o esquema funciona
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Fantástico/ Reprodução
Passo a passo, o golpe do limpa-nome funciona da seguinte forma:
empresas ou associações prometem "limpar seu nome" rapidamente;
fazem propaganda dizendo que conseguem tirar restrições em poucos dias ou semanas;
muitas vezes cobram uma taxa ou mensalidade pelo serviço.
entram na Justiça com ações coletivas;
alegam, por exemplo, que os consumidores não foram devidamente avisados da negativação.
conseguem uma liminar (uma decisão provisória) para que o nome das pessoas seja retirado temporariamente dos cadastros de inadimplentes, como SPC e Serasa;
o nome desaparece dos órgãos de proteção ao crédito e, quando um banco ou empresa consulta o CPF, pode parecer que a pessoa não tem dívidas;
a dívida continua existindo, pois o débito não foi pago, perdoado nem cancelado, apenas ocultado.
se a liminar for derrubada ou o processo terminar desfavoravelmente, as restrições podem voltar.
Por que isso é considerado um golpe?
O limpa-nome é considerado um golpe porque pode vender a ideia de que:
a dívida será "apagada";
o consumidor ficará livre das cobranças;
o crédito será recuperado de forma definitiva.
Na prática, isso não necessariamente vai acontecer. O que ocorre é apenas uma ocultação temporária da informação. Em alguns casos investigados, há suspeitas ainda mais graves:
associações "fantasmas";
pessoas incluídas em ações sem saber;
documentos falsos;
possíveis esquemas de corrupção para obter decisões judiciais rapidamente.
Quais os riscos para o consumidor?
O consumidor pode ter a impressão de que está sendo beneficiado, mas essa impressão pode ser arriscada. Com o golpe limpa-nome, ele:
paga por um serviço que não resolve a dívida;
acredita que está "com nome limpo" quando ainda é devedor;
pode contrair novas dívidas e se endividar ainda mais;
ter o nome negativado novamente no futuro.
acabar envolvido em processos judiciais sem compreender o que foi feito em seu nome.
O que realmente limpa o nome?
As formas legítimas de regularizar a situação são:
pagar a dívida integralmente;
negociar descontos ou parcelamentos;
aderir a programas oficiais de renegociação;
contestar judicialmente uma dívida somente quando ela for realmente indevida (por exemplo, fraude ou cobrança errada).
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