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Puxado pelo feijão, preço da cesta básica sobe em Campinas e passa a consumir metade do salário mínimo

G1 (Globo)
Puxado pelo feijão, preço da cesta básica sobe em Campinas e passa a consumir metade do salário mínimo

Feijão Carioquinha
Foto de Arina Krasnikova
Impulsionado pelo aumento no preço do feijão, o preço da cesta básica ficou 1,91% mais caro para os moradores de Campinas (SP) em junho de 2026. Com o novo reajuste, o valor total da compra chegou a R$ 902,12 e passou a comprometer 55,7% do salário mínimo vigente no país, estabelecido em R$ 1.621.
🔎 Um levantamento realizado pelo Observatório PUC-Campinas aponta que o chamado "salário mínimo necessário" — renda considerada suficiente para a aquisição de três cestas básicas — subiu para R$ 2.706,36.
O principal responsável pela alta mensal foi o feijão, que registrou aumento de 13,93%. Essa alta tem a ver com restrições na oferta: tanto por questões de safra quanto por fatores climáticos a produção de feijão diminuiu, o que pressionou os preços.
Segundo o economista do Observatório PUC-Campinas, Pedro Costa, embora o aumento no preço do feijão tenha sido significativo em junho, o movimento já vinha ocorrendo ao longo do ano. A diferença é que, neste mês, chamou mais atenção porque outros itens não subiram tanto.
"Não é pontual. É uma alta que vem sendo construída ao longo do ano. Por outro lado, há uma expectativa — expectativa condicionada a questões climáticas —, que entrando as novas safras a partir de julho, os preços [do feijão] se estabilizem e voltem a cair um pouco mais", explicou.
Além do feijão, a banana, com avanço de 4,82%, e o açúcar, com 3,24%, contribuíram para a elevação. Confira abaixo todas as variações de junho:
Percentual do salário mínimo
O estudo indica que, diante desse patamar de preços, o chamado "salário mínimo necessário" — renda considerada suficiente para a aquisição de três cestas básicas — alcançou R$ 2.706,36.
Em junho, o comprometimento do salário mínimo foi o maior dos últimos 12 meses. O percentual segue em alta desde março deste ano.
Nesse recorte, a variação do preço da cesta básica em Campinas é de 11,35%. De acordo com o levantamento, o índice reflete a aceleração do custo de alimentação ao longo do primeiro semestre, distanciando-se da tendência de estabilidade que havia sido observada ao fim de 2025.
Acumulado do ano
De janeiro a junho de 2026, o preço da cesta básica em Campinas ficou 15,24% mais caro. Segundo a pesquisa, desde o começo do ano, alguns alimentos puxaram essa alta de forma intensa:
Batata: 95,36%
Tomate: 87,07%
Feijão: 42,01%
Leite: 28,94%
Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos ao longo do semestre. A banana chama atenção: mesmo tendo ajudado a puxar os preços em junho, desde janeiro ela acumula a maior queda, de −14,52%.
O café também ficou mais em conta, com redução de −10,36%, e o açúcar caiu −9,71% no período.
Como a mudança climática afeta o preço da comida?
Acima das capitais da região Sudeste
Apesar do crescimento, o ritmo de evolução foi mais moderado do que o registrado em maio. Ainda assim, a variação da alta na cidade ficou acima das demais capitais do Sudeste monitoradas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese):
São Paulo: 1,39%
Rio de Janeiro (RJ): 0,71%
Vitória (ES): 0,12%
Belo Horizonte (MG): 0,09%
Apesar de o percentual de alta ter sido maior em junho, Campinas registrou o terceiro maior valor da cesta básica entre as 15 principais cidades do país. Veja abaixo:
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