El Niño já está atuando, confirma agência dos EUA: saiba quais as consequências possíveis para o RS

AI Summary
The US National Oceanic and Atmospheric Administration announced on June 11 that El Niño has officially begun in the tropical Pacific Ocean. Scientists expect it could develop into one of the strongest El Niño events on record this century, with forecasters placing a 63% probability on exceptionally strong conditions through early 2027, potentially rivaling or exceeding the 1997 record event. The phenomenon is anticipated to intensify through year-end and cause significant global disruptions including extreme temperatures, altered precipitation patterns, and impacts on food security in vulnerable regions.
Progressive: Progressive-leaning outlets employ dramatic language such as 'Super' El Niño and 'Godzilla,' framing the event as a dangerous acceleration of the fossil fuel-driven climate crisis and emphasizing scientists' fears of rapid intensification with dire consequences.
Moderate: Centrist outlets provide balanced, factual reporting of NOAA's announcement and scientific forecasts, including specific probabilities and historical comparisons, while addressing potential regional and sectoral impacts with measured language.
Conservative: Conservative-leaning outlets report the announcement and expected impacts factually, conveying the seriousness of the strong El Niño through straightforward description without sensationalist language or emphasis on alarm.
Previsão de El Niño 'forte' em 2026 reacende alerta de cheias e testa preparação do RS
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño. O fenômeno climático natural ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal.
O boletim da agência norte-americana indicou 63% de probabilidade de o fenômeno se tornar muito forte, com potencial para figurar entre os maiores registrados desde 1950. No Rio Grande do Sul, a consolidação do cenário reacende o alerta para chuvas extremas.
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"As condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte", afirmou a agência climática dos EUA.
O desenvolvimento do fenômeno no primeiro semestre de 2026 já era esperado após meses de aquecimento gradual no Pacífico. Em maio, a chance apontada era de 82%.
O estado ainda lida com as consequências da tragédia climática de 2024, quando o sistema de proteção de Porto Alegre colapsou e o nível do Guaíba atingiu 5,37 metros. Naquele ano, a catástrofe resultou da combinação de um El Niño iniciado em 2023, frentes frias e o aquecimento do Oceano Atlântico. Mais de 180 pessoas morreram e quase 95% dos municípios gaúchos foram afetados.
O que é o fenômeno El Niño?
O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul).
🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo.
❄️ A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária, e tende a provocar estiagem no Sul.
Os efeitos do fenômeno El Niño
Arte/g1
Quais as consequências práticas para o RS?
No Brasil, os efeitos do El Niño são distintos: enquanto provoca secas nas regiões Norte e Nordeste, aumenta significativamente o volume e a frequência das chuvas na Região Sul.
A relação entre El Niño e eventos extremos no Sul do Brasil aparece em um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, publicado em 2025 na revista científica Communications Earth & Environment. A pesquisa analisou 45 anos de dados de vazão de rios em 788 estações de monitoramento da América do Sul e concluiu que o fenômeno aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, avalia que o El Niño atual tem intensidade comparável à de 2023. Ela projeta que os efeitos locais comecem no inverno, mas ressalta que o período de maior risco é a primavera, estação que historicamente já concentra eventos de precipitação intensa na região Sul.
El Niño forte em 2026 reacende alerta de cheias no RS e testa preparo após tragédia de 2024
Para o pesquisador Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é difícil afirmar se haverá uma cheia igual à de 2024, mas o El Niño exige a aceleração de medidas preventivas.
Entre as melhorias citadas pelo especialista estão investimentos na Defesa Civil, em sistemas de previsão e na reconstrução de pontes e estradas. As novas estruturas foram projetadas de forma mais resiliente para suportar os impactos das mudanças climáticas.
Contudo, o pesquisador alerta que a principal vulnerabilidade persiste na capital. O sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, formado pelo Muro da Mauá, diques e casas de bombas, foi severamente danificado e ainda não está totalmente recuperado.
Conforme Paiva, apresentações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) mostram que apenas parte das falhas foi resolvida, enquanto a maioria segue em fase de projeto ou com obras em andamento. Caso ocorra uma cheia de grande magnitude, partes da cidade podem voltar a alagar.
O especialista do IPH conclui que a preparação precisa ser contínua, pois eventos extremos podem ocorrer em qualquer ano. Ele avalia que a memória recente da população sobre a tragédia auxilia na mitigação de danos, mas defende que as estratégias fiquem para a posteridade através de planos permanentes.
Mapa mostra mudanças recentes nos oceanos usadas para monitorar El Niño e La Niña.
Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA
Chuva extrema no Rio Grande do Sul em 2024, provocada por sobreposição de eventos climáticos, incluindo El Niño
Renan Mattos/REUTERS via DW
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