El Niño deste ano deve superar anterior, que foi o mais forte em 7 décadas, alertam especialistas do Acre

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El Niño deve ser mais forte e com aumento de seca e calor extremo no Acre
Com a influência do fenômeno El Niño, estimativas apontam calor intensificado no Acre. Conforme pesquisadores, a manifestação climática ganhará força a partir de agosto e pode se desenvolver com forte intensidade até o final de 2026, trazendo impactos significativos para o estado acreano.
🔎O El Niño é um fenômeno criado a partir do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, gerando uma alteração nos ventos e correntes marítimas, modificando assim, a distribuição de temperaturas ao redor do planeta.
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Ao g1, o cientista ambiental da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, afirma que o principal impacto na região deve ser sentido com ondas de calor e picos de temperatura elevada anormais, principalmente a partir de setembro.
“Um dos principais sinais da formação do fenômeno já está sendo observado: a atmosfera aqui na região central do Oceano Pacífico está com temperaturas elevadas em comparação à sua tendência natural”, explica.
Rio Acre alcançou cota mínima histórica com 1,23 metro em 21 de setembro de 2024. El Niño pode trazer nova seca severa
Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre
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A experiência mais recente com o fenômeno ainda está viva na memória dos acreanos. Em 2024, o estado enfrentou períodos prolongados de estiagem, o menor nível do Rio Acre, além de temperaturas elevadas em toda a região. Em 2023, o estado chegou a ter o El Niño mais intenso em 70 anos.
No dia 21 de setembro, o Rio Acre, principal manancial do estado, marcou a menor cota já registrada, de 1,23 metro.
“Temos a experiência do El Niño de 2023/2024, com períodos de baixíssimas chuvas, níveis dos rios extremamente baixos, pouca água, mortalidade de peixes e temperaturas elevadas. Então, os estudos indicam que este seria mais forte do que o El Niño anterior”, acrescenta.
Efeito a partir de agosto
Em toda a região Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as precipitações e pode agravar períodos de seca, conforme a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês)
“A previsão mais recente da NOAA é que temos a probabilidade de mais de 60% de um El Niño muito forte se manifestando até o final deste ano. Além disso, ocorre quando o aquecimento global já elevou a temperatura”, acrescenta Brown.
Com isso, a população poder sentir os efeitos já nos próximos meses, com o avanço da estiagem amazônica. “Antecipamos que a partir de agosto e setembro vamos ter temperaturas mais altas, pouca chuva e níveis baixos nos rios”, avalia.
Dias mais quentes
Além da redução das chuvas, o fenômeno também pode aumentar a ocorrência de eventos extremos, como queimadas, incêndios florestais e ondas de calor. A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação mais seca cria condições favoráveis para a propagação do fogo.
Também professora da Ufac, a especialista em queimadas, incêndios florestais e qualidade do ar na Amazônia, Sonaira Silva, pontua que nem todos os eventos de El Niño têm os mesmos efeitos, mas ressalta que os episódios classificados como fortes costumam provocar impactos significativos.
Segundo ela, as principais consequências esperadas estão o agravamento dos períodos de seca. “Os El Niños de forte a muito forte têm um efeito importante no Acre, principalmente para a ocorrência de dias muito quentes, acima de 35 graus, e também efeitos de seca”, cita.
Embora o estado acreano seja fortemente influenciado pelo aquecimento das águas do Oceano Atlântico, Sonaira destaca que o aquecimento do Pacífico associado ao El Niño também exerce influência importante sobre o clima regional.
Segundo a pesquisadora, o El Niño costuma se desenvolver ao longo de meses e seus efeitos podem permanecer por mais de um ano. A expectativa é que os primeiros impactos mais evidentes ocorram a partir do segundo semestre de 2026, mas que o fenômeno continue durante parte de 2027.
Diante das previsões, os especialistas recomendam o reforço do monitoramento climático e o planejamento antecipado por parte dos órgãos públicos para minimizar os impactos sobre a população, especialmente em áreas mais vulneráveis à seca, às queimadas e à escassez de água.
"Temos bastante evidência de que esse ano não será um El Niño comum, mas eles serão um El Niño mais forte do que nos outros anos. Em 2016, tivemos um mega El Niño e o Acre foi atingido por queimadas muito fortes, queimando mais de 30 mil hectares de floresta em pé”, relembra.
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