Paulo Betti defende a escrita à mão e revela como anotações da família viraram peça, na Flib

Paulo Betti diz que escrever à mão ajuda a refletir sobre a vida na Flib
"Quem lê já está mais situado, porque você vive outras vidas lendo".
Foi com essa reflexão que o ator, autor e diretor Paulo Betti abriu sua participação na Feira Literária de Bonito (Flib) 2026, na noite de terça-feira (7). Conhecido por papéis em novelas da TV Globo, ele apresentou o monólogo "De Carona com a Cultura" durante a cerimônia de abertura do evento. Veja o vídeo acima.
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A Flib segue até domingo (12), com programação cultural gratuita em Bonito, principal destino de ecoturismo de Mato Grosso do Sul.
As anotações que viraram peça
Paulo Betti foi atração na Flib 2026.
Lucas Oliver/g1 MS
Paulo Betti contou que o monólogo nasceu de décadas de anotações feitas em cadernos e pedaços de papel. Ao longo dos anos, ele registrou histórias e situações vividas pela própria família.
"A minha peça é resultado de anotações que fiz o tempo todo, em cadernos, em pedaços de papel, num cadernão que tive durante um período muito longo, coisas que aconteciam na minha casa, entre meus pais, dificuldades que a gente tinha. Eu anotava. Na hora que fui fazer a peça, estava tudo pronto, porque eu já tinha anotado", afirmou.
Para o ator, o hábito de anotar tem um efeito quase terapêutico. "Acho que há um processo praticamente psicanalítico na anotação. À medida que você vive uma situação familiar ou tudo mais, você anota aquilo que você vivenciou, você está fazendo uma reflexão", explicou.
Durante a pandemia, Paulo Betti digitalizou cadernos antigos e encontrou relatos de momentos que já havia esquecido por completo. "Tinha coisas que eram tão extraordinárias, e simplesmente eu não lembrava de ter vivido aquelas situações", disse, citando que até a filha, Juliana, não se recordava de episódios que ele havia anotado décadas atrás.
Escrita manual na era da inteligência artificial
Ao falar sobre o avanço da inteligência artificial e das tecnologias digitais, Paulo Betti defendeu a importância de manter o hábito da escrita à mão. Como exemplo, citou a Suécia, que voltou a incentivar o ensino da caligrafia nas escolas após ampliar a digitalização do ensino.
"Eles tinham digitalizado todo o ensino, e agora não regrediram, voltaram a dar importância para os cadernos de caligrafia, para a manuscritura", disse.
Segundo ele, há uma diferença entre digitar e escrever à mão: "Há também, na escrita manual, um processo que é somente o desenho da letra, é diferente da digitação. Então eu incentivo muitas pessoas a anotarem e tomarem nota, se possível de forma manuscrita".
Literatura regional, indígena e infantil
Paulo Betti destacou a importância da localização da Flib numa região com forte presença de comunidades indígenas.
"Isso é muito bacana, porque provoca uma troca aqui. Tem vindo escritores de fora que fazem uma troca com o pessoal daqui, se estabelecem relações de troca de informações", afirmou. ...
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