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Cresce frustração com demora dos resgates na venezuela: 'Há edifícios onde não foi removida sequer uma única pedra'

G1 (Globo)
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Cresce frustração com demora dos resgates na venezuela: 'Há edifícios onde não foi removida sequer uma única pedra'

ONP Summary

Two powerful earthquakes struck northern Venezuela on Wednesday, causing extensive destruction and a death toll exceeding 1,400 with thousands more injured. The disaster potentially affected millions of residents, particularly in coastal areas and the capital. The crisis poses a significant test for interim president Delcy Rodríguez's nascent administration as rescue operations continue and aftershocks persist.

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Presidente da Venezuela divulga vídeo de resgate de menino dos escombros
Mães, pais, filhos, primos, tios, netos, vizinhos.
São eles que aguardam por ajuda nos arredores de edifícios que desabaram nas áreas mais afetadas pelos dois fortes terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana e que já deixaram 1.450 mortos e 3.150 feridos.
AO VIVO: Veja as últimas atualizações do terremoto
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Eles esperam por equipes especializadas de resgate e por maquinário pesado que ajude a remover os perigosos escombros sob os quais esperam encontrar seus entes queridos.
Um dos voluntários que se lança entre os escombros em busca de sobreviventes
Getty Images via BBC
Muitos se arriscam a abrir caminho entre as placas de concreto, sem qualquer equipamento de proteção, e retiram com as próprias mãos os corpos que já começam a entrar em decomposição.
A cena se repete em locais como La Guaira e Caracas, e o apelo parece ser o mesmo: pedem maior presença do Estado.
Após os terremotos fatais na quarta-feira (26), centenas de edifícios desabaram e milhares de pessoas ficaram presas sob os escombros.
Muitos venezuelanos denunciaram uma resposta insuficiente das autoridades e, entre eles, cresce um sentimento de frustração e indignação, como constataram os enviados especiais da BBC.
"Estamos todos bastante frustrados porque o governo não oferece o que deveria: uma ajuda séria", disse a moradora de Caracas Zaira Castro a Will Grant, correspondente da BBC.
A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que os esforços estão sendo feitos "sem descanso" e assegurou: "O resgate das pessoas que estão vivas é nossa prioridade".
Em La Guaira, o caso de Carlos Eduardo, de 31 anos, retrata o desespero enfrentado por milhares de pessoas. Seus familiares sabem onde ele está e o ouviram sob os escombros, mas não têm como resgatá-lo.
"É isso. Estamos aqui esperando ajuda, esperando para ver se conseguimos tirá-lo com vida", disse seu primo à BBC News Mundo.
Moradores atuam em buscas nos escombros após terremoto na Venezuela, em julho de 2026
Getty Images via BBC
Na cidade litorânea de Caraballeda, Mileidy Romero, que participava das operações de resgate, disse à agência de notícias AP: "Há um monte de corpos ali desde ontem à noite. Bebês recém-nascidos."
"Às 20h [de sábado] havia pessoas vivas lá embaixo, e ninguém se preocupou em resgatá-las. Localizamos vários corpos, e também não nos ajudaram a retirá-los. O que estão esperando?", acrescentou.
Um bombeiro que atua na região e pediu para não ser identificado disse ao enviado especial da BBC News Mundo a La Guaira, Norberto Paredes: "Há edifícios onde não foi removida sequer uma única pedra".
"Não há mãos suficientes", acrescentou. "E é muito, muito provável que ainda haja pessoas presas."
Muitos venezuelanos manifestaram seu descontentamento vaiando a presidente Rodríguez durante visitas às áreas afetadas.
"Eles estão fazendo campanha em meio a uma tragédia! O governo não faz nada pelas pessoas", gritou uma mulher em Chacao.
Moradores de La Guaira se organizam para realizar buscas e operações de resgate sem o equipamento de segurança necessário
Getty Images via BBC
Embora a dimensão da tragédia represente um desafio para qualquer país, muitos moradores reclamam do que consideram uma reação hesitante e lenta do governo venezuelano.
O presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente, Jorge Rodríguez, afirmou neste domingo que o país vive agora "horas críticas" para salvar vidas.
Ao todo, 12.721 pessoas foram afetadas e 774 edifícios foram danificados ou desabaram, informou Rodríguez.
Ele classificou os dois terremotos como "a mais brutal catástrofe natural que nosso país sofreu em sua história".
No sábado, ele havia afirmado que 21 delegações internacionais foram mobilizadas para apoiar as operações de resgate, totalizando 2.242 socorristas e 96 equipes com cães farejadores.
Ele também disse que mais de 30 mil pessoas — entre militares e policiais, socorristas, médicos e paramédicos, equipes de apoio, psicólogos e outros especialistas — estão prestando assistência.
Moradores atuam em buscas nos escombros após terremoto na Venezuela, em julho de 2026
Getty Images via BBC
Enquanto isso, o número de mortos e feridos continua aumentando com o passar das horas, e a ONU estima que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas.
O governo venezuelano decretou estado de emergência após os terremotos, o que deve facilitar a mobilização de pessoal e recursos para a área atingida pelo desastre.
Além disso, anunciou o envio de 14 mil militares.
"Estamos realizando um trabalho coordenado entre equipes nacionais e internacionais de resgate, sem descanso, nestas primeiras 72 horas, que são vitais para salvar vidas", afirmou Delcy Rodríguez no sábado.
Ela também confirmou, após se reunir com brigadistas internacionais, que 33 pessoas foram resgatadas com vida naquele dia.
O momento crucial
Mais de 72 horas após os terremotos, diminuem as esperanças de encontrar sobreviventes, segundo especialistas em desastres humanitários.
Os três primeiros dias após um cataclismo como o que atingiu o país são cruciais para as operações de resgate, explicam eles. Pessoas que ficaram presas sob os escombros com ferimentos leves podem sobreviver durante esse período, enfrentando a desidratação e a compressão causada pelos destroços.
Pelo menos 20 equipes internacionais de busca e resgate foram enviadas à Venezuela, segundo o Sistema Global de Alerta e Coordenação para Desastres da ONU
Getty Images via BBC
Mas, ultrapassado esse limite, completado justamente neste sábado, os especialistas alertam que as chances de encontrar sobreviventes diminuem consideravelmente.
O principal fator é o acesso à água e a falta de atendimento médico.
As pessoas podem morrer simplesmente por desidratação ou por complicações decorrentes de ferimentos ou traumas sofridos durante o desabamento.
Ainda assim, para alguns, a esperança permanece. É o caso de um paramédico com ampla experiência que conversou com a correspondente da BBC Orla Guerin durante um voo humanitário.
Steven Salazar Vásquez explicou que, após 72 horas, as chances de encontrar pessoas vivas sob os escombros diminuem rapidamente, mas afirmou que "ainda tem esperança", porque há muitos edifícios altos que desabaram apenas parcialmente.
Salazar Vásquez acrescentou que pode haver construções nas quais as paredes desabadas tenham criado um espaço viável, o que as equipes de resgate chamam de "triângulo da vida".
A crise política que afeta a Venezuela nos últimos anos, alertam especialistas, explica em parte a vulnerabilidade de sua infraestrutura e também sua capacidade de resposta diante da tragédia.
Os feridos estão sendo atendidos em instalações médicas improvisadas, e os centros de saúde que continuam funcionando estão sobrecarregados. Profissionais da área disseram à BBC que, mesmo antes do desastre, já era difícil atender os pacientes.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, pediu aos venezuelanos que deixem as casas danificadas diante da possibilidade de que as estruturas cedam e do risco de vazamentos de gás.
No entanto, diversos meios de comunicação relataram falta de fiscalização nesse aspecto. ...

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