Autismo, alfabetização e alimentação: veja quais livros eram usados em esquema de R$ 27 milhões em MS

Saúde de MS virou moeda de troca em esquema que fraudou R$ 27 milhões em compra de livros
Livros sobre autismo, alfabetização, alimentação saudável, musicalização e prevenção ao uso de drogas estão no centro da Operação Gutenberg, que investiga um esquema de mais de R$ 27 milhões na venda de materiais didáticos e paradidáticos para prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, a organização criminosa alegava ter exclusividade sobre diversas coleções para justificar compras sem licitação, embora muitos dos livros fossem publicados por outras editoras e estivessem disponíveis no mercado.
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Entre as obras identificadas nas investigações estão a Série Theo, com títulos como O Mundo Azul de Theo e A Viagem de Theo, além de kits pedagógicos, coleções de alfabetização, livros sobre alimentação saudável e materiais de musicalização. Livros sobre a gastronomia de Mato Grosso do Sul também eram comercializados.
Conforme o MPMS, empresários e servidores públicos teriam participado do esquema, e servidores da Secretaria Estadual de Saúde condicionavam a liberação de consultas, exames, cirurgias e internações à compra dos livros comercializados pelo grupo.
Entre os investigados estão a empresária Rossana Paroschi Jafar, os filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, além da ex-nora Rhayane Souza Fanaia. Rossana, Olívia e Felipe estão presos. Rhayane foi presa em Goiás. Giovanni teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido.
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Livros vendidos pela editora investigada.
Reprodução
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, o grupo utilizava principalmente a Editora Avante para vender livros e kits pedagógicos destinados às redes municipais de ensino.
Para contratar os materiais sem licitação, a organização apresentava documentos afirmando que possuía exclusividade na comercialização das obras. O Ministério Público afirma, porém, que essa exclusividade era falsa.
As investigações apontam que diversos livros pertenciam originalmente a outras editoras, como a Galeria das Letras e a Gráfica e Editora Alvorada, podendo ser comprados livremente no mercado.
Na prática, a falsa exclusividade permitia que as prefeituras realizassem a contratação direta da empresa, sem concorrência. Além disso, conforme o MPMS, gestores municipais eram pressionados porque a liberação de procedimentos de saúde pelo Estado estaria condicionada à compra dos materiais.
Quais livros eram vendidos
Entre os materiais identificados pelos investigadores estão coleções voltadas à educação infantil, alfabetização, inclusão, alimentação saudável e prevenção ao uso de drogas.
O principal produto comercializado era a Série Theo, composta pelos livros:
O Mundo Azul de Theo;
O Fantástico Mundo do Capitão Theo;
O Fantástico Navio do Capitão Theo;
A Viagem de Theo.
As obras tratam do transtorno do espectro autista (TEA) e pertenciam originalmente à editora Galeria das Letras, segundo a investigação.
O grupo também comercializava:
Kits pedagógicos sobre cores, formas, letras, números e contrários;
A coleção Outras Histórias, sobre culturas afro-brasileiras e indígenas;
O projeto Craque na Vida, voltado à prevenção ao uso de drogas, bullying e ética;
A coleção Defensores da Vida Saudável, com livros sobre alimentação;
A coleção Aprender Fazendo, de apoio à alfabetização;
Os livros Musicando, sobre musicalização infantil;
Materiais sobre higiene bucal e combate à dengue;
Livros como A Menina que Não Queria Comer, Cada Um com Seu Jeito e Tantos Traços;
Obras regionais, como Cheiros & Sabores, Mani-oca, Fazendas – Uma Memória Fotográfica e Pantanal: Aves e Cores.
Família está entre os principais investigados
Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande.
Redes sociais/Reprodução
Cinco integrantes da família Paroschi Jafar aparecem entre os investigados pelo Ministério Público.
São eles:
Rossana Paroschi Jafar, empresária ligada à Gráfica Alvorada;
Olívia Paroschi Jafar, médica e empresária;
Felipe Paroschi Jafar, engenheiro e ex-servidor comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul);
Giovanni Paroschi Jafar, empresário, atualmente foragido;
Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana e ligada à Editora Avante.
Segundo o MPMS, o grupo utilizava empresas do setor gráfico para comercializar os livros às prefeituras.
Mais de R$ 27 milhões em contratos
Ao todo, 16 pessoas tiveram mandados de prisão decretados durante a Operação Gutenberg.
Segundo o Ministério Público, os contratos investigados ultrapassam R$ 27 milhões. A suspeita é de que os recursos públicos fossem distribuídos entre integrantes da organização, servidores públicos e empresas para ocultar a origem do dinheiro.
As investigações também apontam que o grupo continuava atuando e mantinha contratos ativos em diversos municípios de Mato Grosso do Sul.
O que dizem as defesas
A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto e Joatan Gomes Peixoto informou que ainda não teve acesso aos autos do processo.
O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Giovanni Paroschi Jafar e Jéssyca Burgatt.
A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior afirmou que ainda não teve acesso à íntegra do processo e que só irá se manifestar após conhecer o conteúdo dos autos.
A reportagem também aguarda retorno das defesas de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo.
Já a defesa de Heyder Bartz informou que ainda não teve acesso formal à decisão que determinou sua prisão, mas afirmou que o investigado se colocou à disposição da Justiça para colaborar com as investigações.
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