Anuário aponta letalidade policial no AP 4,5 vezes maior que média nacional; estado lidera pelo 7º ano

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O Amapá lidera pelo sétimo ano seguido a taxa de mortes causadas por policiais. Em 2025, foram 17,1 para cada 100 mil habitantes — índice 4,5 vezes maior que a média nacional (6.583 mortes +5,5%). Os dados foram divulgados nesta quinta (23) pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
Proporcionalmente, o estado registrou cerca de 1,4 mortes por mês para cada 100 mil habitantes. O Amapá tem uma taxa quase cinco vezes maior que a média nacional, mesmo quando analisada em escala diária.
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública reúne dados sobre homicídios, letalidade policial, violência contra mulheres, crianças e adolescentes. As estatísticas foram comparadas com registros das secretarias estaduais.
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O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, afirma que a classificação de intervenção policial como homicídio não é reconhecida pelos agentes.
“O anuário acrescenta as intervenções policiais ao crime de homicídio. Eu não posso classificar o operador da segurança pública como homicida. Ele cumpre uma função constitucional e legal, respaldado juridicamente e pela sociedade, para defender — inclusive com a própria vida, caso seja necessário”, afirmou Vieira.
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Segundo Vieira, os dados da secretaria mostram redução. Ele afirma que o estado tem investido em infraestrutura para diminuir os índices.
“Em 2023, entre janeiro e julho, tivemos 108 intervenções. Em 2026, no mesmo período, foram 65. Estamos buscando reduzir as ocorrências com investimentos em infraestrutura, capacitação e aperfeiçoamento. Isso nos coloca em um cenário de agir sem a necessidade da intervenção”, explicou.
🔍O Fórum usa a categoria Mortes Violentas Intencionais (MVI) para comparações nacionais. Já as secretarias estaduais adotam Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), com definição mais restrita.
A Segurança Pública define as intervenções policiais como resposta a agressões, quando agentes reagem a disparos ou ataques, principalmente contra o crime organizado.
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Rede Amazônica/Reprodução
Cenário nacional
As mortes provocadas por policiais em serviço no Brasil cresceram 5,4% em 2025, chegando a 6.602 vítimas — o maior número absoluto desde o início da série histórica, em 2016, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23)
As chamadas mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) já respondem por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) registradas no país, a maior participação desde que esse indicador passou a ser calculado, em 2014. Entre 2016 e 2025, o crescimento acumulado foi de 55,7%.
Mortes decorrentes de intervenção policial - Anuário Brasileiro de Segurança Pública
Lara Bernardino - Arte/g1
'Sensação de segurança'
Outro dado que chama atenção no Estado é o alto índice de violência. O Amapá se mantém como o mais violento do país, mesmo com redução de 6% na taxa de 2024 para 2025: passou de 45,2 mortes a cada grupo de 100 mil habitantes para 42,5.
Santana tem a maior taxa de mortes violentas intencionais: 47,1 por 100 mil habitantes em 2025. Macapá aparece em seguida, com 36,1. Em 2024, Santana registrou 54,1, o que mostra queda, mas segue como a cidade mais violenta.
Vieira afirma que as forças de segurança atuam de forma integrada. Segundo ele, há migração de criminosos para cidades como Santana.
“Nos últimos meses tivemos um acréscimo de mais de R$ 4 milhões em investimentos para essas operações. O trabalho é feito de forma preventiva e repressiva no combate à criminalidade em Santana e em outros municípios. Usamos recursos de inteligência para adaptar as ações e concentrar esforços. Quando o combate é mais efetivo em Macapá, a criminalidade recua, mas tende a migrar para outras cidades”, destacou.
Taxa de violência no Amapá segue alta
Danny Calado/Arquivo Rede Amazônica
“A Segurança Pública impede que grupos criminosos estabeleçam domínios territoriais e assumam áreas como se fossem donos. No Amapá, há sensação de segurança e confiança da população nos agentes, pelo trabalho que vem sendo desenvolvido”, disse Cesar.
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