Baby Doc, furacão e milícias: como era o Haiti quando enfrentou (e venceu) seleção só com jogadores gaúchos em 1973

AI Summary
Brazil will play Haiti in their second group-stage match of the 2026 FIFA World Cup on Friday in Philadelphia, with all 68,324 available seats sold. Haiti, ranked lowest among the tournament's 48 teams, faces a Brazilian squad composed of elite players valued at significantly greater resources, while the island nation contends with humanitarian challenges and governance instability. The match underscores the competitive and economic disparities between participating nations.
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Seleção Gaúcha de Futebol durante excursão pela América Latina em 1973, quando jogou duas vezes contra o Haiti
Reprodução/FGF (Divulgação: Sumulas Tchê)
O confronto entre Brasil e Haiti, que acontece nesta sexta-feira (19) pela Copa do Mundo, ficou marcado pelo Jogo da Paz de 2004, quando Ronaldo, Ronaldinho e Adriano fizeram 6x0 na seleção caribenha, em meio à intensa guerra civil no país. E essa não foi a única vez que brasileiros e haitianos se enfrentaram em um campo de futebol.
Mais de 50 anos atrás, em outubro de 1973, a então Seleção Gaúcha de Futebol, formada por jogadores de clubes do interior do Rio Grande do Sul, fez uma excursão por países da América do Sul, América Central e América do Norte e enfrentou, em menos de uma semana, duas vezes a Seleção do Haiti. Foram uma vitória e uma derrota, ambas por 1x0.
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Na época, o país caribenho vivia um de seus momentos mais sombrios, sob o governo de Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, filho do também ditador François Duvalier, o Papa Doc. Baby Doc deu ares de que tentaria uma aberta, mas o regime acabou sendo o mesmo: afastado de um povo jamais consultado democraticamente, submetido ao controle rígido da milícia dos "tontons macoutes" (os "bichos papões") e vigiado pela velha guarda "duvalerista" chamada "os dinossauros".
Meses depois, o Haiti participaria de sua única Copa do Mundo — até a estreia desta sexta. Antes de 2026, a única participação do Haiti na Copa do Mundo havia sido em 1974, quando o país perdeu todos os três jogos que disputou na fase de grupos.
Como foi a viagem
O jornal Correio Rio-Grandense anunciou, em sua edição de 10 de outubro, que "insistindo em sua ideia, a Federação Gaúcha acaba de conseguir mais oito jogos para a seleção do interior", o que incluía — inicialmente — um jogo contra os haitianos.
"Os contatos iniciais foram exitosos e mos próximos dias um empresário chegará a Porto Alegre para sacramentar o assunto. Em principio, a seleção interiorana jogará a 23 e 27 do corrente em Porto Principe, contra as seleções do Haiti e Jamaica, nos dias 30 de outubro, 2 e 5 de novembro na Guatemala e em Honduras, e finalmente a 8, 11 e 15 no México"
A viagem serviria para que o selecionado gaúcho participasse de torneios amistosos, e o primeiro seria um triangular contra as seleções de Haiti e Jamaica, além do Deportivo Cali, clube da Colômbia. Por conta de um furacão que atingiu a Jamaica, a partida contra a seleção daquele país foi cancelada, e o RS jogou duas vezes contra o Haiti. Naquele ano, uma série de ciclones tropicais atingiu países da região, como México, Estados Unidos, Cuba e Bahamas.
"A Seleção do Interior já está praticamente escalada e a única dúvida para o treinador Aparício Viana e Silva continua sendo a meia-cancha. Pio só se integrou ontem à delegação e talvez não tenha condições para jogar esta partida. Franzede deverá ser mantido, formando o trio de meia-cancha com Zico e Neca", dizia o jornal Zero Hora de 23 de outubro, antes da estreia contra o clube colombiano.
De acordo com o jornal, o treinador "deixou Porto Alegre bastante preocupado com a falta de entrosamento dos diversos setores do time", mas já tinha a equipe escalada: Hugo; Valdir, Vlamir, Ciro e Humberto; Frazão, Zico e Neca; Leivinha, Selmar e Décio, todos jogadores de clubes do interior do RS, como Ypiranga, de Erechim; Gaúcho, de Passo Fundo; e São Luiz, de Ijuí.
Com o empate em 0x0 na estreia, a seleção gaúcha "conseguiu uma boa colocação no torneio, alcançou também muitos elogios, e agora existe a perspectiva de uma boa arrecadação, para o jogo do dia 27, contra a seleção do Haiti", segunda a Zero Hora do dia seguinte.
O primeiro confronto entre RS e Haiti foi de vitória dos haitianos no Estádio Silvio Cator, na capital Porto Principe. No segundo, os gaúchos devolveram o placar, com gol de Décio. Documentos obtidos pelo site História do Futebol com o pesquisador Marlon Krüger Compassi dão conta de que o prêmio para cada atleta gaúcho foi de U$ 40, além de um churrasco assado pelo massagista Pacheco, do Grêmio Esportivo Bagé.
A viagem pela América Latina ainda renderia uma derrota e uma vitória contra o México e vitória contra Guatemala.
Comentaristas projetam o jogo do Brasil com o Haiti
Histórico de Brasil e Haiti tem 7x1 e Jogo da Paz
Seleção brasileira enfrentou Haiti em amistoso "Jogo da Paz", em 2004
Arquivo CBF
Brasil e Haiti se enfrentaram três vezes na história. A última delas foi na Copa América de 2016, quando a Seleção aplicou 7 a 1 nos haitianos, que terminaram a competição sem pontuar.
Antes, no primeiro amistoso entre os dois países, em 1974, o Brasil fez 4 a 0, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Já em 2004, a Seleção visitou o país da América Central para um amistoso beneficente, chamado Jogo da Paz, com vitória do Brasil por 6 a 0.
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