Morte em rope jump: em carta, suspeito preso nega ter retirado câmera que estava com jovem lançada sem cordas

이 뉴스, 어떠셨어요?
한 번의 탭으로 반응을 남겨요 · 로그인 불필요
Morte em rope jump: novo preso retirou câmera de jovem lançada sem corda
Preso pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem que foi lançada sem cordas em um salto de rope jump, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva negou que tenha retirado a câmera que estava com a vítima. O equipamento, que ainda não foi encontrado, é considerado essencial pelos investigadores para a reconstrução do caso.
Em um dos pedidos de prisão contra o grupo feito à Justiça pela Polícia Civil e Ministério Público (MP), João é citado como suspeito de ter retirado a câmera (veja abaixo).
A declaração do suspeito ocorreu através de uma carta divulgada pela defesa dele à imprensa na noite desta quinta-feira (25). No relato, o homem pede ajuda para que o aparelho seja encontrado.
"Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto. Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos. Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas", disse.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp
O suspeito também afirma, na carta, que atuava na base da ponte para soltar a corda das pessoas que saltavam e que quando ouviu o barulho da queda de Maria Eduarda, foi até ela para verificar o batimento cardíaco.
"Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido, eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda. Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio: 'Pede para o [nome de colega] descer aqui para fazer massagem cardíaca pois ele é bombeiro'", cita.
À EPTV, afiliada da TV Globo, a Polícia Civil também confirmou que João teve a prisão temporária prorrogada por mais 30 dias.
Os três instrutores presos desde o dia da tragédia, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, foram indiciados pela Polícia Civil na última segunda-feira (22) por homicídio com dolo eventual (veja abaixo detalhes).
Além dos indiciados, as investigações avançaram para um segundo inquérito, que vai investigar a conduta do trio preso no último fim de semana - João, Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins.
João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, preso pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem que foi lançada sem cordas em um salto de rope jump
Reprodução
LEIA TAMBÉM:
O que depoimentos revelam sobre momento em que jovem foi lançada sem corda
Grupo informal que lançou jovem sem cordas em rope jump cobrava até o dobro do preço
Morte em rope jump: preso retirou câmera que estava com jovem lançada sem corda
Jovem que morreu após ser lançada sem cordas em rope jump planejava se casar em breve
Apaixonada por natureza e atividades ao ar livre: quem era Maria Eduarda
Enfermeira que ia pular de rope jump prestou socorro à jovem lançada sem corda
Acesso à ponte onde jovem morreu é fechado em Limeira
Governo federal avalia remover ponte de onde jovem foi lançada sem corda
Entenda por que local onde jovem morreu se chama 'Ponte do Esqueleto'
Veja abaixo a carta na íntegra:
"Declaração à imprensa
Eu João Antonio Pivetta venho através dessa carta prestar a minha versão. Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa 'Entre Cordas' sem saber que a empresa era clandestina.
Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda.
Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio, 'Pede para o [nome de colega] descer aqui para fazer massagem cardíaca pois ele é bombeiro'.
Depois da segunda vez que eu pedi o rádio o [nome de colega] desceu rápido no rapel e foi até a Maria Eduarda eu não vi o que ele fez pois a enfermeira estava descendo eu sinalizei o local.
Muita gente desceu até o local nesse momento, [nomes dos colegas]. Para a enfermeira fazer a massagem cardíaca, eu abri o mosquetão que ficava sobre o peito da Maria Eduarda na frente da enfermeira.
Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto.
Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos. Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas.
Mais pessoas que estavam ajudando na ponte viram eu ajudando as viaturas e os resgates a chegarem no local, a desatolar a ambulância dos bombeiros. Peço a ajuda desses bombeiros para falar que eu fiquei no local ajudando as equipes de resgate.
Peço a ajuda do policial que me liberou para ir embora no dia.
Eu presto meus sentimentos à família da Maria Eduarda. Eu sou apenas um trabalhador comum, apenas um pai pedindo a ajuda de vocês.
Nomes que eu acredito ter levado a câmera para cima da ponte, [nome do colega], porque desceu muito rápido não sabia fazer massagem cardíaca e ficou sozinho com a Maria Eduarda. [Nome do colega] porque ele estava embaixo e [nome do colega] pediu para ele subir para a parte de cima da ponte por rádio.
Por favor ajudem a achar essa câmera.
Como as reportagens disseram que mochilas foram levadas até os carros por outros membros da entre cordas pode ser que a câmera esteja dentro de alguma mochila dentro de algum carro, porém peço a ajuda de vocês.
Sou apenas um ser humano comum que trabalha e tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos."
Câmera retirada de jovem, conta excluída e fuga
De acordo com o MP, João Antônio estava na base da ponte no momento do salto de Maria Eduarda e removeu a câmera que ela segurava.
"João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, posicionado na base da estrutura com função operacional durante o evento, detinha condições objetivas de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e de comunicá-la à equipe no topo por meio de rádio, comunicação que, em tese, não foi realizada. Ademais, aproximou-se do corpo da vítima imediatamente após a queda e removeu a câmera GoPro que ela segurava, praticando conduta de supressão de elemento probatório central à investigação", disse o Ministério Público.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, João negou em depoimento que tenha retirado a câmera da vítima.
"Assim que aconteceu a queda, uma testemunha teria se aproximado da beirada da ponte e visto a Maria Eduarda com a câmera na mão e, segundos depois, um indivíduo retirando a câmera dela. Contudo, quando ele [João] foi ouvido, ele menciona que ele foi apenas checar o batimento cardíaco e que ele não retirou a câmera. Mas, diante da testemunha presencial que viu ele retirando a câmera da mão da vítima, foi necessária a prisão temporária dele para averiguar os fatos", destaca Levy.
Em relação à Evelyne, o Ministério Público aponta que ela era a organizadora do grupo e que destruiu prova digital ao excluir uma conta de rede social.
"Evelyne dos Santos Gonçalves, na condição de organizadora e "CEO" do grupo 'Entre Cordas', detinha o domínio pleno da estruturação do evento, assumindo, em tese, o risco da produção do resultado letal ao permitir a realização de atividade de elevado potencial ofensivo sem observância de protocolos mínimos de segurança. Destruiu prova digital de relevância inequívoca ao excluir a conta de Instagram do grupo imediatamente após o óbito."
Já sobre Gabriel, o documento cita que ele fugiu do local logo depois da tragédia e que até então, antes de ser preso, não havia se apresentado às autoridades.
"Gabriel Barros Martins, integrante da equipe organizadora e executora do evento, evadiu-se do local logo após o ocorrido sem prestar quaisquer esclarecimentos às autoridades policiais."
Suspeitos de apagar conteúdos digitais e de desaparecer com a câmera que gravava o salto que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, em Limeira (SP)
Wesley Justino/EPTV
Primeiros presos indiciados
A Polícia Civil concluiu na segunda-feira o primeiro inquérito que investiga o caso e indiciou por homicídio com dolo eventual os três homens presos logo após a morte da jovem. Eles são os instrutores que aparecem em um vídeo lançando Maria Eduarda da ponte:
Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos
Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos
Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos
Os três tiveram a prisão convertida em preventiva e foram transferidos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba (SP) para o CDP II de Guarulhos (SP) para terem a integridade física resguardada, segundo o advogado Rafael Gomes dos Santos, que representa dois dos instrutores.
Na semana passada, a Justiça negou pedido de habeas corpus.
Morte de jovem em rope jump sem corda: três homens serão investigados por homicídio com dolo eventual
Reprodução
O que dizem as defesas
A defesa de Luis Felipe e de Maicon Fernandes informou que não concorda com o enquadramento do caso. Segundo ela, tratava-se da prática de um grupo idôneo e que o ocorrido foi "uma fatalidade inexplicável".
"Para a defesa é homicídio culposo. Eles jamais tiveram a intenção ou sequer correram o risco de matar", afirma o advogado Rafael Gomes dos Santos.
Já a defesa de Vitor disse que recebe com cautela a informação acerca do indiciamento e ressalta que não teve acesso à íntegra do inquérito policial nem a totalidade dos elementos de prova produzidos durante a investigação.
"De toda forma, a defesa registra que possui relevantes divergências técnicas em relação à capitulação atribuída ao caso, especialmente no que se refere à caracterização do dolo eventual, questão que será enfrentada oportunamente pelas vias processuais adequadas, após a análise completa dos elementos probatórios", citam os advogados Jader Santos e Olga Popoviche.
A defesa de João disse que ele não participou da execução do salto e que prestou auxílio imediato à vítima, além de ter colaborado com as autoridades. Quanto à câmera, afirmou que também tem interesse na localização do aparelho.
A defesa de Eveliny citou que está confiante na inocência dela, destacou que a cliente tem colaborado desde o início com as investigações e que os fatos estão sendo apurados.
Já a defesa de Gabriel pontuou que irá se manifestar apenas no processo.
A tragédia
Imagens gravadas por um novo ângulo mostram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, é lançada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto em Limeira (SP), sem o uso de cordas de segurança durante a prática de rope jump. A jovem morreu após a queda.
Poucos segundos após a jovem ser arremessada da estrutura, a reação de quem acompanhava o salto na Ponte do Esqueleto muda. Nas imagens, é possível ver que algumas pessoas caminhavam mais agitadas enquanto alguém diz: "Gente, a corda!".
Ao mesmo tempo, o vídeo registra falas de outras pessoas, com som mais distante na gravação, que também mencionavam o equipamento de segurança.
Outra voz aparece na gravação enquanto as imagens flagraram o movimento de pessoas caminhando com mais agitação pela ponte enquanto um homem diz: "Não, não, para. Não, gente, para. Como assim, a corda arrebentou?".
🔎 O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas
Reprodução
Infográfico - Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira
Arte/g1
VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região
Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba. ...