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Lageiro Seco: a história da quadrilha junina mais antiga do Brasil, marcada por tradição familiar e quase 80 anos de cultura

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Lageiro Seco: a história da quadrilha junina mais antiga do Brasil, marcada por tradição familiar e quase 80 anos de cultura

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Lageiro Seco se autoreinvincida a quadrilha junina mais antiga do Brasil
Lageiro Seco/Instagram
Em meio às celebrações juninas que movimentam a Paraíba todos os anos entre junho e julho, uma história iniciada há quase 80 anos continua viva nos festejos de São João. Uma quadrilha, fundada em 1947, no bairro do Roger, em João Pessoa, a Lageiro Seco, se autoreinvindica como a mais antiga do Brasil ainda em atividade.
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Atualmente, o grupo reúne cerca de 124 participantes e carrega o legado deixado por seu fundador, Luiz Ferreira da Silva, que morreu em dezembro de 2025, aos 89 anos.
De origem familiar, a Lageiro Seco foi fundada por Luiz e o irmão e, ao longo dos anos, construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura popular e por pautas de inclusão em seus enredos. A quadrilha também se destaca pelo espaço dado à atuação feminina dentro do grupo.
Em 2026, a tradição de quase 80 anos ganha um novo reconhecimento com a certificação como “Ponto de Cultura”, iniciativa do Ministério da Cultura voltada ao apoio de entidades sem fins lucrativos.
O g1 entrevistou o atual coordenador da Lageiro Seco, Luciano Dantas, que contou detalhes sobre a origem da quadrilha, a trajetória construída ao longo de quase 80 anos e os motivos que levam o grupo a se reconhecer como a quadrilha junina mais antiga do Brasil em atividade.
Agora no g1
Como tudo começou?
A trajetória da Lageiro começou muito antes de ter esse nome, quando Luiz Ferreira da Silva tinha apenas 12 anos de idade. Naquela época, a iniciativa surgiu ao lado do irmão mais velho, Graciano Ferreira da Silva, que já coordenava uma Lapinha, uma espécie de manifestação cultural ligada às festividades natalinas.
Segundo Luciano Dantas, a ideia de criar o grupo partiu da necessidade de organizar uma manifestação cultural mais estruturada e que ultrapasse apenas o período natalino, abrangendo outras épocas do ano, como o São João.
“No início era só Seu Graciano. Ele tinha a Lapinha muito antes da quadrilha. Era um grupo formado apenas por mulheres e ele era o único homem. Depois chamou o irmão, Seu Luís, que tinha 12 anos de idade”, explicou.
De acordo com os relatos deixados por Luiz Ferreira e compartilhados por Luciano na entrevista ao g1, a formação do grupo aconteceu em uma época em que homens e mulheres ainda relutavam em participar juntos das apresentações. A quadrilha quebrou com esse paradigma da sociedade.
“As mulheres não queriam se juntar com os homens para dançar porque diziam que eles só queriam brincar. As pessoas queriam se organizar de verdade e formar um grupo cultural organizado”, explicou Luciano
Com a crescente participação de integrantes e a necessidade de organizar a estrutura do grupo, a quadrilha passou por um processo de consolidação. Faltava, porém, um nome que representasse a identidade construída desde o início. Esse detalhe, que permanece até hoje como uma das marcas da Lageiro Seco, já havia sido pensado pelos criadores nos primeiros passos da trajetória da quadrilha.
“Foi Seu Luís quem deu a ideia de colocar o nome Lageiro Seco. Ele lembrava do lajeiro, que é uma pedra grande que existe no interior (do estado), no Sertão. Não tem um significado específico. Ele apenas lembrou desse nome e quis criar algo parecido”, relatou Luciano.
Com o passar das décadas, o nome ganhou reconhecimento dentro e fora da Paraíba. Para os integrantes atuais do grupo, preservar o nome criado pelo fundador é uma forma de manter viva a identidade do grupo.
“Podemos dizer que esse nome pegou. A Lageiro Seco é uma quadrilha muito conhecida na cidade, no estado e também em outros lugares do Brasil. Já viajamos por vários estados e hoje muita gente conhece a nossa história. Significa muito para a gente manter o nome que o nosso fundador criou. É um significado gigante e um legado que queremos deixar para as próximas gerações", destacou.
Sobre a autoreinvindicação da quadrilha em ser a mais antiga do Brasil, Luciano destacou apenas que "a própria história do Seu Luiz já explica tudo", fazendo alusão à idade do criador e quando ele começou a idealizar a quadrilha.
Para além dessa afirmação, a Federação das Entidades das Quadrilhas Juninas da Paraíba (Fequajune-PB), ratificou a Lageiro Seco como a quadrilha mais antiga do país, reforçando a ideia de que a história do fundador da entidade é anterior até que a própria fundação da federação estadual.
Em contato com o g1, o presidente da Fequajune-PB, Genilson Félix, ressaltou o título e fez questão de ressaltar a importância de Seu Luiz.
"A Lageiro Seco é a quadrilha mais antiga do Brasil em atividade. Foram mais de 70 anos ininterruptos de atividade em prol do movimento junino, desde o tempo em que ainda existiam as palhoças, as quadrilhas infantis, já visto que até hoje um dos diretores nossos da Fequajune-PB, Sr. Edson Pessoa, diretor financeiro, durante muito tempo participou da junina infantil ainda", destacou.
Homenagens ao fundador
Apresentações municipais da Lageiro Seco em 2026 já começaram
Lageiro Seco/Instagram
A história da Lageiro Seco também está ligada à trajetória de Luiz Ferreira da Silva, um dos nomes que ajudaram a construir a identidade da quadrilha ao longo das décadas. Mesmo em idade avançada, Luiz permaneceu participando ativamente da rotina do grupo até os últimos anos de vida, acompanhando a trajetória da quadrilha desde 1947 até 2025, ano em que faleceu.
“Desde que faço parte da quadrilha, em 1999, seu Luís participava de todos os ensaios. Ia para viagens mais próximas, ajudava os componentes com lanche, passagem. Era uma pessoa maravilhosa”, relembrou Luciano.
A presença constante fez com que ele se tornasse uma referência para diferentes gerações de dançarinos. Antes da despedida, a quadrilha conseguiu prestar uma homenagem em vida ao criador do grupo. No espetáculo apresentado em 2024, intitulado "João", o encerramento trazia a entrada do próprio Luiz em cena.
“Se você passar um dia em um ensaio da quadrilha e conversar com os componentes, todos vão dizer que seu Luís era um pai para todos", comentou.
Luciano também afirmou que em 2026, em mais um ano que a Lageiro Seco disputa as competições municipais e estaduais de quadrilhas juninas na Paraíba, houve uma homenagem ao criador. Essa homenagem foi executada nas apresentações da quadrilha.
Nas apresentações estaduais deste ano, inclusive, com as homenagens para Seu Luiz, a quadrilha foi vice colocada, em uma competição que reuniu 29 quadrilhas da Paraíba que se apresentaram na orla de João Pessoa nesta semana.
Nesse cenário, além de preservar uma tradição iniciada há 78 anos, a Lageiro Seco também busca novos passos. Segundo Luciano Dantas, o grupo está próximo de conquistar a certificação de "Ponto de Cultura", uma forma de incentivo a entidades dada pelo Ministério da Cultura.
“Hoje estamos próximos de nos tornar Ponto de Cultura. Falta apenas a oficialização, que acreditamos que aconteça agora em julho. Já conseguimos encaminhar a documentação necessária e esperamos que esse reconhecimento se concretize", destacou.
Enquanto aguarda o reconhecimento, a quadrilha segue cumprindo o papel de manter viva uma das manifestações mais tradicionais da cultura popular paraibana, preservando a história iniciada por dois irmãos e transmitida por gerações desde 1947.
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