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Raphinha volta a sentir a coxa: por que essa lesão é tão difícil de evitar no futebol?

G1 (Globo)
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Raphinha volta a sentir a coxa: por que essa lesão é tão difícil de evitar no futebol?

AI Summary

Brazil plays Haiti in their second World Cup 2026 Group C match, aiming to improve after drawing their opening game. Coach Ancelotti has implemented tactical adjustments to enhance team performance and demonstrate quality football. The fixture resonates with Haitian immigrant communities throughout Brazil, who engage with the match through local fan gatherings and community events.

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Raphinha deixa o campo no jogo contra o Haiti, na sexta-feira (19), após sentir a coxa direita
AP Photo/Matt Slocum
Raphinha deixou o campo ainda no primeiro tempo da vitória da Seleção sobre o Haiti, na última sexta-feira (19), sentindo dores na parte posterior da coxa direita —a quarta vez em menos de um ano que o atacante sente dor na mesma região.
O episódio ilustra um padrão conhecido da medicina esportiva: depois de uma lesão na musculatura posterior da coxa, o risco de uma nova lesão na mesma região aumenta de forma significativa.
Esse fenômeno que começa a se explicar pela própria anatomia do bíceps femoral, o músculo mais associado a esse tipo de lesão no futebol.
LEIA TAMBÉM: Brasil x Haiti: Raphinha sente dores na coxa e vai fazer exames; veja vídeo
O que é o bíceps femoral
A parte posterior da coxa é ocupada por um grupo de músculos chamado isquiotibiais —nome que vem da tuberosidade isquiática, ponto da bacia onde eles começam, e que termina na tíbia. Dentro desse grupo está o bíceps femoral.
"O bíceps femoral é biarticular: ele atua sobre duas articulações ao mesmo tempo, o quadril e o joelho, fazendo a extensão do quadril, a flexão do joelho e a rotação externa da tíbia", explica o ortopedista Fabiano Nunes, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Por cruzar duas articulações, o músculo costuma ser alongado nas duas extremidades simultaneamente —uma característica anatômica que, segundo o especialista, já o torna mais sujeito a sobrecarga do que um músculo de articulação única.
O momento de maior risco
A maioria das lesões nesse músculo não vem de choques ou pancadas, mas de corridas em velocidade máxima. Pouco antes de o pé tocar o solo, na fase de aceleração da perna, o bíceps femoral precisa frear a hiperextensão do joelho, impedir a flexão excessiva do quadril e controlar a desaceleração da perna que avança —tudo isso por meio de uma contração excêntrica, quando o músculo se contrai com força ao mesmo tempo em que se alonga, em vez de encurtar.
"É exatamente nesse tipo de contração, que ocorre nos sprints de alta velocidade e nos movimentos de desaceleração, que se concentra o maior número de lesões musculares", afirma Nunes.
Chutes de longa distância, cruzamentos e disputas de bola aérea exigem o mesmo tipo de esforço. É por isso que o músculo é tão solicitado ao longo de uma partida, mesmo fora dos momentos de sprint.
Raphinha deixa o campo ao final da partida entre Brasil e Haiti
AP/Matt Slocum
Lesão antiga facilita uma nova
A reincidência na mesma região tem explicação biológica. Segundo Nunes, ter uma lesão prévia é um dos fatores mais relevantes para uma nova lesão muscular:
"Alguns estudos apontam até 30% de risco de nova lesão em quem já lesionou a região, mesmo quando o tratamento e a reabilitação foram bem-feitos."
Isso acontece porque toda lesão deixa marcas biológicas e biomecânicas no tecido. A cicatriz que se forma —a fibrose— deixa a área mais fraca e menos elástica, além de encurtar a musculatura e fazê-la trabalhar sempre no limite de sua capacidade.
Soma-se a isso a perda de força e a atrofia muscular que costumam acompanhar o período de afastamento. Há também uma redução no controle neuromuscular —a comunicação fina entre cérebro e músculo que ajuda a evitar movimentos lesivos.
"Quando o atleta fica parado sem reabilitar adequadamente, esse controle se perde em parte, o que facilita novas lesões", diz o ortopedista.
Dor antiga ou lesão nova?
Um dos desafios mais comuns nesse tipo de quadro é diferenciar uma lesão recente de um desconforto remanescente de uma lesão anterior.
Segundo Nunes, quando o atleta sai de campo andando normalmente, sem o protocolo agudo de gelo e compressão que costuma acompanhar uma lesão recém-constatada, é possível que se trate apenas de uma dor que já vinha sentindo, e não de um rompimento de fibra novo. Mas isso só exames de imagem podem confirmar, e a diferença muda completamente o prognóstico.
A ressonância magnética é considerada o exame padrão-ouro, porque permite identificar a formação de hematoma, a extensão da fibra lesionada e a localização exata do dano —se está no ventre muscular, na transição com o tendão ou no próprio tendão.
O ultrassom também é usado, principalmente para acompanhar a evolução ao longo do tempo, mas depende mais da experiência de quem o realiza.
Quanto tempo o músculo leva para se recuperar
O tempo de recuperação varia de acordo com o tamanho da lesão, sua localização exata e o tipo de atividade do atleta. Lesões com apenas edema, sem rompimento de fibra, podem permitir o retorno em uma a duas semanas.
Já lesões com rompimento de fibra muscular dificilmente permitem a volta ao esporte em menos de três semanas —prazo que pode chegar a dois ou três meses, dependendo do grupo muscular envolvido.
Até a publicação desta reportagem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não detalhou exames, diagnóstico ou extensão da lesão de Raphinha.
Em nota, a entidade confirmou apenas que o atacante sentiu dor na musculatura posterior da coxa direita e que iniciou tratamento, sem informar prazo de retorno. ...

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