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Justiça manda soltar policial apontado pela PF como 'piloto' de viatura usada em roubo de ouro no AM

G1 (Globo)
Justiça manda soltar policial apontado pela PF como 'piloto' de viatura usada em roubo de ouro no AM

Policial Civil preso em operação da PF que apura responsáveis por roubo de ouro
Divulgação
A Justiça Federal determinou a soltura do investigador da Polícia Civil do Amazonas Luciano de Souza Granjeiro, preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Piloto de Fuga, em Manaus. Ele é investigado por suspeita de participar de um esquema de roubo de ouro ilegal e de integrar uma organização criminosa.
A decisão foi assinada na noite de segunda-feira (6) pelo juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso, da 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Amazonas. O magistrado acolheu parcialmente o pedido da defesa e revogou a prisão preventiva por entender que houve excesso de prazo para a conclusão das investigações e para o eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF).
Granjeiro foi preso em 9 de junho deste ano. Na época, a Polícia Federal informou que ele seria o "piloto" da viatura oficial usada para transportar uma carga de ouro durante um assalto investigado pela corporação.
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A prisão fez parte da Operação Piloto de Fuga, desdobramento da Operação Auxílio Criminoso, que apura a participação de agentes públicos e de outras pessoas no roubo e na ocultação de ouro extraído ilegalmente.
Policial civil é preso em Manaus durante operação da PF
Segundo a decisão, o investigador estava preso havia quase 30 dias sem que o inquérito tivesse sido concluído ou que uma denúncia formal fosse apresentada. Na Justiça Federal, o prazo para conclusão de investigações com suspeito preso é de 15 dias, podendo ser prorrogado por mais 15.
O magistrado também destacou que a demora não foi causada pela defesa. Conforme a decisão, o policial apresentou elementos para sustentar a versão dos fatos, como álibis e registros de acesso a uma academia. Para o juiz, apesar da complexidade da investigação, a manutenção da prisão por tempo indeterminado poderia representar uma antecipação de pena.
"Se o Estado ainda não reuniu elementos suficientes para iniciar a ação penal, não se mostra razoável que o cidadão continue a suportar a medida mais gravosa de restrição de liberdade", afirmou o magistrado.
Em nota, a defesa de Granjeiro afirmou que sempre acreditou que os álibis apresentados demonstram a não participação do policial nos fatos investigados.
"A defesa permanece confiante de que, ao final do inquérito, qualquer dúvida remanescente será definitivamente afastada, restando plenamente comprovada a inocência do investigado", diz trecho da nota.
Medidas cautelares
Apesar de revogar a prisão preventiva, o juiz determinou uma série de medidas cautelares que deverão ser cumpridas pelo investigador.
Entre elas estão a suspensão imediata das funções na Polícia Civil, com entrega da arma institucional, distintivo e demais equipamentos funcionais; a proibição de contato com outros investigados, testemunhas e familiares envolvidos no caso; e o comparecimento mensal à Justiça para informar suas atividades.
O policial também deverá manter seus endereços e contatos atualizados junto à Vara Federal e não poderá mudar de residência sem comunicação prévia à Justiça.
Segundo a decisão, o descumprimento de qualquer uma das medidas poderá levar à decretação de uma nova prisão preventiva.
Relembre o caso
Dois policiais militares e um policial civil são presos com cerca de 72 kg de ouro no Amazonas
Divulgação/PMAM
A prisão de Luciano Granjeiro ocorreu durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema ligado ao desvio de ouro ilegal no Amazonas.
As investigações são um desdobramento da apreensão de 77 quilos de ouro ilegal, avaliados em cerca de R$ 50 milhões, realizada em outubro de 2025.
Na primeira fase da apuração, três policiais, sendo dois militares e um civil, foram presos em flagrante em uma casa em Manaus enquanto tentavam roubar a carga, segundo a Polícia Federal.
De acordo com a corporação, Granjeiro foi identificado posteriormente como o quarto integrante do grupo investigado.
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