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Militar do Exército é investigado por agredir esposa e esganar filha recém-nascida em Roraima

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Militar do Exército é investigado por agredir esposa e esganar filha recém-nascida em Roraima

Caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Roraima.
Polícia Civil/Divulgação/Arquivo
Um primeiro-sargento do Exército, de 43 anos, é investigado pela Polícia Civil de Roraima por violência física e psicológica contra a mulher, de 33 anos, e a filha, hoje com um ano de idade. Os crimes ocorreram durante quase dez anos de relacionamento, em Boa Vista, no Rio de Janeiro e em Manaus. A polícia abriu inquérito na última segunda-feira (6), após a mulher denunciar.
O militar é investigado pelos crimes de ameaça, injúria, violência psicológica, agressão, lesão corporal e abandono material, todos no contexto de violência doméstica contra a mulher. A Polícia Civil afirma que as investigações estão em andamento e que o processo ainda não foi concluído.
A investigação detalha episódios de violência física. Um deles ocorreu ainda no Rio de Janeiro, quando a filha do casal tinha apenas sete dias de vida e chorava de cólica de madrugada. Irritado, o sargento jogou a bebê na cama e apertou o pescoço dela.
A mãe interveio e tirou a filha do quarto. Segundo a vítima, o homem pediu desculpas logo depois para evitar que ela denunciasse ou levasse a recém-nascida ao médico.
Procurado, o militar disse que não autorizava a publicação de uma reportagem sobre o caso.
A mulher também sofria agressões. Durante os episódios, militar empurrava a mulher, torcia os braços dela e simulava enforcamentos. Ele também impedia a esposa de sair de casa quando ela arrumava as malas para ir embora após conflitos.
A violência começou ainda no início do relacionamento, quando a mulher descobriu que o marido mantinha contato e trocava fotos íntimas com uma ex-namorada. A vítima abandonou os estudos e o trabalho para acompanhar as transferências do militar pelos três estados.
A delegada Kássia Poersh, que investiga o suspeito, classificou o caso como "complexo" e de violência doméstica continuada, considerando física, psicológica, sexual, moral e patrimonial e de violência contra vulnerável.
Violência física e psicológica
Além das agressões físicas, a mulher também relata episódios de violência psicológica. Ela enfrentou dificuldades para engravidar por causa de um problema de saúde. O sargento usava a condição para ofendê-la e chegou a dizer que ela "não prestava nem para gerar um filho".
Quando a mulher finalmente conseguiu engravidar, o militar afirmou que a bebê "não veio em boa hora" e que "não queria aquela menina". Ele também chegou a chamá-la de "muito burra" após uma reprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O sargento também agrediu a sogra. O episódio ocorreu quando ela tentou ensinar o militar a trocar a fralda da neta de forma mais cuidadosa. O homem apertou o pulso da sogra e a empurrou. A esposa precisou interferir para proteger a própria mãe.
Fim do casamento e denúncia
No final de 2025, o militar foi transferido para Manaus, mas enviado para uma missão em Pacaraima, no Norte de Roraima. A mulher e a bebê ficaram hospedadas com os avós maternos, em Boa Vista.
Durante o período, o sargento cortou o dinheiro da família e deixou de comprar leite e fraldas para a criança, o que fez com que os avós assumissem as despesas. De acordo com o Portal da Transparência, o militar recebe um salário bruto de R$ 10 mil reais.
A mulher então viajou até Manaus e foi ao apartamento alugado pelo marido. Ela descobriu que outra mulher usava as coisas dela e dormia na cama do casal. Ao saber disso, o militar enviou mensagens ameaçando que a esposa saísse do apartamento "por bem ou por mal".
Assustada, a vítima contratou uma transportadora às pressas, terminou o casamento e voltou para Roraima. Atualmente, eles ainda são legalmente casados. Ela denunciou o caso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Boa Vista, e pediu medidas protetivas.
A Polícia Civil enviou à Justiça um pedido para que o militar fique proibido de se aproximar e fazer qualquer contato com a mulher e a família. As restrições solicitadas também incluem a suspensão do porte de arma de fogo do militar, a proibição temporária de visitar a filha e a obrigação de pagar pensão alimentícia.
A Polícia Civil chamou o sargento para depoimento, mas ele ficou em silêncio.
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